terça-feira, fevereiro 06, 2024

Ministro de Lula e a mulher flagrados num esquema de corrupção no Piauí


Rejane e Wellington Dias se reúnem com prefeitos para tratar de obras - Política

Wellington e Rejane, dois petistas mestres em corrupção

Hugo Marques
Veja

No fim do ano passado, uma reportagem de VEJA revelou que a conselheira do Tribunal de Contas do Piauí, Rejane Dias, esposa do ministro do Desenvolvimento Social, o petista Wellington Dias, havia sido denunciada por corrupção passiva numa ação que tramita em sigilo no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso envolve locadoras de carros, contratos superfaturados e pagamento de propina.

Segundo o Ministério Público, entre 2015 e 2018, Rejane exercia o cargo de secretária de Educação do Piauí, o marido era o governador do estado e, nesse período, ela teria recebido vantagens financeiras de uma empresa que prestava serviços de transporte para alunos carentes.

MINISTRO ENLAMEADO – Essa acusação, por si só, já seria motivo de constrangimento para o ministro encarregado de cuidar do principal programa social do governo e gerir um orçamento de 280 bilhões de reais. Veja agora teve acesso à íntegra do processo.

Os detalhes da investigação, que ainda é mantida em segredo, são ainda mais constrangedores. Além da esposa, a Polícia Federal colheu evidências de que a filha do ministro, o cunhado do ministro e o próprio ministro estão envolvidos na trama.

Em 979 páginas, a PF e o Ministério Público descrevem o que seria uma parceria criminosa entre o governo do Piauí e as empresas prestadoras de serviço. O enredo é típico. Governantes beneficiam amigos, correligionários e financiadores de campanha com contratos públicos.

HORA DA PARTILHA – Os lucros, depois, são repartidos. A parte dos políticos retorna em forma de pagamento de propina ou através de contribuições clandestinas para campanhas eleitorais.

No caso do Piauí, os agentes identificaram as duas modalidades de distribuição de dividendos. A montagem do esquema, segundo os investigadores, começou em 2008, quando o governador nomeou o professor Luiz Carlos Magno para ocupar a superintendência institucional da Secretaria de Educação.

O cargo tinha entre as atribuições interagir com as prefeituras para estruturar da melhor forma possível o transporte de estudantes das escolas públicas. O professor, então um ativo militante do PT, se revelaria um verdadeiro mestre na nova atividade.

USANDO LARANJAS – Com a expertise adquirida no governo, em 2009, no fim do mandato de Wellington Dias, Luiz Carlos pediu demissão, abriu mão do salário de 2 500 reais e ingressou como sócio em várias empresas de locação de veículos, usando “laranjas” para ocultar sua participação nos negócios.

A vida de empresário começou a dar bons resultados, mas o grande salto ainda estava por vir. Em 2014, Dias exercia o mandato de senador e se preparava para voltar ao governo do Piauí.

A esposa dele era deputada estadual (PT) e concorria a uma cadeira no Congresso Nacional. Ambos foram bem-sucedidos. Ambos, não por coincidência, usaram em suas campanhas os serviços de uma das empresas do ex-­professor. Ambos, segundo a polícia, lançaram mão de uma mesma artimanha.

TUDO NORMAL? – Na prestação de contas à Justiça Eleitoral, Wellington Dias informou que gastou 115 000 reais em aluguel de veículos para o seu comitê. Rejane gastou um pouco menos, 82 000. Tudo aparentemente normal, acompanhado das respectivas notas fiscais — mas só aparentemente, como se descobriria depois.

Em 2015, Wellington Dias reassumiu o governo do Piauí. A esposa, deputada federal eleita, se licenciou do Congresso para assumir a Secretaria de Educação do estado. Foi nesse período que, segundo a PF, o esquema começou a operar a todo vapor.

Na Secretaria de Educação, concorrências manipuladas garantiam o sucesso das empresas do ex-professor, que, nos anos seguintes, faturaram 200 milhões de reais. Os valores dos contratos e a boa vida dos novos ricos chamaram a atenção das autoridades.

