terça-feira, setembro 09, 2025

Tentativas de Trump de interferir em outros países para ajudar aliados não surtiram efeito

 Foto: Isac Nóbrega/Arquivo/PR

Jair Bolsonaro e Donald Trump09 de setembro de 2025 | 06:42

Tentativas de Trump de interferir em outros países para ajudar aliados não surtiram efeito

mundo

O Brasil não é o único país onde o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta interferir no Poder Judiciário para ajudar um aliado ideológico. Nos últimos meses, além de pressionar pela absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro, Trump saiu em defesa do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, da líder da ultradireita francesa, Marine Le Pen, e do ex-presidente da Colômbia Alvaro Uribe, todos alvos de processos judiciais. O mandatário americano também defendeu de forma bastante vocal candidatos alinhados ao trumpismo na Polônia e na Romênia.

Trata-se de uma espécie de diplomacia do espelho. O líder americano se identifica com políticos de direita sob investigação. Trump diz que, como ele, são vítimas de uma perseguição liderada por sistemas judiciários aparelhados. O republicano foi condenado em 2024 por falsificar documentos relacionados a um pagamento feito à estrela de filmes pornográficos Stormy Daniels, para garantir o silêncio dela sobre suposto relacionamento com ele.

“Isso (o julgamento de Jair Bolsonaro) é simplesmente um ataque contra um oponente político —algo que eu conheço muito bem! Aconteceu comigo, dez vezes mais”, escreveu Trump quando anunciou as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em julho deste ano.

Referindo-se aos processos judiciais contra Bolsonaro, Netanyahu, e Le Pen, o americano recorre ao termo “caça às bruxas”, o mesmo que usava para questionar sua investigação.

Por enquanto, porém, as pressões de Trump sobre sistemas judiciais e intromissões em processos eleitorais de outros países não têm surtido efeito.

Em junho, quando Netanyahu ia se apresentar a um tribunal israelense para depor, Trump disse que o julgamento deveria ser “cancelado imediatamente”. “É uma INSANIDADE o que os promotores descontrolados estão fazendo com Bibi Netanyahu.”

O presidente americano também insinuou que poderia cortar a ajuda militar dos EUA a Israel. “Os Estados Unidos da América gastam bilhões de dólares por ano, muito mais do que com qualquer outra nação, protegendo e apoiando Israel. Nós não vamos tolerar isso.”

No dia seguinte às advertências de Trump, um tribunal de Jerusalém negou o pedido de Netanyahu para adiar seu depoimento. Indiciado em 2019, acusado de suborno, fraude e quebra de confiança, o premiê israelense nega as acusações. O julgamento será retomado nesta semana, com depoimento de Netanyahu.

Trump também usou sua diplomacia do espelho com a política francesa Marine Le Pen. Em abril, ela foi condenada por desviar recursos da União Europeia e ficou impedida de concorrer nas eleições presidenciais de 2027.

“A caça às bruxas contra Marine Le Pen é mais um exemplo de esquerdistas europeus usando a guerra jurídica (lawfare) para silenciar a liberdade de expressão e censurar oponentes políticos”, disse Trump. “É o mesmo ‘manual’ que foi usado contra mim por um grupo de lunáticos e derrotados”, escreveu.

Em relação ao julgamento de Alvaro Uribe na Colômbia, Trump não se manifestou pessoalmente, mas seu secretário de Estado, Marco Rubio, atacou o sistema judiciário local após a condenação do líder de direita. No início de agosto, um tribunal de Bogotá determinou a Uribe pena de 12 anos de prisão domiciliar, por corrupção passiva de testemunhas e fraude processual. Em 20 de agosto, Uribe beneficiou-se de uma decisão liminar e vai recorrer em liberdade.

Também na seara eleitoral os resultados da diplomacia trumpista têm sido frustrantes, com exceção do candidato conservador à Presidência da Polônia, Karol Nawrocki, que venceu o pleito. Ele foi recebido por Trump na Casa Branca durante a campanha e já como presidente. Já no Canadá e na Austrália, candidatos alinhados ao trumpismo eram favoritos, mas acabaram perdendo para centristas. O Partido Liberal canadense se recuperou nas pesquisas após Trump lançar sua guerra comercial contra Ottawa e ameaçar anexar o país. Mark Carney se tornou primeiro-ministro. Na Austrália, o candidato “MAGA” Peter Dutton foi derrotado, e o Partido Trabalhista conquistou a maioria.

