sexta-feira, julho 11, 2025

Tarifaço de Trump pode tirar 0,3 ponto de crescimento do PIB brasileiro em um ano

 Foto: Reprodução/Instagram

O presidente dos EUA, Donald Trump10 de julho de 2025 | 22:00

Tarifaço de Trump pode tirar 0,3 ponto de crescimento do PIB brasileiro em um ano

economia

O principal efeito da tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre importações vindas do Brasil deve recair sobre a balança comercial e repercutir de forma negativa no Produto Interno Bruto (PIB) do País. Nos cálculos do economista Roberto Dumas, o tarifaço pode tirar, no mínimo, 0,3 ponto porcentual de crescimento da economia brasileira em 12 meses a partir da sua vigência. “Mas esse valor pode ser maior”, afirma o professor de Economia Internacional do Insper.

Como base de comparação, a variação do PIB esperada para 2025 é de 2,23% de alta, conforme o mais recente Boletim Focus, do Banco Central, que apura as expectativas do mercado — divulgado na segunda-feira, 7, quando ainda não estava no radar a sobretaxa americana. Para 2026, a estimativa é de crescimento de 1,86%.

Além de reduzir essas projeções, o atual cenário adverso para comércio internacional oferece riscos de maiores dificuldades para que o Brasil redirecione suas exportações a outros mercados, piorando ainda mais o resultado da balança comercial. Isso, em razão de possíveis retaliações por parte do governo americano a parceiros comerciais que decidissem comprar produtos brasileiros.

No cálculo do efeito negativo sobre o PIB, Dumas não considerou os impactos indiretos de uma possível depreciação cambial. Com a entrada menor de dólares em razão da redução das exportações, o real poderia se desvalorizar em relação ao dólar e pressionar os preços no mercado interno, elevando a inflação. O desdobramento desse movimento seria, segundo o economista, a manutenção da taxa de juros em um nível elevado por mais tempo.

“Aquela perspectiva de que a taxa de juros cairia no segundo trimestre do ano que vem pode começar a diminuir e a inflação acabar ficando mais pegajosa, mais resiliente”, observa Dumas. Ele frisa que tem mais receio dos efeitos indiretos do tarifaço de Trump na economia brasileira do que os impactos diretos.

Paulo Vicente dos Santos, professor de Estratégia da Fundação Dom Cabral, diz que a piora nas exportações brasileiras é o principal efeito da tarifação de 50% sinalizada por Trump. “Supondo que em 1º de agosto essa tarifa vá entrar em vigor como está hoje, isso pode ter impacto em uma parcela significativa das exportações, o dólar deve subir por causa da menor entrada de divisas, a Bolsa deve cair e isso pode atrapalhar ainda mais a inflação”, avalia o professor.

Embora a participação dos EUA nas exportações brasileiras tenha recuado de quase 25% no início dos anos 2000 para 12% em 2024 (US$ 41 bilhões), os economistas do BTG Pactual destacam, em relatório, que o mercado norte-americano segue como o segundo principal destino das vendas externas do Brasil, sendo “o mais relevante para bens manufaturados de maior valor agregado, como aeronaves, autopeças e máquinas”.

Para o professor do da Fundação Dom Cabral, o risco de estrago provocado pela tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras existe, mas não é motivo de desespero no curto prazo. “O estrago no curto prazo existe, mas não é desesperador; no médio e no longo prazos ele até pode ser, se não houver negociação”.

O BTG Pactual, por exemplo, estima, em relatório, que a elevação da tarifa dos EUA reduz as exportações em US$ 7 bilhões em 2025 e em US$ 13 bilhões em 2026. Os economistas do banco assumem nesse cálculo que ocorra um redirecionamento gradual e heterogêneo entre os diferentes produtos da pauta de exportação.

Imagem do Brasil ficaria arranhada

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), acredita que o Brasil deixará de exportar para os Estados Unidos entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões por ano, se a nova taxação de 50% entrar em vigor.

Além da redução nas exportações para os EUA, Castro adverte para outra dificuldade que o tarifaço pode provocar. Ele acredita que o Brasil enfrentaria obstáculos para redirecionar as exportações.

“Ter a maior taxação por parte do Trump passa a imagem que o Brasil cometeu uma infração gravíssima”, diz Castro. Essa imagem negativa pode levar a empresas que queriam fazer negócios com o Brasil pensar duas vezes antes de fechar contratos, temendo que haja algo de errado com o País.

Outro temor dessas companhias diz respeito a alguma represália por parte do governo americano a essas empresas ou países por comprarem produtos brasileiros. “Trump pode impor a quem comprar do Brasil alguma penalidade. Na dúvida, ninguém faz negócio e fica difícil redirecionar as exportações”.