SUPERFATURAMENTO – Uma fiscalização da Controladoria-­Geral da União detectou indícios de superfaturamento. A Polícia Federal foi então acionada, começou a investigar e acabou puxando o fio da tramoia que resultou na denúncia de mais de quarenta pessoas por organização criminosa, corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.

Ficou demonstrado que os empresários combinavam preços, contavam com a conivência de funcionários da Secretaria de Educação para fraudar as licitações e partilhavam os lucros.

Calcula-se que os desvios nesse setor do governo do Paiuí, um estado pobre, totalizaram 120 milhões de reais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Matéria constrangedora, enviada por Armando Gama, mostra que Lula colocou um casal de raposas para tomar conta do galinheiro das famílias pobres do país. Se fosse no governo Itamar Franco, o ministro já estaria demitido. Como dizia Tom Jobim, é a lama, é a lama, e a lama. (C.N.)

Nota da redação deste Blog - Com as devidas proporções, qualquer semelhança com o que vem acontecendo em Jeremoabo será mera concidência, só que em Jeremoabo é peixe pequeno, mais fácil de ser fisgado.

Advogado elogia o Ministério Público Federal por ter inocentado Anderson Torres

Publicado em 5 de fevereiro de 2024 por Tribuna da Internet

Anderson Torres – CartaCapital

Torres foi preso na noite de 8 de janeiro e agora é inocentado

Hugo Marques
Veja

O advogado Eumar Novacki, que defende o delegado federal Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, comemorou a vitória que teve esta semana, quando o Ministério Público Federal arquivou o inquérito civil que apurava o envolvimento do ex-ministro nos atos de 8 de Janeiro, ocasião em que vândalos invadiram e depredaram as sedes do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal e do Congresso.

Em entrevista à Veja, o advogado espera que a decisão produza desdobramentos também no inquérito criminal que ainda tramita na justiça, defende uma punição rigorosa para os vândalos e todos envolvidos nos ataques e reafirma que o ex-ministro é inocente:

Como o sr. recebeu a decisão do MPF de arquivar o inquérito civil contra o ex-ministro Anderson Torres?
Com serenidade, respeito e humildade. A decisão de arquivamento desse inquérito foi técnica e demonstra a independência funcional do Ministério Público Federal, cuja missão principal deve ser a busca da verdade e da justiça. Nunca fiz juízo de valor sobre posicionamentos do Ministério Público e não farei isso agora. Apenas reconheço que o órgão cumpriu seu dever ao atuar de forma técnica e isenta, o que é imprescindível no Estado Democrático de Direito.

O MPF analisou todas as provas contra o ex-ministro Anderson Torres?
Percebe-se claramente que a manifestação elaborada pelo procurador da República é resultado de um estudo minucioso do caso, no qual foram observados todos os aspectos relevantes. Ele destaca os elementos colhidos até então, nas diversas fontes de investigações, e conclui que Anderson Torres nada tem a ver com os lamentáveis atos de 8 de janeiro.

Qual tem sido a estratégia da defesa?
Trabalhar com a verdade, de forma técnica, respeitando e cooperando com todos os atores envolvidos, sejam magistrados, procuradores, policiais ou servidores da Justiça. Evitamos a todo custo a politização do tema. Procuramos nos manifestar apenas nos autos e posicionar a imprensa por notas oficiais. Entrevistas para imprensa são excepcionalidades.

Como o ex-ministro Anderson Torres recebeu a decisão?
Com emoção e certo alívio. Ele acredita que a verdade irá prevalecer e, ao final, provará sua inocência. Está consciente de que estamos dando um passo de cada vez. Ele sempre cooperará com a Justiça, pois é o maior interessado na apuração célere do ocorrido.