Na Romênia, o candidato presidencial centrista Nicusor Dan derrotou, em maio, o candidato alinhado ao trumpismo, o radical George Simion, que era favorito. Simion contestou o resultado na Justiça, que rejeitou o recurso.

Na visão do governo brasileiro, a pressão de Trump para influenciar o julgamento de Bolsonaro faz parte de uma estratégia mais ampla de tentar emplacar um candidato alinhado ao trumpismo no Brasil no ano que vem. Para um integrante do Planalto, a interferência americana deve continuar até o primeiro ou segundo turno das eleições de 2026.

Em caso de derrota do candidato apoiado por Trump no pleito presidencial, acredita o Planalto, a Casa Branca pode lançar uma campanha para deslegitimar o resultado das urnas, como fez Trump em 2020 nos EUA e Bolsonaro no Brasil em 2022.

Patrícia Campos Mello/FolhapressPolitica livre

Pesquisa: 49,6% dos brasileiros acham justo Bolsonaro ser condenado; para 36,9% seria injusto

 36,1% dos brasileiros ouvidos consideram que houve tentativa de golpe de Estado

Por JB JURÍDICO com Agência Estado
redacao@jb.com.br

Publicado em 09/09/2025 às 07:55

Alterado em 09/09/2025 às 07:55

     Bolsonaro e Moraes em sessão no TSE (arquivo) Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE




Por Bruna Rocha - Uma possível condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe entre 2022 e 2023 é considerada justa para 49,6% dos brasileiros, segundo a nova edição da pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta segunda-feira, 8. Outros 36,9% avaliam a decisão como injusta. Outros 13,5% não souberam avaliar a situação. O levantamento ouviu 2.002 pessoas entre os dias 3 e 6 de setembro, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete militares do chamado núcleo 1 estão sendo julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação em uma trama golpista. O julgamento começou na semana passada e será retomado nesta terça-feira, 9.

Quando perguntados se Bolsonaro será de fato condenado, 57,6% disseram acreditar que sim, 28,9% apontaram que ele será absolvido e 13,5% não souberam responder.

Em relação ao cumprimento de uma eventual pena, 32,2% defendem que Bolsonaro deveria iniciá-la em prisão domiciliar; 31,3% acreditam que deveria começar em uma penitenciária; 16,4% indicam que a pena deveria ser cumprida em prédio militar; e 9,9% em sala especial da Polícia Federal. Outros 10,2% não responderam.

A pesquisa também avaliou os impactos de uma possível condenação na política nacional. Para 39,4% dos entrevistados, a polarização tende a aumentar; 29,2% acreditam que permanecerá no mesmo nível; 18,8% projetam uma redução; e 12,6% não souberam opinar.

Em linhas gerais, a 165ª Pesquisa CNT de Opinião também aponta melhora na avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A aprovação do governo subiu para 31%, enquanto a reprovação permaneceu em 40%. Já em relação ao desempenho pessoal, Lula avançou de 41% para 44% de aprovação, e a desaprovação caiu de 53% para 49%.

Houve tentativa de Golpe?
Para 36,1%, houve tentativa de golpe nos atos de 8 de janeiro de 2023; 29,5% afirmaram que se tratou de um protesto que saiu do controle; 20% disseram que foram apenas atos de vandalismo isolados; e 14,4% não souberam responder.

Entre os que acreditam em tentativa de golpe, destacam-se as mulheres (37%) em relação aos homens (36%). Pessoas com 60 anos ou mais aparecem como o grupo que mais aponta para a tentativa, seguidas pelos de 45 a 59 anos (38%) e pelos de 25 a 34 anos (35%).

Quanto ao nível de escolaridade, tanto pessoas com ensino fundamental quanto com ensino superior registraram 39% de concordância sobre a tentativa de golpe. Entre os que têm ensino médio, o índice cai para 33%.

