segunda-feira, junho 09, 2025

A VERDADE SOBRE A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE JEREMOABO: RESPEITO À HISTÓRIA, À LEI E À VERDADE DOS FATOS

A VERDADE SOBRE A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE JEREMOABO: RESPEITO À HISTÓRIA, À LEI E À VERDADE DOS FATOS

Não estou aqui para disputar com ninguém. Não estou me baseando em achismos, paixões ou conveniências políticas. Minha missão como formador de opinião é apenas esclarecer o que é correto, amparado em provas, documentos históricos, legislações e fatos incontestáveis.

O que trago aos leitores não é uma narrativa fabricada ou moldada ao gosto de grupos ou vaidades. É a verdade histórica respaldada em fontes primárias: cartas do Barão de Jeremoabo, trabalhos de conclusão de curso (TCCs), revistas e jornais da época, atos legislativos, e principalmente, a própria Constituição Federal, que determina com clareza como se dá o processo de elevação de uma localidade à condição de cidade.

A verdade é simples e cristalina: foi em 6 de julho de 1925 que Jeremoabo foi oficialmente elevada à categoria de cidade, fruto de um projeto apresentado pelo Senador Antônio Pessoa, filho ilustre desta terra. Em 1775, o que houve foi uma elevação à condição de freguesia ou outro status eclesiástico-administrativo, comum na época colonial, mas de maneira alguma isso configurava uma emancipação política ou elevação à categoria de cidade, como alguns agora, por ignorância ou má-fé, tentam fazer crer.

É obrigação legal da Câmara de Vereadores de Jeremoabo manter em seus arquivos a ata da reunião de emancipação, assim como toda a documentação pertinente. É papel do Poder Legislativo municipal agir com seriedade e responsabilidade ao legislar sobre qualquer matéria, principalmente quando envolve a história oficial da cidade.

Aprovar leis sem respaldo legal ou documental, apenas para atender ao orgulho ferido ou à vaidade de quem quer que seja, é rasgar a Constituição e reescrever a história à base de fantasia. E isso não pode ser aceito por quem respeita esta terra, seus filhos, e sua trajetória.

Não estou aqui para ser dono da verdade, tampouco para me vestir de salvador da pátria. Estou aqui para colocar à disposição da sociedade o que apurei com base nos meus estudos e nas fontes que estão disponíveis a todos os que queiram, de fato, buscar a verdade.

Respeitar a história de Jeremoabo é respeitar o seu povo. Mudar datas e fatos para agradar um ou outro grupo é um desrespeito à memória coletiva e um desserviço à educação das futuras gerações.

Quem tiver documentação, provas concretas e leis que sustentem outra tese, que as apresente. O debate se faz com argumentos, e não com sentimentalismo ou vaidades pessoais.

Aos que desejam ouvir com atenção, aqui está o meu posicionamento, firme e baseado em fatos. Aos que apoiam a mudança ou a contestam, que o façam com responsabilidade e base legal, e não com achismos ou interesses escusos.

Jeremoabo merece a verdade. E a verdade não se negocia.


Nota da Redação Deste BlogQuero aqui parabenizar publicamente o cidadão Lindomar pela coragem e firmeza com que exerceu seu direito legítimo de cidadania, ao se posicionar de forma clara e objetiva sobre a verdadeira data da emancipação política de Jeremoabo.

Mesmo não sendo historiador, tampouco jurista, Lindomar demonstrou que o conhecimento não é monopólio de ninguém e que o bom senso, aliado à busca pela verdade, é suficiente para esclarecer o que muitos tentam obscurecer.

Com sua linguagem simples e direta, própria do cidadão comum, ele se fez ouvir com respeito, baseando-se em matérias publicadas no Google, vídeos de professores, e, sobretudo, na própria história de Jeremoabo, citando datas e leis incontestes, com responsabilidade e coragem.

Enquanto muitos se escondem atrás de títulos ou interesses pessoais, Lindomar fez o que poucos têm feito: defender a verdade com humildade e firmeza, mostrando que, quando se trata da história de nossa terra, não basta ter voz, é preciso ter compromisso com os fatos.

Que o exemplo de Lindomar sirva de inspiração para outros cidadãos jeremoabenses que, mesmo sem cargos ou títulos, têm plena capacidade de contribuir para o resgate da memória e da verdade histórica de nosso povo.

