Publicado em 5 de novembro de 2021 por Tribuna da Internet

No governo Itamar, Antonio Houaiss era ministro da Cultura
José Carlos Werneck
Um presidente da República não é obrigado a dominar inteiramente todos os assuntos, mas deve ter a sensibilidade necessária para escolher os melhores auxiliares que o levem a fazer um bom Governo. Falo isso, especialmente, neste momento de imenso vazio cultural que o Brasil está vivendo.
O saudoso presidente Itamar Franco possuía essa qualidade tão necessária de escolher seus colaboradores. Sabia, como poucos, indicar seus ministros. Um exemplo disso foi a nomeação de Antonio Houaiss para o Ministério da Cultura.
UM GIGANTE – Notável intelectual, professor, diplomata e filólogo, em abril de 1971 Houaiss foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, sendo o quinto ocupante da cadeira 17, na sucessão de Álvaro Lins. Foi recebido, quando tomou posse, pelo acadêmico Afonso Arinos de Melo Franco. Houaiss foi eleito presidente da ABL em 1996, onde coube a ele receber os acadêmicos Antônio Callado e Sérgio Paulo Rouanet.
Seu currículo é impressionante e demonstra o amplo alcance intelectual. Foi membro d o Conselho Federal de Cultura, onde permaneceu até a extinção do órgão. Em 1990, recebeu o Prêmio Moinho Santista, na categoria Língua, em reconhecimento a sua atuação como um dos mais notáveis filólogos brasileiros.
Eu, particularmente, tenho Antonio Houaiss no mais alto conceito, por seu hercúleo trabalho na magnífica tradução do livro “Ulysses”, do escritor irlandês James Joyce, uma obra de dificílima leitura, que faz “Guerra e Paz” do autor russo Liev Tolstói, parecer uma revista em quadrinhos…
SEM CORRUPÇÃO – Ao contrário de Bolsonaro, por exemplo, o então presidente Itamar Franco jamais alardeava que não havia corrupção em seu governo, embora fosse implacável na repressão.
O chefe da Casa Civil era o intelectual mineiro Henrique Hargreaves, seu amigo desde a juventude. Quando houve denúncias contra ele, o presidente imediatamente o afastou, para que pudesse se defender e provar inocência. Quando isso aconteceu, nomeou-o de novo, com todas as honras a que fazia jus. Bons tempos, aqueles…