sexta-feira, novembro 08, 2024

Republicanos que querem barrar ministros do Supremo foram reeleitos


O ministro totalitário

Deputada Maria Salazar perguntou: “É um socialista ou um tolo?”

Sérgio Lima
Poder360

Os cinco congressistas do Partido Republicano dos Estados Unidos que haviam pedido a revogação do visto dos 11 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) em setembro deste ano foram reeleitos para um novo mandato no legislativo no legislativo norte-americano.

No pedido, endereçado ao secretário de Estado Antony Blinken, Alexandre de Moraes e os demais ministros do STF foram mencionados como “cúmplices de práticas antidemocráticas”.

SEM VISTOS – O projeto de lei apresentado pela deputada norte-americana Maria Salazar tem como proposta barrar a emissão de vistos para os EUA de autoridades que tenham “censurado” norte-americanos.

Os cinco congressistas republicanos que assinaram o pedido de veto do visto dos 11 ministros do STF são: senador Rick Scott (Flórida); deputada Maria Salazar (Flórida); deputado Carlos Giménez (Flórida); deputado Rich McCormick (Georgia); deputado Chris Smith (Nova Jersey).

Os republicanos expressam, no pedido direcionado a Blinken, uma “profunda preocupação quanto à supressão alarmante da liberdade de expressão orquestrada pela Suprema Corte brasileira sob a liderança do ministro Alexandre de Moraes”. Todos os 5 congressistas tiveram reeleição confirmada na eleição de 3ª feira (5.nov.2024).

SEGURANÇA NACIONAL – “É do interesse da segurança nacional dos EUA garantir que qualquer visitante no nosso país não busque ativamente erodir processos ou instituições democráticas. Moraes e seus pares do Supremo Tribunal Federal estão fazendo exatamente isso”, argumentaram os congressistas no projeto.

“Nós, respeitosamente, apelamos para que o senhor [Blinken] negue qualquer aplicação para vistos dos Estados Unidos ou admissão [entrada] nos EUA, incluindo a revogação de qualquer visto existente, no nome do ministro Alexandre de Moraes e de outros integrantes da Suprema Corte do Brasil cúmplices destas práticas antidemocráticas”, diz um trecho do pedido.

O projeto de lei, que leva o nome de “Sem censuradores nas nossas praias”, determina que qualquer estrangeiro que atue como agente de algum governo e que seja considerado responsável por ações que violem a 1ª Emenda da Constituição dos EUA, que estipula a liberdade de expressão, terá a permissão para entrar no país vetada.

SOCIALISTA OU TOLO – Em maio deste ano, a deputada Maria Salazar havia mencionado Alexandre de Moraes durante uma sessão da subcomissão de assuntos exteriores, referenciando-se ao ministro como “tolo“. Ela disse:

“Nós não sabemos se o ministro é um socialista, ou se ele é um tolo, ou se ele é um tolo útil para os socialistas. Mas sabemos que ele está cerceando um dos direitos fundamentais de uma democracia que é a liberdade de expressão”.

Na ocasião, a deputada exibiu aos jornalistas uma foto ampliada de Alexandre de Moraes.


quinta-feira, novembro 07, 2024

Trump reanima plano de um regime pós-liberal, com Partido Trabalhista


Trump tem ideias inebriantes, mas terá coragem de mudar?

Marcos Augusto Gonçalves
Folha

A categórica vitória de Donald Trump sobre sua rival democrata, Kamala Harris, poderá abrir as portas para uma mudança mais profunda nos EUA? Ou será que essa mudança, na verdade, já está inapelavelmente em curso?

Não se trata apenas do sempre citado impulso autocrático do eleito ou do sinistro Projeto 2025, com o qual Trump afirma ter divergências e não se sabe ao certo se e como será adotado.

POPULISMO – O que vale perguntar também é se não se projeta, das redefinições da sociedade e do eleitorado, alguma movimentação mais profunda com vistas a novos arranjos políticos e institucionais.

A segunda onda de Trump tem a oportunidade de abalar a configuração tradicional do establishment liberal democrático com repercussões na própria representação partidária, dando contornos mais definidos ao que pareceu a alguns ser um surto populista episódico, espontâneo e anárquico na vitória de 2016.

