domingo, fevereiro 04, 2024

Tire as principais dúvidas sobre a vacinação contra dengue

 Foto: Tomaz Silva/Arquivo/Agência Brasil

O esquema completo da Qdenga é composto por duas doses04 de fevereiro de 2024 | 09:18

Tire as principais dúvidas sobre a vacinação contra dengue

BRASIL

A vacina Qdenga, do laboratório japonês Takeda, teve seu registro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2023. O processo permite a comercialização do produto no Brasil, desde que mantidas as condições aprovadas. Em dezembro, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação do insumo no Sistema Único de Saúde (SUS).

Na próxima semana, as doses começam a ser distribuídas a 521 municípios selecionados pelo Ministério da Saúde para iniciar a vacinação na rede pública. As cidades compõem um total de 37 regiões de saúde que, segundo a pasta, são consideradas endêmicas para a doença. Serão vacinadas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos de idade, faixa etária que concentra maior número de hospitalizações por dengue, atrás apenas dos idosos.

Confira algumas das principais perguntas e respostas sobre a vacinação com a Qdenga no país:

Quando começa a vacinação contra a dengue no SUS?

A previsão é que as doses comecem a ser distribuídas aos 521 municípios na próxima semana. Segundo o ministério, as cidades têm liberdade para dar início à vacinação assim que as doses começarem a chegar. A organização das campanhas, incluindo datas, horários e pontos de vacinação, portanto, ficará a cargo dos governos estaduais e municipais. Será preciso conferir o cronograma com as prefeituras e as secretarias estaduais e municipais de saúde.

Quem pode tomar a vacina pelo SUS?

Apesar de a bula da Qdenga indicar o imunizante para pessoas com idade entre 4 e 60 anos, o ministério anunciou que, no SUS, o público-alvo, neste primeiro momento, vai incluir apenas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, grupo que concentra maior número de hospitalizações por dengue, atrás apenas dos idosos. A decisão foi tomada em razão da quantidade limitada de doses a serem fornecidas pelo laboratório fabricante.

Não estou entre o público prioritário. Como faço para tomar a vacina?

Quem está fora da faixa etária classificada como prioritária pela pasta deve procurar a vacina na rede particular. Neste caso, é preciso ficar atento, já que há dois imunizantes distintos no mercado: a Qdenga e a Dengvaxia, do laboratório francês Sanofi. A segunda opção, entretanto, é indicada para a faixa etária de 6 a 45 anos e recomendada somente para pessoas que já foram previamente infectadas pela dengue.

Qual o preço da vacina no sistema particular?

O preço praticado em laboratórios e farmácias particulares flutuou bastante ao longo dos últimos 11 meses. Quem tomou a dose assim que a Qdenga foi aprovada pela Anvisa pagou mais barato. Quem buscou a imunização após a explosão de casos no país teve de se planejar melhor. Os valores, atualmente, giram em torno de R$ 400 cada dose, sendo que o combo com duas doses (esquema completo) sai mais em conta.

Gestantes e lactantes podem tomar a vacina?

A Qdenga é contraindicada para gestantes e lactantes e, portanto, não pode ser administrada nem na rede pública, nem na privada. A dose também não é indicada para pessoas com imunodeficiências primárias ou adquiridas e indivíduos que tiveram reação de hipersensibilidade à dose anterior. Mulheres em idade fértil e que pretendem engravidar devem usar métodos contraceptivos por um período de 30 dias após a vacinação.

Porque a vacina não é indicada para pessoas com mais de 60 anos?

Pessoas com mais de 60 anos não têm indicação para receber a dose em razão da ausência de estudos clínicos. Apesar disso, a Agência Europeia de Medicamentos e a Administración Nacional de Medicamentos, Alimentos y Tecnología Médica, agência regulatória argentina, aprovaram o uso de Qdenga a partir dos 4 anos sem limite superior de idade, considerando potenciais benefícios no grupo, mais suscetível às formas graves da doença.

