sábado, setembro 04, 2021

A luta não pode parar, denunciar é preciso.

 

Não só jornalistas e ativistas estão sendo perseguidos, pessoas de bem e principalmente pobres, negros e mulheres.
O número recente alerta que as violações contra a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e ao acesso a informação no Brasil cresceu 222% em 2020, em comparação com 2019. O dado preocupante é da terceira edição do relatório Sombra, da rede Voces del Sur, em parceria com 12 organizações da América Latina. Os países pesquisados identificaram os governos como autores das violações.
Ontem, 03 de setembro, (sexta-feira), em cumprimento do acordado em audiência pública, na Câmara Municipal de Salvador, Comissão dos Direitos Humanos, estive junto da vereadora Marta Rodrigues do PT e presidente da comissão, no gabinete da Superintendência de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos (SUDH), onde fomos recebidos pelo Dr Jones Carvalho, Superintendente da área técnica estruturalmente vinculada à secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), do estado da Bahia.
Na ocasião, ele se colocou à disposição para estabelecer tratativas junto à secretaria de segurança pública do estado da Bahia.
Entregamos a ata da audiência pública realizada no dia 19 de julho, na Câmara de Salvador, onde tivemos a oportunidade de discutir ações, que em breve estarão sendo tomadas.
Saio de lá esperançoso que teremos o apoio necessário. Obrigado ao Dr Jones Carvalho pela atenção e a vereadora de Salvador, Marta Rodrigues do PT, pela acolhida.
"Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia".
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Queiroga saiu? Uma vírgula!

 



A última do ministro da Saúde foi retirar a CoronaVac, a vacina do Butantã, do programa de reforço da imunizaçao, a chamada terceira dose

Por Luiz Carlos Azedo

A notícia de que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, havia pedido demissão foi a sensação nas redes sociais, ontem, até ser desmentida pelo próprio. Em se tratando daquela pasta, cuja atuação na pandemia de covid-19 é investigada pela CPI do Senado, tudo poderia acontecer, ainda mais uma troca de ministros, porque três já passaram pelo cargo. A notícia era uma “barriga”, ou seja, uma notícia falsa no velho jargão jornalístico, geralmente publicada de forma involuntária, ou seja, algo muito diferente de uma maldosa fake news. Se bem que não é incomum um fato como esse se confirmar somente algumas semanas depois, por puro capricho de quem demite, porque a informação “vazou”.

A história toda começou por causa de uma vírgula, na coluna publicada pelo jornalista Matheus Leitão, no site da revista Veja, intitulada “Queiroga, pede para sair”. O texto faz um balanço da atuação do ministro e conclui: “Assim como todos os ministros da Saúde que já passaram pelo governo de Jair Bolsonaro, Queiroga demonstra fraqueza e apatia no cargo. Ninguém supera os erros de Eduardo Pazuello, mas talvez seja hora de Queiroga cogitar sua saída da liderança da pasta que se tornou o foco e a responsável por administrar a crise no país nos últimos meses”.

Houve leitura apressada do texto, ignorando a pontuação, ou seja, concluíram que Queiroga havia pedido demissão, transformando o vocativo no sujeito da ação: “Queiroga pede para sair”. Quem checou com alguma fonte dadivosa, provavelmente teve a confirmação antes de publicar a notícia. Tropeçar na vírgula é um dos cavacos do ofício de jornalista, daí a antológica campanha realizada pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), ao completar 100 anos:

”A vírgula pode ser uma pausa… ou não:

Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro:
R$ 23,4.
R$ 2,34.

Pode criar heróis:
Isso só, ele resolve!
Isso, só ele resolve!

Ela pode ser a solução:
Vamos perder, nada foi resolvido!
Vamos perder nada, foi resolvido!

A vírgula muda uma opinião:
Não queremos saber!
Não, queremos saber!

A vírgula pode condenar ou salvar:
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!

Uma vírgula muda tudo!
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.”

