segunda-feira, fevereiro 10, 2025

Há 60 anos, Roberto Marinho aplicou o golpe da usurpação da TV Paulista

Publicado em 10 de fevereiro de 2025 por Tribuna da Internet

Roberto Marinho comprou a TV Globo de São Paulo por 35 dólares. Com  documentação falsa. E o STJ confirmou a transação

Marinho dizia ter comprado a TV Paulista por 35 dólares

Carlos Newton

Em 10 de fevereiro de 1965, há exatamente 60 anos, o jornalista/empresário Roberto Marinho deslocou-se do Rio de Janeiro para a cidade de São Paulo, com objetivo de assumir o controle da Rádio Televisão Paulista S/A (canal 5 de São Paulo), que afirmava ter adquirido de Victor Costa Júnior, de apenas 24 anos, herdeiro do empresário de radiodifusão Victor Costa, falecido em dezembro de 1959.

O jovem empresário convocou para esta data uma suposta Assembleia Geral Extraordinária, para atender Roberto Marinho, a quem, três meses antes, a 9 de novembro de 1964, ele tinha vendido 52% das ações da TV Paulista pelo equivalente a US$ 2 milhões, apesar de não possuir uma só das ações.

APENAS UM SÓCIO – A empresa Rádio Televisão Paulista tinha mais de 650 acionistas, que deveriam concordar ou discordar do ingresso de Roberto Marinho na sociedade, mas na pequena sala onde se realizou a Assembleia havia apenas um acionista, Armando Piovesan, titular de apenas duas das 30 mil ações da sociedade anônima e empregado de Victor Costa Júnior.

Na verdade, o controle acionário estava em mãos da família Ortiz Monteiro. Por isso, Piovesan se apresentou como procurador dos sócios majoritários Hernani Junqueira Ortiz Monteiro, Manoel Vicente da Costa, Manoel Bento da Costa e de Oswaldo Junqueira Ortiz Monteiro. Juntos, os quatro eram proprietários de 52% das ações e controlavam a empresa.

Mas as mencionadas procurações não existiam, até porque dois dos sócios majoritários já tinham morrido – Hernani Junqueira Ortiz Monteiro e Manoel Vicente da Costa.

ILEGALIDADE TOTAL – Era tudo ilegal e irregular. A pretensa venda da emissora e a realização da falsa Assembleia tinham de ser comunicadas e autorizadas pelo Ministério concedente, como previsto na Lei das Telecomunicações. Mas isso não ocorreu.

Roberto Marinho nem se importou, porque um ano antes, em 1964, ele tinha sido um dos líderes civis do golpe militar e não se preocupava mais com as leis em vigor, devido ao estado de exceção ditatorial que o país vivia.

Foi assim que o Marinho falsamente passou a ser titular de 370.000 novas ações, além das 15.100 que supostamente teria comprado do não-acionista Victor Costa Júnior, três meses antes.

DECRETO DE CASTELO – Atendendo ao pedido de Marinho, três meses depois, a 27 de maio de 1965, o presidente Castelo Branco, pela Portaria 163/65, aprovou o decidido na nebulosa AGE de 10 de fevereiro de 1965.

Mas impôs uma condição, obrigando que o novo sócio controlador da Rádio Televisão Paulista S/A regularizasse em 180 dias o quadro societário da emissora, sob pena de nulidade do ato deferido.

Marinho fez pouco da exigência e as autoridades não ousaram importuná-lo. Somente passados 11 anos é que o empresário global, mais poderoso do que nunca e certo de que não seria incomodado, presidiu uma nova Assembleia-Geral Extraordinária, em 30 de junho de 1976, para cumprir de vez essa obrigatória regularização do quadro societário.

APAGANDO RASTOS – Para não deixar rastos, Marinho transferiu de novo para seu nome aqueles 52% do capital social inicial que lhe teriam sido vendidos em 1964 por Victor Costa Júnior, que nem era acionista da Rádio Televisão Paulista S/A.

Nessa nova AGE, sem a ajuda do falsário Armando Piovesan (que se passou por procurador da família Ortiz Monteiro no ato de 10 de fevereiro de 1965), audaciosamente Roberto Marinho registrou em ata que Hernani Junqueira, falecido no distante 1962, Manoel Vicente da Costa, morto em 1964, e outros sócios da família Ortiz Monteiro compareceram ao ato societário ou se fizeram representar por meio de procurações.

