Em Jeremoabo, vivemos hoje um contraste marcante entre duas posturas diante da nossa rica história e cultura. De um lado, temos o prefeito Tista de Deda, que tem se mostrado um verdadeiro guardião da memória jeremoabense, promovendo eventos, apoiando ações culturais e reconhecendo a importância dos grandes nomes que marcaram o desenvolvimento do município. Do outro lado, lamentavelmente, parte da Câmara Municipal parece caminhar na contramão da própria história, tentando, através de atos administrativos e decisões unilaterais, apagar símbolos e datas que são patrimônio imaterial do nosso povo.
Recentemente, o prefeito Tista participou com entusiasmo da palestra sobre o Cangaço, realizada no Colégio Tecnológico do Estado da Bahia (CTP), em Jeremoabo. Em suas palavras, destacou a importância de iniciativas como essa:
"Participei com grande alegria da palestra sobre o Cangaço, realizada no CTP, aqui em Jeremoabo. Um momento grandioso de resgate da nossa cultura, memória e das figuras que marcaram a história do nosso sertão e da Bahia. O Cangaço é parte da nossa identidade, e eventos como esse fortalecem o orgulho de ser jeremoabense. Nossa cidade tem história, tem legado e tem gente que fez e faz parte da construção de tudo isso! Vamos continuar valorizando nossa história, porque quem conhece suas raízes constrói um futuro mais forte!"
Esse tipo de iniciativa reflete o compromisso do gestor municipal em resgatar e valorizar a identidade do povo jeremoabense. No entanto, o que deveria ser um esforço coletivo pela preservação do nosso patrimônio cultural, infelizmente, é contrariado por atitudes insensíveis de parte do legislativo municipal.
Um exemplo gritante é a mudança arbitrária do nome da Escola Reunidas Coronel João Sá — um verdadeiro ícone da educação em Jeremoabo. A instituição, assim como a rua que leva o mesmo nome, carrega uma memória afetiva e histórica para diversas gerações. O Cel. João Sá foi uma das maiores lideranças não apenas de Jeremoabo, mas de toda a região. Seu nome representa uma era, um legado, uma contribuição que não pode ser apagada com uma simples canetada.
Mais grave ainda é que essa alteração foi feita sem o devido debate com a população, sem ouvir professores, ex-alunos, historiadores ou a comunidade. A mudança fere um sentimento coletivo e atinge diretamente o orgulho e a identidade do povo jeremoabense. É como se tentassem reescrever a história sem considerar os protagonistas que a viveram.
E não para por aí. Há ainda uma tentativa em curso de alterar a data da emancipação política de Jeremoabo — um movimento que levanta sérias dúvidas sobre sua motivação e que parece desconsiderar todo o contexto histórico que envolve a fundação do município.
Diante de tais afrontas à nossa memória, a pergunta que ecoa pelas ruas e pelos corações dos jeremoabenses é: Será que precisamos mudar todo o contexto da nossa história?
A resposta, sem dúvida, é não.
É urgente e necessário que a atual gestão municipal tome uma atitude firme e propositiva. Que envie à Câmara um Projeto de Lei que revogue a mudança imposta ao nome da Escola Reunidas Cel. João Sá, restaurando à instituição o nome que lhe pertence por direito e por origem. Que o poder executivo também se posicione contra qualquer tentativa de alterar datas históricas que compõem o alicerce da nossa identidade municipal.
Preservar a memória é um ato de respeito, de reconhecimento e de amor à terra. Que Jeremoabo continue a olhar para o futuro sem esquecer de onde veio. Afinal, quem apaga a própria história, apaga também o caminho para o futuro.