Parabéns, Lindomar! Seu gesto não passou despercebido.


Lula tipo “pato manco”, a inexistente coalizão e a disputa eleitoral em 2026


Lula e o pato manco Biden na alegria de pobre do G20 no RioMarcus André Melo
Folha

Rigorosamente falando há pouquíssimos elementos que moldam a atual conjuntura que já não estivessem presentes antes mesmo da investidura formal do atual governo. Trata-se de um governo hiperminoritário, no qual o partido do presidente detém 13% das cadeiras e cujo núcleo duro congressual não chega a 25% delas.

Os problemas fiscais foram gestados antes mesmo da própria investidura presidencial com a aprovação de expansão do gasto de R$ 150 bilhões. Essa insólita e anômala inversão — expandir gasto no início do mandato — é padrão universal e já sugeria um governo vulnerável. No derradeiro ano de governo obtém-se assim uma combinação de vulnerabilidades fiscais e políticas.

PATO MANCO – O traço principal da disputa presidencial que se inicia é o fato de que o Lula é percebido como pato manco. O termo está associado a regras institucionais que vedam a postulação à reeleição de um governante.

Tecnicamente Lula não é pato manco já que pode concorrer à reeleição. Mas muitos atores relevantes enxergam possibilidades efetivas de que não seja reeleito, quaisquer que sejam as razões para isso. O mais importante aqui são seus efeitos sobre os incentivos. Esses efeitos são semelhantes para o pato manco clássico e o “pato manco de facto”.

Em uma situação em que o presidente é minoritário e, portanto, tem que contar com uma coalizão de partidos, o poder gravitacional do presidente reduz-se significativamente na medida em que suas chances de vitória são declinantes ou nulas. Por isso, o que importa efetivamente é a tendência de popularidade e avaliação de governo. Além, obviamente, da arquitetura da escolha: quem são os adversários que em última instância irão para o segundo turno.

FROUXA COALIZÃO – Parlamentares possuem informação privilegiada sobre a questão. No caso de Lula 3, a fragmentação da frouxa e inédita coalizão de 18 partidos (eram 8 e 9, sob Lula 1 e 2) vem desde a investidura. Mas se intensificou.

Os partidos aguardam estrategicamente até o ponto em que a defecção é inevitável, para depois desembarcar do governo. O custo do apoio aumenta. Para garantir alguma governabilidade ainda em 2025 e no ano eleitoral o governo poderá compartilhar mais o governo, o que terá como consequência a diluição de sua identidade. Seria uma derrota auto-inflingida.

Para além do cafezinho frio da crônica política há sinais mais tangíveis e relevantes de desembarque da base. O mais saliente deles no atual contexto é a inédita recusa de pasta ministerial por parte de um líder partidário.0

POUCAS FOTOS – Mas o fato de que na posse do presidente do PSB nesta semana apenas 4 dos 15 parlamentares do partido da base postaram fotos com o presidente nas suas redes não passa despercebido.

O mais curioso do ponto de vista comparativo é o fato inusitado de que rivais potenciais são da própria coalizão, cujos partidos ocupam ministérios. O governo nunca foi efetivamente de coalizão no sentido forte da expressão. Não há acordos programáticos, como por exemplo na Alemanha, mas sobre a distribuição dos spoils of office, como mostrei aqui. Funciona como uma estrutura de travas mútuas cruzadas.

Como sugere a literatura sobre patos mancos e governos minoritários, o resultado só não é calamitoso se os custos da inação política (gridlock) forem menores do que os riscos de medidas por parte do Executivo.


09/06 | 🔴Cobertura do julgamento de Bolsonaro e outros sete réus no STF

Show na TV! PT transmite ao vivo interrogatório de Bolsonaro, Cid etc.

Publicado em 9 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

STF avalia transmissão ao vivo de depoimentos sobre tentativa de golpe

Bolsonaro vai depor depois de ouvir acusações de Cid

Brenda Silva
da CNN

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a ouvir nesta segunda-feira (9) os acusados do chamado “núcleo 1”, grupo considerado crucial para o desenvolvimento da suposta trama golpista. O Partido dos Trabalhadores (PT) já anunciou que vai transmitir o interrogatório do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de mais sete réus na ação que apura um suposto plano de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Além do ex-presidente, faz parte deste grupo o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, que foi delator no processo e causou a incriminação do grupo, em troca do arquivamento da denúncia contra ele, seu pai e sua esposa.