O governo militar não desconfiou de nada e engoliu toda essa xaropada.

TRANSFERÊNCIAS DE AÇÕES – Para finalizar a cronologia das simulações e fraudes, em 11 de fevereiro de 1977, o ex-diretor da Televisão Globo, Luiz Eduardo Borgerth, produziu centenas de termos de transferência das ações dos mais de 650 sócios fundadores da Rádio Televisão Paulista S/A, hoje, TV Globo de São Paulo Ltda.

Transferiu todo o capital social inicial da emissora para Roberto Marinho, sem contrapartida alguma, incluindo os 52% que pertenciam aos quatro membros da família Ortiz Monteiro.

Tudo isso com a concordância do governo Geisel, que, em seguida, editou a descabida Portaria 430/77, dando ares de legalidade a esses documentos grotescamente falsificados.

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P.S. 1 – 
Walter Clark, ex-diretor-geral da Globo, conta em livro que foi o incêndio das precárias instalações da TV Paulista, em 1969, que ajudou a alavancar a Rede Globo, enrolada com um empréstimo ilegal de 6 milhões de dólares, fornecido pelo grupo americano “Time Life”. O seguro tinha uma cláusula de lucros cessantes e rendeu a Roberto Marinho 7 milhões de dólares, uma fortuna em 1970.

P.S. 2 – A pedido dos herdeiros dos antigos acionistas majoritários da emissora, esses documentos considerados fraudulentos podem e devem ser reanalisados, agora, pelo Ministério das Comunicações., quando já se sabe tudo sobre as fraudes.

P.S. 3 – Alias, esse golpe monumental deveria ser levado às Comissões de Defesa de Direitos Humanos da OEA e da ONU, porque a versão que ridiculamente prevaleceu no Supremo brasileiro é de que Marinho teria comprado o controle da TV Paulista por exatos Cr$ 60.396,00, que na época equivaliam a 35 dólares, tipo Piada do Ano(C.N.)


Ives Gandra descarta Bolsonaro em 2026 e diz que Lula passou da idade


Um homem idoso está sentado em uma cadeira em um escritório, gesticulando com a mão direita. Ao fundo, há uma estante repleta de livros organizados. A mesa à sua frente tem um objeto não identificado e um celular. A iluminação destaca o homem e cria um contraste com o ambiente ao redor.

Supremo vetará candidatura de Bolsonaro, diz Gandra

Arthur Guimarães de Oliveira
Folha

O advogado Ives Gandra Martins pede um paletó ao entrar na sala de reunião ligada ao gabinete pessoal localizado em um edifício na região central de São Paulo. É quarta-feira (dia 5), uma semana antes do aniversário de 90 anos.

Referência entre aliados de Jair Bolsonaro (PL), Ives Gandra descarta em entrevista à Folha a possibilidade de o ex-presidente concorrer de novo em 2026. Mesmo com uma reviravolta no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), não acredita em um respaldo do STF (Supremo Tribunal Federal). Também disse ver no presidente Lula (PT) a dificuldade da idade, sem que haja um sucessor para ele na esquerda.

O sr. tem sido crítico do STF nos últimos anos. Na sua opinião, qual é o principal excesso cometido pelo tribunal?
Sou crítico da interpretação que eles dão ao direito constitucional. Qual é a opinião deles? Que quando há um princípio constitucional de múltipla interpretação —dignidade da pessoa humana— o Supremo entende que cabe a eles a interpretação. Assim eles fizeram com o marco temporal, a relação entre pessoas do mesmo sexo, agora o marco da internet. Essa é a divergência. Acho que eles nunca podem ser senão legisladores negativos, dizer se uma lei é constitucional ou não, enquanto eles entendem que, se são provocados e o Congresso não fez a lei, podem interpretar o princípio geral.

Como resolver o problema das emendas parlamentares, que é motivo de embate não só entre Supremo e Congresso, mas também governo federal?
Pessoalmente, acho um absurdo as emendas parlamentares. Acho que isso fragiliza os orçamentos, mas não é competência do Supremo interferir em algo que é da típica relação política entre o Executivo e o Legislativo. Eles têm que conversar. Se um governo é fraco, o governo cai, entra um outro grupo, recaptura os orçamentos. A única solução é nas próximas eleições mudar. É um risco da democracia. Mas são competências dos representantes do povo. A solução não é dizer que, como Executivo e Legislativo não se entendem, então o Judiciário vai começar a fazer política.

