Publicado em 5 de fevereiro de 2022 por Tribuna da Internet
Charge do Bruno Lanza (Arquivo Google)
Valdo Cruz
G1 Brasília
Os partidos do Centrão querem ampliar ainda mais o espaço ocupado no governo do presidente Jair Bolsonaro quando for concretizada a reforma ministerial. Segundo o próprio Bolsonaro, no dia 31 de março onze ministros deixarão os cargos para disputar as eleições deste ano.
Partido ao qual Bolsonaro está filiado, o PL, por exemplo, de Valdemar Costa Neto, quer manter o controle da Secretaria de Governo, atualmente chefiada por Flavia Arruda, e também indicar o futuro ministro da Infraestrutura, posto atualmente ocupado por Tarcísio Gomes de Freitas.
MAIS DE ONZE? – Embora Bolsonaro tenha falado em trocar onze ministros, este número pode ser maior. Isso porque alguns deles ainda avaliam se serão ou não candidatos.
A reforma vai atingir praticamente metade da Esplanada dos Ministérios e desperta o apetite dos aliados de Bolsonaro. Hoje o Centrão comanda, por exemplo, a Casa Civil, a Secretaria de Governo e os ministérios da Cidadania e da Agricultura. Além de manter o controle sobre as pastas já sob seu comando, o Centrão quer também, a Infraestrutura e a Agricultura.
No início do mandato, Bolsonaro até gostaria de ter o controle direto sobre essas trocas. Só que hoje o presidente é refém do Centrão e vai sofrer a pressão dos aliados pela indicação dos novos ministros.
OS QUE SAEM – Devem deixar os cargos: Flavia Arruda (Secretaria de Governo), João Roma (Cidadania), Tereza Cristina (Agricultura), Onyx Lorenzoni (Trabalho), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Gilson Machado (Turismo) e Rogerio Marinho (Desenvolvimento Regional);
Ainda analisam a situação: Fabio Faria (Comunicações), Damares Alves (Família e Direitos Humanos), Marcelo Queiroga (Saúde), Anderson Torres (Justiça), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e Braga Netto (Defesa).
VICE DE BOLSONARO – O ministro da Defesa, Braga Netto, é visto pelo presidente Bolsonaro como o vice ideal para a campanha à reeleição. Mas o general da reserva enfrenta resistências do Centrão. Os partidos do grupo não querem filiar o ministro da Defesa.
Bolsonaro teme que um candidato a vice do mundo político, como defende o Centrão, possa conspirar contra ele no futuro, como aconteceu com a ex-presidente Dilma Rousseff. O MDB de Michel Temer, então vice da petista, atuou nos bastidores para aprovar o processo de impeachment.
Por isso, a situação permanece indefinida.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Há também indefinição no caso de Ciro Nogueira. Tem mais quatro anos como senador, mas sonha em se candidatar ao governo do Piauí. Se pretender fazê-lo, terá de deixar a Casa Civil antes da data fatal para desincompatibilização. (C.N.)