sexta-feira, março 07, 2025

A c A carta, os puxa-sacos, os conservadores e até a esquerda

 

Por ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO

Publicado em 07/03/2025 às 11:45

Alterado em 07/03/2025 às 11:45


'Todas as cartas de amor são ridículas'
                                                                   Fernando Pessoa, na pessoa de Álvaro de Campos



Sou de uma época na qual a gente não tinha celular. Televisão era um objeto raro e, para fazer uma ligação interurbana, era necessário ir até a telefônica e consultar uma telefonista. Eu era um apaixonado por cartas. Como adorava escrever, as cartas eram a melhor maneira de me comunicar. Certa vez, em Paris, na rua de Cherche-Midi, eu estava almoçando na casa do Gérard Depardieu e relatei a ele um episódio que, para mim, é muito mais interessante do que o clássico romance francês que jogou seu nome para a glória mundo afora, com seu personagem Cyrano de Bergerac. Entre um copo e outro do vinho Cyrano, produzido pelo artista, eu contei uma história que havia ocorrido comigo quando eu morava em Patos de Minas. Ao final, o Depardieu me disse: “faça um roteiro dessa história que eu faço questão de filmar”.

Eu morava no interior e não tinha dinheiro para viajar nas férias. Recebia em casa os primos. Certa vez, um desses primos ficou um mês lá e, desde o primeiro dia, apaixonou-se por uma menina linda que morava em Patos de Minas. Durante todo o tempo, ele se dedicou, em vão, a uma paixão não correspondida. Nem mesmo um beijo ele conseguiu. No dia de voltar para São Paulo, ele, desolado e triste, pediu-me: “Kakay, eu não sei escrever. Faça uma carta para eu mandar para ela”. Eu escrevi uma longa carta, romântica e sedutora. Ele chegou em casa, passou para a letra dele e mandou a carta. Em 5 dias, eu recebo, surpreso, a visita da menina com a correspondência nas mãos. Ela me pediu para ler e me disse: “se ele tivesse conseguido me dizer o que escreveu, eu teria namorado com ele”. E, então, veio a surpresa: “Kakay, você pode responder para mim?”. Durante um ano, eu me correspondi comigo mesmo! Fui apimentando as cartas e, nas outras férias, quando meu primo chegou em Patos, eles, no primeiro dia, começaram um tórrido romance. Que durou só 5 dias, pois ela me disse que o cara das cartas só existia por escrito. Depardieu se apaixonou pela história. Anos depois, fazendo análise com o psicanalista francês Éric Laurent, em Paris, eu contei essa história e ele me disse: “foi aí que você se apaixonou por você”.






Com a proximidade do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, do ex-presidente Bolsonaro, de sua inexorável condenação e de sua prisão, a ultradireita se prepara para ocupar o vazio deixado pelo líder extremista. E eles não usam carta, preferem ocupar, às vezes criminosamente, as redes sociais.

Um Senador teve a desfaçatez de pedir, em uma mensagem gravada, que os Estados Unidos da América invadam o Brasil!! Parece inacreditável, mas é verdade. E o Senado nada fez para apurar a evidente quebra de decoro. Outro Deputado se uniu aos Congressistas norte-americanos de direita para conspirar contra o Supremo Tribunal. Tudo gravado e divulgado para atingir a massa acéfala e raivosa. Daqui para as eleições, a aposta será, sem dúvida, no recrudescimento do extremismo que cresce no mundo todo.