O sr. acredita que este Executivo é fraco?
A verdade é a seguinte: ele não está conseguindo. Tem uma parte dos ministérios com partidos que vão ter concorrentes nas eleições, partidos que nas eleições municipais foram contra o partido do presidente. Tenho a impressão que, enquanto o presidente da República fizer questão de manter uma polarização, passamos a ter dificuldade de governo, porque há necessidade de manter a radicalização, ele deixa de dedicar-se exclusivamente a governar. A manutenção da radicalização dificulta, a meu ver, uma administração mais coerente. É o que nós estamos vendo: a dificuldade dele no Congresso, a inflação retornando.

Como o sr. avalia a situação jurídica do país?
Com essa polarização, o Supremo vai assumindo funções políticas. Essa função de ser uma espécie de vigilante do Poder Executivo e do Legislativo, fazendo as leis, interferindo na administração pública, faz com que o Supremo seja tratado também como um agente político. Quem concorda bate palmas. Quem não concorda xinga. Nós não temos mais aquela imagem quase que sacrossanta do Supremo até a aposentadoria de Moreira Alves, Sydney Sanches, Ilmar Galvão. Passamos a ter um Supremo que decide juridicamente muito bem, mas que intervém em questões políticas.

Como o sr. avalia a condução dos inquéritos relativos aos atos antidemocráticos e à trama golpista?
Aquilo não foi trama. Fui professor das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército. Tinha absoluta convicção que os militares jamais entrariam num golpe de Estado. Em 2022, fiz uma declaração dizendo que o risco era zero, multiplicado por zero, dividido por zero, somado a zero. Conhecia os militares. Tanto é verdade que, enquanto havia multidões em frente aos quartéis, nenhum deles tomou alguma medida. Quando, no dia 8 de janeiro, houve aquela baderna, nenhuma das pessoas estava com uma arma. Havia um contingente pequeno de militares sem ter dado um tiro sequer.

Como o sr. analisa as revelações da Polícia Federal a respeito de uma trama para assassinar o presidente, o vice e o ministro Alexandre de Moraes?
Mas como trama? Uma decisão dessas teria que ser tomada pelo Alto Comando das Forças Armadas. A impressão que tenho é que aquilo que um grupo pequeno de militares pode ter trocado de ideias era, no máximo, um plano tão absurdo que nem poderia ser posto em execução e não foi. Tanto é verdade que não houve nada, nem início. Estou convencido de que aquele plano absolutamente absurdo, se é que foi um plano ou coisas assim colocadas, jamais, jamais, jamais teriam possibilidade de êxito, porque dependeriam do apoio do Exército, Alto Comando; da Marinha, Alto Comando; e da Aeronáutica.

Têm ocorrido articulações no Congresso a respeito de um projeto de anistia e de redução do prazo da inelegibilidade de oito para dois anos. Qual a avaliação do sr.?
Para mim, esse movimento, no dia 8, de protesto, não poderia ser um golpe de Estado, porque desarmado ninguém dá golpe de Estado. Como eu não vejo nisso um atentado violento ao Estado de Direito, mas uma baderna, sou favorável à anistia. Sobre a redução de inelegibilidade, a minha visão é a de que a função da Justiça Eleitoral é respeitar ao máximo a vontade do eleitor, só se houver alguma coisa extremamente violenta, que represente um ato violento, não uma manifestação boba. Acho que poderia ser reduzido perfeitamente, até.

Qual é o candidato mais competitivo para 2026 na opinião do sr.?
Vejo Lula com dificuldade da própria idade. Você está falando com um sujeito de 90 anos…

Mas o sr. está ótimo, não?
Não, estou péssimo, com andador, tudo. A cabeça ainda funciona um pouquinho, mas o resto não. Todas as palestras, sustentações orais, eu faço online. Eu não tenho mais condições nem de subir escada de avião. É bem verdade, são 90 anos, não são 79, mas ele vai estar com 81. Já teve câncer, uma série de problemas. Ou vai ter condições físicas, ou não. Se tiver, vai ser candidato. Se não, vai ter que escolher um. E não vejo ninguém na esquerda com o carisma do Lula.