“Assim, a recomendação para indivíduos com mais de 60 anos deve ser encarada como uma indicação off label, a critério médico, respaldada pela aprovação por outras agências regulatórias, mas sem dados que atestem a segurança e a eficácia”, detalhou a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim).

A vacina também protege contra o Zika e o Chikungunya?

A Qdenga previne exclusivamente casos de dengue e não protege contra outros tipos de arboviroses, como Zika, Chikungunya e febre amarela. Vale lembrar que, para a febre amarela, no Brasil, estão disponíveis duas vacinas: uma produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), utilizada pela rede pública, e outra produzida pela Sanofi, utilizada pelos serviços privados de imunização e, eventualmente, pela rede pública.

Quantas doses e com que intervalo deve ser aplicada a vacina?

O esquema completo da Qdenga é composto por duas doses, a serem administradas por via subcutânea com intervalo de 3 meses entre elas. Quem já teve dengue também deve tomar a dose. A recomendação, nesses casos, é especialmente indicada por conta da melhor resposta imune à vacina e também por ser uma população classificada como de maior risco para dengue grave.

Para quem apresentou a infecção recentemente, a orientação é aguardar 6 meses para receber o imunizante. Já quem for diagnosticado com a doença no intervalo entre as duas doses deve manter o esquema vacinal, desde que o prazo não seja inferior a 30 dias em relação ao início dos sintomas.

A vacina contra a dengue passou por testes?

A Qdenga demonstrou ser eficaz contra a dengue tipo 1 em 69,8% dos casos; contra a dengue tipo 2, em 95,1%; e contra a dengue tipo 3, em 48,9%. Já a eficácia contra a dengue tipo 4 não pôde ser avaliada devido ao número insuficiente de casos causados pelo sorotipo durante o estudo. Também houve eficácia contra hospitalizações por dengue, com proteção geral de 84,1% e estimativas semelhantes entre soropositivos (85,9%) e soronegativos (79,3%).

Quantas e quais são as vacinas contra a dengue aprovadas para uso no Brasil?

A Qdenga é a primeira vacina contra a dengue aprovada no Brasil para um público mais amplo, já que o imunizante aprovado anteriormente, Dengvaxia, do laboratório francês Sanofi-Pasteur, só pode ser utilizado por quem já teve dengue. A Dengvaxia não foi incorporada ao SUS e é contraindicada para indivíduos que nunca tiveram contato com o vírus da dengue em razão de maior risco de desenvolver quadros graves da doença.

Há estudos para a produção de uma vacina brasileira contra a dengue?

Maior produtor de vacinas e soros da América Latina e principal produtor de imunobiológicos do Brasil, o Instituto Butantan está em fase final de desenvolvimento de uma nova vacina contra a dengue. Assim como a Qdenga, o imunizante do Butantan é tetravalente e, portanto, protege contra os quatro subtipos do vírus, mas conta com um diferencial: será administrado em dose única, contra as duas doses necessárias da Qdenga. A previsão é que o instituto entre com o pedido de registro junto à Anvisa ainda este ano.

Paula Laboissière/Agência BrasilPoliticaLivre

Bolsonaro volta a atacar STF e vacinas da covid-19 em entrevista a influencer português

 Foto: Isac Nóbrega/Arquivo/PR

O ex-presidente Jair Bolsonaro04 de fevereiro de 2024 | 15:28

Bolsonaro volta a atacar STF e vacinas da covid-19 em entrevista a influencer português

BRASIL

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a atacar a Justiça Eleitoral do País neste sábado, 3. Em entrevista ao influenciador português Sérgio Tavares, Bolsonaro chegou a dizer que o Supremo Tribunal Federal (STF) trabalhou com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em “uma gestão para eleger Lula a qualquer preço”. “Ninguém consegue entender como Lula da Silva venceu as eleições”, afirmou Bolsonaro sobre o pleito de 2022.

Além de insinuar fraude na disputa eleitoral, o ex-presidente insistiu na teoria conspiratória e não comprovada em inquérito de que havia “infiltrados” no ataque aos Três Poderes em 8 de Janeiro de 2023 e voltou a espalhar desinformação sobre a pandemia de covid-19, reiterando posicionamentos anteriores em defesa do “tratamento precoce” e um ceticismo em relação às vacinas contra a doença.