Mais uma dose
São funções da vírgula: (1) representar uma pausa ou uma mudança na entonação; (2) separar palavras ou orações que precisam
de destaque; (3) eliminar ambiguidades e esclarecer o conteúdo da frase. Há situações em que é imprescindível empregar a vírgula, como nas orações explicativas, e outras em que ela não deve ser usada, como nas orações restritivas. Por isso, ao anunciar o nome do pre- sidente da República, Jair Bolsonaro, usa-se vírgula; para falar do ex-presidente José Sarney, porém, não, porque outros também exerceram o cargo: Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.

A vírgula é terminantemente proibida quando separa o sujeito do verbo e seus complementos. Quando há apenas um substantivo simples no sujeito, fica mais fácil: João saiu de casa à meia-noite. A mesma lógica se aplica ao verbo e seus complementos: João pediu a Maria que fosse visitá-lo. No caso Queiroga, realmente, a vírgula faz sentido, deve- ria pedir pra sair. Não é competente como sanitarista, está no cargo porque atende aos caprichos de Bolsonaro, um negacionista, que até hoje não se vacinou contra a covid-19 ou o fez escondido, como o general Luiz Ramos, secretário-geral da Presidência.

A última do Queiroga foi retirar a CoronaVac, a vacina do Butantã, do programa de reforço da vacina, a chamada terceira dose. Foram aplicadas, até agora, 57,4 milhões de doses dessa vacina. Os que a tomaram não terão direito ao reforço? Ontem, o The New England Journal of Medicine publicou o resultado de uma pesquisa realizada no Chile sobre a eficácia da vacina chinesa, que usa o método tradicional, mas contra a qual Bolsonaro até hoje faz campanha.

Realizada de 2 de fevereiro a 1o de maio de 2021, alcançou 10,2 milhões de pessoas vacinadas acima de 16 anos, com uma média de 600 mil pessoas/dia. Entre as que foram totalmente imunizadas, a eficácia da vacina ajustada foi de 65,9% para a prevenção contra a covid-19; de 87,5% para a prevenção de hospitalização; 90,3% para a prevenção de admissão na UTI; e de 86,3% para a prevenção de morte relacionada a covid-19. “Nossos resultados sugerem que a vacina SARS-CoV-2 inativada preveniu efetivamente a covid- 19, incluindo doença grave e morte”, concluiu o relatório.

Correio Braziliense

CPI da Covid realiza investigações promissoras perto da reta final - Editorial




Parecia que a CPI da Covid tinha murchado e que dali não sairia mais nenhum indício de maracutaia no governo Bolsonaro. Pois os últimos dias trouxeram dois personagens que desmentiram essa percepção. Eles comprovam o sucesso da estratégia “siga o dinheiro”, adotada pelos parlamentares desde o final do recesso. Prenunciam o que poderá ser um relatório final devastador para o presidente Jair Bolsonaro. O primeiro é o motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva. O segundo é o lobista Marconny Albernaz de Faria.

Em depoimento na quarta-feira, Ivanildo afirmou atuar desde 2009 para a VTCLog, empresa com contratos sob suspeita no Ministério da Saúde, envolvida na negociação nebulosa para a compra da vacina Covaxin. Confirmou ter feito saques de até R$ 430 mil, como descrevia relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), segundo o qual retirou ao todo R$ 4,7 milhões. Depois, disse que usava o dinheiro para “pagar boletos”.

Boletos de uma empresa do mesmo grupo da VTCLog foram emitidos em nome do então diretor de Logística do ministério, Roberto Dias, 11 dias depois de uma manobra transferir um contrato milionário da VTCLog para a área comandada por ele. Os senadores apontaram a coincidência entre as datas e os horários em que esses boletos haviam sido pagos e imagens de Ivanildo nas agências bancárias onde foram registradas as operações. Em nota, a VTCLog afirmou que as imagens haviam sido “maldosamente editadas”. Diante dos senadores, Ivanildo confirmou serem dele mesmo.

