quarta-feira, setembro 10, 2025

Quando o bolsonarismo troca a pátria pela bandeira americana

Publicado em 10 de setembro de 2025 por Tribuna da Internet

Tarcísio se lança candidato, mas depois volta para cima do muro

Publicado em 10 de setembro de 2025 por Tribuna da Internet

Não sei se declaração de Tarcísio é amor sincero', diz aliado de Eduardo Bolsonaro nos EUA

Os filhos de Bolsonaro querem tirar Tarcísio da disputa

Vicente Limongi Netto

É louvável a banda boa do governador Tarcísio de Freitas que apregoa, sempre que pode, a lealdade dele a Jair Bolsonaro. Mas é patética a banda ruim e mal cheirosa do agitado governador, bajulando Bolsonaro e insultando o ministro Alexandre de Moraes, em atitude inconveniente e constrangedora para os planos do governador do mais rico e poderoso estado do Brasil. 

Tarcísio começou ensaiando o script de leal e grato a Bolsonaro. Colou na testa. Ganhou seguidores. De uma hora para outra, talvez atendendo luzes do além, passou a atirar no Supremo Tribunal Federal e no ministro Alexandre de Moraes. 

FICA NO VAIVÉM – Tarcísio não é bem-vindo entre os filhos de Bolsonaro. Nem pintado de ouro. Tarcísio erra feio quando extrapola a lealdade para se tornar inacreditável capacho.

Agora Tarcísio mudou de tom. Voltou a dizer que abre mão da candidatura à Presidência da República, se Bolsonaro for beneficiado pela anistia. Os búzios do governador andam mais por baixo do que tapete de porão, diria o eterno craque, Sérgio Porto. 

Tarcísio não quer sair do jogo. Passou a atirar para todos os lados. Todo disparate que fala repercute. Quer mostrar que está vivo na disputa presidencial. Mas agora o voto de Fux abre novas polêmicas para Tarcísio apontar erros de Alexandre de Moraes na Suprema Corte.

PODE ESPERAR – O plano B de Tarcísio de Freitas — ser reeleito governador ou ser eleito senador — fica melhor para o figurino dele. Tem mais futuro. 

Tarcísio é novo e capaz. Não precisa, politicamente, do clã Bolsonaro para rigorosamente nada. Tarcísio, vá devagar ao pote. Para não ficar sem o mel e a cabaça.

O apressado come mal e cru.  Cabeça é para ser usada. Não apenas para colocar bonés de Trump.   

Governo Lula repudia ameaça dos EUA de uso de força militar por Bolsonaro

 Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil/Arquivo

O presidente Lula (PT)09 de setembro de 2025 | 20:45

Governo Lula repudia ameaça dos EUA de uso de força militar por Bolsonaro

brasil

O governo Lula (PT) reagiu à declaração do governo Donald Trump sobre mobilizar uma ação militar contra o Brasil em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e disse, em nota divulgada pelo Itamaraty, que condena o uso de sanções econômicas ou “ameaça de uso da força contra a democracia”.

“O governo brasileiro condena o uso de sanções econômicas ou ameaças de uso da força contra a nossa democracia”, afirma a nota. O mesmo comunicado diz que os Poderes não vão se intimidar por ataques à soberania nacional.

“O governo brasileiro repudia a tentativa de forças antidemocráticas de instrumentalizar governos estrangeiros para coagir as instituições nacionais”, diz o comunicado do governo.

“O primeiro passo para proteger a liberdade de expressão é justamente defender a democracia e respeitar a vontade popular expressa nas urnas. É esse o dever dos três Poderes da República, que não se intimidarão por qualquer forma de atentado à nossa soberania”, diz a nota divulgada pelo Itamaraty.

Nas redes sociais, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, atribuiu a manifestação a uma conspiração da família Bolsonaro contra o país. Em seu post, Gleisi disse que os Estados Unidos ameaçam invadir o Brasil para livrar Bolsonaro da cadeia.

Um ministro palaciano diz que é preciso esperar para ver o que a ameaça significa e as credenciais da porta-voz para anunciar ações bélicas do governo Trump.