Insegurança jurídica

Outro desdobramento do aumento das tarifas recai sobre contratos já firmados entre empresas. Silvia Rodrigues Pachikoski, sócia da área de Solução de Disputas no escritório L.O. Baptista, alerta para repercussões jurídicas. “A guerra tarifária e a fixação das novas alíquotas repercutirão diretamente nos contratos, pois significarão aumento no preço de insumos e prejudicarão o livre comércio como negociado pelas partes, trazendo um desequilíbrio contratual inesperado”.

Esse desequilíbrio, observa a advogada, poderá acarretar o não cumprimento de obrigações assumidas pelas partes, por conta de aumentos de custos, levando à renegociação de preços. “A consequência natural é o aumento do número de arbitragens e processos judiciais para tratar dessas questões”, afirma.

A insegurança jurídica por causa da elevação das tarifas preocupa o setor produtivo, diz Silvia. O impacto é aumento de disputas judiciais entre empresas e também na Organização Mundial de Comércio (OMC) por violação às regras multilaterais de comércio.

Márcia De Chiara/Estadão

Julgamento no STF que endureceu regras contra big techs impulsionou decisão de Trump de retaliar Brasil

 Foto: Reprodução/Arquivo

Donald Trump11 de julho de 2025 | 06:33

Julgamento no STF que endureceu regras contra big techs impulsionou decisão de Trump de retaliar Brasil

brasil

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% ao Brasil foi tomada há poucos dias, surpreendendo até mesmo assessores da área, e impulsionada pelo recente julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) do Marco Civil da Internet.

Segundo três pessoas com acesso às discussões de eventuais sanções ao ministro Alexandre de Moraes, a atuação do Supremo no caso foi vista como uma espécie de afronta ao aumentar a responsabilização das redes sociais.

O Marco Civil, em vigor desde 2014, estabelecia que redes sociais só poderiam ser responsabilizadas por conteúdos postados por usuários se descumprissem ordem judicial de remoção. Com o julgamento, daqui para frente, as empresas terão mais obrigações, como ter de remover uma lista de conteúdos proativamente.

Na segunda-feira (7), um integrante do governo Trump disse à Folha que o STF tem tomado uma série de decisões ruins para silenciar a liberdade de expressão e desestabilizar a democracia a fim de sustentar “um governo impopular”.

As redes sociais foram no Brasil um dos principais instrumentos para impulsionar o discurso contra a lisura das urnas eletrônicas.

Na avaliação de aliados de Trump, a decisão do STF amplia o que eles veem como censura à liberdade de expressão enquanto os EUA buscariam um gesto justamente na direção contrária. Depois do julgamento, Moraes afirmou que as big techs foram instrumentalizadas e as associou à invasão dos três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

Isso se somou, segundo pessoas envolvidas na discussão, à contrariedade por decisões emitidas contra empresas americanas, como o Rumble, e à avaliação de Trump de que Bolsonaro sofre perseguição, em processo semelhante ao vivido por ele nos EUA —com a diferença que o ex-presidente não pode se candidatar no Brasil por estar inelegível.

Até a semana passada, segundo três pessoas ligadas ao tema, a discussão sobre uma resposta ao que assessores de Trump e bolsonaristas dizem ver como elementos de risco à democracia do Brasil passava apenas por uma punição financeira e de proibição de visto a Moraes. Isso mudou com algumas reuniões para tratar de Brasil que ocorreram nos últimos dias.

Trump teria participado de ao menos uma delas e optado por usar as tarifas para pressionar o Brasil no caso. Isso, segundo duas pessoas, foi até mesmo antes da cúpula dos Brics no Rio de Janeiro, que serviu como mais um elemento para desgastar a relação do Brasil com os EUA.

O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o ex-apresentador Paulo Figueiredo, que têm liderado a ofensiva anti-Moraes nos EUA, insistiam por sanções ao ministro, mas não descartavam a hipótese de tarifas. Esta seria, disse um envolvido no debate, a última opção no plano traçado para pressionar Moraes e que acabou sendo escolhida pelo presidente americano. As sanções a Moraes ainda estão sobre a mesa, mas sem definição de quando seriam implementadas.

Integrantes do próprio governo Trump foram pegos de surpresa com o anúncio das tarifas de 50%. Negociadores do USTR, o órgão que trata de comércio externo, conversaram com representantes brasileiros na sexta (4). Segundo a Folha apurou, os americanos trabalhavam em taxas para produtos específicos e não houve uma recomendação do órgão a Trump para que fosse aplicada uma tarifa de 50% ao país.

Nessas discussões da semana passada, big techs e aliados de Bolsonaro fizeram chegar a Trump a informação sobre o julgamento do Marco Civil. Avaliaram também que integrantes do Judiciário brasileiro não sinalizaram que chegariam a acordo sobre as queixas dos bolsonaristas, por isso era preciso avançar com a pressão.