AO VIVO – “A sessão será transmitida ao vivo pela TvPT. Prepare a pipoca e acompanhe tudo em nossas redes!”, traz uma publicação da conta oficial do PT no X.

Em março deste ano, a legenda também transmitiu o julgamento do STF que tornou Bolsonaro réu no caso. Na época, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), solicitou uma televisão no gabinete da liderança da legenda para que parlamentares pudessem acompanhar as sessões.

A ideia era que os deputados se reunissem para assistir o julgamento e usassem as redes sociais para repercutir o momento.

QUEM VAI DEPOR? – Além de Bolsonaro e Mauro Cid, serão interrogados a partir desta segunda-feira (9): Alexandre Ramagem (deputado e ex-chefe da Abin); Almir Garnier (ex-comandante da Marinha); Anderson Torres (ex-ministro da Justiça); Augusto Heleno (ex-ministro-chefe do GSI); Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa); e Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro em 2022).

Os depoimentos começarão a partir das 14h por Cid, que fechou acordo de delação premiada. Em seguida, os réus seguirão sequência por ordem alfabética.

Os depoimentos serão prestados na sala de sessões da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Braga Netto é o único que não participará presencialmente do interrogatório. Ele falará por videoconferência em razão de estar preso.

EM SILÊNCIO – Os réus poderão ficar em silêncio caso a resposta de alguma pergunta possa lhe autoincriminar. O direito ao silêncio é assegurado pela Constituição Federal.

O núcleo 1 responde pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

A única diferença é o caso de Ramagem, após ter crimes sustados pela Câmara dos Deputados, a Primeira Turma entendeu que ele deve responder apenas pelo que aconteceu antes da diplomação, suspendendo os crimes por dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Será mais uma fake news do PT? Em 14 de maio, o ministro Moraes proibiu a imprensa de gravar e exibir cenas das audiências. E a gente fica naquela dúvida de Machado de Assis: mudou Moraes, mudou o PT ou foi o Natal que mudou? Mas quem mudou mesmo foi Moraes, que  sonha em ver Bolsonaro e os outros réus totalmente desmoralizados  (C.N.)

“Cala a boca!” A luta dos democratas a favor da censura chega a ser comovente

Publicado em 9 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Tribuna da Internet | Musk faz papel ridículo ao denunciar a ocorrência de  censura aqui no Brasil

Charge do Rice (Arquivo Google)

Mario Sabino
Metrópoles

A democracia brasileira avança firme sobre a liberdade de expressão e de imprensa, sem destemor da infâmia. A luta é sem tréguas, seja à sombra dos gabinetes ou à luz fria dos tribunais.

CALA A BOCA NÃO MORREU 1. Uma jornalista do jornal Zero Hora foi condenada a pagar R$ 600 mil reais de indenização por danos morais a uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. A jornalista publicou que a magistrada recebeu R$ 662 mil em abril de 2023.

O crime: chamar de “salário” o que é “a soma de subsídios e verbas indenizatórias”, embora os termos não façam a menor diferença para o bolso de quem saiu a bolada, o pagador de impostos. A juíza que condenou a jornalista também não gostou da “linguagem sarcástica e direcionada” usada na reportagem.

CALA A BOCA NÃO MORREU 2. O jornalista Luiz Vassallo, da sucursal paulista do Metrópoles, é alvo de um inquérito aberto pela Polícia Civil de São Paulo após ter publicado uma reportagem sobre a fortuna de um delegado conhecido como Fábio Caipira, que é ex-diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais.

Luiz Vassallo, que revelou o roubo bilionário de aposentados e pensionistas do INSS por associações vigaristas, mostrou que, depois de ser citado por um delator do PCC, o delegado blindou cerca de R$ 10 milhões de patrimônio por meio de uma empresa de sociedade anônima.

A polícia civil, que deveria se debruçar sobre a denúncia, investiga o jornalista por “crime contra a honra” do delegado milionário.

CALA A BOCA NÃO MORREU 3. Dois jornalistas da defunta revista Istoé podem ter de pagar R$ 150 mil de indenização ao decano do STF porque publicaram, em 2017, a história da venda de uma universidade da família do ministro ao governo de Mato Grosso do Sul.

