segunda-feira, abril 04, 2022

Reino Unido diz que danos em depósito de combustível devem prejudicar logística russa




Depósito de combustível em chamas em Belgorod

A inteligência militar britânica disse que a destruição de vários tanques de petróleo em um depósito na cidade russa de Belgorod, perto da fronteira com a Ucrânia, provavelmente aumentará a tensão no curto prazo nas já tensas cadeias logísticas da Rússia.

"Os suprimentos para as forças russas que cercam Kharkhiv (a 60 quilômetros de Belgorod) podem ser particularmente afetados", disse o Ministério da Defesa britânico no Twitter.

Mais cedo nesta sexta-feira, Moscou disse que helicópteros ucranianos atingiram um depósito de combustível em Belgorod, um centro logístico para seu esforço de guerra, causando um grande incêndio. A Ucrânia negou a responsabilidade pelo incidente.

EUA anunciam R$ 1,4 bilhão adicional em ajuda militar à Ucrânia

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou na última sexta-feira (1°) um novo pacote de R$ 1,4 bilhão em ajudar militar para a Ucrânia;

O pacote inclui sistemas de foguetes guiados a laser, munições de pequeno e grande calibre e suprimentos médicos;

Os Estados Unidos já forneceram mais de US$ 2,3 bilhões em assistência de segurança à Ucrânia desde o começo do governo de Joe Biden, e US$ 1,6 bilhão desde o início da guerra.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD, na sigla em inglês) divulgou na sexta-feira (1°) um novo pacote de ajuda militar de US$ 300 milhões, cerca de R$ 1,4 billhão na cotação atual, para a Ucrânia, incluindo sistemas de foguetes guiados a laser, munições de pequeno e grande calibre e suprimentos médicos.

Segundo informações da página do departamento federal do país, a decisão “destaca o compromisso dos Estados Unidos com a soberania inabalável com o território da Ucrânia em apoio aos seus esforços heroicos para repelir a escolha de guerra da Rússia”.

No total, os Estados Unidos já forneceram mais de US$ 2,3 bilhões em assistência de segurança à Ucrânia desde o começo do governo de Joe Biden, e US$ 1,6 bilhão foi enviado desde o começo do conflito, no final de fevereiro. Com fundos alocados à Iniciativa de Assistência à Segurança da Ucrânia (USAI, na sigla em inglês), o novo pacote inclui também sistemas aéreos não tripulados, veículos blindados, suprimentos de comunicações seguras, metralhadores e equipamentos de campo.

União Europeia adverte China sobre apoio à Rússia

A União Europeia pediu, na sexta-feira passada(1°/03), para que a China não ajude Moscou a se esquivar das sanções ocidentais por sua invasão à Ucrânia, o que "danificaria gravemente a reputação chinesa" e afetaria as relações econômicas de Pequim com a Europa.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, em nome dos Estados-membros da UE, se encontraram, por meio de videoconferência, com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e depois com o presidente Xi Jinping.

A União Europeia (UE) apelou à China para "não interferir" nas sanções ocidentais contra a Rússia pela ofensiva contra a Ucrânia e advertiu que um apoio a Moscou "vai danificar gravemente a reputação" do país asiático na Europa.

"Isso vai danificar gravemente a reputação da China aqui na Europa", onde "as empresas olham como os países se posicionam", disse Van der Leyen, ao término da videoconferência com o presidente chinês.

"Nenhum cidadão europeu vai compreender um apoio a Moscou, que reforçaria suas capacidades para prosseguir com sua guerra" na Ucrânia, acrescentou Von der Leyen, que estava sentada ao lado de Charles Michel.

"Esperamos que a China se dê conta da importância de sua imagem internacional e da relação econômica entre a China e a UE", disse Michel, sem mais detalhes.

Até agora, Pequim evitou condenar a invasão da Rússia e manifestou sua amizade "sólida como uma rocha" com Moscou no início de março.

"Cálculo estratégico"

"Os europeus buscam influenciar no cálculo estratégico dos dirigentes chineses, ressaltando o custo econômico que sofreriam em caso de apoio concreto à Rússia", explicou Grzegorz Stec, do instituto alemão Merics, antes da videoconferência.

"As reações controversas da China são uma forma de estar do lado russo sem pagar o preço. Sem maior pressão, vai aportar mais ajuda a Putin", afirmou o eurodeputado ecologista alemão Reinhard Bütikofer.

Porém, a UE é prisioneira de sua forte interdependência com Pequim: o bloco absorve 15% das exportações do gigante asiático, que lhe fornece bens manufaturados e componentes essenciais.

A China também compra 10% das exportações da UE, sendo um mercado-chave, especialmente, para a indústria alemã.

Sob o estímulo de Berlim, a UE e a China assinaram um ambicioso acordo de investimentos no final de 2020.