Regionalmente, Nordeste e Sudeste apresentam números próximos, 41% dos entrevistados no Nordeste acreditam que houve tentativa de golpe, contra 40% no Sudeste. No recorte religioso, há uma inversão: 37% dos católicos afirmam que houve tentativa, enquanto entre evangélicos o índice é de 27%. Já quando a questão é se o episódio foi um protesto fora de controle, 37% dos evangélicos concordam, contra 27% dos católicos.

___________________________

Assista ao vivo à 3ª sessão de julgamento

.

https://www.jb.com.br/brasil/justica/2025/09/1056836-pesquisa-496-dos-brasileiros-acham-justo-bolsonaro-ser-condenado-para-369-seria-injusto.html

JULGAMENTO DE BOLSONARO RECOMEÇA COM LEITURA DO VOTO DE MORAES - ICL NOT...

Ministros do Supremo esperam retratação de Tarcísio após escalada de discurso no 7/9

 Foto: Antonio Augusto/ STF/Arquivo

Plenário do Supremo Tribunal Federal08 de setembro de 2025 | 22:00

Ministros do Supremo esperam retratação de Tarcísio após escalada de discurso no 7/9

brasil

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) avaliam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deveria procurar integrantes do tribunal nos próximos dias para dar explicações sobre seu discurso na manifestação na avenida Paulista no domingo (7).

Não foram feitos contatos após 24 horas da fala. Dois ministros do Supremo afirmaram, sob reserva, que somente interlocutores de Tarcísio procuraram o tribunal para expor a situação do governador.

O governador paulista fez neste domingo seu mais duro ataque contra o Supremo e o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que pode levar Jair Bolsonaro (PL) à prisão.

Tarcísio chamou o magistrado de tirano e pediu uma anistia “ampla e irrestrita” que beneficie os condenados pelos ataques do 8 de Janeiro, o ex-presidente e os demais réus da trama golpista.

“Não vamos aceitar a ditadura de um Poder sobre o outro. Chega”, declarou de cima de caminhão de som. “Não vamos aceitar que nenhum ditador diga o que temos que fazer”, declarou.

Ao ouvir que a multidão gritava “fora, Moraes”, Tarcísio chamou o magistrado de ditador. “Por que é que vocês estão gritando isso? Talvez porque ninguém aguente mais. Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes. Ninguém aguenta mais o que está acontecendo neste país”, afirmou.

Ainda no domingo, o decano da corte, Gilmar Mendes, afirmou nas redes sociais neste domingo que crimes contra o Estado democrático de Direito não são passíveis de anistia e defendeu a punição dos responsáveis.

Ele não citou nominalmente Tarcísio, mas indicou que a resposta direta era ao governador ao dizer que no Brasil “não há ‘ditadura da toga’, tampouco ministros agindo como tiranos”.

Barroso, por sua vez, disse à coluna Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, que o julgamento é um reflexo da realidade. “Por ora, o que posso dizer é que, tendo vivido e combatido a ditadura, nela é que não havia devido processo legal público e transparente, acompanhado pela imprensa e pela sociedade em geral. Era um mundo de sombras. Hoje, tudo tem sido feito à luz do dia”, declarou.

A avaliação de três ministros ouvidos pela reportagem é que o discurso de Tarcísio foi calculado e propositalmente radicalizado. Esse grupo entende que o governador decidiu escalar a crise com o Supremo por causa do retorno político que pode ter com a nova postura —ele é cotado para ser o candidato bolsonarista à Presidência em 2026, mas espera o aval do padrinho político para concorrer.

A leitura feita por eles é que Tarcísio deixou de lado o perfil moderado que cultivava com o Supremo e promoveu verdadeiros ataques ao tribunal, com investida direta contra Moraes.

Um deles disse que a decisão de Tarcísio de se radicalizar, assumindo o mesmo tom do pastor Silas Malafaia, é lamentável.

O resultado, dizem esses ministros, é o estremecimento na relação do governador com a corte. Tarcísio era um dos aliados de Bolsonaro com mais trânsito no Supremo —posição que o fez sofrer críticas do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e de outros expoentes do bolsonarismo.

Dois outros ministros afirmaram que o discurso de Tarcísio é, além de um movimento político, um desabafo diante da proximidade com o julgamento de Bolsonaro. Para eles, o governador não irá implodir suas relações com o Supremo, apesar de um estremecimento pontual.

