sexta-feira, julho 11, 2025

Direita viraliza nos grupos, e esquerda vincula o tarifaço de Trump ao bolsonarismo na web

 Foto: Reprodução/Instagram

O presidente dos EUA, Donald Trump10 de julho de 2025 | 17:36

Direita viraliza nos grupos, e esquerda vincula o tarifaço de Trump ao bolsonarismo na web

brasil

A narrativa da direita prevaleceu em mensagens virais no WhatsApp sobre a tarifa anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto a da esquerda predominou nas conversas orgânicas, que conseguiram vincular a medida ao bolsonarismo.

O resultado é de levantamento feito com exclusividade pela Palver a pedido do jornal Folha de S.Paulo. Foram coletadas mais de 20 mil mensagens sobre o tema de 100 mil grupos públicos de WhatsApp no período de três dias até esta quinta-feira (10).

“As pessoas estão reagindo mal às tarifas, e são justamente as mais do meio [nem petistas nem bolsonaristas] que estão fazendo a diferença”, diz Felipe Bailez, economista e CEO Palver. “Mais do que defender o Lula, estão atacando o Bolsonaro. Essa é a grande conclusão”.

Quase 60% das mensagens virais (encaminhadas com frequência e repetidas pelo mesmo usuário) são críticas a Lula. A narrativa da direita também ataca o STF (Supremo Tribunal Federal) e ao governo Lula (PT).

Um exemplo é uma mensagem que atribui a culpa pelas tarifas ao petista, que teria comparado Trump e Israel ao nazismo, e afirma que o ministro do STF Alexandre de Moraes emitiu ordens secretas contra Google, Meta e X, além de ter suspendido a rede social de Elon Musk.

Segundo Bailez, até a última quarta-feira (9), a direita estava comemorando a medida de Trump, não pela taxação, mas pelo reconhecimento de que o Brasil não seria uma democracia. Isso mudou, e a mensagem nesta quinta é apontar a culpa de Lula.

“Agora, a direita não tem uma coesão”, afirma ele. “O que eles estão fazendo é construir uma narrativa. Depois, vai aparecer um vídeo que provavelmente vai explodir, mas eles ainda não estão preparados para montar essa coesa narrativa.

Por outro lado, segundo a Palver, a maioria das conversas orgânicas (quando há interação entre usuários) esteve afinada com a narrativa da esquerda de ataque às tarifas e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ou de defesa de Lula.

Uma das mensagens chama Trump de “laranjão” e afirma que, embora digam que ele não cumpre o que promete, ele o faz quando é para prejudicar o país alheio. Atribui ainda a um secretário do americano uma fala de que o Brasil seria o quintal dos Estados Unidos.

As mensagens de rejeição à tarifa e as críticas ao bolsonarismo circulam com tom irônico e confiante, mostra a análise. Além disso, a acusação de submissão dos bolsonaristas aos EUA tem apelo retórico e emocional, sendo frequentemente acompanhada de memes.

O relatório da Palver indica ainda que o discurso da soberania nacional e de defesa do país também foi apropriado com sucesso pela esquerda, deslocando o custo simbólico da tarifa para a oposição.

Bailez afirma que este é o retrato até o início da tarde desta quinta-feira. Segundo ele, ainda será preciso esperar para verificar se a narrativa que a direita está impulsionando pelas mensagens virais será incorporada nas conversas orgânicas.

“Isso vai mudar o tom da conversa, principalmente das pessoas de centro, porque quem é bolsonarista compra a mensagem bolsonarista, quem é petista compra a mensagem petista, e não muda. Vemos essas mudanças mais nas pessoas que estão no meio.”

Outro fator que pode influenciar o rumo da repercussão nas redes sociais é a reação de Lula. Qual será a resposta e como vai funcionar terá um impacto direto, segundo ele. “Mas vamos ter que esperar para ver”.