Anderson Torres continua com medidas cautelares? 
Sim, ele continua cumprindo com muito zelo as determinações judiciais. Penso que, apesar de complexa, a investigação caminha para o desfecho. Nossa postura cooperativa tem permitido o esclarecimento dos fatos e a juntada de documentos que ajudam a entender o que ocorreu. Temos que passar a limpo esse triste capítulo da história do Brasil e que os verdadeiros responsáveis sejam punidos exemplarmente.

O senhor acredita que esse arquivamento vai ter reflexos no inquérito penal?
A decisão é bastante significativa e vamos juntá-la no inquérito penal. O inquérito civil avaliou várias provas colhidas até então, inclusive de outras apurações, como, por exemplo, do inquérito penal, da CPMI do Congresso, do Processo Administrativo Disciplinar em curso, e apresentou relatório fundamentado que isenta o ex-ministro de ter contribuído de qualquer modo, com os atos de vandalismo do dia 08 de Janeiro. O inquérito penal busca esclarecer os mesmos fatos sob a ótica criminal, e responsabilizar quem realmente cometeu crimes. Portanto, penso que ajudará na formação da convicção.

Houve exagero nas prisões?
Diante da situação de extrema gravidade e violência, era necessária uma medida enérgica. A resposta veio do STF, que agiu rapidamente para conter os ímpetos criminosos. Foram cenas revoltantes e, acertadamente, foi demonstrado que não mais se admitirá atos de vandalismo que atentem contra a democracia e suas instituições. A atuação do Supremo merece o devido reconhecimento. O Supremo agiu com a energia necessária que o momento exigia. Passado o calor do momento, faz-se necessário individualizar as condutas e responsabilizar quem realmente deu causa àquele lamentável episódio.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Repare que no final da entrevista o advogado se vê obrigado a elogiar o Supremo, porque o tribunal ainda vai julgar criminalmente o ex-ministro Anderson Torres, caso o Ministério Público divirja do parecer do processo administrativo disciplinar e/ou o ministro Alexandre Moraes insista em condená-lo sem provas, algo que está em moda do Supremo, nos julgamentos dos réus do 8 de Janeiro. O fato concreto é que Moraes já “condenou” Torres sem provas, pois o jogou na prisão por quatro meses e até hoje o obriga a usar a tornozeleira eletrônica. Mas quem se interessa? (C.N.)

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No Brasil, defende-se a corrupção como se fosse importante vetor do desenvolvimento

Publicado em 6 de fevereiro de 2024 por Tribuna da Internet

Tribuna da Internet | Toffoli, o “Amigo do Amigo”, suspende multa  bilionária que Odebrecht se ofereceu a pagar

Charge do Kácio (metrópoles)

Duarte Bertolini

Impressionante! O servilismo ideológico secular nunca sofre qualquer abalo ou crise de consciência. Nada como ser ungido pelo poder mágico e inebriante do socialismo igualitário utópico, algo nunca realizado, mas que justifica todo e qualquer meio para alcançá-lo.

Vamos lá, que diferença faz um bilhão a mais ou um bilhão a menos, se sempre teremos quem nos defenda ardorosamente?

CUNHO DESENVOLVIMENTISTA – Para os analistas da esquerda, a corrupção tem até cunho desenvolvimentista. A seu ver, realmente o que teria quebrado o Brasil foi a menor corrupção verificada de 2016 para cá e não os desastrosos governos seguidos, principalmente de Dilma Rousseff, que cometeu a idiotice de “maquiar” as contas públicas para apagar o fracassado desenvolvimento corrupto/sustentável de Lula, seu criador e mentor.

O que aflora, na política do Brasil real, como grande objetivo de políticos e empresários e sua única razão de viver, é ”se dar bem”, seja qual for o método ou associação.

CRITICAR É PERIGOSO – Qualquer um que se mostre disposto a denunciar essa promiscuidade que atinge a política, o empresariado e as instituições, tentando combater essa combinação sinistra, será vítima de acusações ardilosas em atos sucessivos.