Movimento político

Um aliado de Tarcísio disse, sob reserva, que o político ficou desconfortável com a repercussão negativa de sua fala no Judiciário e que não seria do feitio dele fazer críticas de forma tão incisiva.

Outro afirma que o governador deveria mesmo ter subido um pouco o tom, em meio ao julgamento do seu padrinho político, mas não precisava ser tanto.

Apesar disso, eles negam que Tarcísio tenha cometido erros e dizem que era preciso se posicionar politicamente, sobretudo diante de uma plateia de apoiadores.

A expectativa desses aliados é que ele não escale mais o tom contra o Supremo, para não implodir pontes. Eles dizem ainda não haver qualquer rompimento do governador com o tribunal.

O entorno do afilhado político de Bolsonaro, no geral, concorda com a avaliação de que o STF tem exagerado em suas decisões, nas palavras de aliados.

A expectativa deles é de que o governador busque os ministros do Supremo em outro momento. Se ele o fizesse agora, poderia parecer um recuo ou que ele tem medo da corte.

O discurso de Tarcísio também reavivou no Supremo o debate sobre as propostas de anistia que rondam o Congresso às vésperas do julgamento da trama golpista.

Uma ala do Supremo tem defendido que o tribunal precisa ser mais aberto ao clamor popular em torno do perdão aos bolsonaristas envolvidos nos ataques do 8 de Janeiro, sem interditar o debate ou antecipar eventual declaração de inconstitucionalidade de uma lei sobre o tema.

Os defensores dessa avaliação representam um grupo ainda minoritário no Supremo, mas avaliam ter espaço para a adesão de novos integrantes do tribunal nesta tese.

Cézar Feitoza/Marianna Holanda/FolhapressPolitica Livre

Rui Costa chama Tarcísio de ‘desequilibrado’ que ‘se perdeu completamente’ após ‘agressão’ dos EUA

 Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

O ministro Rui Costa (Casa Civil)08 de setembro de 2025 | 21:00

Rui Costa chama Tarcísio de ‘desequilibrado’ que ‘se perdeu completamente’ após ‘agressão’ dos EUA

brasil

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou nesta segunda-feira, 8, que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), “se perdeu completamente” ao atacar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e que ele aumentou o tom na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após o início da vigência do tarifaço. A declaração foi feita em entrevista à GloboNews.

“A partir do episódio da retaliação ou da agressão do governo dos Estados Unidos, a minha percepção é que ele se perdeu completamente. Segundo ele a declaração ”busca prestar serviço sem impor limites à família Bolsonaro”. “Então isso não corresponde à tradição do que é um governo de São Paulo”, afirmou Rui Costa.

Procurado, o governo de São Paulo não quis comentar as declarações.

Rui também afirmou que Tarcísio se mostrou como uma pessoa “desequilibrada” ao atacar o ministro do STF Alexandre de Moraes, a quem o governador chamou de “tirano” e “ditador”.

“O que nós vimos ontem é uma pessoa, me desculpe, desequilibrada, atacando o ministro da Suprema Corte, atacando as instituições do País. Isso não corresponde ao governador do maior Estado brasileiro”, declarou o chefe da Casa Civil.

Sobre a baixa participação em manifestações pró-governo no feriado da Independência, Rui declarou que o engajamento do governo é calculado com base na aprovação da população de programas do Executivo e as pesquisas de avaliação da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Gabriel de Sousa/EstadãoPolitica Livre

STF retoma julgamento de Bolsonaro com voto de Moraes em meio a tensão com Tarcísio

 Foto: Victor Piemonte/Arquivo/STF

Alexandre de Moraes09 de setembro de 2025 | 06:32

STF retoma julgamento de Bolsonaro com voto de Moraes em meio a tensão com Tarcísio

brasil

O STF (Supremo Tribunal Federal) inicia nesta terça-feira (9) as sessões decisivas do julgamento que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em um ambiente de tensão renovado pelos ataques à corte feitas pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no domingo (7).

O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, começa às 9h a leitura do seu voto no processo contra o núcleo central da trama golpista.

A expectativa é que a manifestação dure todo o dia e que Moraes faça uma avaliação rigorosa dos crimes imputados pela PGR (Procuradoria-Geral da República), apesar das pressões políticas e do governo Donald Trump, dos EUA, por um alívio aos réus da ação.

