domingo, julho 29, 2012

O amargo dever dos advogados

Carlos Chagas

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Julgamento no STF não será último capítulo do mensalão

Dependendo da sentença dos ministros do Supremo, personagens envolvidos no caso podem ganhar ou perder capital político

“Governo é omisso”, diz filho de Vladimir Herzog

Vladimir Herzog: família quer que o Estado reconheça que o jornalista foi assassinado pela ditadura militar
Família do jornalista morto pela ditadura quer reabrir o caso para derrubar a versão do suicídio, mas reclama não encontrar amparo do Palácio do Planalto
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Jornais: absolvição de Collor inspira réus do mensalão

Heitor Peixoto: receita para falar bem ao celular no país

Leonardo Boff: começou o tempo do mundo finito

Dólares brasileiros no exterior explicam a desigualdade no país

Pedro do Coutto

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Heitor Peixoto
Heitor Peixoto

Quer telefonia móvel de qualidade no país?

“Se você quiser falar ao celular no país, tem duas opções: ser preso ou virar amigo do Cachoeira”


Vida de deputado: alto risco de doenças cardíacas

Metade dos deputados tem risco de enfarte

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Absolvição de Collor inspira defesa de réus do mensalão


saude caos politicos 290512 rico humor politico 580x288 Saúde Pública e os Políticos

Mensalão: Dilma tenta evitar que julgamento espirre em seu governo

 

 

 

sábado, julho 28, 2012



BRASIL: IGREJA INCENTIVA REBANHO A NÃO VOTAR EM CANDIDATO CORRUPTO

A Igreja quer aproveitar as eleições municipais desse ano para eliminar do pleito “os candidatos cujas vida pregressa de acordo com a lei (da Ficha Limpa) contamina o cenário político e ameaça a democracia” . Para tanto propõe ao seu rebanho e aos eleitores em geral que não venda seu voto e nem o anule, pois quem anula o voto “omite-se e renuncia à possibilidade de participar do processo político”. Os conceitos estão no documento “Orientação sobre a participação dos católicos nas eleições” distribuído nesta quarta-feira (6), pela Arquidiocese através do arcebispo-primaz do Brasil e de Salvador, dom Murilo Krieger.
Um dos principais alertas da Igreja é para que o eleitor “avalie, com cuidado, as campanhas dos candidatos, a quantidade de dinheiro gasto e as promessas feitas. Verifique se eles terão condições de cumprir o que estiverem prometendo”. Pede uma “atenção especial” à “propaganda enganosa, á oferta de dinheiro ou favores que visem enganar o eleitor”. Preparado pelo Conselho Presbiteral da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, com base na mensagem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) “Eleições municipais de 2012” as orientações terão ampla divulgação, conforme explicou dom Murilo.
“A ideia é que os padres incentivem a leitura e a reflexão nos vários grupos. Enfim, queremos que todos tomem consciência, pois estamos preocupados com o seguinte: diante do que aparece na mídia sobre os políticos há o perigo das pessoas descrerem da política, acharem que é uma coisa ruim, quando ela é a arma do cidadão para se defender da corrupção. Se há corrupção é porque a escolha dos candidatos foi errada de quem os elegeu”, declarou, assinalando que além da tomada de consciência em relação ao voto, os brasileiros precisam acompanhar os mandatos de quem elege. “As pessoas devem acompanhar, se manifestar, elogiando quando uma coisa é bem feita ou reclamar das coisas erradas, através de e-mails e os vários meios de comunicação”. O arcebispo deu “graças a Deus” ao aparecimento da Lei da Ficha Limpa, e “uma lástima” aos ataques que a legislação sofre, e acredita haver a necessidade de se criar uma “cultura política do povo de cobrar dos seus representantes. E se o político representa bem merece ser reeleito, senão é melhor que não receba mais voto”. A Tarde

 

 

Voto não tem preço, tem consequência - Parte I



O eleitor brasileiro vive um descrédito sem precedentes em relação aos partidos políticos e a classe política. Perde-se até mesmo a vontade de votar porque não se acredita mais nas promessas mirabolantes apresentadas durante a campanha eleitoral nos palanques, no rádio e na televisão.

São promessas não cumpridas e que visam apenas a perpetuação no poder de políticos corruptos e sem escrúpulos, que se utilizam do dinheiro público para enriquecimento ilícito. É comum pessoas entrarem na política sem nenhum patrimônio, e ao saírem, ostentarem carrões, mansões, apartamentos, fazendas e outras riquezas.