Havia a expectativa de um gesto depois de o secretário de Estado, Marco Rubio, ter dito em maio que era grande a chance de sancionar Moraes. Pessoas no entorno do presidente americano acreditam em eventual recuo por parte das autoridades brasileiras, por mais que elas tenham afirmado reiteradamente que isso não ocorrerá e que qualquer medida nesse sentido seja vedada pela Constituição.

Uma pessoa ligada a Trump lembra o caso da Colômbia, que liberou um pouso com pessoas deportadas depois de o americano anunciar uma tarifa de 27,5% contra o país, como exemplo.

O advogado da plataforma Rumble, Martin de Luca, disse nesta quinta (10) que reconhecer a ilegalidade das ordens de Moraes contra a rede, que sustenta conteúdos da Truth Social (rede de Trump), ajudaria a rever o curso das tarifas. “Quando se trata de liberdade de expressão e empresas de tecnologia, acho que primeiro é preciso reconhecer que as ordens que Moraes deveriam ser rescindidas”, disse.

Na prática, integrantes do governo Lula e ministros do Supremo dizem que a chance de isso acontecer é nula.

No campo político, Trump não deixou claro os caminhos para eventual negociação que poderia evitar o Brasil de ser alvo das tarifas de 50% —além da própria mudança de ideia do próprio republicano, o que já aconteceu antes.

Ele elencou uma série de reclamações e atribuiu a implementação de tarifas “devido, em parte, aos ataques insidiosos do Brasil às eleições livres e aos direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos”.

A carta enviada fala ainda em centenas de decisões secretas mirando plataformas de mídias dos Estados Unidos, que ele chama de ilegais. O presidente refere-se a pedidos para retirada de conteúdo e contas em redes sociais e, sem citar o nome, trata do caso do Rumble, plataforma de vídeo bastante usada pelo público de direita. Trump menciona que as decisões do STF expulsam empresas americanas do mercado brasileiro.

Hoje, o Rumble está bloqueado no Brasil e está sujeito ao pagamento de multa determinada por Moraes por não cumprir ordens.

Na carta em que fez o anúncio das tarifas, Trump escreveu o trecho padrão que tem encaminhado aos demais países, dizendo que, se o Brasil estiver disposto a abrir fábricas nos EUA, as tarifas poderiam ser renegociadas. Mas não está claro como será a negociação.

Julia Chaib/FolhapressPolitica Livre

Tarifaço de Trump contra Brasil é pura interferência política

 

Tarifaço de Trump contra Brasil é pura interferência política
Não há espaço para teorias da conspiração na análise do tarifaço decretado por Donald Trump contra o Brasil. A carta enviada pelo presidente dos Estados Unidos ao presidente Lula deixa escancarada a motivação da punição comercial: interferir na Justiça e na política brasileira, imiscuindo-se no julgamento do golpe contra a democracia e em decisões do Supremo Tribunal Federal sobre a inelegibilidade de Jair Bolsonaro e ilegalidades praticadas pelas big tech. 

A carta de Trump concentra-se nesses pontos, enquanto as alegações de que o Brasil estaria prejudicando comercialmente os Estados Unidos, comprovadamente falsas, servem apenas de pretexto para o presidente americano usar o único instrumento de política externa que parece conhecer: a aplicação de tarifas, como observou o professor Tomaz Paoliello, coordenador do Mestrado Profissional em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais da PUC-SP, em entrevista ao podcast Bom Dia, Fim do Mundo sobre o encontro do BRICS, gravada na terça-feira passada.  
 O que significa, de forma inequívoca, que esta é a mais grave tentativa de interferência dos Estados Unidos em nossos assuntos internos – de processos criminais às eleições – desde o golpe de 1964. E o governo brasileiro tem se comportado de maneira correta diante da agressão, mesmo que as medidas estudadas até agora não sejam suficientes para fazer os EUA recuarem do tarifaço, previsto para 1 de agosto. 
Os leitores da Agência Pública vem acompanhando há tempos as articulações de Eduardo Bolsonaro junto à extrema-direita americana para sabotar a Justiça brasileira e livrar a cara do pai, inelegível e ameaçado de cadeia no processo que investiga a tentativa de golpe no STF. Entre as iniciativas do filho 03 de Jair Bolsonaro figuram comitivas de parlamentares brasileiros aliados ao Congresso americano e, mais recentemente, ao Departamento de Estado, com o objetivo de articular punições ao ministro Alexandre de Moraes. 

Uma retaliação em que os interesses políticos do ex-presidente brasileiro e do atual presidente americano se misturam perigosamente aos das big techs, aliadas de Trump (sobre isso veja a reportagem de Natalia Viana, publicada ontem).