Bolsonaro também comentou sobre a operação de busca e apreensão nos endereços ligados a Carlos Bolsonaro (Republicanos), vereador do Rio de Janeiro. O filho do ex-presidente é investigado pela Polícia Federal (PF) pela suspeita de monitorar inimigos políticos por meio de um aparato paralelo de informações instalado na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

“São falas bastante preocupantes no sentido de gerar desinformação”, afirma Daniel Pinheiro, professor universitário e pesquisador de Cultura Política da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Para Pinheiro, ter dado as declarações a um veículo de mídia estrangeiro, como o canal do influenciador português, não é salvo-conduto para que as alegações escapem do bojo da Justiça brasileira.

“Qualquer declaração de uma pessoa pública, independentemente do veículo em que esteja e sobretudo um ex-presidente da República, terá um impacto político. Com certeza irá ecoar no Brasil. Hoje em dia, a informação não tem fronteiras, vai chegar no País e vai repercutir. No âmbito jurídico, com certeza vai ser debatido, sobretudo no rol das ações que tramitam nessa temática”, explica Pinheiro.

Sobre urnas, presidente foi evasivo
Questionado pelo influenciador sobre o uso das urnas eletrônicas nas últimas eleições do País, Bolsonaro deu uma resposta evasiva e se queixou de não poder “duvidar” do sistema eleitoral. “Quem duvidar das eleições do Brasil em 2022 será preso. Preciso falar mais alguma coisa?”, questionou o ex-presidente, evitando uma crítica mais direta ao processo de voto digital.

Desde a implementação da urna eletrônica no Brasil, em 1996, nunca houve evidência de fraude envolvendo o sistema. Para Daniel Pinheiro, a dubiedade na resposta sobre o sistema é estratégica para a comunicação do ex-presidente. “Ele precisa manter os discursos que produz. Manter o discurso é manter a força. Mesmo que essa seja uma tese fragilizada e que já prejudicou ele juridicamente, precisamos lembrar que ele também combate essa condenação. Então isso, na verdade, é um fortalecimento, pois faz com que seus seguidores ecoem e mantenham a mensagem”, diz o pesquisador.

Enquanto presidente, Bolsonaro chegou a patrocinar uma iniciativa parlamentar pelo voto impresso, mas a proposta acabou rejeitada pela Câmara dos Deputados. Mesmo derrotada no Legislativo, Bolsonaro continuou a retomar a ideia em discursos inflamados. Às insinuações de fraudes jamais comprovadas, somaram-se ataques à Justiça Eleitoral, posição que, na entrevista de sábado, ele voltou a ratificar, alegando ao influenciador português que o TSE, em conluio com o Supremo Tribunal Federal (STF), havia feito “uma gestão para eleger Lula a qualquer preço”.

Inconformados com o resultado das urnas e respaldados pelo discurso insinuante contra o sistema eleitoral, apoiadores do ex-presidente acamparam em frente a quartéis do Exército de todo o País durante semanas, desde o fim do pleito até os primeiros dias do governo Lula.

A persistência desses acampamentos desembocou no 8 de Janeiro, quando milhares de golpistas depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. Como demonstrou o Estadão com base numa análise de mais de 30 horas de vídeo, os manifestantes golpistas reproduziram no ato extremista o conteúdo dos discursos de Bolsonaro desde a convenção partidária do PL, marco zero de sua campanha à reeleição.

Bolsonaro fala em ‘armadilha’ no 8 de Janeiro

Na entrevista ao influenciador português, Bolsonaro alegou que “houve uma armadilha” no 8 de Janeiro. “Eu chamo de Capitólio tupiniquim”, disse o ex-presidente, aludindo ao ataque ao Congresso americano em 6 de janeiro de 2021, quando, em circunstâncias análogas ao caso brasileiro, partidários do então presidente Donald Trump – e insuflados por ele – invadiram a sede do Legislativo dos Estados Unidos, no dia em que os parlamentares iriam ratificar a vitória de Joe Biden nas eleições americanas.