No Brasil, o único que pode derrotar novamente o fascismo é, com certeza, o presidente Lula. Sua reeleição passa a ser uma questão de sobrevivência. Assim como somente ele conseguiria vencer Bolsonaro, que tentava a reeleição em 2022, teremos igualmente uma guerra da democracia contra a barbárie. E o projeto passa, mais uma vez, por uma aliança ampla para derrotar a extrema-direita. A reeleição é bem mais fácil. Em 2022, parecia impossível. Mas é necessário critério, vontade, trabalho e inteligência. Muitos acham que não existe uma direita mais civilizada, mas o fato é que a união com o conservador Geraldo Alckmin, político sério, ético e confiável, foi uma força enorme no último pleito eleitoral. Se o Alckmin resolver tentar o governo de São Paulo, nós podemos buscar em Minas Gerais nosso Senador Rodrigo Pacheco. Só não podemos perder as eleições. E somente o Lula poderá derrotar a força avassaladora fascista. É preciso ter a humildade de estarmos todos juntos. Vamos discutir o Brasil. Do impetuoso ao puxa-saco. Até o bajulador tem um papel neste momento de crescimento da violência política. Em regra, o político, que normalmente tem um ego maior do que o meu, não precisa muito do adulador, mas, nesta hora de preocupante crescimento das forças intolerantes, faz-se necessária a união em torno do Lula.

Relembrando o velho Churchill, na defesa de um mundo livre das barbáries de Hitler: “Nunca tantos deveram a tão poucos”.

 

Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, é advogado

https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2025/03/1054605-a-carta-os-puxa-sacos-os-conservadores-e-ate-a-esquerda.html

Bolsonaro chama mulheres petistas de ‘feias’ e ‘incomíveis’ em vídeo divulgado por seu filho

 Foto: Reprodução/Instagram

Jair Renan e Jair Bolsonaro07 de março de 2025 | 17:15

Bolsonaro chama mulheres petistas de ‘feias’ e ‘incomíveis’ em vídeo divulgado por seu filho

brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez comentários misóginos contra mulheres petistas durante conversa com apoiadores em Angra dos Reis (RJ) durante o feriado de Carnaval.

Em vídeo divulgado na quarta-feira (6) por um de seus filhos, o vereador Jair Renan (PL), o ex-presidente afirma que as apoiadoras do PT são “feias” e “incomíveis”.

“Você pode ver, não tem mulher bonita petista. Só tem feia. Às vezes acontece quando estou no aeroporto alguém me xinga. Mulher, né? Olho para dela: ‘Nossa, mãe. Incomível'”, afirmou.

O vídeo divulgado por Jair Renan é um chamado “corte” de uma fala mais longa, sem indicar o contexto. Editado, ele ressalta uma segunda vez a fala “incomível” e inclui, por meio de edição, o óculos conhecido como Thug Life, usado com frequência por Bolsonaro para destacar seus ataques a adversários.

A divulgação ocorre às vésperas do Dia Internacional da Mulher, comemorado neste sábado (8). Não é possível determinar a data exata em que a fala ocorreu. No vídeo, Bolsonaro vestia a camisa do clube Nova Iguaçu, que utilizou na última segunda-feira (3) em encontros com apoiadores.

O ex-presidente tem em seu histórico diversas falas misóginas para desqualificar mulheres com quem teve embates. Já disse, por exemplo, que a deputada Maria do Rosário (PT) “não merece ser estuprada porque é muito feia”, pelo que foi condenado a se retratar e pagar indenização por danos morais à parlamentar.

O ex-presidente também já foi condenado a indenizar a repórter Patrícia Campos Mello, do jornal Folha de S.Paulo, por dizer que ela queria “dar um furo a qualquer preço”.

Ele também tem o hábito de usar adjetivos de cunho sexual para definir a si e a seus aliados.

Em discurso para apoiadores em 2022, quando ainda estava na Presidência, Bolsonaro entoou o coro “imbrochável” para descrever sua determinação num conflito. O termo foi incluído na “medalha dos três ‘is'”, que distribui a apoiadores, junto com “incomível” e “imorrível”.

No fim de fevereiro, o ex-presidente disse que usa um “chip hormonal” para melhorar seu desempenho sexual.

O “chip hormonal” é uma forma de administração de medicamentos na qual um princípio ativo é liberado de forma subcutânea (sob a pele).