O momento da carta enviada por Trump, porém, coincide com outro movimento, este por parte do governo brasileiro, como líder do BRICS e presidente da COP, a Conferência do Clima, da qual Donald Trump se retirou. Tanto é que, no início da semana, logo depois do encontro do BRICS no Rio de Janeiro, Trump já havia falado em 10% de tarifa extra para países que apoiassem “as políticas anti-americanas” do BRICS, como negociar em outras moedas que não o dólar. No mesmo dia, o presidente americano também disse estar de olho no Brasil pela suposta “caça às bruxas” da qual Jair Bolsonaro seria vítima.  

Ambas as ameaças foram publicadas por Trump em suas redes sociais e se tornaram perguntas para Lula na coletiva que o presidente brasileiro concedeu no encerramento do BRICS, na segunda-feira passada. “Eu acho que é muito errado e muito irresponsável um presidente ameaçar os outros nas redes digitais”, respondeu Lula aos repórteres. “Ele precisa saber que o mundo mudou. Não queremos um imperador”.

Ontem de manhã, voltei a procurar o professor Paoliello para perguntar se a retaliação tarifária ao Brasil também estaria relacionada ao papel do país como articulador e defensor do multilateralismo, tema de nossa conversa no podcast. “Em relação ao BRICS, não acredito, talvez mais como reação às respostas de Lula na coletiva”, ele disse, mas destacou: “Acho que se o Lula não tivesse falado nada, viria essa tarifa do mesmo jeito. Mas o tom da carta e a velocidade em que veio acho que tem a ver com isso sim. Inclusive é importante dizer que outros membros do BRICS já tinham recebido essa cartinha de Trump, meio padrão, sobre as tarifas, mas com alíquotas menores. Nesse caso, não é uma medida contra o BRICS, mas especificamente contra o Brasil, de maneira focada”.

O mais grave, como lembrou Paoliello, é que as instituições multilaterais estão tão enfraquecidas que o Brasil não tem a quem recorrer diante desse abuso evidente de poder pelos Estados Unidos. A inatividade da Organização Mundial do Comércio (OMC) para arbitrar os sucessivos ataques ao livre comércio ou reprimir o uso de tarifas com motivação política, o que também é proibido pelas regras do comércio internacional, e a irrelevância da ONU para punir países que cometem crimes de guerra ou violam a soberania de outros países, caso do ataque de Trump ao Brasil, não nos dá outra alternativa a não ser reagir por conta própria e fortalecer as relações com outros países, como já estamos fazendo. 

Para isso, Lula deve ter o apoio da população, que tende a se identificar com o governo na reação à agressão dos EUA, o que pode fazer a jogada política de Trump e Bolsonaro sair pela culatra. Afinal, até o Estadão escreveu editorial qualificando a trama de “coisa de mafiosos” e criticando os defensores brasileiros de Trump, inclusive citando nominalmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, político que o jornal costuma apoiar. 

Apesar do impacto negativo inevitável sobre a economia brasileira, a postura firme contra a ingerência dos Estados Unidos por parte do governo, respaldada pela população, e o fortalecimento da aliança com novos parceiros pode trazer novos horizontes, não apenas para o Brasil, mas para as economias emergentes reunidas no BRICS – incluindo novas potências como a China –, como explicou o professor Paoliello. 

“Há uma percepção de que não se deve contar com os Estados Unidos, que dali não vai sair muita coisa do ponto de vista de cooperação, de desenvolvimento de novas iniciativas. Então, tem uma corrida geral, inclusive de aliados históricos dos Estados Unidos que estão em maus lençóis agora, como o México, o Canadá, os países europeus, na busca por novas parcerias. Quer dizer, vai vir gente batendo a porta do Brasil, querendo ter acesso a esse nosso mercado interno, que é enorme, aos recursos naturais brasileiros. E eu acho que o BRICS, nesse contexto, também tem uma oportunidade. A própria expansão dos BRICS, por iniciativa da China, já demonstrou um pouco isso. Quer dizer, trazendo mais países para dentro, se expandindo, potencialmente também virando um fórum de cooperação em outras áreas, além do que já tem de cooperação econômica.”

Há um vasto mundo para além dos Estados Unidos de Trump assim como existe patriotismo no Brasil sem a manipulação de Bolsonaro. É hora de acreditar que um outro mundo é possível. 


Marina Amaral
Diretora Executiva da Agência Pública
marina@apublica.org 

quinta-feira, julho 10, 2025

Obrigado, Trump!

 

Obrigado, Trump!

Obrigado por fazer cair a máscara de deputados e senadores que, eleitos por seus estados, articulam contra a população, mineradoras e siderúrgicas.

Finalmente, os vassalos conseguiram o posto máximo na hierarquia dos ‘lacaios do imperialismo norte-americano’, com a ameaça do presidente Donald Trump de taxar em 50% os produtos brasileiros.

É inacreditável a reação positiva dos seguidores do lesa-pátria nas redes sociais. Os influenciados comemoram o desemprego de milhões de trabalhadores brasileiros, como os do Vale do Aço, em Minas Gerais, por exemplo.