Ao citar o ataque ao Capitólio, Bolsonaro insinua que ambos os ataques foram “armadilhas” forjadas por inimigos políticos. “Houve invasão e depredação de prédios públicos. Se bem que, quando esses brasileiros chegaram lá, tudo já estava depredado”, afirmou Bolsonaro, em desencontro com os fatos constatados pelos inquéritos conduzidos pelo STF e pelas CPIs no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa do Distrito Federal.

Como apurado pelas investigações, os prédios não estavam depredados antes das três horas da tarde, quando, após o rompimento dos cordões policiais da praça dos Três Poderes, os extremistas iniciaram o ataque ao patrimônio público. Bolsonaro quis insinuar que a linha de frente dos vândalos estava tomada por “infiltrados”, narrativa que seus adeptos lançaram mão desde o dia dos atos golpistas.

Como mostrou o Estadão, o verbete da Wikipédia sobre o 8 de Janeiro foi sucessivamente editado na tentativa de inserir no artigo a versão desencontrada com os fatos comprovados em inquérito. Correligionários do ex-presidente, ainda hoje, afirmam de forma recorrente que a responsabilidade pelos ataques foi forjada.

Ex-presidente volta a falar em tratamentos ineficazes
Durante a pandemia de covid-19, Bolsonaro estimulava a adoção do “tratamento precoce”, um protocolo contra a covid-19 que envolvia a ivermectina e outros remédios sem eficácia comprovada contra a doença, como a cloroquina. Na entrevista, o ex-presidente voltou a defender os medicamentos, alegando, sem apresentar provas, que a ivermectina, receitada em presídios do País, teria impedido os detentos de adoecerem de covid-19.

“Por ocasião da pandemia, busquei estudar ao máximo sobre o que estava acontecendo. Cheguei a uma conclusão óbvia: qualquer medicamento ou procedimento, quem tem que decidir são os médicos”, disse o ex-presidente. Durante a crise da covid-19, porém, o então chefe do Executivo entrou em embate direto com seus ministros da Saúde, que tentavam seguir os protocolos contra o vírus reconhecidos na comunidade científica como eficazes. Segundo especialistas ouvidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, ainda em 2021, o País poderia ter evitado até 400 mil mortes pela doença se tivesse adotado as medidas adequadas contra a proliferação do novo coronavírus.

‘Não tomei pois li a bula’, diz Bolsonaro sobre vacina da covid
Além de insistir em métodos ineficazes contra a covid-19, Bolsonaro voltou a ratificar um ceticismo em relação às vacinas, o único método comprovado para prevenção de casos graves e óbitos. “Não tomei pois não foi concluída a última fase (dos testes), e li a bula (do imunizante) da Pfizer”, disse Bolsonaro ao influenciador português. Ao contrário do alegado, o imunizante da Pfizer passou pela última fase dos testes clínicos e obteve registros definitivos em órgãos de vigilância em saúde em todo o mundo, inclusive na autarquia brasileira, a Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa).

Em novembro do ano passado, a vacina contra covid-19 foi incluída no rol obrigatório de imunizações para bebês a partir dos 6 meses de idade. Questionado pelo entrevistador sobre o tema, Bolsonaro foi evasivo. “Se eu der uma posição minha, posso ser preso amanhã no Brasil. Os pais é quem têm que decidir, no meu entender”, disse o ex-presidente.

O Estadão entrevistou infectologistas que esclareceram que a obrigatoriedade da vacina contra covid-19 no calendário infantil se deu em razão de evidências científicas demonstrando que a doença estava cada vez mais comum entre bebês e crianças. Além disso, o condicionamento do acesso a serviços públicos mediante a comprovação de estar em dia com o calendário de vacinas não é novidade no País, sendo praxe para uma série de imunizações.

Bolsonaro comenta inquéritos da PF
Sobre vacinas, Bolsonaro afirmou, ainda, que havia sido inocentado em um inquérito da PF que investiga uma adulteração em seu cartão de imunização, distorcendo a conclusão a que chegou a Controladoria-Geral da União (CGU) em 19 de janeiro.