Os jornalistas tiveram acesso a uma investigação do Ministério Público que dizia ter havido na transação de R$ 7,7 milhões “práticas de ilícitos morais administrativos”.

Processados pelo ministro do STF, os jornalistas ganharam nas duas primeiras instâncias. Quando o caso chegou ao STJ, em 2021, o ministro relator rejeitou o recurso em decisão monocrática, mas mudou o seu entendimento.

O ministro relator do STJ alega, agora, que a reportagem está “permeada de ironias e insinuações” e que é “nítido o intuito de associá-lo (o ministro), de forma pejorativa, à imagem de alguém que se distancia da ética e que visa apenas a resguardar benefícios pessoais e favorecer pessoas próximas”.

CALA A BOCA NÃO MORREU 4. Por causa das suas piadas sobre minorias, o humorista Léo Lins foi condenado por uma juíza paulista a 8 anos e 3 meses de prisão, além do pagamento de multa de R$ 1,4 milhão e de R$ 300 mil de indenização por danos morais coletivos.

Na sua decisão, a juíza afirmou que “o humor não pode servir como passe-livre para a prática de crimes”. Como já dito nesta coluna, o crime de Léo Lins foi contar piadas, só isso, mas nos tornamos um país que não entende piadas e, pior, não entende o que é uma piada.

Ao noticiar o caso, hoje, o jornal americano The Washington Post, disse que “a decisão contra o comediante Léo Lins por piadas contadas em 2022 está se configurando como a próxima frente na crescente luta do Brasil contra a liberdade de expressão”.

CALA A BOCA NÃO MORREU 5. No julgamento sobre a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, retomado na semana passada, o STF caminha a passos largos e previsíveis para revogar a atual legislação e responsabilizar as plataformas pelo conteúdo que veiculam, a pretexto de combater “fake news”, “desinformação” e “discurso de ódio”.

Elas serão obrigadas, assim, a retirar conteúdos do ar mesmo sem receber ordem judicial para tanto.

Teremos, assim, a terceirização da censura no Brasil, inclusive a da censura prévia, que já está em vigor no país com a retirada das redes sociais de perfis de oposicionistas ao atual governo a mando do STF.

Para evitar problemas para si próprias, as plataformas se adiantarão aos pedidos de remoção feitos por terceiros.

CALA A BOCA NÃO MORREU 6. Graças a uma indiscrição providencial, soubemos que Lula e a sua consorte solicitaram ao ditador chinês Xi Jinping que envie um emissário ao país para ajudar na “regulamentação” do TikTok, acusado pelo casal presidencial de favorecer o avanço da direita no Brasil.

Fôssemos um país de verdade, o presidente da República teria de responder por esse atentado contra a soberania brasileira.

CALA A BOCA NÃO MORREU 7. O jornalista André Shalders trouxe informações ilustrativas sobre a Rede Minerva, uma rede “anti-fake news”, articulada pela Secom do governo Lula, que monitora as redes sociais.

De acordo com o jornalista, a rede tem orçamento de R$ 54 milhões e bancou, em março, uma viagem a Cuba de um dos seus “pesquisadores”, que é coordenador também da Rede Nacional de Combate à Desinformação.

Em Cuba, ditadura amiga do PT onde a liberdade de expressão e de imprensa inexistem, o “pesquisador” participou de um colóquio oficial.

Na sua palestra aos companheiros cubanos, ele disse que “em teoria, existem duas formas de neutralizar a polarização e o discurso de ódio nas redes sociais: regulação econômica e moderação do conteúdo das plataformas digitais, com o objetivo de construir soberanias digitais e populares; e políticas públicas em grande escala, para a Alfabetização Midiática e Informacional Crítica”. Existe uma terceira forma, acrescento: campos de reeducação.

CALA A BOCA NÃO MORREU 8. Depois de fracassar na sua tentativa de aprovar na Câmara aquele projeto de censura às redes sociais, o PL das Fake News, o governo Lula prepara um projeto de “regulamentação” que prevê, entre outras coisas, a designação de uma autoridade para bloquear redes sociais, sem necessidade de ordem judicial, no caso de não obediência a ordens governamentais para a retirada de conteúdos. Sugiro chamar essa autoridade censora de “comissário do povo”.

A luta da democracia brasileira contra a liberdade de expressão e de imprensa é ainda mais comovente porque conta com o apoio de artistas, intelectuais e jornalistas.