Assista ao vídeo abaixo:

Folhapress

Conduta de Moraes questionada: veja o que os denunciados no inquérito do golpe disseram em suas defesas

 Foto: Gustavo Moreno/STF/Arquivo

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal)07 de março de 2025 | 17:45

Conduta de Moraes questionada: veja o que os denunciados no inquérito do golpe disseram em suas defesas

brasil

Questionamentos sobre regras processuais e sobre a imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes dominaram as primeiras manifestações das defesas dos denunciados no inquérito do golpe. Os advogados apresentaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma série de objeções envolvendo a tramitação do caso e também a organização da denúncia. Com base em argumentos técnicos sobre supostos “vícios” formais no andamento da investigação, as defesas tentam encerrar o inquérito sem análise do mérito. Todas as questões preliminares precisam ser consideradas pelos ministros no julgamento sobre a admissão da denúncia. A tendência, no entanto, é que a acusação seja recebida ainda no primeiro semestre de 2025.

Desde quarta-feira, 6, os denunciados estão encaminhando ao STF suas defesas prévias – conjunto de argumentos para tentar convencer os ministros a recusar a denúncia e, com isso, finalizar o caso. É a primeira oportunidade que as defesas têm de se manifestar formalmente sobre as acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR). Os advogados tiveram 15 dias para analisar a denúncia e as provas e enviar suas versões. O prazo termina nesta sexta.

Os memoriais dos denunciados questionam, por exemplo, a competência do STF para processar e julgar o caso. As defesas alegam que os acusados não têm mais foro por prerrogativa de função e, por isso, o processo deveria tramitar na primeira instância. Alguns ocupam cargos públicos, como o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), mas os advogados afirmam que as acusações não têm relação com o exercício do mandato.

As defesas também insistem que não tiveram acesso a todas as provas da investigação, como a íntegra das conversas extraídas dos celulares apreendidos pela Polícia Federal.

Alexandre de Moraes levantou o sigilo dos autos depois de receber a denúncia. São 18 volumes de documentos que somam mais de 3 mil páginas. A delação do tenente-coronel Mauro Cid também foi tornada pública. O STF deu publicidade aos anexos do termo de colaboração premiada, tanto em vídeo como por escrito. Moraes ainda compartilhou com todos os 34 denunciados provas de investigações sigilosas que têm relação com a denúncia. São investigações que envolvem o aparelhamento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o uso da Polícia Rodoviária Federal para influenciar as eleições de 2022 e os atos do 8 de Janeiro. Segundo os advogados, o material não está completo e inviabiliza o exercício integral do direito de defesa.

Os questionamentos sobre a imparcialidade de Alexandre de Moraes para conduzir o caso também ressurgiram nos memoriais. As defesas alegam que ele não poderia relatar a ação porque a denúncia menciona uma suposta operação para executá-lo em meio ao golpe – o Plano Punhal Verde e Amarelo e o Copa 2022. Os advogados tentam colar no ministro a pecha de vítima e julgador. Esse argumento tem sido rejeitado pelos ministros. O STF trabalha com a noção de que a vítima de atos antidemocráticos é o Estado e não deve der personalizada. Além disso, há precedentes que reconhecem que situações de impedimento criadas a posteriori não geram o afastamento dos magistrados.

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também pediu o afastamento de Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito do golpe, mas apostou em uma estratégia menos direta. Os advogados defendem que devem ser aplicadas ao caso as regras do juiz de garantias, que preveem a divisão dos processos criminais entre dois magistrados, um responsável por conduzir a fase pré-processual e outro por analisar as provas reunidas e julgar a ação. A defesa afirma que a redistribuição é necessária “em razão do papel atuante, semelhante ao dos juízes instrutores, exercido” por Moraes ao longo da investigação.

As defesas questionam ainda a organização da denúncia. Ao enquadrar o ex-presidente como líder de uma organização criminosa armada que tentou dar um golpe de Estado após as eleições de 2022, o procurador-geral da República Paulo Gonet conectou diferentes episódios que, na avaliação do chefe dele, culminaram no plano golpista. Os fatos são encadeados a partir de 2021, marco do discurso de ruptura institucional adotado por Bolsonaro, até a invasão da Praça dos Três Poderes, o clímax do movimento golpista, segundo a linha do tempo traçada por Gonet. Os advogados alegam que as acusações são genéricas e que os crimes não foram individualizados, o que prejudicaria o trabalho das defesas.