No lançamento do livro “8 de janeiro: golpe derrotada, democracia preservada”, o ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) afirmou, em discurso, que o STF não se intimidará pelas ameaças dos EUA. “Pode dizer ao Trump que o STF vai decidir com soberania. Quem com porcos se junta farelos come”, disse.

Em uma rede social, o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que o “comichão neocolonialista alcança hoje [terça, 9] um grau mais baixo, culminando com a infeliz declaração da porta-voz da Casa Branca sobre o uso de poderio econômico e militar”.

“Nós, que sobrevivemos a décadas de sangrenta ditadura, sabemos valorizar melhor que ninguém o valor da liberdade de expressão”, disse Messias.

Outro ministro chamou de ridículo o argumento de desrespeito à liberdade de expressão no Brasil, lembrando que há dois dias bolsonaristas levaram às ruas uma bandeira americana em manifestações marcadas por críticas a Lula e ao Judiciário.

Outro auxiliar de Lula afirmou que, diante da gravidade da ameaça, uma manifestação do Itamaraty encorajaria parlamentares a responder à Casa Branca. Ele ressalta ainda que, no momento da ameaça, o presidente Lula estava em trânsito para Brasília, após cumprir agenda em Manaus, e ainda se manifestará sobre as declarações da porta-voz de Trump.

Sob reserva, um diplomata admitiu que já havia expectativa de manifestação dos EUA e que não se tem ideia de qual será a reação do governo Trump, marcado pela imprevisibilidade. Outro afirmou que não iria alimentar esse debate na semana do julgamento.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta terça-feira (9) que o presidente Donald Trump aplicou tarifas e sanções contra o Brasil para proteger a “liberdade de expressão” e que o país não terá medo de usar o “poder econômico e militar” para defendê-la.

A declaração foi dada em resposta a uma pergunta durante entrevista coletiva. Leavitt foi questionada sobre se os Estados Unidos preveem mais sanções ao Brasil em razão do julgamento de Jair Bolsonaro no STF e também a outros países da Europa que estariam censurando a liberdade de expressão, segundo o jornalista.

A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil republicou um vídeo com a resposta completa de Leavitt no X (ex-Twitter), mas na mensagem que acompanha o post não citou o trecho em que a porta-voz fala sobre o uso de poder militar.

Nas redes, Gleisi afirmou que “a conspiração da família Bolsonaro contra o Brasil chegou ao cúmulo hoje, com a declaração da porta-voz de Donald Trump de que os EUA podem usar até força militar contra o nosso país”. No post ela disse ainda que o mandato de Eduardo Bolsonaro (PL), que se afastou da Câmara de Deputados para articular a defesa do pai nos EUA, deveria ser cassado.

“Não bastam as tarifas contra nossas exportações, as sanções ilegais contra ministros do governo, do STF e suas famílias, agora ameaçam invadir o Brasil para livrar Jair Bolsonaro da cadeia. Isso é totalmente inadmissível. E ainda dizem que estão defendendo a ‘liberdade de expressão’. Só se for a liberdade de mentir, de coagir a Justiça e de tramar golpe de Estado; estes sim, os crimes pelos quais Bolsonaro e seus cúmplices estão sendo julgados no devido processo legal. E o filho, traidor da pátria, precisa ser cassado!”, publicou.

Na entrevista, Leavitt disse que Trump está protegendo os interesses do país no exterior e nos EUA. “Então, não tenho nenhuma ação adicional para antecipar para vocês hoje, mas posso dizer que esta é uma prioridade para a administração, e o presidente não tem medo de usar o poder econômico e o poder militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”, concluiu.

A declaração é dada no momento em que o STF julga Bolsonaro e outros sete réus acusados de uma articulação para impedir a posse de Lula na Presidência.

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Catia Seabra/Folhapress

Moraes mistura didatismo, contexto e distorções ao elencar 13 atos de execução de trama golpista

 Foto: Victor Piemonte/Arquivo/STF

Alexandre de Moraes10 de setembro de 2025 | 08:07

Moraes mistura didatismo, contexto e distorções ao elencar 13 atos de execução de trama golpista

brasil

A classificação de 13 atos executórios da trama golpista feita pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes durante o julgamento do caso divide especialistas ouvidos pela Folha.