A CGU confirmou que são falsos os registros de imunização no cartão de Bolsonaro atribuídos a uma UBS da capital paulista. Isso não sinaliza “inocência” de Bolsonaro, pois há uma outra investigação em curso sobre o seu cartão de vacinação. Esse inquérito está sendo executado pela Polícia Federal e averigua suspeitas de irregularidade em outros registros de imunização, supostamente feitos em Duque de Caxias (RJ). Esse é o caso que imputa crimes ao ex-presidente, no qual ele já foi alvo de busca e apreensão.

Ainda sobre a PF, Bolsonaro se queixou da cobertura midiática sobre a operação de busca e apreensão que teve como alvos os endereços de seu filho, Carlos Bolsonaro, no âmbito da investigação que apura suspeita de uso indevido da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar adversários políticos da família.

Juliano Galisi/Estadão Conteúdo

Ministro de Lula liga milícia à família Bolsonaro em post com peça publicitária do governo

 Foto: Lula Marques/Agência Brasil/Arquivo

O ministro Paulo Pimenta04 de fevereiro de 2024 | 16:55

Ministro de Lula liga milícia à família Bolsonaro em post com peça publicitária do governo

BRASIL

O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, Paulo Pimenta, usou seu perfil no X (antigo Twitter) neste domingo, 4, para fazer um post em que associa a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a milícias. Pimenta cita Fabrício Queiroz e nomeações de familiares de “traficante miliciano” no gabinete do então deputado estadual do Rio de Janeiro, o hoje senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e ao caso da suposta “rachadinha”.

O Estadão entrou em contato com a assessoria do senador, que não comentou o caso. O ministro Paulo Pimenta disse à reportagem que já repetiu a afirmação de que “a família Bolsonaro por vários anos teve as contas pessoais pagas pelo Queiroz” em diversas ocasiões. Pimenta afirma que “desafiou” a família a processá-lo, então poderia pedir a quebra do sigilo do Queiroz para provar a afirmação, mas que até o momento isso não ocorreu.

O post traz uma peça gráfica com policiais rodoviários e a frase “Brasil unido contra o crime”, e leva a logomarca do Ministério da Justiça e Segurança Pública. É na legenda da publicação que Pimenta cita indiretamente os adversários políticos. “Acabou o tempo que traficante miliciano tinha mãe e mulher nomeada em gabinete de deputado para depositar o dinheiro na conta do Queiroz para pagar as contas do dia a dia da famiglia.”

O termo italiano “famiglia” é comumente associado a uma máfia que envolve membros de uma mesma família.


Pimenta, ao citar Queiroz e o emprego de familiares de narcotraficantes ligados à milícia, faz alusão as investigações sobre suspeitas da prática de “rachadinha” no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Segundo apontou o Ministério Público, o dinheiro da devolução de parte dos salários de comissionados do gabinete seria gerenciado pelo ex-policial militar Fabrício Queiroz, que foi assessor de Flávio na Alerj e é amigo de longa data do ex-presidente. O caso foi arquivado pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) em 2022 porque as provas foram anuladas no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Flávio nega as acusações. Na época, a defesa de Queiroz declarou que as transações seriam “amplamente explicadas” em eventual ação penal.

Em seu gabinete, Raimunda Magalhães e Danielle Mendonça Magalhães da Nóbrega, a mãe e a ex-mulher do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, assassinado em fevereiro de 2020, ocuparam cargos de assessoras entre 2007 e 2018.

O assunto do post, originalmente, é a perda de dinheiro e patrimônio de narcotraficantes e milicianos devido às ações do Governo Federal, como a operação para Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que segundo o ministro chegam a R$ 8,5 bilhões.

“No governo Lula os narcotraficantes e milicianos já perderam mais de 7 bilhões de reais em dinheiro e patrimônio. Na GLO nos portos, estradas e aeroportos mais 1,5 bi. É o Brasil Unido contra o crime”, declara Pimenta na publicação.