Mas sua ratificação está congelada pelas sanções da UE para castigar o trabalho forçado na região chinesa de Xinjiang, negado por Pequim, e as represálias do regime comunista contra parlamentares e investigadores europeus.

E isso se uniu, recentemente, ao bloqueio da China às importações da Lituânia depois que esse país báltico permitiu a abertura de uma representação oficial de Taiwan.

"O perigo é que a China 'sobrevenda' sua neutralidade para obter concessões, como a reativação das negociações sobre o acordo de investimentos", adverte Valérie Niquet, da Fundação para a Pesquisa Estratégica.

Uma ideia "ilusória"

Nesta quarta (30), em Pequim, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, obteve uma reafirmação da amizade "ilimitada" dos dois países frente aos Estados Unidos em nome de uma nova "ordem mundial multipolar", uma visão que desperta a inquietude do Ocidente diante do surgimento de um bloco "autoritário" hostil.

"A ideia de desvincular a China da Rússia é ilusória: quando a guerra na Ucrânia terminar, a atenção dos Estados Unidos vai se voltar, prioritariamente e não com espírito amistoso, para a China, que por isso tem interesse em manter sua cooperação" com seu vizinho, opina Sylvie Bermann, ex-embaixadora francesa em Moscou e Pequim.

A China não é o único país de peso internacional que não condena Moscou. Também não o fazem Índia, África do Sul, Paquistão e Brasil.

Para Pequim, os europeus se deixaram arrastar para um conflito instigado por Washington, que demonstrou os pontos débeis do Ocidente.

Bastante dependente do gás russo, a "Europa pode ter disparado um tiro no pé ao se unir às sanções americanas", adverte o jornal nacionalista chinês Global Times, que recusa vincular as relações Bruxelas-Pequim com a crise entre os europeus e Moscou por causa da Ucrânia.

AFP / DefesaNet

Catástrofe contratada - Editorial




A vingarem as propostas e ideias de Lula e Bolsonaro, por ora favoritos na corrida presidencial, o Brasil tem um encontro marcado com desastre maior a partir de 2023

O futuro é extremamente desafiador para o Brasil, e a escolha do próximo presidente da República definirá quão prolongados serão os efeitos perniciosos de uma crise política, econômica, social e moral que há mais de três anos tem sido pintada com cores vivíssimas, diante dos olhos de todos. Das duas, uma: ou as forças genuinamente democráticas da sociedade superam veleidades e constroem uma alternativa responsável às forças do atraso que ora parecem triunfar, ou o País tem um encontro marcado com um desastre ainda maior do que o atual a partir de 2023.

Nenhuma eleição pode ser considerada mais importante do que outra, pois todas são cruciais ao tempo de sua realização. Mas é possível afirmar que os riscos envolvidos na escolha dos eleitores em 2022 são de magnitude poucas vezes vista na história recente do País. Há sérios obstáculos políticos e econômicos a serem superados, como já estiveram em jogo em tantos outros pleitos. Mas, a julgar pelo que propõem os dois pré-candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto no momento, o ex-presidente Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro, nada indica que caminhos serão abertos para que o Brasil saia desse lamaçal caso um dos dois seja o vencedor do pleito em outubro.

Tanto pior porque Lula e Bolsonaro são hábeis em açular seus apoiadores mais radicais e poluir o debate público com mentiras e distorções da realidade. Ao fazerem do ódio e da dissimulação instrumentos de ação política, tanto um como outro impedem a coesão social mínima em torno de um diálogo honesto e propositivo com vistas à reversão de nossas mazelas.

Cerca de 50 milhões de brasileiros convivem com a insegurança alimentar, ou seja, não têm renda suficiente para garantir comida no prato todos os dias. O número de desempregados – embora tenha recuado de 14,6% para 11,2% no trimestre encerrado em fevereiro, em comparação com o mesmo período no ano passado – ainda é assustador: são 12 milhões de cidadãos em idade economicamente ativa sem trabalho no País, de acordo com o IBGE. Economistas preveem que o porcentual de desocupação permanecerá no patamar de dois dígitos, no mínimo, até 2024. A inflação renitente corrói a renda dos que têm um emprego. Juros em ascensão freiam a capacidade de expansão da atividade econômica.

Na educação, o cenário é de terra arrasada. A cultura e a política externa foram transformadas pelo bolsonarismo em flancos de uma “guerra cultural” que seria apenas caricatura da estupidez de uns tresloucados caso não impingisse tantos danos ao País. Na seara ambiental, o Brasil foi da condição de interlocutor indispensável a pária internacional.

Diante desse quadro trevoso, é desalentador constatar que tudo o que Lula e Bolsonaro propõem só tende a agravar os problemas do País. É o exato oposto do que se espera de candidatos à Presidência da República.

