Com todo respeito que dedico aos leitores deste espaço, quero deixar claro que minha parte eu fiz. Denunciei, alertei e expus, ainda no início, o absurdo que estava em curso: um terreno público, pertencente ao povo de Jeremoabo e destinado à construção de uma praça, foi simplesmente apropriado para fins particulares. No lugar da praça sonhada por muitos, surgiu uma pousada privada, construída pelo então procurador do município — alguém que, ironicamente, deveria zelar pela legalidade e pelo interesse público.
Esse terreno, que deveria servir de espaço de lazer e convivência para a comunidade, foi invadido e transformado em empreendimento particular. O fato é grave por si só, mas mais grave ainda é o silêncio cúmplice daqueles que têm, por dever de ofício, a obrigação de fiscalizar: os vereadores.
É revoltante constatar que, diante de uma apropriação indevida de um bem público, os vereadores — eleitos e regiamente pagos com dinheiro do povo para exercerem o papel de fiscalização e defesa da legalidade — nada fizeram. Foram omissos. E a omissão, nesse caso, é mais do que um ato passivo: é uma forma de prevaricação. Sabiam, tinham o dever de agir, mas optaram pelo silêncio conveniente. E quando o silêncio protege o erro, ele se torna cumplicidade.
Não sou eu o salvador da pátria. Fiz o que estava ao meu alcance, como cidadão consciente e comprometido com o bem coletivo. A responsabilidade agora é daqueles que possuem o mandato e os instrumentos legais para agir — mas preferem fingir que nada está acontecendo. Talvez por medo, talvez por interesses, talvez por pura negligência.
O povo de Jeremoabo tem os vereadores que merece. E enquanto essa consciência não for despertada nas urnas e nas ruas, práticas como essa continuarão a acontecer. Porque onde não há cobrança, não há mudança.
A pousada construída no terreno que era da Prefeitura é mais do que um escândalo: é um símbolo do abandono da função pública, da inversão de valores e da triste realidade de um Legislativo que se acovarda diante dos poderosos.
Fica o registro. A história julgará.