Os denunciados também buscaram rebater as acusações que recaem sobre eles. Veja abaixo os argumentos de cada um:

Jair Bolsonaro

Os advogados do ex-presidente afirmam que não há mensagens ou outras provas que liguem Bolsonaro diretamente aos atos golpistas do 8 de Janeiro. Também argumentam que um golpe “demanda emprego de violência ou grave ameaça, aptas a impedir ou restringir o exercício dos poderes constitucionais”, o que não ocorreu.

“Ainda que se deseje criticar os discursos, pronunciamentos, entrevistas e lives de Jair Bolsonaro, ou censurar o conteúdo de reuniões havidas com comandantes militares e assessores, tais eventos não se confundem nem minimamente com atos de execução.”

Alexandre Ramagem

O deputado federal Alexandre Ramagem, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo de Jair Bolsonaro, usou a eleição dele como argumento para rebater a denúncia. A defesa afirma que não faria sentido acreditar que “uma pessoa que acabara de ser eleita deputado federal, após tanto esforço e dispêndio de recursos materiais e pessoais em acirrada disputa eleitoral, fosse capaz de atentar contra os ‘poderes constitucionais’, visando abolir o Estado Democrático de Direito”. Os advogados também alegam que, quando Bolsonaro radicalizou o discurso, Ramagem já havia deixado o governo.

Alexandre Ramagem é apontado no inquérito do golpe como um dos principais conselheiros do ex-presidente. Conversas e documentos obtidos pela Polícia Federal na investigação, a partir da quebra do sigilo de mensagem do deputado, mostram que, ao longo do governo, ele articulou ataques ao Supremo Tribunal Federal e incentivou Bolsonaro a enfrentar os ministros.

A defesa alega que o ex-chefe da Abin apenas apresentou “opiniões que convergiam com o pensamento, que segundo a acusação, já era publicizado pelo então presidente”. “Trata-se de mera reiteração daquilo que, segundo a própria denúncia, o então Presidente da República já vinha afirmando publicamente”.

Anderson Torres

O ex-ministro da Justiça Anderson Torres afirmou que está sendo denunciado “apenas e tão somente pelo fato de ter integrado o governo do ex-presidente”. “Esse fato, contudo, não configura, por óbvio, qualquer ilícito penal. De igual forma, eventual espírito de corpo ou mesmo o desejo do denunciado de que o ex-presidente Bolsonaro permanecesse no poder não possui enquadramento penal.”

A defesa nega que ele tenha escrito a minuta golpista apreendida na sua casa. O documento previa a anulação do resultado das eleições de 2022 e uma intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os advogados alegam que o documento é apócrifo e “absolutamente inverossímil”.

“A simples leitura do teor da minuta já indica o absurdo quanto ao local, quanto ao meio, quanto à forma, quanto ao objeto e quanto aos pressupostos constitucionais do Estado de Defesa. Absolutamente nada faz sentido!”

Augusto Heleno

O general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo Bolsonaro, alegou que não teve acesso a todas as provas do inquérito e, por isso, não poderia se “manifestar mais detidamente sobre material probatório”.

Uma agenda apreendida na casa dele levantou suspeitas sobre o uso da Abin para a espionagem de petistas e a disseminação de notícias falsas sobre as urnas eletrônicas.

A defesa afirma que a PGR usou “anotações as mais variadas, como se fossem um apanhado de ideias”, para “casar-se com a conclusão a que pretendia chegar”. “Um verdadeiro terraplanismo argumentativo”.

Carlos César Moretzsohn Rocha

O engenheiro eletrônico Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (IVL), foi denunciado porque os relatórios produzidos pelo IVL, sob supervisão dele, foram usados pelo PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, para questionar o resultado das eleições de 2022. O PL pediu a anulação de parte dos votos alegando mau funcionamento de alguns modelos de urnas eletrônicas.

O engenheiro afirma que prestou “serviços técnicos especializados” e que o objetivo do trabalho não era encontrar fraudes nas urnas e sim “oportunidades de aprimoramento no sistema eleitoral”. Ele disse também que “nunca mencionou a palavra ‘fraude’, nem nos relatórios, nem em mensagens de e-mail ou WhatsApp, nem em entrevistas”.