O pouco que se conhece do programa econômico de Lula para um eventual terceiro mandato não apenas não resolve os problemas atuais, como os aprofunda. O papel aceita quase tudo. Lula pode escrever à vontade que “os melhores momentos do Brasil foram nos governos do PT”, mas não pode reescrever a História.

Bolsonaro pode dizer para seus apoiadores que o País “tem tudo” para crescer e se desenvolver, e que ele ainda não conseguiu fazer do Brasil a “pátria grande” porque “alguns poucos atrapalham” e deveriam “calar a boca” e deixá-lo trabalhar.

O fato é que nem Lula nem Bolsonaro têm projetos certos para atacar os problemas do País. Não propõem nada além de suas supostas virtudes pessoais em relação ao oponente. À frente da disputa pela Presidência, ao menos por ora, estão dois mitômanos que talvez só acreditem nas próprias patranhas pela força da repetição.

O País precisa de um líder moderno, atinado com a agenda política, social, econômica e ambiental do século 21. Um conciliador. Alguém que pense o futuro com responsabilidade, empatia e espírito público. Ou seja, alguém que ainda está por se fazer conhecido e, sobretudo, despertar a esperança dos brasileiros em um futuro melhor.

O Estado de São Paulo

Por que enrolar-se na bandeira?

 


Vitali Klitschko, prefeito de Kiev


Na Ucrânia, há o embate entre nacionalismo do bem e do mal. 

Por Vilma Gryzinski

Em que circunstâncias o leitor estaria disposto a largar tudo, tentar abrigar a família da maneira mais protegida possível e, mesmo nunca tendo encostado em nada mais letal do que uma faca de churrasco, pegar em armas para defender o Brasil de uma agressão externa? A pergunta provavelmente é feita por muitos que assistem à resistência quase inacreditável dos ucranianos, a começar pelo presidente, um humorista que transformou camiseta verde-­oliva em figurino de herói, passando pelo prefeito da capital, o ex-campeão de boxe Vitali Klitschko, que regularmente dispara frases cinematográficas, do tipo “É melhor morrer do que viver como escravo”. Com 2,01 metros de altura e cara esculpida nos ringues, ele parece mais adequado ao papel do que o miúdo Vladimir Zelensky. Como bala não respeita tamanho, a resistência de ambos reflete o espírito de luta existencial que se implantou no país.

O sentimento patriótico, de luta pela sobrevivência da nação, é um dos elementos que mais causa admiração num mundo em que esse tipo de coisa parecia relegada aos pedaços piores dos livros de história, com a diluição das identidades nacionais — um fenômeno não necessariamente bom, mas supostamente inevitável e até desejável para apagar da memória os males provocados pelo nacionalismo furioso, resumido em três elementos: Alemanha nazista, Itália fascista e Japão imperial.

De tantas vezes ser invocada, inclusive no contexto errado, o patriotismo como “último refúgio do canalha”, segundo o pensador inglês Samuel Johnson, virou um chavão serial. Mas o caso da Ucrânia está ressuscitando o conceito de nacionalismo ruim e nacionalismo bom. Este, “um nacionalismo cívico baseado no patriotismo e no estado de direito”, na definição da autora americana Anne Applebaum. O mau, obviamente, é retratado pelos discursos sinistros, a realidade alterada, a manipulação pervertida e até as feições distorcidas de Vladimir Putin.

Como em tantas outras coisas, George Orwell deu a melhor definição dos dois fenômenos. O bom, ele chamou de patriotismo, “a devoção a um lugar e a um modo de vida específicos, que acreditamos ser o melhor do mundo, mas não desejamos impor a outras pessoas”. O (mau) nacionalismo, ao contrário, “é inseparável do desejo de poder”.

O que nos leva de volta à primeira pergunta: quem resistiria de armas na mão a um desejo avassalador desse tipo? Com uma narrativa nacional riquíssima e vencedora, ancorada numa espécie de religião cívica em que a liberdade é cultuada como valor supremo, os americanos decepcionaram na resposta. Segundo uma pesquisa da Quinnipiac, apenas 55% disseram que continuariam nos Estados Unidos e participariam da resistência; 38% simplesmente fugiriam do país. Na faixa dos 18 aos 34 anos, a “resistência” cai para 45%. “Projetando para a escala nacional, seriam 125 milhões de ianques caindo fora da Terra dos Não Mais Livres e Pátria dos Não Especialmente Bravos”, ironizou a escritora americana Lionel Shriver. Ela mesma disse que colocaria uma caixa de vinho na traseira do SUV e daria o fora. E o leitor, faria o quê?

Revista Veja

Ucrânia diz que encontrou 410 corpos após retirada de tropas russas da região de Kiev




Rússia nega massacre e afirma que imagens de cadáveres são provocação ucraniana

Com a retirada de tropas russas da região de Kiev, forças ucranianas encontraram 410 cadáveres ao reocupar as cidades antes sitiadas, disse neste domingo (3) a procuradora-geral Irina Venediktova, que investiga possíveis crimes de guerra cometidos pela Rússia no país.