Primeiro, ignorar. Se não der certo, apontar fragilidade das denúncias. Depois, ridicularizá-las, e tudo isso usando os amigos de sempre da imprensa amestrada, para destruir a imagem pública do denunciante ou da autoridade que realmente pretenda combater a corrupção.

Ao mesmo tempo, a classe política, sempre zelosa das instituições democráticas, entra em cena com suas narrativas e seus discursos enviesados, obviamente amplificados pela mídia vigilante. E se não for suficiente, sempre haverá o recurso da moralizadora CPI.

ESPADA DA JUSTIÇA – Por fim, se tudo falhar, a espada da justiça então entrará em cena, sem escrúpulos, para atingir todos os que ousaram desafiar o sistema, mesmo que sejam membros inatacáveis da própria justiça, como já aconteceu com Deltan Dallagnol e está prestes a acontecer com Sérgio Moro.

E o povo? Ora, o público assistirá inerte, pois a grande maioria precisa lutar pela sobrevivência e não tem preparo suficiente para entender a profundidade desse xadrez político que a mídia arma à sua frente.

Este é o retrato atual da moral e da ética de nosso país. Para haver desenvolvimento, tem de existir corrupção. Assim, por que não voltarmos a Adhemar de Barros e Paulo Maluf, mestres do “rouba mas faz”? Ah, não pode, porque eles são ladrões de direita…


Após essa “anistia à corrupção” no Brasil, logo teremos de “indenizar” os corruptos

Publicado em 6 de fevereiro de 2024 por Tribuna da Internet

Charge: Brasil piora no “ranking da corrupção” - Blog do AFTM

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Eduardo Affonso
O Globo.

Causou espanto ao senador Flávio Dino, iminente ministro do Supremo, o rebaixamento do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), elaborado pela Transparência Internacional. Depois de qualificar o relatório como “atípico e anômalo”, com “afirmações exóticas”, Dino incorporou o estilo da saudosa mulher sapiens, hoje presidenta do banco do Brics, Dilma Rousseff:

— O que mudou é que nós pusemos fim à política de espetacularização do combate à corrupção, que é uma forma de corrupção. Quem usa corrupção como forma de combate à corrupção, como bandeira política, é tão corrupto quanto o corrupto.

COISA DE LOUCO – Só com essa declaração escalafobética, o Brasil deve ter galgado 10 postos no Índice de Corrupção da Diversidade Vocabular. Dino talvez tenha tentado dizer que lutar contra a corrupção pode corromper — uma indireta para seu antecessor, o ex-juiz, ex-ministro da Justiça e temporariamente senador Sergio Moro. Ou seja: combatamos o crime organizado, mas com moderação. Muita moderação.

Seu futuro colega, o ministro Gilmar Mendes foi mais ponderado: “Um índice baseado em percepções precisa ser visto com cautela. A questão exige exame mais aprofundado, a fim de evitar conclusões precipitadas”.

Quem se precipitou — ladeira abaixo — foi o Brasil, cuja cotação no mercado da honestidade ainda não chegou às profundezas (continua acima de países como Paraguai, Rússia, Irã, Sudão, Haiti, Coreia do Norte, Nicarágua, Venezuela). Mas tem de melhorar para atingir o mesmo patamar de modelos de governança como Cuba, Cazaquistão, Albânia, Belarus, Burkina Faso e Etiópia.

LIBERANDO GERAL – O desmantelamento dos mecanismos de transparência e compliance começou no governo Bolsonaro e ganhou fôlego sob Lula 3. Coincidentemente (ou não), o que afeta a percepção de que uma das nossas mais caras tradições — a impunidade — voltou com tudo é a postura do Supremo Tribunal Federal (com destaque para os juízes indicados por Lula).

Foi Ricardo Lewandowski quem, monocraticamente, suspendeu as restrições à indicação de políticos para assumir cargos de direção em empresas públicas — abrindo a porteira para o aparelhamento das estatais.