A taxação prejudica a exportação de café e petróleo, além de impactar a indústria e o agronegócio. O estado de São Paulo seria uma das unidades federativas mais prejudicadas; mesmo assim, o oportunista governador Tarcísio tenta lacrar com o grupo de eleitores manipulados e úteis.

Incomodado com o avanço do BRICS e o possível enfraquecimento do dólar na economia global, o chefe da Casa Branca usou o espectro sombrio de Bolsonaro como pano de fundo para atacar o bloco.

O réu inelegível e covarde aproveita-se da carta de Trump como troféu, para reverter a situação e colocar na conta de Lula e Moraes a responsabilidade pelas bravatas de Trump.

Os criminosos golpistas que atentaram contra a democracia e o Estado Democrático de Direito veem em Trump a última instância para a anistia; por isso, querem coagir o Judiciário. O Brasil é soberano e não uma colônia subserviente, como querem e insistem os ‘Josés Silvério’.

Obrigado, Trump! Por fazer cair a máscara de deputados e senadores que, eleitos por seus estados, articulam contra a população, mineradoras e siderúrgicas.

Obrigado por ter unido ainda mais os brasileiros trabalhadores, brasileiros empresários, brasileiros estudantes; brasileiros, brasileiros.

FOTO: RS/Fotos Públicas

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/obrigado-trump-jrswe24z

Gleisi enquadra Tarcísio: ‘é nessa hora que distinguimos os patriotas dos traidores’

 

Gleisi enquadra Tarcísio: ‘é nessa hora que distinguimos os patriotas dos traidores’

Ministra critica postura do governador e outros bolsonaristas diante das tarifas de Trump, “o maior ataque já feito ao Brasil em tempos de paz”.

247 – A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), reagiu com indignação à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Em postagem nas redes sociais, nesta quinta-feira (10), Gleisi classificou a medida como “o maior ataque já feito ao Brasil em tempos de paz” e denunciou o alinhamento de figuras da extrema direita brasileira, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Jair Bolsonaro (PL), ao que chamou de “chantagem do presidente dos EUA”.

A medida anunciada por Trump entra em vigor no dia 1º de agosto e representa uma escalada nas tensões comerciais entre Washington e Brasília. Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o chefe da Casa Branca não apenas formalizou o tarifaço como também saiu em defesa de Bolsonaro, que responde a um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado em 2023.

Em tom de pressão econômica, o republicano ainda sugeriu que o Brasil abra seus mercados e elimine tarifas e barreiras comerciais, insinuando que só assim a Casa Branca poderia “considerar um ajuste” na nova tarifa.

A resposta de Gleisi veio de forma contundente. “Quem está colocando ideologia acima dos interesses do país é o governador Tarcísio e todos os cúmplices de Bolsonaro que aplaudem o tarifaço de Trump contra o Brasil”, afirmou. Em sua avaliação, trata-se de um ataque direto à economia, à soberania e à democracia brasileira, como parte de um projeto autoritário em curso. “É a continuação do golpe pelo qual Bolsonaro responde no STF, agora usando tarifas de um país estrangeiro para impor seu projeto ditatorial”, escreveu.

A ministra destacou ainda o papel histórico que cabe aos brasileiros neste momento. “É nessa hora que uma nação distingue os patriotas dos traidores”, disse Gleisi, citando editorial do jornal O Estado de S. Paulo que criticou duramente a postura de Tarcísio. “É absolutamente deplorável que ainda haja no Brasil quem defenda Trump, como recentemente fez o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (…) Eis aí o mal que faz ao Brasil um irresponsável como Bolsonaro, com a ajuda de todos os que lhe dão sustentação política com vista a herdar seu patrimônio eleitoral”, destacou o jornal.

https://x.com/gleisi/status/1943276990573711383

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados | Reprodução

FONTE: https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/gleisi-enquadra-tarcisio-e-nessa-hora-que-distinguimos-os-patriotas-dos-traidores

Trump repete o 'Grande Ditador', de Chaplin

 

Por GILBERTO MENEZES CÔRTES
gilberto.cortes@jb.com.br

Publicado em 09/07/2025 às 22:41

Alterado em 09/07/2025 às 22:41

                                       O Grande Ditador, de Charles Chaplin Foto: reprodução




Na transposição da sátira de Charles Chaplin “O Grande Ditador”, de 1940, para os dias atuais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está superando os desvarios do ditador, com as ameaças de cobrança de tarifas aos mais variados parceiros comerciais americanos.

Na sua última ameaça, em carta endereçada ao presidente Lula, Trump anuncia que “os EUA cobrarão uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto”, citando como motivos os “déficits comerciais acumulados pelos Estados Unidos com o Brasil” e as ações legais do Supremo Tribunal Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro – “que devem cessar IMEDIATAMENTE” - e empresas de tecnologia dos EUA como justificativa para as taxas alfandegárias.