No banco dos réus: o confronto entre Bolsonaro, Moraes e a verdade sobre a tentativa de golpe


Charge do Baggi (instagram.com/falabobaggi/)

Pedro do Coutto

O cenário político nacional vive hoje um dos seus momentos mais emblemáticos desde o término das eleições de 2022. O encontro entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal simboliza muito mais do que um mero interrogatório judicial.

É o ponto alto de um processo que investiga uma possível tentativa de golpe de Estado articulada por setores ligados ao bolsonarismo, com a participação de militares de alta patente e assessores próximos ao ex-presidente. Essa audiência marca o início formal da fase de depoimentos dos oito réus acusados de participar da trama golpista, e reacende o debate sobre os limites da democracia brasileira e a resistência institucional diante de ameaças autoritárias.

TESTEMUNHA-CHAVE –   O destaque maior do dia recai sobre o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, cuja delação premiada serviu de base para a denúncia e os indiciamentos. Cid, que durante o governo era conhecido por saber demais, agora assume o papel de testemunha-chave, munido de provas documentais e relatos de bastidores que indicam a existência de um plano concreto para subverter o resultado das urnas. Seu depoimento ocorrerá antes mesmo do de Bolsonaro, em uma estratégia calculada pelo STF para evitar que os dois tenham contato ou influenciem mutuamente seus relatos.

Houve, inclusive, uma mudança de última hora na logística da audiência: Moraes determinou que Bolsonaro e Cid fiquem separados fisicamente durante os interrogatórios. A medida foi tomada para garantir a isenção dos depoimentos, já que a expectativa é de que Cid reafirme, diante do ex-presidente, que houve de fato uma minuta de decreto que previa instaurar um estado de defesa com o objetivo de impedir a posse de Lula. Essa minuta, segundo o militar, foi levada por Bolsonaro a diversos comandantes militares em busca de apoio para o que se configuraria como uma ruptura democrática.

Entre os generais procurados por Bolsonaro está Freire Gomes, então comandante do Exército, que, de acordo com relatos já tornados públicos, teria se recusado a aderir à proposta. O gesto de Freire Gomes é simbólico, pois demonstra que, mesmo entre os militares, havia resistência à tentativa de golpe. Sua postura foi crucial para o desmonte inicial da operação golpista e agora serve como um dos principais pilares da acusação contra Bolsonaro e seus aliados.

TROCA DE MENSAGENS –  O acesso liberado aos celulares de Mauro Cid e de sua esposa também é um fator relevante. Os dados extraídos desses aparelhos, já em posse do STF, contêm trocas de mensagens, arquivos de áudio e registros de conversas que reforçam a tese de que havia um plano em curso para manter Bolsonaro no poder. Esses elementos serão confrontados durante os interrogatórios e podem gerar novos desdobramentos, inclusive com o surgimento de novos nomes envolvidos no caso.

Bolsonaro, por sua vez, adota uma postura pública de enfrentamento. Disse em suas redes sociais que “a verdade está do nosso lado” e que não pretende “lacrar” no depoimento. Trata-se de uma retórica política que busca reforçar sua narrativa de perseguição, galvanizar sua base mais fiel e, ao mesmo tempo, evitar o desgaste diante de um processo que pode resultar em consequências penais sérias. Mas o ambiente no STF é de absoluta seriedade, e não há espaço para bravatas. O que se espera do ex-presidente é clareza e coerência diante das evidências já apresentadas.

Esse confronto direto com Moraes representa um capítulo histórico da crise institucional vivida pelo país nos últimos anos. O ministro, que já vinha sendo alvo de ataques sistemáticos por parte do bolsonarismo, agora assume, em pleno tribunal, a posição de relator e julgador de um dos episódios mais graves da história republicana recente. Sua atuação tem sido marcada por firmeza, e ele conta com o apoio da maioria dos ministros do Supremo, além de respaldo em parte considerável da opinião pública que acompanha com atenção o desenrolar dos fatos.

TEIA DE PERSONAGENS – É importante ressaltar que o processo em questão não trata apenas de Bolsonaro. Envolve uma teia de personagens — civis e militares — que, segundo as investigações, participaram ativamente da construção de uma narrativa falsa de fraude eleitoral, alimentaram o caos institucional e, em última instância, prepararam o terreno para um golpe. O julgamento destes réus será um teste decisivo para o funcionamento das instituições democráticas brasileiras e para a responsabilização de agentes públicos que ultrapassaram os limites constitucionais.