Vai nesse sentido a conhecida proposta de um “regime pós-liberal”, exposta em recente livro por Patrick Deneen (“Mudança de Regime – Rumo a um Futuro Pós-Liberal”), um influente interlocutor intelectual do senador JD Vance, agora vice-presidente eleito dos EUA e forte candidato a herdeiro do trono.

ENGENHARIA IMPROVÁVEL – Tal regime, que nasceria da inescapável crise do liberalismo, há pouco parecia não mais que uma engenharia política improvável, a reunir no mesmo edifício propostas que poderiam soar de esquerda e de direita.

Deneen é entusiasta, por exemplo, da formação de um partido de perfil trabalhista que atue para representar os interesses da classe trabalhadora –abandonada tanto pelas elites da direita clássica republicana quanto pelas progressistas, ligadas aos democratas, com suas variantes identitárias pós-modernas. Em contraste com o laissez-faire globalizante e a lógica do individualismo vencedor ou perdedor, uma dose de intervencionismo na economia faz parte da receita.

Ao mesmo tempo, o professor da Universidade Notre Dame prega um embasamento da vida social em círculos comunitários e entidades religiosas, dando ânimo a um sistema de apoios e solidariedade de pessoas e classes. É o que ele classifica como “conservadorismo do bem comum”.

FUTURO INCERTO – É claro que o regime pós-liberal de Deneen é uma abstração fácil de se colocar em pé num livro e difícil de se materializar na prática. Esse tipo de discussão, porém, não deixa de revelar que há algum método e formulação estratégica no mundo de Trump —que já controla, por exemplo, o Partido Republicano, hoje uma estrutura a seu serviço, com o consequente desalojamento de lideranças tradicionais da direita, muitas das quais se viram na circunstância de apoiar a candidata democrata. Para onde irão? O que esperar do futuro da velha sigla?

É verdade também que tudo isso pode terminar, por hipótese, num grande fiasco econômico e até mesmo em algum grave tropeço que motive um processo de impeachment – por ora fora de qualquer cogitação, dado o enorme capital político acumulado e a sólida maioria parlamentar conquistada. Ou mesmo numa retomada de terreno por parte dos democratas, caso reajam à altura do que está acontecendo.

Neste momento são especulações, mas o retorno triunfal de Trump, que captura a revolta contra as elites, não é um fato trivial na história americana.

Ilusão marca primeiras reações de Brasília ao triunfo de Trump

Publicado em 7 de novembro de 2024 por Tribuna da Internet

Trump no poder: Por que a vitória do republicano impacta o Bitcoin e as criptomoedas?

Por que a vitória de Trump impacta Bitcoin e criptomoedas?

Josias de Souza
do UOL

A vitória graúda de Donald Trump na sucessão presidencial dos Estados Unidos deixou o governo Lula zonzo. As primeiras manifestações de autoridades graduadas de Brasília destoaram da realidade. Foram tisnadas pela marca da ilusão.

O ministro Fernando Haddad (Fazenda) avaliou que “o dia amanheceu mais tenso”, pois Trump disse na campanha “coisas que causam apreensão no mundo inteiro.” Enxergou, porém, motivos para otimismo na primeira manifestação formal do eleito. “Já é um discurso mais moderado do que a campanha”, declarou.

Celso Amorim, o assessor internacional do Planalto, também soou otimista ao afirmar numa entrevista ao Valor que acha possível que Lula mantenha com Trump “uma relação normal”. Lembrou o pragmatismo que embalou o relacionamento de Lula nos seus dois primeiros mandatos com o então presidente americano George W. Bush.

PAPAI NOEL – A moderação que Haddad detectou no discurso inaugural do presidente eleito tem muita semelhança com Papai Noel.

Assim como o bom velhinho, um Trump moderado é ficção. Retornou à Casa Branca um criminoso condenado, já indiciado por tentar melar a eleição anterior e às voltas com inéditas pendências judicias.

O novo Trump é idêntico ao velho. Haddad talvez não tenha prestado atenção ao trecho do discurso em que o personagem disse coisas assim: “Os Estados Unidos nos deram um mandato poderoso e sem precedentes”. Ou assim: “Vou governar com um lema simples: promessas feitas, promessas mantidas.”

MAIS VINGANÇAS – No palanque, Trump prometeu vingar-se de opositores, livrar-se de servidores públicos incômodos, deportar milhões de imigrantes e fechar a economia dos Estados Unidos. Deixou claro que usará sua segunda Presidência como um meio para a realização dos seus fins autocráticos.