Arthur Guimarães de Oliveira/FolhapressPolitica livre

Lira mantém 10% de imposto para os mais ricos e expande a redução de IR para até R$ 7.350

 Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O deputado federal Arthur Lira (PP-AL)10 de julho de 2025 | 18:05

Lira mantém 10% de imposto para os mais ricos e expande a redução de IR para até R$ 7.350

economia

O projeto que lei que concede isenção de Imposto de Renda a quem ganha até R$ 5.000 vai ao plenário da Câmara com a proposta de elevação da faixa de isenção parcial do tributo para quem ganha até R$ 7.350. O texto do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propunha que esse valor fosse de R$ 7.000.

O relator do projeto na comissão especial criada para discutir a proposta, deputado federal Arthur Lira (PP-AL), manteve a criação do imposto mínimo, que será cobrado de quem ganha a partir de R$ 50 mil mensais (cerca de R$ 600 mil anuais) e também a alíquota de 10% para quem ganha a partir de R$ 1,2 milhão.

Lira apresentou o relatório nesta quinta-feira (10) na comissão especial. Ele também manteve a cobrança de IR sobre lucros e dividendos pagos por empresas, inclusive a estrangeiros.

A medida é uma das que mais desagradam as empresas. Logo após a apresentação do relatório, a Abrasca, que representa companhias de capital aberto, divulgou nota lamentando a manutenção da tributação às empresas sediadas no exterior.

“Infelizmente, tal medida prejudica o investidor internacional que acredita no país e aumenta o risco de fuga de capitais”, diz nota da associação, que defende a exclusão total das pessoas jurídicas do texto.

Lira também incluiu no relatório a previsão de a União usar qualquer excedente de receita com o imposto mínimo como fonte de compensação para o cálculo da alíquota de referência da CBS (Contribuição de Bens e Serviços), criada pela reforma tributária para substituir o PIS/Cofins a partir de 2027.

O relatório apresentado nesta quinta prevê que depósitos de poupança, indenizações, pensões ou aposentadorias decorrentes de acidente de serviço ou doenças graves não integrem a base de cálculo de renda mínima para estar sujeito à nova tributação. Segundo o relator, a inclusão de rendas isentas na base de cálculo da tributação mínima acabaria derrubada no Judiciário.

Rubens Junior (PT-MA), presidente da comissão especial, disse que o texto apresentado na comissão mantém o princípio do projeto, que era a faixa de isenção e a neutralidade, ou seja, a renúncia e a entrada de receitas empatando.

A votação do relatório ficou para a próxima semana na comissão especial. No plenário, o texto deve ser analisado somente em agosto.

A apresentação do relatório ocorre após um adiamento relacionado à motivações políticas: o embate entre Congresso e governo Lula (PT) sobre o aumento de impostos aumentou as tensões entre os dois Poderes e tornou difícil o clima para votação. Lira decidiu aguardar para divulgar o texto, para evitar que o clima fosse contaminado.

Na terça-feira (8), ocorreu uma primeira reunião para distensionar o ambiente, com um encontro entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ministra da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Gleisi Hoffmann, e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A cúpula do Congresso também deve encontrar Lula nos próximos dias.

O parecer não incluiu medidas compensatórias à derrubada do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), e que se tornou alvo de disputa no STF (Supremo Tribunal Federal). Deputados chegaram a cogitar isso, mas desistiram para acelerar o projeto do imposto de renda, que é prioridade para o presidente Lula.

Fernanda Brigatti/Raphael Di Cunto/FolhapressPolitica Livre

Zema agora diz que tarifaço de Trump é uma medida errada e injusta

 Foto: Gil Leonardi/Agência Minas/Arquivo

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo)10 de julho de 2025 | 18:35

Zema agora diz que tarifaço de Trump é uma medida errada e injusta

brasil

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticou nesta quinta-feira (10) as taxas de 50% ao Brasil anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Um dia após ter dito que a população pagaria a conta por ações do presidente Lula (PT) e do STF (Supremo Tribunal Federal), Zema classificou a decisão de Trump, que avaliou como resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo e ao encontro dos Brics, como um erro.

