Publicado em 12 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Néo Correia (bocadura.com)
Carlos Newton
Decididamente, não se pode confiar em políticos como o presidente eleito Lula da Silva e seu vice Geraldo Alckmin. Ambos não têm ficha suja nem jamais terão, devido à leniência e à lentidão que caracterizam a Justiça brasileira e garantem a impunidade de governantes corruptos como eles, que agiram como se fossem protagonistas daquele famoso filme americano “Meu passado me condena”, com o ator Dirk Bogarde.
Embora o braço da Justiça não os alcance, nós sabemos o que Lula e Alckmin fizeram no verão passado, digamos assim. E agora, com base na palavra deles, que não vale uma moeda de três reais, o Congresso está aprovando a PEC de Transição (ou PEC da Gastança) sem fazer maiores cálculos.
SEM BASE REAL – O total a que se chegou para estourar o teto de gastos públicos foi baseado na análise feita pela equipe de transição, liderada por Alckmin. Pediram R$ 200 bilhões, muito mais do que seria necessário, é claro. O Congresso desconfiou e o Senado reduziu para R$ 168 bilhões, em dois anos, porque os parlamentares sabem que não podem confiar nesse tipo de gente.
Na verdade, o governo Lula precisa de muito menos e está apenas fazendo caixa antecipadamente, porque o aumento do número de ministérios vai elevar expressivamente os gastos públicos, mas Lula e Alckmin não estão nem aí, como dizem os baianos da axé music.
Cálculos precisos jamais foram feitos. Mas Lula e Alckmin são especialistas em superfaturamento e sabem que vão precisar de muito menos recursos do que estão pleiteando ao Congresso.
REDUÇÃO DOS GASTOS – Quando exibiram ao Congresso os números superdimensionados, os representantes do governo eleito esqueceram de informar que os gastos com o programa Bolsa Família serão expressivamente reduzidos com o novo cadastramento a ser feito no início da gestão.
Logo de cara, devem ser excluídos dos cálculos os 79 mil militares que recebiam o benefício. Além disso, será restabelecido o critério de recebimento único por família, porque, no desespero para atrair eleitores, o governo Bolsonaro facilitou o cadastramento por CPF. Assim, se há dois, três ou mais adultos na mesma família, o benefício é multiplicado. E isso vai acabar.
Em dezembro de 2021, os benefícios unipessoais – de pessoas que alegam estar morando sozinhas – deram um pulo de 2 para 3 milhões. Depois, foram subindo para 3,5 milhões, 4 milhões, 4,5 milhões, até chegar a 5 milhões em um ano. Com toda certeza, pelo menos 2,5 milhões desses inscritos terão anulados seus cadastros.
###
P.S. 1 – Muitas outras pessoas que têm emprego se cadastraram, como um assessor de Gilberto Gil e a filha do general-deputado Eduardo Pazuello, vejam bem a esculhambação reinante. Assim, se for feito um recadastramento decente, os gastos do novo programa Bolsa Família vão cair espantosamente. É isso que o novo governo vai realizar, mas os parlamentares não sabem nem se interessam em saber.
P.S. 2 – Seria importantíssimo se houvesse punição aos fraudadores. Mas quem acreditaria em punição à filha de Pazzuelo? (C.N.)