Submetido a essa plataforma distópica, o eleitor americano disse “sim”. Supor que Trump vai descumprir o que prometeu é um flerte com o ilusório. Sobretudo quando são levados em conta os flashbacks alucinantes da administração anterior, a maioria conquistada no Congresso e o salvo conduto já concedido em julho por uma Suprema Corte de viés conservador que deu ampla imunidade às ações de Trump na Presidência.

É verdade que Lula relacionou-se muito bem com Washington em seus mandatos anteriores. Mas Celso Amorim esqueceu de lembrar —ou lembrou de esquecer—que a diferença da conjuntura é abissal. George W. Bush era um presidente conservador que tinha apreço pela democracia. Trump é um político arcaico e antidemocrático.

FOI PULVERIZADO – Aquele Partido Republicano da era Bush não existe mais. Foi pulverizado por Trump.

Considerando-se o protocolo, Haddad e Amorim talvez não pudessem declarar em público nada além do que disseram. O próprio Lula, que na véspera tornara pública sua torcida por Kamala Harris, foi compelido pelas circunstâncias a parabenizar o eleito numa postagem nas redes sociais.

Lula anotou no seu post que o mundo precisa de “diálogo e trabalho conjunto”. Certo, muito certo, certíssimo. Mas ninguém ignora que a reviravolta americana jogou água no chope das duas principais ações do governo brasileiro na política externa.

COP30 E G20 – O negacionismo ambiental de Trump esvazia a COP30, que ocorrerá em Belem, no final do ano que vem.

Acertos da cúpula do G20, marcada para meados deste mês de novembro, tendem a ser solenemente desprezados por Trump.

Ignorar os fatos infelizmente não fará com que a nova realidade desapareça.

Trump ofereceu o caos, exigiu mais poderes e os americanos toparam


Trump no poder: Por que a vitória do republicano impacta o Bitcoin e as  criptomoedas?

Vitória de Trump impacta também o Bitcoin e as criptomoedas

Bruno Boghossian
Folha

No discurso de vitória, Donald Trump reivindicou “um mandato poderoso e sem precedentes”. Durante a campanha, o republicano pediu para voltar à Casa Branca com autoridade expandida. Explorou com destreza o rancor de setores abalados por transformações econômicas e sociais, prometendo ultrapassar os limites que fossem necessários para atendê-los.

Os americanos toparam fechar mais um negócio com o magnata. Os EUA deram a Trump uma eleição confortável até nos estados-pêndulo que haviam sido responsáveis por sua demissão em 2020. Ofereceram ao republicano uma maioria no Congresso para cumprir suas promessas mais perigosas.

MESMA ESTRATÉGIA – Trump voltou a capturar uma classe trabalhadora frustrada, desinteressada em esperar por uma mudança que os democratas não foram capazes de entregar, a despeito de bons números da economia.

O republicano reuniu um grupo mais diverso do que em sua primeira eleição, melhorando o desempenho entre eleitores latinos e homens negros.

Esses americanos puseram de lado os riscos e os efeitos do caos oferecidos por Trump. Eleitores que se sentem deixados para trás julgaram que a ideia de vingança era mais sedutora do que os apelos à identidade ou a direitos como o acesso ao aborto e a preservação de uma democracia que, na visão deles, não os atende.

NARCISISMO – Trump fará de tudo para tirar proveito desses sentimentos. Dará vazão ao próprio narcisismo para retaliar aqueles que o transformaram num criminoso condenado. Abusará de pendores autoritários para derrubar obstáculos que a democracia impõe.

Terá o prazer de manipular a raiva do eleitorado para atropelar consensos civilizatórios sobre o clima, as guerras, o comércio, o trabalho e a imigração.

A vitória coroa uma mutação que transferiu o controle da direita americana para as mãos da extrema direita trumpista. Num ciclo de oito anos, Trump liderou uma revolução que deu aos republicanos a preferência do eleitorado de baixa renda, sem que fosse preciso sair da cama dos bilionários fiéis que bancam seu plano de poder.

ECOS PELO MUNDO – A sobrevivência desse modelo político dos Estados Unidos terá ecos desastrosos em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Estabelecerá uma nova âncora para o negacionismo ambiental, a brutalidade social, as divisões políticas e as doutrinas anticientíficas, para ficar em alguns exemplos.

Para completar, Trump volta ao poder depois de tentar um golpe de Estado para desafiar de maneira escancarada a própria ideia de democracia.