Esta prática hedionda vem deixando muitos cidadãos revoltados, a ponto de não assistirem os programas eleitorais e pouco ligarem para pronunciamentos em cadeia de rádio e televisão, de "autoridades" com mandato eletivo.

A charge mostra o descrédito com a classe política
Infelizmente a falta de uma boa educação pública vem contribuindo ao longo do tempo para solidificar esta fábrica da politicalha. A péssima formação acadêmica da população, aliada à brutal desigualdade social, contribui para dilacerar a maioria do povo brasileiro.

Faltam a conscientização e a criticidade para que o eleitor escolha representantes comprometidos com a coletividade, e isto só se consegue com educação pública de qualidade, algo que não interessa aos maus políticos.

As eleições municipais estão se aproximando. Pesquise a vida dos candidatos. Se ele for "ficha suja" ou apoiado por "fichas sujas", diga não, pois o seu futuro e o futuro de sua família está em jogo.

Contribua com a democracia e o desenvolvimento do seu município. Não venda o seu voto, afinal, voto não tem preço, tem consequência.

Esta é uma campanha do Juazeiro Alerta. Compartilhe e divulgue nas redes sociais!

Opinião: Oliveira Alves/Juazeiro Alerta

LEI FICHA LIMPA: CANDIDATO PODE FICAR INELEGÍVEL INDEPENDENTE DA DECISÃO DAS CÂMARAS DE VEREADORES


O candidato ficará inelegível se houver dolo nas contas
Prefeitos que tiveram as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) por irregularidades que configurem ato doloso (intencional) poderão ficar inelegíveis nas eleições deste ano, independentemente do julgamento das câmaras de vereadores.
A decisão é do Supremo Tribunal Federal (STF), adotada no início deste mês, quando se julgou a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa (nº 135/2010), e foca nos gestores que foram ordenadores de despesas e cuja irregularidade motivadora da rejeição pelo TCM seja considerada insanável e por dolo. Ou seja, gestores que, por exemplo, desviaram verbas de convênios não poderão mais contar com sua força no Poder Legislativo para se livrar de punição.
A interpretação dos casos, no entanto, dependerá de cada juiz eleitoral. Entre os prefeitos que caíram nessa “malha fina eleitoral” estão o comunista Isaac Cavalcante, que concorre à reeleição no município de Juazeiro, e o democrata Capitão Azevedo, que quer manter o cargo no município de Itabuna.
A medida inclui o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PP), que, embora não seja candidato no processo eleitoral de 2012, pode ficar inelegível nos próximos oito anos, independentemente do que julguem os vereadores na Câmara, jogando por água seus possíveis planos para 2014, se assim entender o juiz eleitoral até lá. Informações Jornal A Tarde.

 


 

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Ficha suja, vade retro

“Vade retro, Satanás”, ou simplesmente “Vade retro”, é um exorcismo medieval utilizado para afastar o demônio. A expressão latina “vade retro” pode ser traduzida pelo vernáculo: “afasta-te”.
Suponho que é bastante apropriado recorrer à formula medieval para esconjurar os políticos manchados por condenação criminal: “vade retro, ficha suja”.
O Supremo Tribunal Federal ainda não se pronunciou sobre a aplicação, nas próximas eleições municipais, da lei que obsta a candidatura dos ficha-suja.
Será lamentável que fichas sujas possam disputar mandato de Prefeito e de Vereador no pleito eleitoral que se avizinha.
As pessoas mais simples e humildes, por sabedoria intuitiva, pensam que larápio não deve legislar ou governar. Mas essas pessoas mais simples e humildes, cuja consciência moral repudia os ladrões, não sabem o nome deles, nem mesmo o nome daqueles de seu município. É bastante difícil para o eleitor comum a análise da vida pregressa dos candidatos.
A lei que exclui da disputa eleitoral o ficha suja cumprirá esse papel: revelar ao povo, por exclusão, a face oculta dos desonestos.
Seria altamente pedagógico que a lei que barra o ficha suja tivesse sua primeira vigência num pleito municipal. O Município é a célula fundamental da vida política.
Os mandatos municipais – de Prefeito, Vice-Prefeito, Vereador – são os que devem ter maior significado moral para aqueles que por tais mandatos sejam consagrados. Não são apenas mandatos, são medalhas de mérito: representam o reconhecimento do povo a cidadãos da cidade onde a pessoa vive. Quanto à vereança, não é um emprego, é um serviço que, em outros tempos, era exercido gratuitamente. É razoável que hoje se admita um moderado jeton indenizatório dos dias de trabalho do Vereador, sempre que o exercício da Vereança impuser perda de renda. A gula revelada por algumas Câmaras Municipais tem causado perplexidade. Justamente porque ser Prefeito ou Vereador é altissimamente honroso, os pretendentes a esses cargos não podem estar maculados por sujeira na biografia.
Torcemos para que, com lei de ficha limpa, ou sem lei de ficha limpa, sejam oferecidas ao povo informações seguras, de modo que o eleitorado possa dizer “vade retro, satanás”, “vade retro, politico de ficha suja”.
Se houver uma grande campanha de esclarecimento, da qual deverão participar as instituições da sociedade civil, as igrejas, as escolas, será possível obter esse resultado.
Se o Supremo boicotar a lei que exige ficha limpa, mas mesmo assim o povo recusar os ficha-suja, ficará evidente que o sentimento de cidadania do eleitorado supera o sentimento de cidadania dos ministros do STF.
JOÃO BAPTISTA HERKENHOFF
Magistrado aposentado, professor da Faculdade Estácio de Sá do Espírito Santo e escritor