Segundo ela, 140 desses cadáveres já foram examinados. A região vistoriada é a mesma onde foi encontrado o corpo de Maks Levin, fotógrafo e cinegrafista ucraniano que estava desaparecido havia três semanas.

Só em Butcha, nos arredores da capital, a prefeitura fala em 280 corpos encontrados em valas comuns. Fotógrafos e jornalistas no local registraram dezenas de cadáveres jogados pelas ruas em estado de decomposição.

A Rússia nega atacar civis e afirma que as imagens de Butcha são “mais uma provocação” do governo ucraniano. O governo diz que as tropas russas saíram da cidade em 30 de março, o que teria sido confirmado no dia seguinte pelo prefeito, mas que só agora surgem as denúncias de massacre.

“As fotos e vídeos de Butcha são outra performance encenada pelo regime de Kiev para a mídia ocidental”, diz o Kremlin.

O governo de Vladimir Putin afirmou ainda que as saídas da cidade não foram bloqueadas, que os moradores podiam circular livremente e usar celulares, e que o caminho estava livre para quem quisesse seguir em direção ao norte. “Os arredores ao sul da cidade, incluindo áreas residenciais, foram bombardeados 24 horas por tropas ucranianas com artilharia de grande calibre, tanques e vários lançadores de foguetes”, diz o comunicado de Moscou.

A descoberta dos corpos em Butcha também provocou reações de líderes europeus e aumentou a pressão sobre a Rússia.

“Chocado com as imagens perturbadoras das atrocidades cometidas pelo Exército russo na região libertada de Kiev”, disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel. “A União Europeia está ajudando a Ucrânia e ONGs a reunir as provas necessárias para ações nos tribunais internacionais”, disse ele, acrescentando que mais sanções contra a Rússia estão por vir.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou que as mortes “são mais uma prova de que Putin e seu Exército estão cometendo crimes de guerra na Ucrânia”.

O premiê alemão, Olaf Scholz, usou o mesmo termo: “Devemos jogar toda a luz sobre esses crimes cometidos pelo Exército russo.”

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que as imagens de “centenas de civis assassinados covardemente” em Butcha “são insuportáveis”. Mais cedo, o chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, afirmou que o país vai levar o caso ao Tribunal Penal Internacional junto da Ucrânia.

A Rússia tem retirado tropas da região de Kiev, e a Ucrânia afirmou no sábado que já retomou o controle de todas as áreas ao redor da capital e que tem todo o comando da região pela primeira vez desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro.

Mas a retomada de Butcha, após semanas de controle russo, escancarou um cenário devastador, com corpos de homens e mulheres espalhados pela cidade, alguns com as mãos amarradas e muitos carregando panos brancos, sinal para alertar que eram civis e estavam desarmados. Em apenas uma vala, foram descobertos 57 corpos, segundo as autoridades da cidade.

O chanceler ucraniano, Dmitro Kuleba, pediu por mais sanções e chamou o episódio de “massacre deliberado”. O conselheiro do presidente, Mikhailo Podoliak, descreveu a situação como “o inferno do século 21.” “Corpos de homens e mulheres que morreram com as mãos atadas. Os piores crimes do nazismo estão de volta à Europa”, afirmou.

O governo ucraniano afirma ainda que a Rússia tem espalhado minas terrestres pelas cidades de onde está retirando tropas. O serviço de emergências da Ucrânia disse que mais de 1.500 explosivos foram encontrados em um dia durante uma busca na vila de Dmitrivka, a oeste da capital.

A Human Rights Watch divulgou um comunicado neste domingo dizendo ter encontrado “vários casos de forças militares russas cometendo violações das leis de guerra” em regiões controladas pela Rússia, como nos arredores da capital, além de Tchernihiv e Kharkiv.

“Os casos que documentamos representam crueldade e violência indescritíveis e deliberadas contra civis ucranianos”, disse Hugh Williamson, diretor da organização para Europa e Ásia Central. “Estupro, assassinato e outros atos violentos contra pessoas sob custódia das forças russas devem ser investigados como crimes de guerra”, afirmou. O relatório ainda acusa soldados russos de saquear propriedades civis, incluindo alimentos, roupas e lenha.

FolhaPress / Daynews

Covid: Brasil está pronto para declarar o ‘fim’ da pandemia?




Por André Biernath, em Londres

O Governo Federal estuda revogar nos próximos dias uma série de medidas que marcaram os últimos dois anos, como a obrigatoriedade do uso de máscaras em alguns estabelecimentos, as regras sanitárias para a entrada de estrangeiros e a restrição na exportação de insumos médicos e hospitalares.

Esse movimento de flexibilização, que ainda precisa ser confirmado pelo Ministério da Saúde, acontece na esteira do que foi feito em muitos países da Europa, como Reino Unido, Dinamarca, França e Espanha, que a partir de fevereiro e março começaram a relaxar muitas das políticas públicas de saúde que marcaram 2020 e 2021.