Vitória de Trump significa derrota da esperança e da renovação americana

Publicado em 7 de novembro de 2024 por Tribuna da Internet

Retorno de Trump é um retrocesso para a agenda climática global

Pedro do Coutto

A vitória de Donald Trump por larga margem de votos foi sem dúvida a derrota da esperança e da renovação política aguardada por milhares de americanos que se identificam com a possibilidade de ruptura com a concentração de renda e lutam contra a inércia em relação às questões do meio ambiente, inconformados com as raízes do passado que pode se repetir em um novo mandato.

O retorno de Trump à Casa Branca deve representar um pesado retrocesso para a já abalada agenda climática global. Além dos efeitos negativos para as negociações de redução das emissões dos gases de efeito estufa, a expectativa de uma postura refratária nos Estados Unidos significa um duro golpe para as iniciativas internacionais de financiamento climático.

ACORDO –  Em seu primeiro mandato, em junho de 2017, o republicano retirou os EUA do Acordo de Paris, compromisso firmado em 2015 pela comunidade internacional para limitar o aquecimento global. O país foi reintegrado ao instrumento em 2021, após a posse de Joe Biden.

Ainda durante a campanha, Trump prometeu voltar a remover seu país do acordo. Grupos conservadores, no entanto, já vêm encorajando a futura administração republicana a ir ainda mais longe, abandonando completamente a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Com um longo histórico de disseminação de informações falsas ou equivocadas sobre as alterações climáticas, que já foram classificadas por ele de farsa, Trump também defende abertamente o avanço irrestrito dos combustíveis fósseis. Em seu primeiro mandato, o republicano desmantelou uma série de medidas de proteção ao ambiente, incluindo a revogação de mais de uma centena de regras ambientais.

EXPECTATIVAS – Além disso, é na promoção da concentração de renda que poderá advir com a sua nova gestão que morrem as expectativas de mudanças. Não é fácil enfrentar esse aspecto da questão, pois os interesses envolvidos são muito fortes e se acumulam através das décadas e até dos séculos. Trump seguirá pelo mesmo caminho.

A falta de saída para o desenvolvimento econômico e social está exatamente na incapacidade de se romper essa característica que separa a acumulação de capital de um esforço para se distribuir a renda de forma mais justa e mais humana.

Partindo do princípio de que só existe o capitalismo, seja ele estatal, misto ou particular, vemos passar os anos sem que se encontre uma saída para um dos problemas básicos da humanidade.

DERROTA DE HARRIS – Vemos assim um desastre contido na derrota de Kamala Harris que ao menos trazia a esperança de romper o círculo cristalizado contra os valores do trabalho humano e sua remuneração mais justa.

O drama intrínseco nesses aspectos está mergulhado nas decisões que se repetem de promessa em promessa. Vamos aguardar o governo Donald Trump, mas sem muitas esperanças de mudanças, pois essa escapou na derrota de Kamala Harris.

Teremos que esperar mais quatro anos para que se tente uma reforma capaz de fazer justiça social.


O que dizem os ministros do STF sobre terem seus vistos cancelados


Câmara pode ouvir deputada americana que quer cancelar visto de Moraes -  Agora Notícias Brasil

Deputados querem cassar o visto de Alexandre de Mors

Por Bela Megale
O Globo

Integrantes da família Bolsonaro garantem a aliados que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em especial, Alexandre de Moraes, terão os vistos que permitem a entrada nos Estados Unidos cassados, em nova gestão de Donald Trump. Os magistrados, no entanto, não veem chance disso acontecer.

Integrantes do STF avaliam que, com a vitória do republicano, nem esta e nem outras medidas de retaliação defendidas pelos bolsonaristas sobre a corte serão tomadas.

SOLICITAÇÃO – Em setembro, cinco congressistas americanos solicitaram formalmente ao secretário de Estado, Antony Blinken, a cassação dos vistos do ministro Moraes, do STF. Um dos argumentos foi a suspensão da rede X, após a plataforma descumprir ordens judiciais do Brasil.

A medida não prosperou no governo Joe Biden e a esperança do clã Bolsonaro é que ela avance num eventual governo Trump. Caso Kamala Harris tivesse vencido, os integrantes da família do ex-presidente descartam qualquer sanção contra os magistrados do STF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – São apenas suposições. Sem bases reais, concretas, sólidas. (C.N.)

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