Dr. Marcos Leão(Colunista)Grandes perspectivas no tratamento do diabetes dominam as atenções do mundo médico nesse exato momento, nas suas duas vertentes: o Tipo 1, usualmente adquirido na infância/adolescência, de origem imunológica; e o tipo 2, de causa multifatorial, intimamente associado à hereditariedade e ao estilo de vida sedentário e hiperfágico da população moderna.
Embora ambas carreguem o mesmo padrão de açúcar elevado no sangue e altíssimas taxas de complicações (cegueira, insuficiência renal, doenças cardiovasculares, amputações, etc), os dois tipos apresentam vertentes distintas em termos de freqüência e modalidades de tratamento. No tipo 1, menos comum, o paciente se apresenta com falência completa do pâncreas e requer regimes rigorosos de reposição insulínica por toda a vida. No tipo 2, intimamente associado à obesidade, responsável por quase 90% dos indivíduos com diabetes, a doença costuma aparecer de forma mais insidiosa e evoluir mais lentamente até o ponto de se apresentar de forma igualmente grave e fatal. Apesar de algumas características diferirem uma da outra, o ponto comum é que são uma doença crônica, onde não se fala em cura, e sim em tratamento, em controle. Ou melhor, não se falava. Recentemente uma das revistas mais respeitadas pela comunidade médica, a JAMA (Journal of American Medical Association), dedicou-se quase que exclusivamente ao tema do Diabetes, com editoriais, comentários e artigos científicos que mexem com os conceitos e paradigmas no tratamento da doença.
Entre os artigos e comentários, dois se destacam de forma mais exuberante e nos despertam mais. Uma pesquisa proveniente do Hemocentro da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, coordenado pelo Dr. Julio Voltarelli, apresenta resultados extremamente promissores em um grupo de pacientes com diabetes tipo 1 recentemente diagnosticado, submetidos a transplante de células tronco, onde a grande maioria dos pacientes ficou livre de tratamento com insulina e melhorou substancialmente seus níveis de glicemia, bem como as taxas de Peptídeo C, um marcador laboratorial da quantidade de tecido pancreático funcionante.
Em outro artigo, os Drs. David Flum e Jonathan Purnnel das Universidades de Washington e Oregon respectivamente, comentam os fantásticos resultados no controle do diabetes que vem sendo obtidos em pacientes submetidos a cirurgia bariátrica e debatem sobre o papel desta cirurgia nos diabéticos como forma primária de tratamento da doença, independentemente do grau de obesidade.
A publicação desses artigos coincidem com várias outras publicações importantes que caminham na mesma direção. No mês passado, por exemplo, foi publicado na revista The Lancet um estudo com um dos maiores números de pacientes já divulgados (cerca de 900.000 indivíduos) estabelecendo uma relação linear e direta entre obesidade (através do Índice de Massa Corporal), Diabetes, Hipertensão, Dislipidemia (alterações no colesterol e triglicérides) e Mortalidade. Na semana passada a revista Diabetes Care mostra os benefícios econômicos para o sistema de saúde com o tratamento cirúrgico da obesidade, baseados em um estudo que comparou uma das técnicas cirúrgicas com o tratamento clínico, e que já se houvera mostrado extremamente superior em taxas de remissão da doença e qualidade de vida.
Finalmente, nessa mesma semana, as Sociedades Brasileiras de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e a de Endocrinologia e Metabologia, divulgam um documento conjunto formalizando o tratamento cirúrgico do diabetes para pacientes com IMC superior a 35. É um passo tímido ainda, pois muito pode ser feito com as técnicas cirúrgicas para se ajudar diabéticos com graus de sobrepeso e obesidade menores, e nossa experiência pessoal com um grande número de diabéticos nessas circunstancias tem mostrado resultados impressionantes, mas é um caminho que começa a ser trilhado com passos mais firmes pelas Sociedades Médicas que olham prioritariamente para os interesses dos pacientes.
Considerando que cerca de 250 milhoes de pessoas sofrem de diabetes no mundo, e que pelo menos 4 milhões morrem a cada ano devido a essa doença, vocês podem imaginar o impacto que esses promissores tratamentos podem trazer para homens e mulheres que até então viviam sem nenhuma perspectiva de cura.
Marcos Leão Vilas Boas
Vice-Presidente da SBCBM - Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica
Fonte: Notícia Capital
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