BRASÍLIA - Em um inflamado discurso para cerca de 3,3 mil prefeitos de todo o País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou das críticas dos jornais e disse que a imprensa foi "pequena" ao afirmar que ele convocou o "Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas" para anunciar medidas de apoio às prefeituras e, assim, promover a candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Além de atacar a imprensa por ter classificado a ajuda aos prefeitos de "pacote de bondades", Lula criticou a gestão tucana em São Paulo, sem citar o nome do governador José Serra, ao afirmar que o Estado mais rico do País tem 9,9% de analfabetos. "Isso é sinal de que tem alguma coisa errada", afirmou. A crítica de Lula causou constrangimento ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, aliado do governador Serra. "Eu também não sabia, Kassab. Pasme, caia de costas, Kassab", disse, referindo-se aos números do analfabetismo.
Sempre em tom exaltado, o presidente, que sempre disse que foi eleito "graças à liberdade da imprensa", mudou o discurso: "Não é porque a imprensa me ajudou que fui eleito, mas porque suei para enfrentar o preconceito e o ódio dos de cima para com os de baixo", afirmou ele qualificando as interpretações de jornais de "insinuações grotescas". E acrescentou: "Nunca fui eleito porque a imprensa brasileira ajudou. Eu fui eleito porque o povo quis".
No "pacote de ataques" do presidente, sobrou até para a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. Depois de avisar que o Programa de Aceleração do Crescimento atrasou no final do ano passado por causa das eleições municipais, Lula declarou que a crise econômica não vai atrapalhar ou atrasar qualquer obra do PAC, além de pedir aos empresários que trabalhem em dois turnos para apressá-las e gerar mais empregos. "Nenhuma obra do PAC irá sofrer qualquer diminuição por causa da crise. Nós cortaremos o batom da dona Dilma, cortaremos (a verba para) o meu corte de unha, mas não cortaremos nenhuma obra do PAC neste País", afirmou Lula.
O próprio presidente Lula reconheceu que o seu humor não estava mesmo dos melhores. "Estou meio frustrado. Tem dia que a gente acorda virado e, se cair um pingo de suor no copo vira limonada", disse ele, passando a destilar sua ira contra a imprensa, fazendo referências a matérias que afirmou ter lido nos jornais. No final do ano passado, o próprio presidente, em entrevista à revista 'Piauí', declarou que não lia os jornais e que "ficava com azia" quando fazia isso.
"Fiquei triste como leitor porque abusaram de minha inteligência e pensam que o povo é marionete e pensa como manada, que o povo é marionete, é vaca de presépio. As pessoas não percebem que o povo consegue pensar com sua própria cabeça ", disse. "Mas acabou o tempo em que alguém achava que poderia influenciar uma eleição por ser formador de opinião", acrescentou ele, reclamando da interpretação de alguns veículos da imprensa de que o pacote de medidas anunciadas ontem de ajuda aos municípios - como o reparcelamento das dívidas das prefeituras com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - foi um "ato de bondade".
Prosseguindo o discurso de improviso que durou cerca de 50 minutos, Lula ainda citando os jornais, comentou que um deles indagou "como é que o presidente vai dar dinheiro para prefeito bandido?". E ele mesmo respondeu, sendo aplaudido pela plateia que lotava o Centro de Convenções Ulysses Guimarães: "Eu fiquei pensando como é fácil julgar as pessoas. Como é fácil condenar as pessoas previamente sem saber sequer o que elas estão fazendo. Não deram sequer a oportunidade para vocês mostrarem que não são os ladrões que escrevem que vocês são. Não é possível que a gente possa se calar diante de tamanha ofensa".
Além do presidente, participam da abertura do encontro de prefeitos mais de duas dezenas de ministros, os presidente do Senado, José Sarney, e da Câmara, Michel Temer, além dos prefeitos de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) e do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB).
Fonte: Tribuna da Imprensa
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