Foi Dias Toffoli quem sustou os pagamentos de acordos de leniência firmados com a J&F (R$ 10,3 bi) e a Odebrecht (R$ 3,8 bi) — isso enquanto o governo, para aumentar a arrecadação, taxa as blusinhas da Shein. E a nomeação de Cristiano Zanin sugere a intenção de seguir deixando passar a boiada.

INDENIZAR OS CORRUPTOS – Nesse ritmo, depois da anistia ampla, geral e irrestrita aos corruptos, não será surpresa se o contribuinte se vir obrigado a arcar com a indenização, por danos morais e materiais, às empresas envolvidas nos escândalos investigados no âmbito da finada Operação Lava-Jato.

Mas só os contribuintes brasileiros, porque dificilmente Estados Unidos, México, Peru, Colômbia e a penca de outros países aonde chegaram os tentáculos da nossa macrocorrupção farão essa desfeita a seus cidadãos.

Sendo os eminentes ministros do STF guardiães dos preceitos constitucionais, convém lembrar que não apenas os golpes de Estado ameaçam a democracia. A corrupção a corrói por dentro, silente e insidiosa. Sem a espetacularização dos vidros quebrados, telas rasgadas e relógios partidos.

“Não permita Deus que eu morra sem que eu volte para lá”, rogava Gonçalves Dias


Textos E Contextos - Canção do Tamoio (Gonçalves Dias) I Não chores, meu filho; Não chores, que a vida É luta renhida: Viver é lutar. A vida é combate, Que os fracosPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, jornalista, etnógrafo, teatrólogo e poeta romântico maranhense Antônio Gonçalves Dias (1823-1864) é o maior fenômeno de intertextualidade da cultura brasileira.

A “Canção do Exílio” escrita em 1843, em Coimbra, onde o poeta estudava, transformou-se num ícone múltiplo. Representa, antes de tudo, a saudade e a idealização da terra natal, um sentimento universal e sem idade. Além disso, tornou-se a expressão do nacionalismo num país que acabara de conquistar sua independência política.

Canto singelo de louvor à pátria, é o poema mais citado na literatura e na música popular brasileira. De quebra, trouxe para nosso imaginário a figura do sabiá, pássaro também identificado com a nação brasileira. Gonçalves Dias já o via como uma referência mítica, além do substantivo comum. Tanto que escreve o sabiá com inicial maiúscula.

CANÇÃO DO EXÍLIO
Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso Céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossas vidas mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá

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Suplicy desenterra as propinas mensais que Joesley, da JBS, entregava a Marta

Publicado em 6 de fevereiro de 2024 por Tribuna da Internet

Suplicy diz que o caso é grave e precisa ser esclarecido

Mônica Bergamo

O deputado estadual Eduardo Suplicy (PT) foi nesta segunda-feira (5) à sede da JBS, em São Paulo, para conversar com o empresário Joesley Batista sobre declarações dele de que deu uma mesada de R$ 200 mil a Marta Suplicy (PT). O pagamento à então senadora, indicada por Lula (PT) para ser vice na chapa de Guilherme Boulos (PSOL) a prefeito neste ano, teria sido feito entre 2015 e 2016.

A revelação foi feita por Joesley em maio de 2017, quando o empresário prestou uma série de depoimentos a procuradores do Ministério Público Federal (MPF). Na época, ele tinha firmado acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

MESADA VULTOSA – “Ela [Marta Suplicy] me pediu se eu pudesse dar uma mensalidade lá para ela. E aí foi pago mensalmente R$ 200 mil, durante um bom período”, relatou Joesley aos procuradores, dizendo que antes já tinha dado R$ 1 milhão para a campanha dela.

O empresário Márcio Toledo, atual marido de Marta, seria o responsável por retirar os recursos em espécie no escritório da JBS, segundo disse Joesley no depoimento.

Suplicy decidiu tirar a história a limpo porque Marta será indicada candidata a vice na chapa de Guilherme Boulos, e ele diz acreditar que as informações devem ser esclarecidas ainda antes de a campanha começar. Ele diz que também conversou recentemente com Marta sobre o assunto. “Ela me disse que não eram verdadeiras as informações dadas por ele [Joesley]”, afirma o parlamentar.