Em ato na avenida Paulista no domingo, Tarcísio atacou o STF, chamou Moraes de ditador e defendeu uma anistia “ampla e irrestrita”, diante de um público estimado em 42 mil pessoas. “Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes”, disse Tarcísio.

No ato, o governador paulista pressionou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a pautar o projeto de anistia aos condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023 e disse que o STF julga “um crime que não existiu”.

A fala repercutiu mal entre os ministros do Supremo. O decano da corte, Gilmar Mendes, divulgou uma nota na qual dizia que “o que o Brasil realmente não aguenta mais são as sucessivas tentativas de golpe”.

“É fundamental que se reafirme: crimes contra o Estado Democrático de Direito são insuscetíveis de perdão”, afirmou. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, disse que o tribunal opera “à luz do dia” e que na ditadura é que existia “um mundo de sombras”.

Sob reserva, um terceiro ministro disse que Tarcísio queima pontes com o tribunal ao fazer ataques diretos a Moraes.

Até o julgamento, a relação de Moraes e Tarcísio era vista como amistosa, e o governador foi elogiado como moderado por diversos ministros do STF.

Nesta terça, após Moraes, votarão os demais ministros da Primeira Turma do Supremo. Pela ordem, ele será sucedido por Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

A avaliação dos membros da Primeira Turma é que o voto de Luiz Fux —ministro que tem uma postura de contraponto a Moraes e de maior flexibilidade em relação aos réus envolvidos em atos golpistas— também deverá ser longo.

Além de Bolsonaro, Moraes e os demais integrantes da turma também irão tratar das acusações que envolvem os outros sete réus do núcleo central da tentativa de golpe após a derrota de Bolsonaro para Lula (PT), em 2022.

Caso o voto de Moraes não seja encerrado nesta terça, ele continuará a leitura na quarta-feira (10) pela manhã. O desejo do ministro é que o julgamento seja concluído ainda nesta semana, e que o ritmo das sessões não seja quebrado antes do encerramento do caso.

A pedido de Moraes, o presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, acrescentou um dia extra de sessões.

Inicialmente, haveria julgamento apenas na terça, na quarta e na sexta (12). Na semana passada, porém, foi definido que também serão realizadas sessões na quinta (11).

À exceção da quarta, que terá julgamento apenas pela manhã, as sessões começarão às 9h, com um intervalo, e devem acabar às 19h.

Na quinta, a sessão vespertina do plenário foi cancelada. Além disso, a sessão de quinta-feira TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que acontece às 10h, será presidida pelo ministro Kassio Nunes Marques, que não faz parte da Primeira Turma do Supremo. A presidente da corte eleitoral, Cármen Lúcia, pretende acompanhar apenas o julgamento da trama golpista.

Na semana passada, Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defenderam punições pela trama golpista.

Em uma declaração inesperada, Moraes quebrou o padrão de iniciar o julgamento com a leitura do relatório, que é um resumo descritivo do processo, e disse que a pacificação do país não pode ser alcançada com impunidade, além de mandar recados contra as tarifas de Donald Trump e as articulações de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Moraes afirmou ainda que o tribunal julga o caso sem interferências e que ignora tentativas de obstrução.

“Esse é o papel do Supremo Tribunal Federal: julgar com imparcialidade e aplicar a Justiça a cada um dos casos concretos, independentemente de ameaças ou coações, ignorando pressões internas ou externas”, declarou.

No segundo dia do julgamento, na quarta (3), a defesa de Bolsonaro buscou desvinculá-lo do 8 de Janeiro e do plano de assassinato de autoridades.

Bolsonaro é acusado pela PGR de praticar os crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado, além de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Ele nega ter cometido qualquer irregularidade.

Também são réus no processos no processo Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (ex-ministro do GSI); Mauro Cid (ex-chefe da Ajudância de Ordens, que também é delator), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil).

José Marques, Cézar Feitoza e Ana Pompeu/FolhapressPolitica Livre

Lula e o 7 de Setembro: soberania como estratégia política


Em destaque

Tarcísio se curva a Bolsonaro e afirma: “Meu interesse é ficar em São Paulo”

Publicado em 29 de janeiro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Tarcísio atende a Jair Bolsonaro e vai disputar s...

Mais visitadas