domingo, março 09, 2025

Não basta a promessa de reparar os danos causados pela extrema direita


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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Maria Hermínia Tavares
Folha

Ao se despedir da vida pública em 2024, o octagenário Ricardo Lagos, político socialista que presidiu o Chile entre 2000 e 2006, conclamou seus conterrâneos a perseguir novos sonhos. Àquela altura, já se desfizera a Concertação de Partidos pela Democracia, frente que liderara a consolidação do sistema representativo, depois de 17 anos de ditadura, e alçara Lagos ao La Moneda.

Da mesma forma, seu PPD (Partido pela Democracia), que desempenhara papel essencial na transição, caminhava para a irrelevância.

NOVAS DEMANDAS – Mais de uma vez, com certo fatalismo, ele explicou a mudança política que o atingia —e aos seus companheiros— como o resultado natural da vida política democrática: conquistas sociais geravam novas demandas —”novos sonhos”, dizia— que as lideranças estabelecidas, por progressistas que fossem, nem sempre conseguiam discernir ou encarnar.

A observação de Lagos ajuda a enquadrar os problemas atuais do PT e do seu governo. Na festa dos 45 anos do partido do presidente Lula, as comemorações do passado prevaleceram sobre as propostas para o futuro.

Só mais do mesmo no recente rearranjo ministerial, na página PT – Partido dos Trabalhadores no Youtube, e nas postagens no perfil Lulaoficial, que registra a agenda do presidente no Instagram, agora sob a administração do ministro Sidônio Palmeira.

ATÉ OS INTELECTUAIS – Também os intelectuais do partido, outrora importantes no debate público, parecem recolhidos ao conforto de suas bolhas, onde o entrechoque de ideias — de onde nasce o novo — é mercadoria e escassa.

Despertados pelo choque das pesquisas que captam os humores dos brasileiros, o chefe de governo e os líderes de sua legenda enfim reconheceram que a sociedade mudou e que é preciso dar respostas inovadoras a suas demandas.

Não basta que as forças ora no poder cumpram o compromisso de reparar os danos infligidos ao país durante a destrutiva passagem da extrema direita pelo Planalto.

NAU SEM RUMO – Até agora, porém, as propostas, além de raras, parecem insuficientes para dar rumo claro ao governo. Tudo indica que a sua principal aposta é conquistar os cidadãos-eleitores pelo bolso, com benefícios econômicos — cuja viabilidade fiscal falta comprovar —, como a expansão do crédito consignado aos trabalhadores do setor privado e a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000.

Se acompanhada de medidas que redistribuam de forma mais justa os tributos sobre os ganhos, a segunda medida representaria inegável avanço.

OUTROS DESAFIOS – Mas ficam de fora outros desafios igualmente importantes para dar feição política definida ao compromisso dos progressistas com a equidade, neste novo século.

Enfrentá-los requer lidar com a questão —nada trivial— da eficiência do Estado no provimento de saúde, educação e segurança para os cidadãos; em encontrar regras que protejam os que trabalham, levando em conta a diversidade das situações de emprego; e, por último, mas não menos importante, mostrar como a garantia das franquias básicas —a começar da liberdade de expressão— e o respeito às regras da democracia condicionam tudo mais.

Se a esquerda só tiver um belo passado pela frente, em lugar de sonhos, o país mais uma vez viverá o pesadelo da volta ao governo da direita tacanha e primitiva.


Ferocidade primitiva de Trump expõe diversas vulnerabilidades brasileiras

Publicado em 8 de março de 2025 por Tribuna da Internet

Trump toma posse na presidência: quais os contrapesos para poder 'absoluto'  do republicano em seu 2° mandato - BBC News Brasil

Brasil não tem estratégia para enfrentar a ira de Trump

 

William Waack
Estadão

Donald Trump ouviu as preces, vindas também do Brasil, e está empenhado em destruir a pax americana (“pax” nesse contexto significa “ordem”). Azar nosso, pois ironicamente o mundo que está indo embora servia melhor a uma potência média e vulnerável como o Brasil se comparado à situação que está se desenhando rapidamente.

O problema que se apresenta já não é mais manter a necessária equidistância entre China e Estados Unidos, sendo bastante conhecida nossa dependência de mercados na Ásia e de insumos vindos de países ocidentais.