“Esses erros e essas injustiças não devem ser consertados com mais injustiças e erros. A taxação imposta pelo presidente Trump a produtos brasileiros é uma medida errada e injusta. Ela precisa ser revista”, afirmou Zema nas redes sociais.

O governador, que já se coloca como presidenciável para 2026, defendeu novamente Bolsonaro, disse que o STF “já passou dos limites” e afirmou que há tentativas, por parte do governo Lula, de censurar a oposição ao petista nas redes, mas acrescentou que isso não pode prejudicar a população.

“Defender a liberdade não pode significar atacar quem trabalha e quem produz no Brasil”, disse ele.

Na noite de quarta (9), Zema foi o primeiro entre os quatro governadores apontados como presidenciáveis a se manifestar sobre o anúncio de Trump, que citou Bolsonaro na justificativa dada a Lula para aplicar as taxas.

“As empresas e os trabalhadores brasileiros vão pagar, mais uma vez, a conta do Lula, da Janja e do STF. Ignorar a boa diplomacia, promover perseguições, censura e ainda fazer provocações baratas vai custar caro para Minas e para o Brasil”, disse ele, sem outros comentários sobre as taxas.

Dos outros três, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) focaram as críticas na reunião dos Brics no Rio de Janeiro, no início desta semana, enquanto Ratinho Jr. (PSD-PR) não fez menções diretas à taxação, mas sim uma postagem dizendo ser contra a polarização na política.

Juliana Arreguy/FolhapressPolitica livre

Gilmar Mendes diz que Brasil vive capítulo inédito da ‘resistência democrática’ após ataque de Trump

 Foto: Antonio Augusto/ STF/Arquivo

O ministro Gilmar Mendes, decano do STF10 de julho de 2025 | 21:15

Gilmar Mendes diz que Brasil vive capítulo inédito da ‘resistência democrática’ após ataque de Trump

brasil

Decano do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes defendeu na noite desta quinta-feira, 10, a atuação da Suprema Corte e disse que o Brasil representa um capítulo inédito “na história da resistência democrática”.

O ministrou publicou nota nas redes sociais um dia depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras e exigir o encerramento da ação que acusa o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de orquestrar golpe de Estado após ser derrotado na eleição de 2022.

Para Mendes, as decisões judiciais no Estado democrático de direito são respostas “aos riscos factuais de violação da ordem jurídica”.

Na carta que anunciou a tarifa contra o Brasil, Trump disse que Bolsonaro é vítima de uma “caça às bruxas” e que o STF emitiu “centenas de ordens de censura” contra plataformas de mídia social dos Estados Unidos e as ameaçou com multas milionárias e a possibilidade de expulsá-las do País.

Ele defendeu as ações do STF argumentando que nenhuma outra democracia contemporânea enfrentou ataques aos Três Poderes como ocorreu no Brasil.

“O que nenhuma outra democracia contemporânea enfrentou: uma tentativa de golpe de Estado em plena luz do dia, orquestrada e planejada por grupos extremistas que se valeram indevidamente da imunidade irrestrita das redes sociais”, escreveu o ministro no X.

Ele também afirmou que nenhum outro parlamento nacional presenciou “uma campanha colossal de desinformação” das empresas de tecnologia, que “com mentiras e narrativas alarmistas, sabotaram o debate democrático sobre modernização dos marcos regulatórios”.

Mendes afirmou ainda que nenhuma outra Suprema Corte no mundo sofreu “ataques tão virulentos à honra de seus magistrados”, incluindo planos de assassinato “arquitetados por facções de grupos eleitorais derrotados”.

Segundo o ministro do STF, essas singularidades definem o momento histórico da democracia brasileira.

“Quando a defesa irredutível de preceitos constitucionais se transforma em imperativo civilizatório diante de forças que ameaçam não apenas as instituições nacionais, mas o próprio conceito de Estado de Direito no século XXI. O que se escreve no Brasil hoje é um verdadeiro capítulo inédito na história da resistência democrática”, concluiu Gilmar Mendes.