O STF, ao conduzir os interrogatórios com publicidade e transparência, cumpre um papel essencial: reafirmar o compromisso do Judiciário com o Estado de Direito. As audiências servirão não apenas para ouvir os réus, mas também para expor os fatos à sociedade, garantir o contraditório e fortalecer os princípios democráticos. Em um país marcado por ciclos de instabilidade política, o que está em jogo não é apenas o destino de um ex-presidente, mas a credibilidade das instituições e a confiança dos cidadãos na justiça.

Este processo será, portanto, lembrado por muitos anos. Não apenas pelo ineditismo do momento — um ex-presidente sendo julgado por tentar sabotar o próprio sistema democrático —, mas pelo impacto que ele poderá ter sobre o futuro político do país. A depender do que for revelado nos depoimentos e da condução dos trabalhos pelo STF, a história do Brasil poderá registrar este episódio como um ponto de inflexão: o instante em que a democracia foi, mais uma vez, testada — e, esperamos, confirmada.

Quem está sendo julgado é Bolsonaro, a democracia não está em julgamento

Publicado em 9 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Bolsonaro réu e as lições que o Brasil não pode ignorar (por Márcio Cabral)  - Sul 21

Jair Bolsonaro será interrogado por Gonet e por Moraes

Carlos Pereira
Estadão

Em contextos altamente polarizados como o brasileiro, em que praticamente tudo é interpretado sob a lente das crenças e identidade de grupo, é difícil imaginar que decisões judiciais sejam percebidas como imparciais. Em geral, quando uma decisão da Justiça contraria as preferências de um cidadão, espera-se que sua confiança tanto no Judiciário quanto na democracia diminua.

A responsabilização judicial de líderes políticos, portanto, é frequentemente percebida como uma empreitada arriscada, com potencial de acirrar divisões e corroer a legitimidade institucional.

DUAS NARRATIVAS – Para os adversários do líder acusado, a decisão tende a ser lida como justa e necessária. Já seus apoiadores costumam interpretá-la como politicamente motivada.

Diversos estudos de opinião pública sustentam essa hipótese, ao mostrar que eleitores tendem a rejeitar instituições ou processos democráticos que atinjam seus líderes preferidos. Alguns pesquisadores chegaram a afirmar que “os eleitores são partidários antes de serem democratas”.

No entanto, um estudo recente desafia essa suposição. Os pesquisadores Nicolás de la Cerda, Isabel Laterzo-Tingley e Ayelén Venegas conduziram um experimento natural com 2 mil eleitores brasileiros — incluindo apoiadores e não apoiadores de Jair Bolsonaro — durante o anúncio da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o ex-presidente, em fevereiro de 2025. O timing do evento permitiu comparar atitudes em relação à democracia antes e depois do episódio.

APOIO À DEMOCRACIA – Os resultados são reveladores: a responsabilização de Bolsonaro não reduziu o apoio à democracia entre seus eleitores. Mais do que isso, fortaleceu esse apoio entre aqueles que não votaram nele.

Antes da acusação, 74% dos eleitores de Bolsonaro concordavam que a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo, e 98% consideravam eleições livres e justas como importantes. Em resumo, não há evidência de que a denúncia tenha provocado reação antidemocrática em sua base eleitoral.

Como era de se esperar, entre os eleitores que não votaram em Bolsonaro, observou-se um aumento no apoio à democracia após o anúncio, especialmente em relação à valorização das eleições livres e justas e à importância de uma oposição forte.

SEM POLARIZAR… – A conclusão é clara: responsabilizar judicialmente líderes antidemocráticos não necessariamente polariza a sociedade. Pelo contrário, pode reforçar os valores democráticos.

E, ao demonstrar que instituições são capazes de conter abusos sem comprometer sua legitimidade, também abre espaço para que alternativas eleitorais à direita — livres do bolsonarismo — se tornem viáveis em 2026. Aliás, não faltam candidatos de peso na direita.


Em destaque

Editorial – Só se atira pedras em árvores que dão bons frutos

Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Hevelin Agostinelli (@hevelin.agostinelli) Editorial – Só se atira ...

Mais visitadas