Ainda no cenário internacional, a ideia da “covid zero”, que tentava acabar com qualquer surto da doença logo no início, foi praticamente abandonada em locais como Austrália, Nova Zelândia e Coreia do Sul — o último bastião desta política é a China, que ainda faz lockdowns rigorosos nas regiões em que é detectado um aumento de casos da infecção pelo coronavírus.

Nas últimas semanas, porém, é possível notar um aumento em casos, hospitalizações e mortes por covid em alguns desses países que reabriram completamente.

Por ora, Brasil vive uma situação relativamente estável em relação à pandemia. As médias móveis de casos e mortes estão em queda desde o início de fevereiro e, até agora, as aglomerações registradas no carnaval e a liberação do uso de máscaras em muitos Estados não resultaram numa reversão dessa tendência, com uma piora significativa dos índices.

Diante de todos esses elementos, será que é hora de declarar o fim da pandemia? E o que o Brasil (e os brasileiros) podem aprender com situação pós-abertura observada em outros países?

A palavra final é da OMS

A epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo, lembra que a prerrogativa de declarar o início e o fim de uma pandemia é da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Portanto, não são os países que vão “rebaixar” o status da covid-19 e definir que ela se tornou uma doença endêmica.

O que o Ministério da Saúde pode fazer é acabar com a Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin), o que permitiria aliviar muitas das medidas adotadas desde que o coronavírus começou a se espalhar país adentro.

A BBC News Brasil entrou em contato com o Ministério da Saúde para ter um posicionamento oficial a respeito da discussão e saber se as medidas contra a covid-19 serão revogadas ou não. Como resposta, a assessoria de imprensa enviou um vídeo de um evento realizado em 30 de março.

Nele, o ministro Marcelo Queiroga diz que a decisão sobre o alívio de todas as restrições ainda “depende de uma série de análises”.

“Primeiro, [precisamos analisar] o cenário epidemiológico, que felizmente ruma para um controle maior, com queda de casos e óbitos sustentadas na última quinzena. A segunda é a estrutura do nosso sistema hospitalar, da nossa atenção primária às unidades especializadas. […] O terceiro ponto é ter determinados medicamentos que possuem ação mais eficaz no combate da covid-19 na sua fase inicial, para impedir que a doença evolua para formas graves”, discursou.

“O presidente [Jair Bolsonaro] me pediu prudência. O que nós estamos fazendo é harmonizar as medidas que já estão sendo tomadas por Estados e municípios”, complementou.

“Me parece complicado e preocupante acabar com decretos nacionais enquanto a OMS ainda classifica a situação toda como uma pandemia”, avalia Maciel.

A OMS, inclusive, lançou na quarta-feira (30/3) um planejamento estratégico para o mundo conseguir alcançar o fim da fase aguda da pandemia ainda em 2022.

No documento, a instituição leva em conta três possibilidades para os meses que virão:

    Cenário otimista: as próximas variantes do coronavírus serão significativamente menos severas e a proteção contra quadros mais graves de covid será mantido sem a necessidade de doses de reforço ou a atualização das vacinas já disponíveis.

    Cenário pessimista: uma variante mais virulenta e com alta capacidade de transmissão aparecerá e conseguirá derrubar a efetividade das vacinas. A proteção contra quadros graves e mortes por covid despencará, especialmente nos grupos mais vulneráveis, o que demandará atualização dos imunizantes e novas doses de reforço nos grupos de risco.

    Cenário realista: o coronavírus continuará a evoluir, porém a gravidade da infecção se reduzirá significativamente e haverá imunidade suficiente na população contra quadros mais graves e mortes, o que levará a surtos cada vez menos severos. Aumentos periódicos na transmissão viral continuarão a ocorrer, o que exigirá campanhas de vacinação ao menos para os grupos mais vulneráveis.

Para garantir que o cenário realista (ou até o otimista) se concretize e a pandemia chegue ao fim, a OMS destaca duas ações estratégicas básicas:

    Reduzir a controlar a transmissão do coronavírus para proteger a população mais vulnerável e diminuir o risco de surgirem novas variantes agressivas

    Prevenir, diagnosticar e tratar a covid-19 com medidas não farmacológicas, vacinas e remédios, para diminuir o máximo possível a mortalidade e as consequências de longo prazo da doença.

Maciel entende que o Brasil ainda precisa reforçar a resposta nos dois eixos estratégicos antes de pensar no fim da pandemia.

“Quando acabamos com todas as medidas preventivas e não promovemos campanhas de comunicação para conscientizar e proteger as pessoas, especialmente as mais vulneráveis, falhamos em reduzir a transmissão do coronavírus”, diz.