Ele se soma ao ministro Flávio Dino, que na quarta-feira disse considerar uma honra integrar o STF, Corte que na visão dele exerce “com seriedade” a função de proteger “a soberania nacional, a democracia, os direitos e as liberdades”.

O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, combinou com Lula que os integrantes do tribunal não se manifestariam sobre o caso e que a defesa contra as críticas do governo americano ficaria sob responsabilidade do Itamaraty.

Pedro Augusto Figueiredo/EstadãoPolitica Livre

Lula faz ofensiva internacional e publica artigo contra tarifas de Trump em nove países

 Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/Arquivo

O presidente Lula (PT)10 de julho de 2025 | 21:45

Lula faz ofensiva internacional e publica artigo contra tarifas de Trump em nove países

economia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou um artigo em tom contrário ao excesso de tarifas comerciais entre os países um dia após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar o Brasil em 50%. O texto foi publicado em nove países.

“A lei do mais forte também ameaça o sistema multilateral de comércio. Tarifas abrangentes corrompem as cadeias de valor e empurram a economia global para uma espiral de preços altos e estagnação”, diz o texto assinado pelo presidente, publicado em inglês.

Sem mencionar Trump e o aumento da sobretaxa aos produtos brasileiros, o texto também cita um esvaziamento da OMC (Organização Mundial do Comércio) e diz que “ninguém se lembra da Rodada de Doha” (ciclo de negociações comerciais que ficam sob controle da organização).

Nesta quinta-feira (10), em entrevista à Rede Record, Lula também citou a OMC e a possibilidade de recorrer à organização contra as sobretaxas americanas. Uma ação do tipo, porém, teria efeito apenas simbólico, uma vez que a organização internacional está há anos paralisada por um boicote liderado pelos EUA.

O artigo foi publicado em veículos de China, Argentina, Inglaterra, Japão, Itália, Espanha, Alemanha, França e México.

Lula também voltou a criticar as omissões dos países diante das guerras, em uma nova menção ao conflito na Faixa de Gaza.

“A falha em agir frente a frente ao genocídio em Gaza representa uma negação aos valores mais básicos da humanidade. A incapacidade de superar diferenças está preenchendo uma nova escala de violência no Oriente Médio, cujo último capítulo inclui os ataques ao Irã”.

“Em tempos de crescente polarização, termos como ‘desglobalização’ se tornaram lugar-comum. Mas é impossível ‘desplanetizar’ nossa existência compartilhada. Nenhum muro é alto o suficiente para preservar ilhas de paz e prosperidade rodeadas por violência e miséria.”

O artigo termina com novo apelo ao multilateralismo e afirma que faltam lideranças coletivas na esfera internacional.

“Se organizações internacionais parecem ineficientes, é porque a estrutura delas não reflete mais a realidade atual. Ações unilaterais e excludentes são pioradas pela ausência de liderança coletiva. A solução para a crise do multilateralismo não é abandoná-lo, mas reconstruí-lo em fundações mais inclusivas e justas”, escreveu ainda.

Mariana Brasil/Ricardo Della Coletta/FolhapressPolitica Livre

Tarcísio, com tarifaço de Trump, mina retórica de moderação encenada sobre o STF

 Foto: Francisco Cepeda/Arquivo/GOVSP

Tarcísio Freitas, governador de São Paulo11 de julho de 2025 | 06:49

Tarcísio, com tarifaço de Trump, mina retórica de moderação encenada sobre o STF

brasil

O aumento de tarifas ao Brasil imposto por Donald Trump expôs o nó político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta se equilibrar entre fidelidade ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o respeito à Justiça e à democracia.

Na avaliação de dois presidentes de partidos, de deputados federais e estaduais aliados ao governador e de integrantes de sua equipe, a imagem de Tarcísio entre os bolsonaristas sairá arranhada caso ele não apoie as medidas de Trump nem as trate como reflexo de uma suposta perseguição antidemocrática sofrida pelo ex-presidente.

Por outro lado, se endossar as barreiras comerciais impostas pelo governo americano, o desgaste será com o mercado financeiro, o setor agropecuário e com eleitores fora do campo bolsonarista.