E Bolsonaro?
Do outro lado, mesmo que o TSE dê a possibilidade de o presidente Bolsonaro concorrer, não acho que o Supremo mantenha. Dificilmente nós teremos Bolsonaro. Vejo cinco candidatos: [Romeu] Zema, [Eduardo] Leite, Ratinho [Jr.], Tarcísio [de Freitas] e [Ronaldo] Caiado. Se eles conseguirem ter um candidato único ou uma campanha em que não se agridam mutuamente e se não houver a mudança da política econômica do presidente, acho que os conservadores terão chance.

Ao antecipar campanha, Mitidieri deu um tiro no escuro

em 10 fev, 2025 8:22

  • Adiberto de Souza

 O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), deu um arriscado tiro no escuro ao anunciar que é pré-candidato à reeleição. Nunca antes neste estado um gestor lançou a própria pré-candidatura estando na metade do mandato. E essa prudência tem lógica, pois ao se lançar tão cedo o suplicante passa a ser visto como candidato. Sem falar que vira o saco de pancadas preferido pelos adversários. O eleitor também condena tamanha pressa, pois sem ter cumprido nem a metade dos compromissos, o homem já está se preparando para fazer novas promessas. Ademais, Mitidieri errou feio ao afirmar, de forma arrogante, não ter medo de nenhum adversário: “Pode vir quem quiser, de onde vier”. Não foi isso que ocorreu em 2022, quando ele só chegou ao 2º turno porque Valmir de Francisquinho (PL) – o mais votado – foi retirado da disputa pela Justiça Eleitoral. Ao se lançar candidato à reeleição com a chapa composta apenas pelo PSD, o governador deixa os demais partidos aliados de orelhas em pé, pois na disputa majoritária terão que se contentar com as duas vagas para o Senado. Só esse detalhe pode provocar um racha no agrupamento, tal qual ocorreu em Aracaju, resultando numa fragorosa derrota dos governistas, nas eleições do ano passado. Portanto, Mitidieri pode ser o alvo do tiro que deu no escuto. Como bem diz o ditado popular: o apressado come cru e quente. Marminino!

Aracaju menor

Alguém sabe quando Aracaju vai devolver a São Cristóvão os 20,78 km² que, segundo a Justiça, foram tomados na tora. A pendenga envolvendo os dois municípios já transitou em julgado, não restando outra alternativa à capital sergipana que não seja devolver 11.4% de seu território a São Cristóvão. Essa área reclamada pela primeira capital de Sergipe foi “tomada” por Aracaju após mudanças ilegais de limites feitas pela Constituição estadual de 1989 e de uma Emenda Constitucional de 1999. Cruz, credo!

Lados opostos

As principais lideranças do PT em Sergipe trilham caminhos opostos. Bom exemplo disso foi dado, no último final de semana, pelos senador Rogério Carvalho, deputado federal João Daniel e ministro Márcio Macêdo (PT). Enquanto os dois primeiros participavam de planárias do partido em Laranjeiras e Propriá, o outro entregava computadores à escolas, visitava um condomínio residencial em Aracaju e participava de solenidades em Itabaiana ao lado do governador Fábio Mitidieri (PSD). Talvez pela aproximação de Márcio com o gestor pedessista, Daniel e Rogério não prestigiaram os eventos promovidos por Macêdo. Misericórdia!

Plagiando Bolsonaro

O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), imitou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao afirmar “a minha Polícia”. Nos discursos que insinuava prender e arrebentar, o capitão de pijama costumava bradar que “o meu Exército” fará isso e aquilo. Tanto Mitidieri quando Bolsonaro estão redondamente enganados. O Exército brasileiro e a Polícia Militar de Sergipe não são instituições de governo, não têm partido. São instituições de Estado, permanentes, não mudando a maneira de cumprir suas missões para atender os interesses desse ou daquele governante de plantão. Creindeuspai!