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Mensalão foi o maior caso de corrupção do país, diz procurador

 

 

 

9º dígito de celular vale a partir de amanhã em SP; veja o que muda

Respostas a mensagens de comentaristas sobre a gravidade da questão indígena

 

Canibalismo explícito

Carlos Chagas





‘É gripe?… Não, é político corrupto!’







Uma aula que não podemos perder

 

Propaganda eleitoral gratuita.



Bêbados na Pista

Dizem as más  línguas,  que teve uma " otoridade",  que  tomou tanto "mé" na festa do Canché,  que saiu como lagartixa, se arrastando pelo chão e balançando a cabeça.,, se é verdade eu não sei, pois lá não estava!


Tribunal garante tempo especial para trabalho com ruído de 97 a 2003

Segurado comprovou 86 decibéis de barulho e conseguiu antecipar benefício. INSS queria negar contagem extra

Relato da PF diz que filho de ex-ministra cobrava por lobby

 

A questão educacional e o baixo nível da política no Brasil

Walter Martins
Algumas coisas são inequívocas na política brasileira:
1) Os candidatos já perceberam que são os eleitores das regiões mais carentes que decidem o pleito;
2) Que estes eleitores (não por culpa deles, é claro) têm um nível de escolaridade, em grande parte, baixíssimo;
3) Que por terem um nível de escolaridade baixíssimo, certas coisas são dificílimas de entender (por exemplo: a questão das licitações, os superfaturamentos etc.);
4) Tais eleitores são mantidos numa situação de dependência e penúria tão grandes que, por mais escandalosas que sejam as obras superfaturadas, eles não querem saber. O que importa é o hospital pronto, a escola pronta. A necessidade pode falar acima da razão (e, sejamos sinceros, muitas vezes, com toda a propriedade. A questão é se colocar no lugar do outro);
5) A associação do poder público aos “neocoronéis microrregionais”(se assim posso chamar), que todos aqui sabem, subjetivamente, quem são, pois dominam bairros de subúrbio e favelas. Alguns candidatos da oposição, no Rio, não podem fazer suas campanhas em diversas regiões, sem um aparato de segurança considerável;
6) O desmantelamento do sistema educacional da cidade que já foi a caixa de ressonância crítica, politizada, intelectualizada deste país. Situação vital para deformar a mentalidade eleitoral do carioca;
7) A falta de uma política nacional séria, que contemplasse a todas as regiões do país, gerando um êxodo rural e regional, que deslocou para as principais cidades do país, nobres brasileiros, trabalhadores honrados que viam nas cidades grandes a oportunidade de realizar seus sonhos. Muitos conseguiram. Mas, muitos outros, caíram na vileza da dependência dos caciques locais, usando-os como massa de manobra para conseguir seus intentos eleitoreiros.
Enfim, não é apenas não saber votar. É o resultado de uma “engenharia” sócio-político-econômica perversa, que obedece à uma lógica de dominação, que é perfeita, pois as pessoas acham que vivem numa democracia, que estão incluídas.
Eis um dos grandes dramas do nosso tempo. Não sei se disse bobagens. Mas é isto que concluo.

