segunda-feira, fevereiro 07, 2022

Moro, uma presença importante




Cabe a Moro sair da casca de homem da lei e se entregar à missão de estadista, de homem que pode usar a enorme fama e sólido conceito em favor do bem, do progresso

Por Vittorio Medioli (foto)

Não é por nada que o PT, Partido dos Trabalhadores, tenta barrar a candidatura de Sergio Moro. Sabe, por experiência própria, que as massas podem ser movidas por utopia, sonho, algo maior e explosivo. Moro é o único que tem esse potencial intacto para entrar em cena com aquela utopia que movimenta montanhas, que produz milagres. 

A decência, a coragem, a dedicação, os tempos novos, já que os antigos são para ser esquecidos, tratam de sentimentos universalmente presentes na população. Podem estar adormecidos na consciência das massas, mas são compreendidos de norte a sul, de classe em classe, entre analfabetos e doutorados. Se a guerra contra o bolsonarismo já tem moldura, limites e espaço conhecido para o PT, contra Sergio Moro representa por enquanto uma incógnita. Certo é que ele pode despertar uma força incontrolável para a qual não existe um antídoto definido. Espera-se no PT que a falta de experiência política dele, a mesma que abalou seu trânsito no Ministério da Justiça, a visão retraída, como deve ser de um “juiz”, a ingenuidade contra a malandragem solta em Brasília o deixarão fragilizado, como vidro fino contra a artilharia que vem de fora. 

Se as divergências com o bolsonarismo são polêmicas, com o PT “encarcerado” por Moro ultrapassam as raias do imaginável. Odiado, inimigo-mor. Ele ousou não apenas de um microfone destratar o PT, ele algemou e condenou à cadeia as autoridades máximas do partido, com os homens mais poderosos do Brasil, todos por corrupção. Moro pode vir a ser visto, ainda não é, como uma via para limpar o Brasil dos seus piores males. 

Ainda é uma incógnita “sem pecado”, tem a seu favor a inteligência e a coragem de prender os mais poderosos, os sequestradores do progresso, dos avanços, da democracia “violentada”. É um candidato que certamente não terá o apoio de empreiteiros, da Odebrecht, da Andrade Gutierrez, do mecanismo político da corrupção, que já se direcionou para outros candidatos, os saudosos do petrolão. 

Não possui fantasmas no armário, portanto tentarão colocar alguns, mas seu passado é de muitas virtudes, honestidade e probidade inoxidáveis ao ácido de figura sem moral. 

A CPI que queriam lhe jogar nas costas ruiu de imediato, porque a ideia, mais que o desgastar, desgastou os proponentes do PT. Ficou Rui Falcão para continuar com a determinação cega, que não é coisa nova para ele.  

Moro tem notoriedade, é conhecido de norte a sul, chegou em certo momento da Lava Jato a constar entre as dez personalidades mais admiradas do planeta. Enfim, é alguém que internacionalmente se contrapõe à fama de outros delinquentes da política. Ele pode ser uma garantia de que o Brasil se ergueu intelectualmente e assumiu, enfim, o caminho que tanto se esperava. 

As virtudes de Moro são compreendidas facilmente por pobres e ricos, a imagem brilha em qualquer cenário. Falta-lhe, provavelmente, esquecer que foi um juiz, retraído, comedido, imparcial. Tem que se engajar nas soluções que o Brasil precisa no campo, nas estradas, nas escolas, no sistema de saúde, entre jovens e maduros, nos sonhos de uma vida melhor. 

O que ele representa é difícil de ser criticado sem apanhar. Isso, no decorrer de uma campanha, de debates, de exposição contínua, pode revelá-lo como a “solução” que temos ao alcance. Cabe a ele sair da casca de homem da lei e se entregar à missão de estadista, de homem que pode usar a enorme fama e sólido conceito em favor do bem, do progresso. 

Tudo isso, epidermicamente, os adversários reconhecem, entretanto o PT, encarcerado por ele, não tolera. “Cartago delenda est”. Deve ser destruído. Veneno e arsenal pesado não faltarão para tirá-lo da candidatura. O confronto de Lula contra Moro representará a grande atração da campanha, dos debates, o fla-flu para atrair multidões. Um confronto que vai além das fronteiras do Brasil e acenderá a atenção internacional. 

Moro é uma pessoa que já fincou seu nome na história do Brasil com alguns capítulos inesquecíveis, ligados à derrocada da corrupção que viveu nas entranhas do Brasil e não o deixou crescer porque sugou o que tinha de bom e melhor. A presença dele na campanha manterá vivo o sentimento de que existe um perverso mecanismo político e financeiro, o maior inimigo da nação, refratário às dores da miséria, insaciavelmente possuído por luxo, cobiça e dinheiro.

Se conseguir passar o Rubicão, pode chegar a Roma. 

O Tempo

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