Haja apetite

O prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (PL), não dispensa uma saborosa jaca mole. Outro dia, o homem deu uma aula de como abrir a fruta e retirar os bagos. Muita gente não sabe que a jaqueira é originária da Índia, mas se adaptou muito bem no Brasil. Um pé de jaca pode chegar a 20 metros de altura. A jaca é considerada a maior fruta comestível do mundo. De formato ovalado ou arredondado, ela nasce na região do tronco e nos galhos mais baixos da árvore. Uma única jaqueira pode produzir até 100 frutos anualmente. Danôsse!

Quem veste a carapuça?

Visto por alguns governistas como um futuro adversário político, o deputado federal Thiago de Joaldo (PP) tem publicado indiretas no Instagram. Veja duas delas: “Tiro o chapéu para quem merece: o povo!” e “Vou pra 10 guerras ao lado de um amigo verdadeiro; e não vou pra nenhuma com 10 amigos falsos”. Quem ai no governo está disposto a vestir a carapuça? Arre égua!

Partidários da tortura

Quase metade da população apoia o uso de tortura para obtenção de provas nos tribunais. Pesquisa sobre o assunto mostra que um terço dos entrevistados concorda que para conseguir confissões a polícia deve “ameaçar com palavras”, “bater”, “dar choques ou queimar com ponta de cigarro”, “ameaçar membros da família” e “deixar sem água ou comida”. O uso de algum tipo de violência é mais aceito para suspeitos estupro (43,2%), tráfico de drogas (38,8%), sequestro (36,2%), uso de drogas (32,3%) e roubos (32,1%). Cruz, credo!

Pomo da discórdia

Não chamem para o mesmo rega-bofe o deputado federal Thiago de Joaldo (PP) e o secretário estadual da Casa Civil, Jorginho Araújo (PSD), pois pode acabar em bate-boca. O pepista não esconde a contrariedade com o pessedista, que é carne e unha do governador Fábio Mitidieri (PSD). Thiago critica a desatenção de Jorginho, que não se dá ao trabalho de retornar os telefonemas dos governistas. Aliás, o ex-governador Belivaldo Chagas (PSD) deixou claro, outro dia, não gostar do comportamento político do secretário e só não o criticou publicamente para, conforme disse, não contrariar o amigo Jorge Araújo, que vem a ser pai de Jorginho. Só Jesus na causa!

Salários de marajá

Diferentemente do que ocorre com os servidores estaduais, o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), e seu vice Zezinho Sobral (PSB) foram beneficiados por uma lei que lhes garantiu generosos reajustes salariais ao longo de três anos. Em 2023, Mitidieri viu seu contracheque aumentar de R$ 35.462,22 para R$ 39.293,32. Com o último reajuste, no dia 1º deste mês, o salário do fidalgo saltou para R$ 46.366,19, tornando-se o maior do país entre os governadores. Já o salário do vice passou de R$ 25.322,25 para R$ 39.411,26 agora em fevereiro, um reajuste acumulado de mais de 55,6%. Esta informação foi publicada no site Sergipense pelo jornalista André Carvalho. Home vôte!

Costurando a candidatura

O ex-prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), foi um entre tantas lideranças políticas que prestigiaram a festa de confraternização do presidente da Assembleia, deputado Jeferson Andrade (PSD). Pré-candidato ao Senado, o pedetista aproveitou o evento realizado em Nossa Senhora de Lourdes para “encontrar amigos, amigas, e diversas lideranças políticas do nosso estado, especialmente daquela região”. Nas redes sociais, Edvaldo postou várias fotos ao lado de políticos e escreveu que “é sempre uma grande felicidade estar ao lado do povo sergipano e receber esse carinho que renova a minha alma”. Então, tá!

Chapa dos sonhos

De um bebinho, numa bodega suja da periferia de Aracaju: “A chapa dos sonhos da oposição para 2026 é Thiago de Joaldo, governador; Belivaldo Chagas, vice; André Moura, senador; e Ícaro de Valmir, 1º suplente de senador”. Aff Maria!

INFONET

domingo, fevereiro 09, 2025

Observatório vai monitorar violência contra jornalistas

 Foto: Lula Marques/ Agência Brasil/Arquivo

Samira de Castro, presidente da Fenaji09 de fevereiro de 2025 | 09:17

Observatório vai monitorar violência contra jornalistas

brasil

O jornalismo ganhou uma ferramenta que, caso atinja seus objetivos, resultará em garantias para o bom exercício da profissão, em especial nas situações de violência contra aqueles que cumprem seu papel de informar.