Bolsonaristas de São Paulo, segundo apurou a reportagem, esperavam que os Estados Unidos anunciassem sanções contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes —não contra o país inteiro. As primeiras reações de Tarcísio seguiram essa linha e tiveram de ser recalibradas ao longo da semana diante da impopularidade das medidas.

Na segunda-feira (7), quando Trump publicou um texto em defesa de Bolsonaro, Tarcísio rapidamente reverberou a mensagem, tratando a iniciativa como uma vitória do bolsonarismo e atacando indiretamente a legitimidade do STF para julgar o processo criminal contra o aliado.

“Jair Bolsonaro deve ser julgado somente pelo povo brasileiro, durante as eleições. Força, presidente”, disse, na ocasião.

Na quarta (9), logo após o anúncio das tarifas, o STF saiu do foco do governador. Em uma nova publicação, ele associou o tarifaço a posturas políticas do presidente Lula (PT), como “prestigiar ditaduras, defender a censura e agredir o maior investidor direto no Brasil”.

“Não adianta se esconder atrás do Bolsonaro”, escreveu —desconsiderando que Trump abre a carta enviada a Lula com críticas ao tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente.

Já nesta quinta (10), com a crise em proporções mais claras e reações negativas do setor empresarial consolidadas, Tarcísio adotou outro tom, falando em “diálogo” e “negociação” durante entrevista em um canteiro de obras do metrô em São Paulo.

“[Tem] uma série de posturas que não condizem com a nossa tradição democrática e eu espero que o Brasil sente na mesa e resolva o problema das tarifas”, disse.

Mas, ao ser questionado sobre uma possível interferência no Supremo para suspender o julgamento de Bolsonaro —como sugerido por Trump—, desconversou: “Não estou falando isso, estou falando que agora o esforço do governo brasileiro tem de ser resolver a tarifa”.

Aliados de Tarcísio dizem ver em episódios anteriores —como o vídeo que gravou usando um boné com a frase “Make America Great Again” (faça os Estados Unidos grandes de novo)— acenos ao eleitorado bolsonarista, que muitas vezes considera o governador pouco leal a Bolsonaro.

Um deles afirmou que a classe política reconhece o bom trânsito de Tarcísio com ministros do Supremo, mas avalia que, para ser o candidato apoiado por Bolsonaro em 2026, ele precisará subir o tom contra a corte —sendo, ao mesmo tempo, um nome do bolsonarismo e da centro-direita.

O discurso de Tarcísio na última manifestação de Bolsonaro, na avenida Paulista, em junho, já havia sido alvo de críticas do entorno do ex-presidente. Apesar de ter defendido justiça e anistia a Bolsonaro, concentrou-se em atacar o governo Lula e repetir o slogan “Fora PT”, o que foi interpretado como discurso de candidato. Ele poupou, na ocasião, os ministros do STF, que foram duramente criticados nos demais discursos.

Embora diga que no ano que vem disputará a reeleição ao governo paulista, Tarcísio é considerado o candidato de uma coligação que uniria Republicanos, PL, PP, União Brasil, MDB e PSD contra Lula.

Um dirigente partidário disse que, embora o setor produtivo estivesse próximo a Tarcísio, há expectativa de que migre para Lula por uma questão de sobrevivência política —para reforçar o presidente nas tratativas de reversão das medidas de Trump.

Pouco antes da entrevista de Tarcísio no canteiro do metrô, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), havia criticado o governador, insinuando que ele seria um “candidato vassalo” dos americanos. O governador mandou o ministro “falar menos e trabalhar mais”.

Ao falar com os jornalistas, Tarcísio disse que também buscou canais de diálogo com representantes dos Estados Unidos para tentar reverter o cenário —mesmo sendo identificado como um nome do bolsonarismo. À Folha um de seus aliados relatou esperança de que um eventual desfecho positivo agrade tanto ao eleitorado fiel a Bolsonaro quanto ao restante da população.

Bruno Ribeiro e Juliana Arreguy/Folhapress

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