A diplomacia tarifária de Trump ressuscita os piores tempos da “política do 'big stick'” aplicada pelo presidente Theodore Roosevelt no final do século 19.

A tarifa de 50% é o maior nível anunciado até agora na enxurrada de cartas de Trump aos líderes mundiais esta semana, enviadas depois que ele adiou o prazo para impor suas chamadas tarifas recíprocas para 1º de agosto. Elas deveriam entrar em vigor na quarta-feira, após terem sido pausadas em abril.

Premissas mentirosas
As justificativas de Trump para o tarifaço de 50% são uma afronta aos princípios diplomáticos de respeito à soberania das nações, como frisou o presidente Lula.
E parte de premissas mentirosas, como destacou o vice, Geraldo Alckmin, derivadas do “envenenamento” das autoridades americanas sobre a situação do Brasil comandado pela “catequese” do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se refugiou nos Estados Unidos para tentar conspirar contra o governo Lula, com o auxílio do autoexilado jornalista Paulo Figueiredo (ex-Jovem Pan), neto do ex-presidente João Batista Figueiredo.

EUA têm saldo comercial
Para começo de conversa, desde 2008, os Estados Unidos acumulam bilionários saldos comerciais e não déficits contra o Brasil. Em 2022, o saldo comercial americano foi de US$ 13,870 bilhões.

O saldo diminuiu em 2023, para US$ 1,04 bilhão, quando o Brasil adotou novo sistema de apreçamento dos combustíveis da Petrobras, aumentando o uso de suas refinarias com o petróleo do pré-sal (mais leve e extraído a baixo custo) em troca do extinto sistema de Paridades de Preços Internacionais (PPI) que gerava grandes compras de combustíveis (diesel e GLP) dos EUA.

No ano passado, o saldo caiu para US$ 250 milhões, mas voltou a aumentar para acima de US$ 1 bilhão no primeiro semestre deste ano.

Ação no STF cumpre rito legal
As ações contra Jair Bolsonaro e os 33 conspiradores que estão sendo julgados no Supremo Tribunal Federal (STF) correm dentro do devido processo legal. Houve investigação exaustiva da Polícia Federal, que gerou denúncia do Procurador Geral da República, Paulo Gonet, acatada por unanimidade pela Primeira Turma do STF.

Bolsonaro e os demais acusados estão assistidos por advogados e, na última oitiva, perante o relator do processo, o ministro Alexandre de Moraes, o ex-presidente pediu desculpas pelas ofensas aos ministros do STF e chamou de “malucos” os manifestante que acamparam diante dos quartéis pedindo intervenção militar após a derrota para Lula nas eleições de outubro de 2022 – consideradas “limpas e justas” pelo governo dos Estados Unidos - e marcharam sobre Brasília e depredaram as sedes dos Três Poderes no 8 de janeiro de 2023.

TSE considerou Bolsonaro inelegível
Os direitos eleitorais de Bolsonaro foram suspensos até 2030, por julgamento de abuso do poder, por decisão unânime do Superior Tribunal Eleitoral, em 2023.

Por pressão dos filhos de Bolsonaro, que estão distorcendo as ações do STF, o órgão máximo do Poder Judiciário, o governo Trump alega que o Brasil deve ser taxado por "ataques contínuos às atividades de comércio digital de empresas americanas".

Por coincidência, Alexandre de Moraes, que supervisiona o caso contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, concentra os inquéritos do STF sobre as “fake news”, e ordenou que empresas de tecnologia removam centenas de contas que, segundo ele, ameaçavam a democracia brasileira. A empresa de mídia de Trump processou o juiz, e Elon Musk, em determinado momento, se recusou a cumprir suas ordens, levando à suspensão temporária de X no Brasil, que depois se curvou à legislação brasileira, como também na Europa.

Lula taxa ricos; Bolsonaro taxa o Brasil
Depois de uma reunião de emergência com os ministros do Palácio do Planalto, o presidente Lula disse que o Brasil vai reagir soberanamente com a Lei de Reciprocidade Econômica, que foi devidamente comunicada ao encarregado de negócios dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, quando a representante do Itamaraty, embaixadora Maria Luiza Escorel, indagou, preliminarmente, se a “carta era verdadeira”, pois tinha sido divulgada antes de chegar ao presidente brasileiro pelos canais diplomáticos.

Mas o que saiu da reunião, do ponto de vista político, foi a intensificação da estratégia do ataque aos ricos, cujos privilégios foram defendidos pela oposição na Câmara dos Deputados com a derrubada do aumento do IOF e outros impostos sobre instituições financeiras.

Como o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro falou claramente que a taxação das exportações brasileiras foram uma retaliação aos controles do STF sobre as mentiras e acusações falsas nas redes sociais, e que a oposição só vai ceder no IOF se o Congresso aprovar a “anistia ampla geral e irrestrita”, o governo pretende associar a ação da família Bolsonaro a induzir o governo Trump a taxas as exportações brasileiras como “crime de lesa pátria”.