“Para completar, nossa capacidade de testagem e vigilância continua ruim e só incorporamos o primeiro tratamento contra a covid-19 na rede pública esta semana”, completa a especialista.

O remédio mencionado pela epidemiologista é o baracitinibe, da farmacêutica Eli Lilly. Ele começará a ser distribuído no Sistema Único de Saúde (SUS), mas só estará disponível para os casos mais graves, em que há necessidade de hospitalização e oxigenação complementar.

Ensinamentos que vêm da Ásia e da Europa

Países como Alemanha, Áustria, Reino Unido, Coreia do Sul e China registraram aumentos significativos de casos de covid nessas últimas semanas.

A retomada das infecções em alguns países europeus e asiáticos acontece em um momento em que a BA.2, uma variante “prima-irmã” da ômicron (a BA.1) se tornou dominante no mundo inteiro.

Para ter ideia, a BA.2 apareceu em 88,8% das amostras que foram sequenciadas no Reino Unido entre os dias 13 e 20 de março. A ômicron “original” representou 10,5% dos casos no mesmo período.

Esse padrão de crescimento da linhagem BA.2 pode ser observado em outros países, como Áustria, Coreia do Sul e Alemanha.

O mesmo fenômeno começa a ocorrer no Brasil: até fevereiro, a BA.2 aparecia em menos de 1% dos sequenciamentos genéticos. A partir de março, porém, o Instituto Todos pela Saúde observou um aumento significativo das amostras positivas para essa nova linhagem. Ela foi encontrada em 27,2% dos casos analisados em laboratório.

Há poucas semanas, a BA.1 reinava absoluta em muitos desses locais. Mas a variante perdeu a dianteira porque, de acordo com o Instituto Sorológico da Dinamarca, a BA.2 tem uma capacidade de transmissão 1,5 vez maior em comparação com a BA.1 — e olha que a BA.1 já era um dos vírus mais contagiosos que surgiram no último século.

“Todas as ondas que vimos nesta pandemia tiveram um componente em comum: o surgimento de uma nova variante do vírus”, interpreta o médico Marcio Sommer Bittencourt, professor associado da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

A BA.2 é mais agressiva?

A boa notícia é que a BA.2 não parece estar relacionada a um quadro mais grave do que o observado até agora com a BA.1.

“As análises preliminares não encontraram evidências de um risco maior de hospitalização após a infecção com a BA.2, em comparação com a BA.1”, escreve a Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido num relatório publicado no dia 25 de março de 2022.

Vale lembrar que probabilidade de sofrer complicações da covid também está relacionada à quantidade de vacinas que um indivíduo tomou ou às infecções prévias.

Ou seja: quem tem pouca ou nenhuma imunidade contra o coronavírus pode experimentar consequências muito piores do que alguém que está com as doses em dia, especialmente se considerarmos os grupos de risco (como idosos e portadores de doenças crônicas).

Outro aspecto que traz uma perspectiva otimista para esse novo aumento de casos é que ele tende a subir e cair rapidamente, a exemplo do que ocorreu com a BA.1: em países onde a BA.2 virou dominante há algumas semanas, como Dinamarca e Holanda, o registro diário de infecções já entrou em queda novamente.

No entanto, uma elevação de casos também pode suscitar um aumento de hospitalizações e óbitos, ainda mais nos lugares com uma grande parcela da população suscetível pela baixa cobertura vacinal ou pela ausência de ondas maiores até então.

Em muitos dos países que tiveram aumento de casos recentemente, já é possível notar uma subida nas curvas de internações e mortes, embora elas estejam num patamar bem abaixo do observado em outros momentos mais graves da pandemia.

“Vemos que esse aumento de casos é mais intenso nos países que não têm uma taxa de vacinação adequada ou não tiveram grandes ondas anteriormente”, observa Bittencourt. É o caso, por exemplo, de Alemanha e Coreia do Sul.

Já Portugal e Espanha, que estão com uma alta cobertura vacinal e tiveram mais casos de infecção prévia, parecem possuir uma “bagagem imunológica” maior e não experimentam um aumento de casos tão grande agora.

Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil entendem que não dá pra dizer que esse mesmo cenário de aumento de casos pela BA.2 no exterior também se repetirá no país.

Em outros momentos da pandemia, coisas que impactaram profundamente o Brasil — como a variante gama — não tiveram o mesmo efeito no cenário internacional.

E o inverso também aconteceu: embora tenha sido avassaladora na Índia e nos Estados Unidos, a variante delta não foi tão desastrosa do ponto de vista da mortalidade nas cidades brasileiras.

“A gente precisa acompanhar de perto essa subida da BA.2, para ver como isso impacta o número de casos por aqui”, conta Maciel. “As próximas duas ou três semanas serão importantes para observar como isso acontecerá na prática”, complementa a epidemiologista.