Além de monitorar e criar um banco de dados de ocorrências desse tipo, o Observatório da Violência Contra Jornalistas servirá também de canal de diálogo entre profissionais da área e o Estado, visando, inclusive, a elaboração de políticas públicas específicas e apoio a investigações.

As diretrizes, composição, organização e funcionamento do observatório estão previstas na Portaria nº 116/2025, publicada esta semana pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, no Diário Oficial da União.

De acordo com a Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), órgão do MJ ao qual o observatório está vinculado, ele terá, entre seus objetivos, monitorar ocorrências, sugerir políticas públicas, apoiar investigações e criar um banco de dados com indicadores sobre os casos.

O observatório será composto por representantes de diversas secretarias da pasta, bem como por 15 membros da sociedade civil com atuação comprovada na defesa da liberdade de imprensa e no combate à violência contra comunicadores.

Fenaj

Entre as entidades que participaram dos debates visando sua criação está a Federação Nacional dos Jornalistas ( Fenaj). Segundo a presidente da entidade, Samira de Castro, a exemplo do Conselho Federal de Jornalistas, essa é também uma demanda antiga da categoria.

“Desde o primeiro momento, o observatório era demanda da sociedade civil ligada ao campo do jornalismo. A situação se agravou muito durante os quatro anos do governo Bolsonaro, culminando nos atos de 8 de janeiro. Foi quando levamos uma proposta inicial ao então ministro da Justiça Flávio Dino”, explica a presidente da Fenaj.

Segundo Samira de Castro, durante a gestão à frente do MJ, Flávio Dino deu início à estruturação do observatório. “No entanto, com a sua saída para o STF [Supremo Tribunal Federal], tivemos de partir as discussões praticamente do zero com a nova equipe ministerial”.

Entre as contribuições iniciais feitas pela sociedade civil, estão a elaboração do regimento interno do observatório e a composição de seu conselho.

Olhar do Estado

“A criação do observatório representa um olhar do Estado brasileiro sobre a garantia do direito humano que é o de acesso à informação. Nunca houve um mecanismo desse tipo, com olhar voltado especificamente não apenas para jornalistas, mas para comunicadores e pessoas que garantem direito de acesso à informação a suas comunidades”, explicou Samira à Agência Brasil.

A entrada do Estado nessa causa, segundo a jornalista, é um fato muito importante, inclusive para lidar com questões burocráticas da profissão, quando se torna necessário o enfrentamento à violência praticada contra jornalistas.

“Diversas entidades ligadas ao jornalismo, inclusive o Repórteres sem Fronteiras e a própria Fenaj, fazem acompanhamentos sobre a violência que é praticada contra jornalistas. Nossos relatórios, no entanto, não têm papel nem peso do Estado. Essa construção com a sociedade civil é um grande diferencial”.

Políticas públicas

Ela ressalta a possibilidade de, a partir das denúncias levadas ao observatório, se construir políticas públicas voltadas especificamente aos jornalistas, de forma a garantir que exerçam, da melhor forma, a profissão em suas especificidades.

Para Samira, é também importante para a proteção dos chamados comunicadores populares, que atuam em áreas não diretamente ligadas a direitos humanos, mas que também sofrem ameaças. “É o caso, por exemplo, de repórteres que cobrem políticas locais no interior do país. Antes, essa proteção estava restrita àqueles que trabalhavam diretamente na área de direitos humanos”.

De acordo com a dirigente da Fenaj, os grupos formados no âmbito do observatório ficarão atentos também “à confusão causada por influenciadores e os pseudojornalistas”, referindo-se a pessoas que, sem estudo adequado e sem diploma em jornalismo, reivindicam, para si, a profissão.

“Isso se intensificou após o STF considerar desnecessária a formação acadêmica em jornalismo. A Fenaj sempre defendeu a profissionalização, claro que dando atenção também aos comunicadores populares, quando produzem material próximo ao jornalismo, ajudando sua comunidade a ter acesso a informações relevantes”, acrescentou.

Para a Fenaj, a retirada da obrigatoriedade de diploma acadêmico para o exercício da profissão tem influência direta na banalização de uma atividade profissional necessária e estratégica para a sociedade.