No mínimo, uma contradição para os patriotas, que usam verde amarelo e os bonés do MAGA (Make America Great Again) à custa de taxações contra seu próprio país e outras nações.

Apelo ao nacionalismo
Por isso a comunicação social do governo pretende trabalhar nas redes sociais a ideia de que o governo Lula quer taxar os ricos para manter os programas sociais, mas a família Bolsonaro, que lidera a oposição, além de defender os ricos, trabalhou para Trump fazer uma chantagem contra o Brasil, tipo: “liberem Bolsonaro que eu recuo nas tarifas”, numa clara interferência no Judiciário brasileiro.

O que dizem os jornais

'The New York Times' (EUA)

"O presidente Trump disse que ordenou que autoridades americanas abrissem uma investigação comercial no Brasil por 'ataques contínuos às atividades de comércio digital de empresas americanas'. Ele parecia estar se referindo às reclamações de muitos da direita de que a Suprema Corte do Brasil censurou vozes conservadoras online.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que supervisiona o caso contra o ex-presidente Jair Bolsonaro também ordenou que empresas de tecnologia removam centenas de contas que, segundo ele, ameaçavam a democracia brasileira. A empresa de mídia de Trump [a Trump Media & Technology Group Corp] processou o juiz, e Elon Musk, em determinado momento, se recusou a cumprir suas ordens, levando à suspensão temporária da X no Brasil [no final do ano passado, a X se enquadrou nas leis brasileiras, pagou multas e indicou diretor responsável, como exigia Alexandre de Moraes].

Guerra comercial: O presidente Trump afirmou que planeja 'impor tarifas de 50% sobre as importações do Brasil', acusando as autoridades brasileiras de acusarem injustamente seu aliado político, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de tentativa de golpe. Foi uma tentativa extraordinária de usar tarifas como instrumento para influenciar um julgamento criminal em um país estrangeiro. O Brasil foi o maior dos oito países que Trump aplicou tarifas na quarta-feira, em cartas que indicam que ele continua sua estratégia de punir países que vendem mais do que compram dos Estados Unidos."

'The Wall Street Journal' (EUA)

"Trump ameaça tarifa de 50% sobre o Brasil, citando julgamento de Bolsonaro"

O jornal acrescenta que “a taxa potencial é a mais alta até agora na enxurrada de cartas do presidente aos líderes mundiais sobre comércio”.


'Financial Times' (Inglaterra)

"Trump ameaça impor tarifa de 50% ao Brasil"

"Presidente dos EUA acusa país de lançar uma 'caça às bruxas' contra seu ex-líder Jair Bolsonaro."


'The Guardian' (Inglaterra)

"Trump anuncia tarifa de 50% sobre o Brasil, citando o que ele afirma ser uma 'caça às bruxas' contra Bolsonaro.

Presidente dos EUA impõe tarifa ao Brasil e reclama do tratamento dado ao ex-presidente brasileiro, que enfrenta julgamento por suposta tentativa de golpe."

Presidente do STF indica que julgamento de Bolsonaro não será afetado por pressão de Trump e direitistas

 

Por JB JURÍDICO com Brasil 247
redacao@jb.com.br

Publicado em 10/07/2025 às 08:56

Alterado em 10/07/2025 às 09:04


                                      Ministro Barroso Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasi


A ofensiva tarifária anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil não alterará os planos do Supremo Tribunal Federal (STF) para julgar o ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com reportagem publicada pelo jornal Estado de S. Paulo, ministros da Corte ouvidos em caráter reservado afirmaram que a pressão vinda da Casa Branca não surtirá efeito e que o julgamento está mantido para o fim de agosto ou início de setembro.

Trump anunciou a imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, alegando suposta interferência do STF em plataformas digitais e em processos contra Jair Bolsonaro. A medida, claramente motivada por razões políticas, gerou forte reação no Brasil e acirrou a tensão diplomática entre os dois países.

Nesta quarta-feira, 9, o presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, telefonou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da crise desencadeada pelo tarifaço americano. Segundo a apuração do jornal, ficou decidido que os ministros do Supremo não fariam declarações públicas sobre o episódio, deixando a condução da resposta oficial a cargo do Ministério das Relações Exteriores.

Apesar da orientação de silêncio, o ministro Flávio Dino fez uma manifestação indireta em suas redes sociais, destacando o papel do STF na defesa da ordem constitucional brasileira. “Uma honra integrar o Supremo Tribunal Federal, que exerce com seriedade a função de proteger a soberania nacional, a democracia, os direitos e as liberdades, tudo nos termos da Constituição do Brasil e das nossas leis”, escreveu Dino em sua conta no Instagram, sem mencionar diretamente Trump ou a crise internacional.