LIÇÃO DE TRUMP – Uma das lições centrais deixadas por Trump no tratamento da questão da Ucrânia é a de que ele considera que as potências “menores” não têm opções – só as que ele determina.

Assim é a ordem dos “fortões” e a implícita divisão tripartite do planeta, com seus ecos distantes de Yalta. Não está muito claro ainda o que Trump designou para “seu” pedaço do bolo, que parece ser o hemisfério das Américas (a Europa e Eurasia é problema de Putin e a Ásia de Xi Jinping). Mas está claro que não há “caminhos próprios” para os menores. Não importa quais sejam.

Isso pode parecer primitivo ao extremo, mas Trump é primitivo ao extremo — o que inclui sua falta de compreensão para o fato de que superpotências são fortonas pois presidem um sistema de alianças, com um mínimo de reciprocidade em várias instâncias e o reconhecimento de algum grau de interdependência.

PREÇO ALTÍSSIMO – É bastante provável que “America First” acabe pagando um preço altíssimo por conta de tamanha ignorância, mas isto está um pouco adiante ainda.

Por motivos comerciais e ideológicos, o Brasil aumentou como alvo aos olhos de Washington. E se uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China eventualmente abre oportunidade de curto prazo para exportações do agro brasileiro, a evolução da situação geopolítica, tal como a verificamos agora, tende a fechar oportunidades para o Brasil.

Esse resultado não se deve apenas a Trump. Está associado em larga medida ao fato de que, em termos de política externa, nos últimos anos a vida foi nos levando.

SEM ESTRATÉGIA – O Brasil foi sendo levado sem que tivesse desenvolvido qualquer coisa remotamente parecida a uma “estratégia”, ou sequer um debate abrangente sobre o que o País quer ser e qual seu lugar no mundo.

Durante décadas fizemos a opção preferencial de olhar para nosso umbigo.

O que Trump está expondo brutalmente é o fato de que somos altamente vulneráveis ao que outros pretendem decidir sobre nossos destinos. E é limitada nossa capacidade de reação ao que possamos considerar inaceitável ou indigno. Ou contrário aos nossos interesses. Quais, mesmo?


Primeira Turma do STF tentará fechar os julgamentos até o final do ano


Charge reproduzida do Arquivo Google

Merval Pereira
O Globo

Qualquer defesa tem que tentar salvar seu cliente. No entanto, em relação a provas e evidências, a denúncia da Procuradoria-Geral da República está clara e será aceita, considerando que houve tentativa de golpe não apenas planejamento de golpe, que não constitui crime.

Os advogados terão que se virar no julgamento, mas não conseguirão barrar logo de cara o processo, anulando delações premiadas, como querem as defesas dos generais Augusto Heleno e Braga Netto. Suas argumentações não terão nenhum efeito.

PROCESSOS LENTOS – É uma ação judicial, com 34 réus e julgamentos individualizados, que leva muito tempo. Lembrem que o julgamento do mensalão durou quatro meses, depois de anos de debate. Mas na Primeira Turma do STF pode ser mais rápido.

Acredito que conseguirão terminar até o final do ano, para não entrar em período eleitoral. Mas a luta da defesa vai ser prorrogar o máximo possível, para Bolsonaro tentar sair elegível; e discutir a inelegibilidade apenas no TSE e não como condenado na justiça.

Tenho a impressão que o ânimo do STF é julgar e condenar até o final do ano. Vamos aguardar.

sábado, março 08, 2025

STF tem maioria para tornar réus deputados do PL acusados de desvio em emendas

 

Foto: Antonio Augusto/ STF/Arquivo
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF)08 de março de 2025 | 16:30

STF tem maioria para tornar réus deputados do PL acusados de desvio em emendas

brasil

Com voto da ministra Carmén Lúcia neste sábado, 8, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para tornar réus os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), além do suplente de deputado Bosco Costa (PL-SE), por corrupção pelo uso indevido de emendas parlamentares.

Além de Cármen Lúcia, os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, que é relator do caso, também votaram a favor de aceitar a denúncia ofertada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que aponta que o trio cobrava uma propina de 25% dos recursos destinados para o município de São José de Ribamar, na região metropolitana de São Luís, capital maranhense.

