Publicado em 30 de maio de 2025 por Tribuna da Internet
Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)
Josias de Souza
do UOL
Ao travar a política tarifária da Casa Branca, um tribunal federal de comércio dos Estados Unidos levantou um debate de importância histórica. A decisão mostrou que está em jogo não o desejo de Trump de impor tarifas ao mundo, mas a sobrevivência de um sistema que impõe limites ao exercício arbitrário do poder.
Sediado em Manhattan, o Tribunal de Comércio Internacional julgou ações movidas por 13 estados americanos e cinco pequenas empresas – de importadora de bebidas a fabricante de instrumentos musicais.
VIOLOU A LEI – A Corte concluiu que Trump violou a lei ao taxar as importações sem autorização do Congresso. Trump já recorreu. Na década de 70, o Congresso americano concedeu ao presidente o poder de tarifar produtos estrangeiros a seu bel-prazer apenas em situações de “emergência”.
Trump aproveitou a imprudência legislativa para criar uma emergência imaginária. Utiliza como pretexto a “libertação” dos Estados Unidos de um déficit comercial com o qual o país convive há décadas.
Na prática, Trump substituiu o Estado de Direito, no qual seu governo precisaria coexistir com o Legislativo e os tribunais, pela tirania. Os americanos assistem a um ataque do seu presidente contra a própria República. O custo do despotismo tarifário não se compara ao prejuízo decorrente da demolição da democracia americana. O tribunal de Manhattan ergueu uma barricada. É preciso que se transforme numa muralha.