A defesa de Carlos Rocha também alega que ele não tem responsabilidade pelo uso que o PL fez dos relatórios produzidos pelo IVL. O contrato de serviço dava ao partido exclusividade sobre o uso do material. Os advogados do engenheiro argumentam que a cessão “desonera totalmente o IVL e Carlos Rocha pela utilização posterior do material pelo PL, cabendo ao contratante qualquer responsabilidade por sua divulgação ou uso em quaisquer meios ou finalidades”.

Marcelo Câmara

O coronel Marcelo Costa Câmara, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, defendeu que a denúncia deve ser rejeitada por “inépcia formal”. O advogado Eduardo Kuntz, que representa o coronel, afirma que as acusações são genéricas e imprecisas e que o cliente “tem o direito de ser informado do inteiro teor dos fatos de que está sendo acusado de forma certa e pormenorizada para que possa contraditá-los”.

O coronel também negou ter monitorado o ministro Alexandre de Moraes: “O correto é ‘acompanhamento por fontes abertas’”, alega a defesa. “O que há de ilegal em fazer pesquisas através de fontes abertas, entenda-se: google, telefonemas, agendas públicas?”

Mário Fernandes

O general Mário Fernandes foi denunciado como autor do plano de atentado “Punhal Verde e Amarelo”. O esboço criminoso previa assassinatos e sequestros do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes.

A defesa nega que ele tenha apresentado ou discutido o plano com outras pessoas. “O arquivo eletrônico encontrado em seu HD – desconectado do computador – não foi apresentado a absolutamente ninguém, por isso, a nenhuma das pessoas envolvidas na investigação, agora denunciadas.”

Paulo Sérgio Nogueira

O ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, foi acusado de pressionar os comandantes das Forças Armadas a apoiarem o plano golpista de Bolsonaro. Segundo a denúncia, ele também participou de articulações para levantar suspeitas sobre a segurança das urnas eletrônicas.

A defesa nega que ele tenha apoiado qualquer pauta golpista. “Reitere-se, ainda, que conforme revela a prova dos autos, o General Paulo Sérgio estava alinhado com o general Freire Gomes e aconselhava o presidente que nada poderia ser feito diante do resultado das eleições e era totalmente contrário a golpe de Estado, temendo que radicais levassem o presidente assinar uma ‘doidera’”.

Rayssa Motta/Estadão

Justiça condena servidor do INSS a pagar R$ 30 mil por agredir verbalmente Gilmar Mendes

 

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Servidor do INSS que agrediu o ministro Gilmar Mendes verbalmente em Lisboa07 de março de 2025 | 13:26

Justiça condena servidor do INSS a pagar R$ 30 mil por agredir verbalmente Gilmar Mendes

brasil

A juíza Grace Correa Pereira, da 9ª Vara Cível de Brasília, condenou um servidor do INSS a pagar uma indenização de R$ 30 mil por danos morais por ter agredido verbalmente o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Cabe recurso.

O episódio ocorreu no ano passado, em Lisboa. O ministro aguardava o embarque em uma cafeteria quando o servidor, chamado Ramos Antonio Nassif Chagas, se aproximou afirmando que o Brasil estava sendo “destruído por pessoas como você”, além de outras palavras consideradas ofensivas.

Na época, o vídeo foi postado em canais de direita que definiram o homem como “patriota”. O caso viralizou. Gilmar Mendes acionou a Justiça e argumentou que o servidor lhe dirigiu ofensas diretas e, também, à instituição Supremo Tribunal Federal.

O magistrado afirma que doará o valor da sentença para a entidade Creche Casa Da Mãe Preta. A juíza determinou ainda que Chagas também pague 10% de honorários, e o escritório Mudrovitsch Advogados, que fez a defesa de Gilmar, também destinará o valor à ONG.

No processo, o servidor afirmou que “agiu com cordialidade e se limitou a expressar uma crítica sobre a atuação” de uma figura pública e que estava protegido pelo direito à liberdade de expressão.