O magistrado votou nesta terça-feira (9) pela condenação de todos os réus do chamado núcleo crucial, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Parte dos especialistas diz que o ministro focou em não isolar o 8 de Janeiro e avaliar o contexto no qual teria atuado a organização criminosa julgada na corte. Outros, porém, falam que a interpretação do magistrado tem pontos questionáveis.

Como relator da ação penal, Moraes foi o primeiro a votar no julgamento que pode condenar Bolsonaro a mais de 40 anos de prisão e aumentar a sua inelegibilidade, que atualmente vai até 2030.

Segundo a falar, o ministro Flávio Dino também votou a favor da condenação dos réus, considerando atos de execução na trama, passíveis de punição.

A expectativa é que o resultado do julgamento venha até esta sexta-feira (12), depois dos votos dos ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

Moraes compartilhou a percepção da PGR (Procuradoria-Geral da República) de que a tentativa de golpe se deu a partir de uma sequência de atos que já eram a execução do golpe e tinham imbuídos neles violência ou grave ameaça, mesmo antes de sua culminação no 8 de Janeiro de 2023.

Classificar tais ações como etapa de execução dos crimes é importante porque a legislação brasileira não prevê punição para a fase de preparação nos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado.

Bolsonaro é julgado por esses dois crimes, além de organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio.

Moraes destacou como o primeiro ato executório do grupo a utilização de órgãos públicos para o monitoramento de adversários políticos a fim de atentar contra o Poder Judiciário e deslegitimar as urnas. Incorporou a isso outras ações, como lives com ataques à Justiça Eleitoral feitas por Jair Bolsonaro, a minuta do golpe e a utilização da PRF (Polícia Rodoviária Federal) para impedir o voto de eleitores do presidente Lula (PT) em 2022.

Para o advogado criminalista Ricardo Martins, a escolha do magistrado busca evidenciar a estabilidade da suposta organização criminosa. Ele diz também que a interpretação proposta pelo ministro ajuda a entender o contexto geral da trama, não só fatos isolados.

“A leitura fragmentada dos fatos poderia transmitir a impressão de que as condutas atribuídas ao ex-presidente e aos demais réus não configurariam ilícitos penais, como sustentam suas defesas.”

A advogada criminalista Ana Carolina Barranquera afirma que o ministro segue a construção da PGR de que houve o início da execução e que esses atos culminaram na invasão dos Três Poderes no 8 de Janeiro.

“As lives, as reuniões, o questionamento das urnas eletrônicas e as manifestações atacando o STF foram parte importante da trama”, diz. “Ainda há a operação do Punhal Verde e Amarelo e a minuta de golpe, que explicitam que realmente houve uma enorme movimentação orquestrada para sobrepor a democracia.”

Juliana Izar Segalla, doutora em direito constitucional pela PUC-SP e professora da Uenp (Universidade Estadual do Norte do Paraná), diz que Moraes tentou, com o voto, chamar a atenção para os atos concatenados pela PGR.

Ela entende que o ministro quis ser didático para que o público geral entenda a fundamentação da decisão, ação considerada por ela importante em um julgamento de interesse social. Segalla concorda com o ministro na classificação dos atos como executórios.

Welington Arruda, mestre em direito e justiça pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), afirma que a proposta do ministro é adequada “em parte”.

“É juridicamente defensável falar em atos executórios antes do 8 de Janeiro quando houver desvio de órgãos de força, como a PRF para inibir voto, ativação da cadeia de comando militar com apresentação de minuta e planos de eliminação de autoridades”, diz.

Ele afirma, entretanto, que “não é aceitável rotular como execução lives, reuniões políticas ou encontros diplomáticos, sem prova de nexo direto e imediato com o uso de força”.

Para Lucas Miranda, advogado criminalista e professor de direito penal da Faminas (Faculdade de Minas), a interpretação do ministro de considerar todos os 13 atos como executórios é uma impropriedade técnica.

Ele afirma que atos de monitoramento citados no plano Punhal Verde-Amarelo são, segundo a doutrina, classificados como atos preparatórios. Prova disso seria o fato de que os réus não foram acusados de tentativa de homicídio, ainda que tenha sido descoberto um plano para matar autoridades, segundo Miranda.