Os parlamentares negam irregularidades no direcionamento dos recursos. As defesas pediram ao STF a rejeição da denúncia por falta de provas. Os ministros Flávio Dino e Luiz Fux, que completam a Primeira Turma, ainda não apresentaram seus votos. O julgamento corre até o dia 11 de março no plenário virtual do STF.

Segundo a denúncia da PGR, baseada em investigação da Polícia Federal (PF), os três parlamentares teriam pedido propina de R$ 1,66 milhão em troca de R$ 6,67 milhões destinados ao município na área da saúde.

Entre as provas coletadas pela PF, estão conversas em que os deputados mencionam reuniões para cobrar pagamento de comissões, além da organização de agendas com autoridades do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A PF encontrou, no celular de Maranhãozinho, uma troca de mensagens com os outros dois deputados e também com o empresário Josival Cavalcanti da Silva, o Pacovan, sobre a negociação de emendas para o município.

A investigação que levou à denúncia dos parlamentares é um desdobramento de uma operação iniciada no Maranhão em dezembro de 2020. Na ocasião, um prefeito do Estado denunciou à PF que Pacovan cobrava propina e dizia que atuava para parlamentares. A PF apreendeu, entre os papéis desse investigado, uma lista com nomes dos parlamentares denunciados.

Rubens Anater/Estadão

Após ataques russos, Trump diz que ‘considera’ sanções contra o Kremlin


Jamil Chade
do UOL

Após deixar a Ucrânia desprotegida contra ataques russos, o presidente Donald Trump anunciou nas redes sociais que considera adotar sanções contra Moscou. A iniciativa foi divulgada horas depois de as cidades ucranianas sofrerem um dos maiores ataques em meses, com mais de 260 mísseis e drones.

“Com base no fato de que a Rússia está absolutamente ‘batendo’ na Ucrânia no campo de batalha, agora estou considerando fortemente sanções bancárias, sanções e tarifas em larga escala sobre a Rússia até que um cessar-fogo e acordo final de paz sejam alcançados. À Rússia e à Ucrânia, sentem-se à mesa agora mesmo, antes que seja tarde demais. Obrigado”, escreveu Trump na rede social Truth Social.

JÁ HÁ SANÇÕES – Os EUA já aplicam amplas sanções contra os russos e não foi esclarecido pela Casa Branca o que significa a iniciativa de Trump.

A ideia foi anunciada dias após o presidente interromper a troca de inteligência com Kiev, o que deixou o governo de Volodimir Zelensky vulnerável diante dos ataques russos. Trump ainda suspendeu repasses financeiros para os ucranianos, armas e humilhou o presidente há uma semana no Salão Oval.

Trump foi acusado por democratas e europeus de ter tomado o lado da Rússia na guerra, exigindo de Zelensky que ceda parte do território e que renuncie a um projeto de entrada na Otan, exigências do Kremlin para interromper o conflito.

ATAQUES MASSIVOS – Zelensky condenou os ataques da Rússia durante a noite e pediu que a proposta da França de uma trégua limitada nos céus e no mar fosse estabelecida. “Ontem à noite, o exército russo realizou outro ataque maciço à nossa infraestrutura de energia. Várias instalações foram atacadas em diversas regiões — Odesa, Poltava, Chernihiv e Ternopil”, disse.

“No total, os russos usaram quase 70 mísseis, tanto de cruzeiro quanto balísticos, além de quase 200 drones de ataque. Tudo isso foi direcionado contra a infraestrutura que garante a vida normal”, explicou o ucraniano.

“Atualmente, os trabalhos de reparo e restauração estão em andamento sempre que necessário. Infelizmente, edifícios residenciais comuns também foram danificados. Em Kharkiv, um míssil russo atingiu um prédio de apartamentos. As pessoas ficaram feridas. Elas estão recebendo a assistência necessária”, completou.

CAÇAS EM AÇÃO – Zelensky também afirmou que caças F-16 e aviões Mirage fornecidos pela França foram usados “para proteger os céus ucranianos”.

“Em especial, os Mirage interceptaram com sucesso os mísseis de cruzeiro russos. Muito obrigado! Também quero reconhecer o desempenho de nossas forças de mísseis antiaéreos, da aviação do exército, de todas as nossas unidades de guerra eletrônica e dos grupos de fogo móveis”, disse.