A juíza, porém, argumentou que Chagas “exorbitou do direito de crítica” e entendeu que ele não queria apenas expressar sua opinião, mas “se enaltecer, demonstrando para terceiros sua capacidade e coragem de criticar o ministro pessoalmente e em público”.

“A escolha do réu de abordar o autor [Gilmar Mendes] em um momento privado, fotografá-lo e filmá-lo numa cafeteria de aeroporto no exterior, sem dele obter qualquer autorização prévia para divulgação da imagem, demonstra que o dolo do autor mais que apresentar uma crítica em um espaço público era satisfazer seu interesse pessoal de verbalizar sua indignação e o expor publicamente”, diz a decisão.

Além disso, Chagas disse que enviou o vídeo para familiares no WhatsApp e que não sabia como as imagens foram parar na rede social. A magistrada disse, entretanto, que ao enviar a sua gravação para terceiros ele assumiu “os riscos inerentes à divulgação”.

“Ao optar por publicizar o ocorrido, o réu, além de violar a imagem do autor ao fazer uso da gravação para atingir a sua honra e o seu prestígio social, criou um cenário de achincalhamento do demandante e da Suprema Corte”, prossegue a juíza.

Manoella Smith, Folhapress

Centrão pressiona Bolsonaro a abrir caminho para candidatura de Tarcísio

Publicado em 7 de março de 2025 por Tribuna da Internet

Bolsonaro escanteia Tarcísio para ser rival da direita em 2026 | Metrópoles

Tarcísio diz que só será candidato se Bolsonaro lhe pedir

Raquel Landim
do UOL

O senador Ciro Nogueira disse, em público, que qualquer candidato da direita tem que se comprometer com a anistia a Jair Bolsonaro, que enfrenta uma situação cada vez mais complicada com a Justiça.

É uma maneira de tentar deixar o ex-presidente confortável para fazer aquilo que ele não quer de jeito nenhum: largar o osso para uma candidatura de direita que seja mais palatável para o centrão e o empresariado.

OUTRO NOME – Em conversas reservadas, lideranças de partidos de centro vêm insistindo com Bolsonaro que, se ele não conseguir recuperar seus direitos políticos até o final do ano, precisa apoiar Tarcísio de Freitas ou Ratinho Junior.

O prazo é importantíssimo, porque o governador de São Paulo tem que se desincompatibilizar do cargo até abril de 2026 se quiser se arriscar ao Palácio do Planalto. Ele tem uma reeleição praticamente garantida ao Palácio do Bandeirantes.

Mas Tarcísio já disse uma e outra vez que não se interessa pelo Planalto, muito menos sem o apoio de Bolsonaro, que está muito encrencado com a Justiça. Não há nenhum sinal que vá recuperar seus direitos políticos. Pelo contrário. O Supremo Tribunal Federal (STF) ameaça prendê-lo.

FALHAS JURÍDICAS – Quinta-feira à noite, Bolsonaro apresentou sua defesa e gastou 100 das 130 páginas apenas no que considera as falhas jurídicas do processo. Só entrou no mérito da tentativa de golpe de Estado nas 30 finais.

Mas o ex-presidente não quer desistir de jeito nenhum. Na política nunca podemos ignorar o fator humano. Assim como Lula que, conforme pessoas muito próximas, ligava a todo momento para saber se o advogado havia conseguido liberar seu nome para seguir na urna em 2018, Bolsonaro mantém as esperanças de um milagre.

O centrão quer tirar Bolsonaro do jogo e desembarcar de uma vez do governo Lula em prol de uma eventual gestão Tarcísio, que é muito mais palatável para o mercado.

Em suma, difícil vai ser o eleitorado se livrar de Lula e Bolsonaro.


Corruptocracia: O regime político brasileiro (Atena

https://www.academia.edu/61511637/Corruptocracia_O_regime_pol%C3%ADtico_brasileiro_Atena_Editora_?email_work_card=title 

Em destaque

Tarcísio se curva a Bolsonaro e afirma: “Meu interesse é ficar em São Paulo”

Publicado em 29 de janeiro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Tarcísio atende a Jair Bolsonaro e vai disputar s...

Mais visitadas