MELHOR APURADO – Suplicy, no entanto, afirma que o episódio “deve ainda ser melhor apurado”. Por isso ele procurou Joesley Batista. “Eu acho que é importante esclarecer. Nada como descobrir a verdade, não é? Uma das coisas que mais são importantes para mim é descobrir a verdade”, segue o petista.

Ao chegar à empresa J&F, no entanto, o petista foi recebido por outra pessoa, o advogado Francisco de Assis e Silva. Ele auxiliou Joesley na delação, em 2017, e é pessoa de absoluta confiança do empresário.

Segundo Suplicy, o advogado afirmou que Joesley não poderia conversar com o petista porque o assunto ainda corre em segredo de Justiça. Há uma expectativa da empresa, ainda segundo o petista, de que a Justiça decida que não houve qualquer irregularidade no pagamento da mesada.

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LEMBRE O QUE JOESLEY DISSE EM DEPOIMENTO

O depoimento de Joesley, divulgado em vídeo, foi tomado por procuradores no dia 3 de maio de 2017. O anexo da delação se chamava “Marta Suplicy”.

“A Marta, eu conheço ela bem. Nunca teve nenhum ato de ofício com ela. Eu nunca pedi nada para ela e ela nunca pediu nada para mim”, começou Joesley.  “Ela me foi apresentada pelo [ex-ministro da Fazenda] Antonio Palocci na campanha [presidencial] de 2010. Ele estava assessorando a Dilma, e um dia ele disse: ‘A Marta é candidata ao Senado. Ficou sabendo que eu te conheço, pediu se eu não podia apresentá-la'”.

“Ele simplesmente me conectou com ela. Eu fui no escritório dela. Ela pediu R$ 1 milhão de apoio à campanha. Eu disse: ‘Ok’. E fizemos a contribuição de R$ 1 milhão”, seguiu o empresário. A metade, R$ 500 mil, teria sido dada à candidata “em dinheiro”, disse ainda Joesley.

FICARAM AMIGOS – “Eu fiquei amigo da Marta, convivi com ela, com o marido [Márcio Toledo] esse tempo todo”. Em 2015, afirmou ainda o empresário, “ela ia se candidatar a prefeita. Ela me pediu se eu pudesse dar uma mensalidade lá para ela. E aí foi pago mensalmente R$ 200 mil, durante um bom período”.

“Nós não temos nada a ver com prefeitura”, seguiu Joesley. Segundo ele, ainda assim houve “muita insistência” dela e do marido, Márcio Toledo, para que ele contribuísse financeiramente. “Até me afastei um pouco dela, do casal.”

“Os R$ 200 mil nós demos pelo fato de ela ser senadora, enfim.”

15 PARCELAS – Os promotores, então, perguntam quanto tempo durou a mesada. “Foram umas 15 parcelas, um ano e pouco”, respondeu o empresário. Joesley então afirma: “Até quando nós desistimos. ‘Vamos parar com isso’.”

Ele disse ainda que o marido de Marta, Márcio Toledo, pegava direto com um funcionário da JBS. Os procuradores perguntaram se Marta reclamou quando o pagamento foi suspenso. “Ah, muito”, respondeu Joesley.

“Eu acho que ela acreditava muito que eu ia financiar a campanha dela de prefeita. Mas, enfim, não tinha nenhuma lógica, né?”, finalizou o dono da JBS.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A excelente matéria, enviada por José Guilherme Schossland, mostra a que ponto chegou a política brasileira, em que a propina é considerada normal, o achacado e a achacadora não são punidos, tudo continua nesse esquema de novo normal, num país verdadeiramente desmoralizado. Só não escapa de punição quem tentou combater essa epidemia de corrupção, como Dallagnol e Moro. Ah. Brasil…  (C.N.)


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