O julgamento de Bolsonaro, apontado como peça central da tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro, permanece no centro das atenções nacionais e internacionais. Mesmo após ter sido declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro poderá enfrentar novas sanções, incluindo eventual condenação criminal. A expectativa dentro do Supremo é de que ele seja condenado.

A tentativa de Trump de interferir nas instituições brasileiras, sob o argumento de que o STF estaria “ultrapassando seus limites”, tem sido interpretada como uma retaliação ideológica, alinhada ao bolsonarismo. Em maio, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, já havia dado sinais dessa ofensiva, ao anunciar restrições de entrada nos EUA para “funcionários estrangeiros e pessoas cúmplices na censura de americanos”, numa crítica velada ao ministro Alexandre de Moraes.

A ação de Trump provocou impacto também no campo econômico. Analistas apontam que setores como siderurgia, aviação, carnes e frutas serão os mais atingidos. Ainda assim, segundo avaliação publicada pelo Estadão, o Brasil poderá redirecionar parte das exportações para mercados alternativos, como a China, o que deve limitar os efeitos da medida no curto prazo.

A reação do governo Lula e a firmeza do STF em manter seu cronograma mostram que o Brasil pretende responder com serenidade, mas sem ceder a pressões externas que pretendem interferir na soberania nacional. A mensagem é clara: decisões sobre a democracia brasileira cabem apenas às instituições do Brasil — e não serão pautadas por interesses eleitorais de líderes estrangeiros.

Para Nobel de Economia, Trump usa tarifas para proteger ditadores

                                                             

Por ECONOMIA JB
redacao@jb.com.br

Publicado em 10/07/2025 às 13:01

Alterado em 10/07/2025 às 13:02

                                          Paul Krugman Foto: Reuters/Gene Medi


Por Marcelo Brandão – As tarifas de 50% aos produtos brasileiros anunciadas nessa quarta-feira (9) por Donald Trump têm reverberado também nos Estados Unidos.

O economista norte-americano Paul Krugman, colunista do jornal The New York Times e vencedor do Nobel de Economia de 2008, classificou o presidente do seu país como "mau e megalomaníaco".

"Eu não costumo fazer postagens noturnas, mas a última carta de Trump, impondo tarifas de 50% ao Brasil, merecem um boletim especial. Afinal, [a medida] é diabólica e megalomaníaca", disse ele na abertura de uma postagem cujo título é Programa de Trump de Proteção a Ditadores, seguido de "Usando tarifas para combater a democracia".

Krugman afirmou que não há razões econômicas que justifiquem tal medida e que se trata, essencialmente, de uma tentativa de livrar Jair Bolsonaro da condenação por tentativa de golpe de Estado.

"Note que Trump mal finge que há uma justificativa econômica para sua ação. É sobre punir o Brasil por julgar Jair Bolsonaro", afirmou o economista em publicação em seu blog, na noite dessa quarta-feira (9).

Em seu post, ele faz um resumo de quem é Bolsonaro, na sua opinião.

"É o presidente anterior do Brasil, que perdeu a última eleição – mas tentou se manter no poder através de um golpe para reverter aquela eleição. Claro que soa familiar".

Krugman faz menção ao episódio da invasão do Capitólio, em 2021, por apoiadores de Donald Trump após sua derrota nas urnas para Joe Biden. Esses invasores foram condenados em 2023, mas Trump concedeu a eles perdão presidencial no início de seu segundo mandato.

Em sua mensagem ao governo brasileiro, Trump demonstrou preocupação em livrar seu aliado político da condenação no inquérito no qual é réu no Supremo Tribunal Federal (STF).

"A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!".

Na avaliação de Krugman, Trump é um "projeto de ditador" que tenta ajudar outros como ele.

"Agora, Trump está tentando usar tarifas para ajudar outro projeto de ditador. Se você ainda pensa nos Estados Unidos como um dos mocinhos do mundo, isso deve te mostrar de qual lado nós estamos atualmente".

Comércio Internacional

O economista norte-americano usa dados de 2022 da Organização Mundial do Comércio (OMC) que mostram que o Brasil tem na China seu maior parceiro comercial, com 26,8% dos seus produtos exportados.
Os Estados Unidos aparecem com 11,4%.

"Trump realmente imagina que ele pode usar tarifas para intimidar uma nação gigante, que sequer é muito dependente do mercado dos Estados Unidos, para que eles abandonem a democracia?".

Na visão do Nobel de Economia, as medidas anunciadas por Trump também são argumentos para a abertura de um processo de impeachment contra ele.

"Como eu disse, diabólico e megalomaníaco. Se ainda temos uma democracia funcional, essa jogada com o Brasil poderia fundamentar o impeachment. Claro, isso deveria esperar na fila, atrás de outros argumentos". (com Agência Brasil)

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