Karina Ferreira/Estadão ConteúdoPolíticaLivre

Ala do PT cita o “passado” de Marta Suplicy para impugnar a filiação dela

Publicado em 4 de fevereiro de 2024 por Tribuna da Internet

Ficheiro:Dilma Rousseff e Marta Suplicy em abril de 2010.jpg – Wikipédia, a  enciclopédia livre

Marta foi ministra de Dilma, mas apoiou o impeachment

Juliano Galisi
Estadão

Valter Pomar, dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), publicou na manhã deste sábado, 3, um manifesto em que pede a impugnação da filiação de Marta Suplicy ao partido, confirmada em cerimônia na última sexta-feira, 2. Pomar é líder da tendência Articulação de Esquerda (AE), conhecida por posições contrárias às alas majoritárias do PT, e baseou seu pedido em declarações e posições da ex-prefeita que foram contra o interesse da sigla nos últimos oito anos.

Pomar já havia se posicionado contra o retorno de Marta desde os primeiros sinais de reaproximação da ex-prefeita com o PT, partido em que ela esteve durante mais de três décadas e da qual estava afastada desde 2015. O processo de aproximação foi mediado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a nomeação de Marta como vice na chapa do pré-candidato Guilherme Boulos (PSOL) à Prefeitura de São Paulo.

PROTESTO SIMBÓLICO – As chances do pedido ser levado adiante são mínimas. O retorno de Marta, confirmado na sexta, já havia sido aprovado pelo Diretório Municipal do PT por 12 votos a 1. A terceira vice-presidente do PT paulistano, Barbara Corrales, foi a única que se opôs à medida.

“A refiliação de Marta Suplicy, sem qualquer balanço de seu passado pregresso, é um elemento de desmoralização não dela, mas do partido”, afirmou Barbara, que integra a corrente interna O Trabalho, em nota enviada ao Estadão.

Por outro lado, o presidente do PT paulistano, Laércio Ribeiro, saudou a volta de Marta. “O Diretório Municipal recebe com bom grado e dará as boas-vindas ao retorno da Marta Suplicy”, justificou Ribeiro. No mesmo sentido, a tônica do evento de ontem foi de elogios à volta da ex-prefeita.

MARTA FALOU DEMAIS – A carta divulgada por Pomar na manhã deste sábado elenca, como argumentos, quatro declarações públicas de Marta Suplicy no período após o rompimento com o PT.

Essas falas, segundo o dirigente, “são fatos inquestionáveis, duros de explicar e de engolir”. As citações envolvem tópicos sensíveis ao PT e nos quais Marta se posicionou de forma contrária aos interesses do partido, tais como o impeachment de Dilma Rousseff, a reforma trabalhista de 2017 e os escândalos de corrupção envolvendo petistas.

Para Pomar, é irônico que os dirigentes adeptos do retorno da ex-prefeita ao PT ignorem o posicionamento de Marta durante os oito anos em que ela esteve fora do partido. “Como se a partir de 2015 ela tivesse saído em viagem interestelar, regressando só agora”, satirizou Pomar no documento.

“MEU ACONCHEGO” – Na noite de sexta-feira, Marta – que já foi ministra de Estado em governos do PT – discursou na solenidade em que confirmou a filiação. “Eu estou de volta ao meu aconchego, à minha raiz”, disse na ocasião.

Pomar respondeu diretamente a esse discurso em seu manifesto. “Chega a ser desrespeitoso, depois de tudo o que aconteceu, sem que se faça um mínimo balanço sobre o que ocorreu desde 2015, falar em voltar ao ‘aconchego’ do partido”, criticou o dirigente, que cobra de Marta “alguma versão, alguma explicação, alguma interpretação, alguma justificativa” sobre os posicionamentos que adotou desde então.