Ana Gabriela Oliveira Lima/FolhapressPolitica Livre

Luiz Fux foi nomeado ao STF por Dilma e teve contato com Dirceu; lembre trajetória

 Foto: Antonio Augusto/Arquivo/Ascom/STF

Luiz Fux10 de setembro de 2025 | 09:20

Luiz Fux foi nomeado ao STF por Dilma e teve contato com Dirceu; lembre trajetória

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O ministro Luiz Fux chegou ao STF (Supremo Tribunal Federal) em 2011, nomeado pela então presidente Dilma Rousseff (PT). A campanha pelo seu nome começou a ser feita por ele mesmo em 2004 e, para conseguir apoio, chegou a procurar José Dirceu (PT), que era réu no processo do mensalão.

Fux será o primeiro ministro a votar nesta quarta-feira (10), dando sequência ao julgamento de Bolsonaro e mais sete réus na trama golpista. Seu voto é um dos mais esperados no julgamento da Primeira Turma, que já tem um placar de 2 a 0 a favor de condenação. O ministro discordou do relator do caso, Alexandre de Moraes, e foi contra a tornozeleira eletrônica para o ex-presidente.

Também criticou a delação de Mauro Cid e, nesta terça (9), chegou a protagonizar momentos de antagonismo com Moraes e troca de farpas, quando anunciou que vai divergir do relator e ao chamar a atenção do ministro Flávio Dino.

A nomeação de Fux veio sete anos depois de ele mesmo começar sua campanha, após “bater na trave” três vezes, como costuma dizer. Foi a primeira nomeação de Dilma, que também indicou o hoje presidente da corte, ministro Luís Roberto Barroso, e o ministro Edson Fachin.

Fux foi cortejado pelas defesas de todos os oito réus no início do julgamento da trama golpista, na semana passada. Demóstenes Torres, advogado de Almir Guarnier, afirmou que o ministro tem brilhado desde que seu nome para o STF foi aprovado pelo Senado Federal.

Nascido em 26 de abril de 1953, no Rio de Janeiro, Fux tem 72 anos. É casado com a Eliane Fux e pai da desembargadora do TJRF (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), Marianna Fux, e do advogado Rodrigo Fux.

O ministro se formou em direito pela Uerj (Universidade Federal do Rio de Janeiro), em 1976, onde também obteve o título de doutor em direito processual civil em 2009. Entrou na magistratura do estado do Rio de Janeiro em 1982, após passar em primeiro lugar no concurso público.

Foi nomeado ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) em 2001 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), chegando ao STF em 2011. Foi presidente do Supremo, do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Acadêmico, foi professor titular e chefe do Departamento de Direito Processual da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), além de dar aulas em diversas instituições nacionais e internacionais.

Coordenou, em 2009, a comissão de juristas responsável pelo anteprojeto do novo Código de Processo Civil. Autor de vários livros é membro da Academia Brasileira de Letras Jurídicas e do Instituto dos Advogados Brasileiros.

Ao longo da carreira, recebeu diversas condecorações por sua contribuição ao direito e à Justiça brasileira.

A campanha para chegar ao Supremo
No último ano do segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2010, o então ministro do STJ, Luiz Fux, intensificou a articulação política em torno de seu nome para o STF.

Segundo ele mesmo, era “tudo ou nada”. Buscou apoio de figuras de todos os espectros políticos, como Delfim Netto, Antônio Palocci, João Pedro Stedile, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), o então governador Sérgio Cabral (RJ) e empresários da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo).

Na reunião que teve com Dirceu, entregou seu currículo a Dirceu e pediu que levasse a Lula. Segundo Fux, o mensalão não foi discutido na conversa, mas o próprio Dirceu teria acreditado que ele votaria por sua absolvição.

A expressão “mato no peito”, usada por ele, foi interpretada na época como promessa de apoio aos réus, mas surpreendeu aos denunciados ao votar de forma dura contra todos eles durante o julgamento, seguindo o relator Joaquim Barbosa quase que integralmente.

Na época, afirmou que seus posicionamentos foram em defesa da Constituição.

Cristiane Gercina/FolhapressPolitica livre

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