sábado, fevereiro 05, 2022

Articulações para governos estaduais vão se basear nas pesquisas do Datafolha e do Ipec

 Publicado em 5 de fevereiro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (domtotal.com)

Pedro do Coutto

A partir do mês de abril terão início as articulações dos atuais governadores dos 27 Estados em torno das eleições de outubro nas quais serão eleitos 12 novos governadores, além de senadores, deputados e o presidente da República. Quinze governadores vão disputar a reeleição, quatro governadores  deixarão os cargos para concorrerem a outros postos. É o caso de João Doria, por exemplo, Wellington Dias, governador do Piauí, Flávio Dino, governador do Maranhão, e Camilo Santana, governador do Ceará.

Pela legislação, eles têm que renunciar aos postos atuais até seis meses antes do pleito. Portanto, o dia 2 de abril é o limite. O governador Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul e atualmente no PSDB, não pretende disputar a reeleição para o governo estadual. Pode ser que concorra à Presidência da República pelo PSD a convite do presidente da sigla, Gilberto Kassab. Há um grupo de governadores já reeleitos, mas que vão exercer o mandato até o final, não concorrendo às eleições: Rui Costa da Bahia, Paulo Câmara de Pernambuco, Belivaldo Chagas de Sergipe e Waldez Góes do Amapá.

TENDÊNCIAS ELEITORAIS – Na minha opinião, as articulações, como é natural, irão se basear nas tendências eleitorais tanto para a Presidência da República quanto para os executivos estaduais nas tendências reveladas pelo Datafolha e pelo Ipec. Os levantamentos podem não indicar favoritos absolutos, mas funcionam para definir os que não possuem possibilidade de se eleger. Os palanques para os cargos majoritários, caso da Presidência da República,  do Governo e do Senado são essenciais para as candidaturas a governador.

O mesmo não acontece em relação aos candidatos da Câmara Federal e Assembleias Legislativas. Isso porque para eleições proporcionais, a base tradicional está nos redutos e na influência que os políticos exercem nos municípios e nas comunidades, pois são votações concentradas em áreas de influência.

POUCA INFLUÊNCIA – No caso do Senado, governo estadual e Presidência da República, os redutos pesam muito pouco no conjunto do eleitorado e não podem ser levados em conta como decisivos para este ou aquele nome. Eleitores e eleitoras formam um universo geral que não se mostra sensível às investidas setoriais na base de comunidades e obras de interesse local. São fatores que pesam, porém pouco no universo geral. Daí porque as articulações estaduais sempre levam em conta – e desta vez mais ainda – as situações favoráveis e desfavoráveis apontadas pelas pesquisas dos institutos.

Eu disse que pesam este ano mais ainda em face da polarização no âmbito federal entre Lula da Silva e Bolsonaro, em relação à qual ainda não surgiu uma terceira alternativa. João Dória ainda não pontuou de forma expressiva e os ataques de Ciro Gomes a Sergio Moro representam uma luta pelo terceiro lugar na opinião pública. Mas os índices de ambos, com vantagem para Moro, não afetam o equilíbrio geral registrado até agora, critério em que o desfecho fica restrito a apenas dois nomes.

BARROSO E O TELEGRAM – Numa entrevista a Beatriz Bulla, correspondente do Estado de S. Paulo em Washington, o ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que a posição do Telegram em relação às fake news voltadas para o plano político é preocupante. Barroso foi a Washington participar de uma reunião de Tribunais Eleitorais na OEA exatamente para debater os rumos das justiças eleitorais em relação às eleições deste ano.

Luís Roberto Barroso disse não gostar da ideia de banir uma plataforma na internet, referindo-se ao Telegram, pois revelou  já ter estabelecido parcerias com o Facebook, com o WhatsApp e o TikTok a respeito de investidas voltadas à desinformação. Entretanto, em relação ao Telegram, o panorama é diferente. Disse que não houve resposta ao pedido de reunião feito por ele em dezembro sobre o mesmo tema e que sem representação no Brasil, o Telegram não recebe e cumpre ordens judiciais.

FORA DE CONTROLE – Sua sede é na Rússia e ele se torna um território fora de controle. No aplicativo russo, acrescentou Barroso, não há limite para encaminhamento de mensagens e o número de pessoas presentes em grupos pode chegar a 200 mil, o que facilita o disparo de notícias falsas.

Preocupa em face do uso abusivo das redes sociais. O Telegram, frisou ainda, tem sido o serviço preferido entre os bolsonaristas. Mas qualquer ato relevante na comunicação social tem que estar sujeito à justiça brasileira, já que está operando no país. Barros voltou a atacar fortemente a desinformação que se torna um veneno no processo político e social de qualquer nação.

REAÇÃO DOS MÉDICOS –  Médicos mostram-se preocupados com a ômicron e a contaminação que vem atingindo os próprios médicos que se encontram sobrecarregados de trabalho, o que decorre em parte da absurda campanha contra a vacinação: 57% da classe médica afirmam que a interferência absurda leva  grupos de pessoas a minimizar ou negar o problema.

Para 55% trata-se de uma situação totalmente absurda, pois afinal de contas ninguém de bom senso pode ser contra a vacinação e ainda por cima fazer propaganda contra as vacinas, incluindo a imunização infantil, único caminho para conter o processo do coronavírus e suas variantes. De fato, é uma ação criminosa, a meu ver, pessoas poluírem as redes sociais, fazendo campanha contra uma forma de preservar a saúde e até a vida humana.

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