Como explicou o Estadão, o Partido dos Trabalhadores possui 14 tendências internas com representação no seu Diretório Nacional. Organizados no âmbito interno do PT, esses grupos podem divergir entre si, como ocorre no caso da concordância ou não em refiliar Marta Suplicy. Gleisi Hoffmann, presidente nacional da sigla, representa a corrente interna de maior influência dentro do partido, a Construindo um Novo Brasil (CNB).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O PT tem mais tendências do que a Psicanálise. O chamado “direito de tendência” é reconhecido pela Justiça Eleitoral como uma forma a abrigar a liberdade de pensamento dentro dos partidos. Gleisi Hoffmann é acusada de impor suas decisões às demais correntes da sigla de maneira unilateral. Pomar foi derrotado por Gleisi na última disputa à presidência do PT, em novembro de 2019. Em suma, quando Lula se aposentar, o PT vai de dividir completamente, e o último a sair que apague a luz. (C.N.)


Folha diz que é “um escárnio” a decisão de Toffoli sobre a multa da Odebrecht

Publicado em 4 de fevereiro de 2024 por Tribuna da Internet

Toffoli suspende multa bilionária da Odebrecht - Revista Oeste

Tooffoli ultrapassa todos os limites da ética e da moralidade

Deu na Folha

É um escárnio a medida do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que suspende o pagamento de multas decorrentes de corrupção confessada pela Novonor — a empresa outrora conhecida por Odebrecht que, em dezembro de 2016, firmou acordo de leniência com o poder público para sanar os danos que causara ao erário.

A admissão de fraudes há pouco mais de sete anos dá lugar agora a um revisionismo despudorado no qual se unem envolvidos nos desmandos e autoridades. Os abusos da Operação Lava Jato não deveriam servir de pretexto para uma corrida acintosa à impunidade.

MILITANTE PARTIDÁRIO – Uma avenida foi aberta por decisões de Toffoli que, embora solitárias, contam até aqui com o beneplácito por omissão da corte mais elevada do país. Foi com retórica de militante partidário que o magistrado, em setembro, declarou imprestáveis as provas obtidas a partir do acordo com a Odebrecht.

Ali se escancarava o propósito de desqualificar por inteiro as investigações de corrupção — como se não tivessem havido confissões e bilhões devolvidos aos cofres públicos. Causa estranheza, aliás, o silêncio do principal beneficiário da dinheirama, o governo federal.

À ofensiva contra os fatos se somou o descaso com o dinheiro do contribuinte quando foi suspensa a multa de R$ 10,3 bilhões aplicada ao grupo J&F, que firmou acordo de leniência em 2017.

SEM SUSPEIÇÃO – Não foi embaraço para a benesse o fato de a mulher de Toffoli, Roberta Rangel, ser advogada da J&F em um litígio empresarial. Poucos meses antes, afinal, o Supremo derrubara a proibição de magistrados julgarem causas de clientes de seus cônjuges.

Com a interrupção dos pagamentos restantes da ex-Odebrecht, chegam a R$ 14,1 bilhões as perdas que elevarão o déficit do Tesouro, sua dívida e os juros com os quais arcará toda a sociedade — nada que pareça impressionar um Judiciário que lidera rankings globais de custo.

A desenvoltura do revisionismo só é possível com a cumplicidade interesseira instalada em Brasília, com raras exceções.

PROMISCUIDADE – Passado o momento mais agudo de indignação da opinião pública, governo e oposição, congressistas e juízes se irmanam na preservação de privilégios e na derrubada de punições.

Renovam, assim, os incentivos à improbidade e à intromissão de interesses privados na gestão da coisa pública. Semeiam o descrédito na política e nas instituições, que tão perigoso se mostrou.

Há que estancar esse processo. O exame das canetadas de Toffoli pelo plenário do STF e a restrição a decisões monocráticas de magistrados são apenas as providências mais urgentes a tomar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Sensacional o editorial da Folha, pois escárnio é a palavra correta para classificar a atual situação da Justiça brasileira, que hoje trabalha irmanada com o crime, perdoando multas bilionárias e soltando criminosos que lideram facções. Depois da Folha, o Estadão e O Globo seguiram o mesmo caminho, revoltados com o Supremo e mostrando que ainda existe jornalismo de verdade na grande imprensa. (C.N.)


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