segunda-feira, maio 26, 2025

Jeremoabo e o São João de 2025: Entre a Alegria das Quadrilhas e a Omissão dos Vereadores

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Jeremoabo e o São João de 2025: Entre a Alegria das Quadrilhas e a Omissão dos Vereadores

O ano de 2025 promete um São João vibrante em Jeremoabo, com a cidade sendo tomada por cores, passos sincronizados, e o som contagiante do forró. As tradicionais quadrilhas juninas ganham força e visibilidade, com a confirmação de apresentadores renomados que marcarão presença em várias apresentações. Essa valorização midiática traz, sem dúvidas, maior alcance e prestígio para os grupos locais, projetando a cultura jeremoabense para além das divisas do município.

A tradição junina, fortemente enraizada na identidade cultural de Jeremoabo, se consolida como um dos pilares do calendário cultural da cidade. Cada bairro, cada comunidade, movimenta-se para pôr na rua suas quadrilhas, costuradas com esforço, paixão e talento. No entanto, entre tantas manifestações populares, uma delas se destaca não apenas pela criatividade ou pela qualidade técnica — mas também por carregar consigo uma crítica sutil, embora poderosa: a quadrilha “Ripões e Mourões do Parque de Exposição”.

Essa quadrilha tem tudo para sair vitoriosa em 2025. Não apenas pelo desempenho artístico, mas pelo simbolismo político que carrega. Com um nome que remete diretamente ao escândalo do desaparecimento de materiais públicos no extinto Parque de Exposições, a “Ripões e Mourões” dança não apenas pelo São João, mas também pela memória da população — que ainda cobra respostas nunca dadas.

A performance é marcada por um cenário que simboliza abandono e negligência, com personagens que aludem, sem citar nomes, a figuras públicas locais. Em especial, os vereadores, cuja omissão diante de tantos escândalos transformou a fiscalização — que deveria ser função primordial — em silêncio conivente. A sátira dança entre a poeira da impunidade e o brilho do talento popular, jogando luz onde as autoridades preferem a sombra.

Enquanto microfones ecoam a voz de apresentadores famosos e os aplausos enchem as praças, permanece o contraste: o povo segue sendo protagonista da cultura, enquanto seus representantes políticos se ausentam do palco da responsabilidade. A “Ripões e Mourões do Parque de Exposição” não apenas diverte — ela denuncia. Ela zomba da ausência do poder fiscalizador, ela dança sobre os escombros do que já foi símbolo de desenvolvimento rural e, sobretudo, ela relembra à população que a cultura também é instrumento de resistência.

Que neste São João, entre uma quadrilha e outra, não nos esqueçamos de que, por trás das bandeirolas coloridas, ainda existem estruturas que precisam ser reconstruídas — começando pela ética pública.

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