Ela lembra que o próprio presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, tem declarado que o Brasil nunca precisou tanto de uma imprensa qualificada, e que essa constatação veio após o próprio STF ter retirado o critério mínimo para o exercício da profissão.

“Precisamos retomar essa discussão urgentemente, em meio a tantos perfis de redes sociais que se autointitulam jornalistas, emitindo a todo momento todo tipo de opiniões desqualificadas”, argumentou.

A presidente da Fenaj explica que, para atuarem no gênero opinativo, os jornalistas precisam estar minimamente embasados, ouvindo especialistas, não podendo se guiar pelo senso comum nem pelos achismos.

“Outros atores não se atêm nem mesmo à realidade do fato para emitir opinião. Opinam sem embasamento sobre questões que são importantes para a sociedade. Vidas podem ser colocadas em risco também por conta disso. Sem falar nas práticas criminosas cometidas por eles, quando pregam intolerância religiosa, racismo, LGBTfobia”, disse.

Fato jurídico

Diante desse cenário, a Fenaj tem buscado se aproximar dos ministros do STF, a fim de viabilizar um reposicionamento sobre a questão do diploma. “Na época em que a suprema corte tomou a decisão, não havia plataformas de redes sociais com tamanho alcance e influência. Esse é um fato novo que, por si, justifica a retomada e a revisão do julgamento”, argumentou.

“Vivemos atualmente um cenário extremamente contaminado onde praticam o que chamo de pseudojornalismo. O observatório terá critérios objetivos de atuação em relação a esse tipo de situação também, mas com base em referências da academia, que também vai compor grupos de trabalho do observatório”, acrescentou a dirigente referindo-se aos integrantes do observatório, que terá, em sua composição, conselheiros públicos, sociedade civil e por representantes de ministérios como Justiça, Direitos Humanos, Igualdade Racial e Mulheres.

Agência Brasil

Carro brasileiro volta a fazer sucesso na Argentina

 Foto: Manu Dias/GOVBA/Arquivo

A cada cinco carros vendidos na Argentina no ano passado, dois foram importados do Brasil09 de fevereiro de 2025 | 11:43

Carro brasileiro volta a fazer sucesso na Argentina

economia

As diferenças entre os governos do Brasil e da Argentina no campo político não trouxeram prejuízos para as montadoras de automóveis brasileiras, que encontraram um ambiente favorável, como há muito tempo não se via, para colocar seus produtos no país vizinho. As compras da Argentina estão salvando as exportações de veículos do Brasil, compensando a forte queda nos pedidos do México. A cada cinco carros vendidos na Argentina no ano passado, dois foram importados do Brasil.

No total, mais de 166 mil veículos foram exportados pelo Brasil ao mercado argentino em 2024, volume com o qual a indústria faturou US$ 2,58 bilhões. O volume exportado, além de superar em 50% o total de 2023, é o maior em quatro anos. Já o valor, 60% superior ao do ano anterior, corresponde ao maior faturamento desde 2018, quando o montante foi US$ 4,61 bilhões. Os dados foram extraídos do Comex Stat, o sistema de estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Mesmo longe de igualar o fluxo de um passado nem tão distante – em 2017, o volume de carros brasileiros que entraram no país foi três vezes maior -, as exportações ao parceiro do Mercosul foram suficientes para puxar uma reação que foi considerada pelas montadoras como uma grata surpresa. Da queda de 28,3% acumulada até junho, os embarques de veículos, na soma de todos os destinos, terminaram o ano passado com um recuo de apenas 1,3%, conforme números da Anfavea, a entidade que representa as montadoras de automóveis.

Das 398,5 mil unidades exportadas, 40% foram para a Argentina, que voltou a ser o principal destino dos veículos brasileiros no exterior, à frente do México, cujo recuo nas compras de 25% derrubou a sua participação para 24%.

As transformações em curso tanto na economia quanto na indústria argentina estão por trás desses números. A reversão do déficit comercial – no ano passado, as exportações do país superaram as importações em US$ 18,9 bilhões – mais os US$ 5,4 bilhões liberados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em dois acordos dentro do plano de estabilização do país ajudaram a diminuir o maior obstáculo no comércio com a Argentina: a escassez de dólares.