 

Solla rebate Geddel e diz que Sesab articulou construção de UPA

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O governo FHC, o Santander e o HSBC

Mauro Santayana

A verdadeira radiografia de um puxa-saco

Revistas: laranja da Delta movimentou R$ 9,2 milhões em três anos

Jornais: Gurgel envia ao STF memorial sobre mensalão

Jornais: agenda de Cachoeira tem telefones relacionados a Perillo



Brasil pagará US$ 1,28 milhão por mortos no Araguaia

Pagamento atende à determinação da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), orgão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que considerou o Estado brasileiro responsável pelas mortes
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CFM vai à Justiça para proibir venda de remédios em gôndolas

Antônio More/Gazeta do Povo / Até então, uma resolução da Anvisa, publicada em 2009, obrigava a venda dos remédios isentos de prescrição médica atrás do balcão do farmacêutico Até então, uma resolução da Anvisa, publicada em 2009, obrigava a venda dos remédios isentos de prescrição médica atrás do balcão do farmacêutico anvisa

Remédios sem receita voltam a ser vendidos fora do balcão das farmácias

Para o presidente do Conselho Federal de Medicina, medida da Anvisa é “irresponsável” porque estimula a automedicação e coloca a população em risco


Receita Federal: contagem regressiva para o concurso


Veja dicas de como se preparar para o concurso da Receita Federal, um dos mais esperados do ano
Duas das carreiras mais cobiçadas do serviço público estão com inscrições abertas para seleção este ano. Há salários iniciais de R$ 13,9 mil.
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Marcelo Mirisola: My Way em versão redondamente enganada

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No lançamento da Olimpíada de 2016, bola fora de Hortência

 

 


Máquina
Punto recebe alterações e ganha câmbio automatizado mais eficiente
Moderno e elegante





Ministério da Saúde concede incentivo financeiro para o atendimento de dependentes químicos e pessoas com transtorno mental

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Eleições 2012: Excesso de propaganda eleitoral incomoda parte da população

por Aparecido Silva



 

Em Lindoia (SP), pai pede impugnação de candidatura do filho e Justiça aceita

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Luciano Lopes teve o registro de candidatura impugnado. Foto: Reprodução / TSE


Lençóis: Atual prefeito tem candidatura impugnada por ter contas rejeitadas pela Câmara

por Aparecido Silva

Com salário de R$ 7,6 mil, humorista Renato Piaba é oficial de justiça do TJ-BA

por Juliana Almirante / Evilásio Júnior
Com salário de R$ 7,6 mil, humorista Renato Piaba é oficial de justiça do TJ-BA
Foto: Divulgação



MP suspeita que Andressa Mendonça seja laranja de Cachoeira

MP suspeita que Andressa Mendonça seja laranja de Cachoeira
Foto: Reprodução
 

STF ‘blinda’ julgamento do mensalão contra possível jogada aplicada por defesa dos reús


Casas lotéricas não recebem pagamentos neste sábado





  Comandante da PM:

Comandante da PM: "Não iremos nos acovardar"

Após o Ministério Público anunciar ação civil para afastar cúpula da Polícia Militar de São Paulo, comandante-geral Roberval Ferreira França publica em seu perfil no Facebook "Carta ao povo de São Paulo e do Brasil"; "Tentam atacar e enfraquecer uma das mais ativas polícias do nosso país"



Afastar comando da PM é “totalmente descabido”

Afastar comando da PM é “totalmente descabido”

Vai ficar tudo como está; é a posição do governador sobre troca na cúpula da Polícia Militar defendida por procurador da República; "Há violência por mero prazer por parte da PM", justificou Matheus Baraldi (à dir.) em audiência pública; "ele devia investigar o tráfico de drogas", reagiu Alckmin
comentários



Relatório da PF liga chefe do MP goiano a Demóstenes e Cachoeira

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Procuradoria-Geral da República recebe documento da PF que traz indícios da participação do procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres Neto, nos negócios de seu irmão, o senador cassado Demóstenes Torres, e do contraventor Carlos Cachoeira



Augusto Nunes diz que Rui Falcão rompeu relações com a verdade

Blogueiro de Veja comenta o vídeo do presidente do PT, a quem chama de “ex-jornalista”; ele diz ainda que se cinismo desse cadeia, presidente do PT pegaria prisão perpétua




Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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