Liberou geral

Embora a alta transmissibilidade da BA.2 seja a principal explicação para esse repique de casos em muitas partes do mundo, existe um segundo elemento que precisa ser considerado: o fim de quase todas as medidas restritivas que marcaram os últimos dois anos.

Em alguns países, o uso de máscaras deixou de ser obrigatório em lugares abertos e fechados, não há mais políticas de testagem em massa, nem a recomendação de que pacientes infectados com o coronavírus fiquem em isolamento.

A Áustria, inclusive, chegou a anunciar o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em locais fechados, mas voltou atrás no dia 18 de março. O ministro da Saúde local, Johannes Rauch, classificou como “prematura” a reabertura completa do país.

De forma geral, a mudança nas políticas públicas estimulou mais encontros e aglomerações, contextos onde o vírus consegue se espalhar em escala geométrica e criar novas cadeias de transmissão. E isso, junto com a maior taxa de contágio da BA.2, ajuda a explicar essa nova subida de casos em algumas partes do mundo.

É cedo ou chegou a hora?

Como citado anteriormente, a política de “covid zero”, seguida à risca em lugares como Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Austrália e Nova Zelândia, foi abandonada na maioria dos países. O único local que continua apostando nessa estratégia é a China, que recentemente chegou a decretar o confinamento de 25 milhões de habitantes de Xangai, uma das maiores cidades do país.

Mesmo entre os pesquisadores da área, soa quase como uma utopia a ideia de eliminar completamente a covid-19 de uma região através de medidas como o lockdown no atual contexto.

“Do ponto de vista da saúde pública, o fechamento total das atividades pode até fazer sentido. Mas o custo de parar tudo também traz custos sociais e econômicos muito grandes”, pondera Bittencourt.

“No início da pandemia, com o risco da doença muito alto, o fechamento era necessário, por mais caro e custoso que isso fosse”, diferencia o médico. “Atualmente temos vacinas e muitas pessoas foram infectadas, então o risco é menor, logo as medidas podem ser calibradas para essa situação.”

Isso não significa que o extremo oposto dessa postura — a liberação completa de todas as restrições — faça sentido.

Para explicar esse ponto de vista, a médica Lucia Pellanda, professora de epidemiologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, faz um paralelo entre a covid-19 e o futebol.

“Às vezes, sinto que a pandemia se assemelha a uma partida, em que estamos ganhando de 1 a 0 e simplesmente abandonamos o campo antes de o juiz dar o apito final”, compra.

“Quando as coisas começam a melhorar um pouco, há uma pressa para dizer que a covid não é mais um problema e podemos acabar com todas as medidas preventivas.”

“E o que a experiência nos mostra é que não existe uma solução simples para dar um fim de verdade à pandemia. Precisamos insistir com as vacinas, as máscaras e o cuidado com as aglomerações até o final desta partida”, conclui a especialista.

Já o bioinformata Marcel Ribeiro-Dantas, pesquisador na área de saúde do Instituto Curie, na França, entende que muitos países fizeram tudo o que podiam e o relaxamento das medidas era um passo natural e razoável.

“Houve um esforço grande do governo e da população de muitos países europeus para conter a pandemia. Os primeiros lockdowns aqui na França foram drásticos e todo mundo ficou trancado em casa”, lembra o pesquisador.

“Com a estafa natural após dois anos de restrições e a ampla disponibilidade de vacinas e tratamentos efetivos, parece inevitável que alguns países diminuam as restrições.”

“A questão é conseguir transformar obrigações da lei em recomendações que as pessoas sigam no dia a dia. Quando você consegue conscientizar a população sobre a necessidade do uso de máscaras em alguns ambientes, por exemplo, isso passa a fazer parte de uma nova cultura daquele local”, completa o especialista.
Como fica o Brasil no meio de tudo isso?

Trazendo todo esse debate sobre a reabertura para a realidade brasileira, Bittencourt entende que, diante de uma situação mais estável da pandemia, “é hora de discutir algumas medidas e ajustar a intensidade delas”.

“É claro que isso não significa abandonar completamente o uso de máscaras. Elas são necessárias no transporte público, mas não precisam ser usadas em lugares abertos.”

“Mas precisamos ter em mente também que o Brasil flexibilizou a maior parte das medidas há tempos. Shoppings, restaurantes e casas noturnas estão funcionando normalmente”, completa.

Pellanda acredita que o desafio é fazer essa comunicação sobre o manejo e a prevenção da covid de forma adequada e contextualizada. “As pessoas precisam avaliar o risco individual e de cada local em que elas estiverem”, diz.

“É errado encarar as máscaras como algo ruim e limitador. Elas precisam ser incorporadas em algumas situações, da mesma maneira que fizemos com o uso do cinto de segurança nos carros e com a proibição de fumar em estabelecimentos fechados”, argumenta.