As reservas internacionais da Argentina, que estavam em US$ 21 bilhões antes de o presidente Javier Milei tomar posse, chegaram a ultrapassar os US$ 32 bilhões após um ano de governo. Na segunda-feira desta semana, último dado disponível, as reservas acumulavam US$ 29,5 bilhões.

Milei também eliminou duas causas de dor de cabeça para as empresas que fazem comércio com a Argentina. De um lado, logo no início do mandato, acabou com a exigência de licenças para a entrada de produtos importados no país, facilitando assim o comércio. De outro, deu fim, no final do ano passado, ao imposto sobre as operações de câmbio, que recaía inclusive sobre as compras de divisas para pagamento de produtos e serviços do exterior. Agora, o país busca com o FMI uma nova injeção nas reservas para eliminar as cotas de compra de dólares.

Por ora, o governo Milei não surtiu os mesmos efeitos nas demais indústrias que fornecem para a Argentina. Apesar do forte crescimento dos automóveis, principal produto vendido ao país, as exportações do Brasil para a Argentina caíram no ano passado 17,6%, para US$ 13,8 bilhões, quando se soma todos os produtos. Se desconsideradas da conta, as exportações de soja, que tiveram em 2023 um boom atípico por conta da quebra de safra na Argentina, essa queda é diminuída para 6,8%.

No caso das montadoras, porém, a resposta mais rápida às medidas de abertura comercial está relacionada à estratégia setorial de usar a capacidade instalada na Argentina, bem inferior à do Brasil, para a produção de carros maiores, como picapes e sedãs grandes. Já o Brasil, como parte desse sistema de complementação produtiva, fica encarregado de produzir os carros compactos, que têm maior volume e preços mais baixos.

“A Argentina se especializou em veículos maiores, já que não tem a capacidade de produção do Brasil. A indústria deles também é menos competitiva. Nesse sentido, a Argentina se especializou em segmentos de volume menor, e daqui importam carros de volume, com valor agregado normalmente menor”, explica o consultor Milad Kalume Neto.

Assim, os carros brasileiros, também contando com um câmbio mais competitivo, aproveitam em posição privilegiada a retomada engatada pelo mercado argentino no segundo semestre do ano passado (veja abaixo a participação dos veículos produzidos no Brasil).

“O mercado [na Argentina] teve realmente uma reação muito forte, e começa 2025 também muito forte”, comenta o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. “Apesar da queda na maioria dos demais países, as nossas exportações ficaram praticamente no ‘zero a zero’ em 2024. E isso foi graças à Argentina”, acrescenta.

Segundo o presidente da Anfavea, as compras de carros na Argentina, entre nacionais e importados, devem superar as 500 mil unidades em 2025, aproximadamente 100 mil a mais do que os volumes registrados nos últimos dois anos, quando o consumo ficou estacionado em pouco mais de 400 mil veículos.

De acordo com Federico Servideo, presidente da Câmara de Comércio Argentino Brasileira de São Paulo (Camarbra), o consumo está crescendo rápido porque houve um represamento no mercado. Com a disparada dos preços nos primeiros meses do governo Milei, o consumidor preferiu esperar e agora está voltando. “Durante o segundo semestre, o poder de compra dos argentinos começou a se recuperar. Também começou a aparecer mais crédito”, observa Servideo.

Ainda que tenha uma visão otimista sobre o crescimento das vendas no país, Marcio de Lima Leite, da Anfavea, pondera que a Argentina pode se tornar o próximo alvo de ataque dos carros elétricos chineses. A preocupação se deve à eliminação, a partir deste mês, do imposto de importação para até 50 mil veículos eletrificados com valor de nota fiscal no porto de até US$ 16 mil.

“Em função de instabilidades na política e na economia, e por ter um mercado de baixo volume, a Argentina não estava no foco dessas empresas [chinesas]. Mas, com o crescimento do mercado, e agora a redução das tarifas, vamos ter, sim, uma nova configuração. A tendência é de aumento das importações extrazona [fora do Mercosul] na Argentina”, comenta Leite.

Eduardo Laguna, Estadão ConteúdoPoliticaLivre

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Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Hevelin Agostinelli (@hevelin.agostinelli) Editorial – Só se atira ...

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