O presidente da Ucrânia ainda cobrou uma solução que passe por uma atitude russa. “Os primeiros passos em direção à paz real devem incluir forçar a única fonte dessa guerra, a Rússia, a interromper esses ataques contra a vida”, insistiu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Sem o dinheiro e o apoio militar dos Estados Unidos, que acompanhavam por satélite e comunicavam toda movimentação das forças russas, a Ucrânia não tem a menor condição de manter a guerra. Isso ficou claro agora. É provável que Moscou aceite logo o cessar-fogo, mas o Ocidente precisa desbloquear os vultosos investimentos externos russos. A próxima semana é decisiva para a paz. (C.N.)


Jamil Chade
do UOL

Após deixar a Ucrânia desprotegida contra ataques russos, o presidente Donald Trump anunciou nas redes sociais que considera adotar sanções contra Moscou. A iniciativa foi divulgada horas depois de as cidades ucranianas sofrerem um dos maiores ataques em meses, com mais de 260 mísseis e drones.

“Com base no fato de que a Rússia está absolutamente ‘batendo’ na Ucrânia no campo de batalha, agora estou considerando fortemente sanções bancárias, sanções e tarifas em larga escala sobre a Rússia até que um cessar-fogo e acordo final de paz sejam alcançados. À Rússia e à Ucrânia, sentem-se à mesa agora mesmo, antes que seja tarde demais. Obrigado”, escreveu Trump na rede social Truth Social.

JÁ HÁ SANÇÕES – Os EUA já aplicam amplas sanções contra os russos e não foi esclarecido pela Casa Branca o que significa a iniciativa de Trump.

A ideia foi anunciada dias após o presidente interromper a troca de inteligência com Kiev, o que deixou o governo de Volodimir Zelensky vulnerável diante dos ataques russos. Trump ainda suspendeu repasses financeiros para os ucranianos, armas e humilhou o presidente há uma semana no Salão Oval.

Trump foi acusado por democratas e europeus de ter tomado o lado da Rússia na guerra, exigindo de Zelensky que ceda parte do território e que renuncie a um projeto de entrada na Otan, exigências do Kremlin para interromper o conflito.

ATAQUES MASSIVOS – Zelensky condenou os ataques da Rússia durante a noite e pediu que a proposta da França de uma trégua limitada nos céus e no mar fosse estabelecida. “Ontem à noite, o exército russo realizou outro ataque maciço à nossa infraestrutura de energia. Várias instalações foram atacadas em diversas regiões — Odesa, Poltava, Chernihiv e Ternopil”, disse.

“No total, os russos usaram quase 70 mísseis, tanto de cruzeiro quanto balísticos, além de quase 200 drones de ataque. Tudo isso foi direcionado contra a infraestrutura que garante a vida normal”, explicou o ucraniano.

“Atualmente, os trabalhos de reparo e restauração estão em andamento sempre que necessário. Infelizmente, edifícios residenciais comuns também foram danificados. Em Kharkiv, um míssil russo atingiu um prédio de apartamentos. As pessoas ficaram feridas. Elas estão recebendo a assistência necessária”, completou.

CAÇAS EM AÇÃO – Zelensky também afirmou que caças F-16 e aviões Mirage fornecidos pela França foram usados “para proteger os céus ucranianos”.

“Em especial, os Mirage interceptaram com sucesso os mísseis de cruzeiro russos. Muito obrigado! Também quero reconhecer o desempenho de nossas forças de mísseis antiaéreos, da aviação do exército, de todas as nossas unidades de guerra eletrônica e dos grupos de fogo móveis”, disse.

O presidente da Ucrânia ainda cobrou uma solução que passe por uma atitude russa. “Os primeiros passos em direção à paz real devem incluir forçar a única fonte dessa guerra, a Rússia, a interromper esses ataques contra a vida”, insistiu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Sem o dinheiro e o apoio militar dos Estados Unidos, que acompanhavam por satélite e comunicavam toda movimentação das forças russas, a Ucrânia não tem a menor condição de manter a guerra. Isso ficou claro agora. É provável que Moscou aceite logo o cessar-fogo, mas o Ocidente precisa desbloquear os vultosos investimentos externos russos. A próxima semana é decisiva para a paz. (C.N.)


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