Maciel reforça que o momento atual exige campanhas para empoderar as pessoas sobre avaliação do risco de contágio para cada contexto

“Num momento em que o Estado retira as políticas públicas, a população precisa ser informada sobre como se proteger em algumas situações, especialmente quando pensamos em idosos e imunossuprimidos, que têm mais risco de sofrer com as complicações da covid”, aponta.

Entre o fim da pandemia e uma nova piora no número de casos relacionada à BA.2 e ao relaxamento das medidas de prevenção, o caminho mais adequado e seguro em qualquer país do mundo continua bem parecido: acompanhar o que está acontecendo e adequar os cuidados à situação de momento.

BBC Brasil / Daynews

Retirada russa revela mortes civis em massa na Ucrânia




Soldados ucranianos inspecionam ruas destroçadas de Bucha

Imagens de cadáveres pelas ruas e em valas comuns geram indignação. Zelenski alerta que invasores russos teriam minado cidades liberadas. Moscou interpreta retirada como gesto de boa vontade para negociações de paz.

À medida que as forças militares ucranianas gradativamente retomam àreas em torno de Kiev até então ocupadas por tropas russas, cenas chocantes vão se revelando. No subúrbio de Bucha, 37 quilômetros a sudoeste da capital, numerosos cadáveres de civis e de soldados russos ladeiam as ruas.

Jornalistas da agência de notícias francesa AFP contaram pelo menos 20 corpos em apenas uma rua. "Todos esses foram fuzilados", comentou o prefeito Anatoly Fedoruk, acrescentando que 300 residentes foram mortos em um mês de ocupação russa, estando pelo menos 280 enterrados em valas comuns em outros pontos da cidade.

Repórteres da Reuters viram mãos e pés de vítimas despontando de uma vala ainda aberta no terreno de uma igreja. Seus colegas da Associated Press (AP) também registraram vítimas civis ao longo de uma estrada e no quintal de uma casa. "Eles estavam simplesmente caminhando, e aí atiraram neles sem razão", comentou um residente de Bucha, acusando as tropas russas em retirada dos homicídios indiscriminados.

"Esses filhos da mãe!", exclamou à agência Reuters Vasily, de 66 anos, chorando de cólera enquanto contemplava mais de uma dezena de cadáveres na estrada onde fica sua casa. "Desculpem. O tanque de guerra estava disparando. Cachorros!"

As imagens se propagaram rapidamente pelas redes sociais, desencadeando indignação, também entre autoridades estrangeiras. A secretária de Estado britânica para Relações Exteriores, Liz Truss, declarou-se horrorizada com as atrocidades em Bucha e reforçou o apelo ao Tribunal Penal Internacional para que investigue potenciais crimes de guerra na Ucrânia. Moscou nega estar alvejando civis e rechaça toda alegação de crimes de guerra.

Armadilhas explosivas em cidades liberadas

Autoridades ucranianas informaram neste sábado (02/04) que o exército nacional já liberou mais de 30 cidades e lugarejos em torno de Kiev, tendo assumido ter completo controle sobre a região, pela primeira vez nas mais de cinco semanas desde que o presidente russo Vladimir Putin ordenou a invasão.

A vice-ministra da Defesa Ganna Maliar anunciou no Facebook: "Irpin, Bucha, Gostomel e toda a região de Kiev foram liberadas do invasor." Entretanto as localidades mencionadas se encontram devastadas ou seriamente danificadas pelos combates.

Numa mensagem de vídeo, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, alertou: "Eles estão minando todo esse território. As casas estão minadas, os equipamentos, até mesmo os cadáveres das vítimas." Segundo o mandatário, a intenção seria deixar para trás uma situação "catastrófica".

O serviço de emergência do país afirma ter encontrado mais de 1.500 explosivos em apenas um dia, durante buscas na localidade de Dmytrivka, a oeste de Kiev.

Kremlin: retirada como "gesto de boa vontade"

À medida que se retiram de algumas áreas no norte, nas quais sofreram baixas pesadas, as tropas de Putin aparentemente se concentram no leste e sul da Ucrânia, onde já ocupam amplos territórios.

"A Rússia está priorizando uma tática diferente: recuar para o leste e sul", avaliou nas redes sociais o consultor presidencial Mykhaylo Podolyak, completando: "Sem armamento pesado, não vamos conseguir expulsá-los."

Por sua vez, a Rússia interpreta a retirada da área de Kiev como um gesto de boa vontade no sentido de negociações de paz. Ambos os lados descreveram como "difíceis" as mais recentes conferências, no fim de março, na cidade turca de Istambul e por vídeo.

O porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov comentou que "o importante é as conversações continuarem, em Istambul ou em outro lugar". Uma nova rodada não foi anunciada, porém o negociador ucraniano David Arakhamia afirmou neste sábado que já se fez suficiente progresso para permitir um diálogo direto entre os presidentes Zelenski e Putin. O Kremlin não se pronunciou sobre essa possibilidade.

Deutsche Welle

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