A CPI tenta fechar o vínculo entre o escândalo da Covaxin e o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), a quem se atribuem a indicação de Dias e uma capacidade de influência suficiente para Bolsonaro fazer vista grossa às maracutaias. Seu depoimento à CPI, tenso, foi encerrado abruptamente, e ele passou à condição de investigado. Não se sabe até onde levará esse fio condutor da investigação. Desde ontem, apareceu também um outro que parece promissor.

Estava marcado o depoimento de Marconny Albernaz de Faria, tido como lobista da Precisa Medicamentos, empresa investigada por contratos suspeitos quando Barros era ministro da Saúde e intermediária nas negociações para a compra da Covaxin. Só que Marconny não compareceu, sob a alegação de estar internado. A CPI acionou a Polícia Legislativa para conduzi-lo sob coerção. Na véspera, o jornal Folha de S.Paulo tinha revelado que ele ajudara Jair Renan Bolsonaro, filho do presidente, a abrir uma empresa.

Os dois trocaram mensagens no WhatsApp. O telefone da empresa de Jair Renan registrado na Receita Federal é o mesmo do escritório do advogado de Marconny na CPI. Jair Renan não é alvo de investigação, e não há nenhum indício de que esteja envolvido com o Ministério da Saúde. Mas sua proximidade com Marconny promete trazer ainda mais dores de cabeça ao pai.

O Globo

Bolsonaristas desafiam o STF em busca de recursos e apoio para as manifestações do 7 de Setembro




O presidente Bolsonaro durante evento no dia 2, em Brasília.

Militantes projetam 500.000 pessoas em Brasília no feriado da terça-feira. Eles mudaram a chave Pix bloqueada por Alexandre de Moraes, que mandou prender um dos organizadores dos atos nesta sexta

Por Afonso Benites

Brasília - Emulando o presidente Jair Bolsonaro, militantes que o apoiam cegamente têm se unido nas críticas do mandatário ao Supremo Tribunal Federal (STF) para promover os atos do próximo dia 7 de Setembro, quando se celebra a Independência do Brasil. Alguns deles até descumprem decisões judiciais para incentivar os apoiadores a seguirem para Brasília e São Paulo em uma manifestação de apoio a Bolsonaro e que defende a destituição dos 11 ministros do STF, assim como a recriação do voto impresso, ainda que a medida tenha sido rejeitada pela Câmara dos Deputados. E a reação do STF levou um dos promotores dos atos à prisão.

Nesta sexta-feira, o presidente repetiu seu discurso autoritário e afirmou, sem citar nomes, que os atos servirão como um ultimato a um ou dois ministros do Supremo. O recado foi dado a Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, que atualmente também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Nós não criticamos instituições ou Poderes. Somos pontuais. Não podemos admitir que uma ou duas pessoas que, usando da força do poder, queiram dar novo rumo ao nosso país”, afirmou durante evento em Tanhaçu (BA).

Neste mesmo dia, o jornalista Wellington Macedo, que havia sido proibido de usar as redes sociais para falar sobre a manifestação, acabou preso em Brasília. No último domingo, juntamente com outro investigado, Macedo participou de uma transmissão ao vivo em que reforçou as críticas ao Judiciário, em um material que servia como propaganda para os atos pró-Governo.

Também estava no encontro virtual o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, que nas redes é conhecido como “Zé Trovão, a voz das estradas”. Ambos são apontados como organizadores dos atos antidemocráticos. Entre grupos bolsonaristas, havia a informação de que Trovão também foi preso, o que não foi confirmado pelo STF ou pela Polícia Federal. Quem promoveu a reunião foi o blogueiro governista Oswaldo Eustáquio, que já foi detido no âmbito do inquérito das fake news, mas acabou libertado.

As provocações do caminhoneiro foram duras. Sem provas, ele acusou ministros de venderem sentenças. “Já que eu tô lascado, eu vou falar. Estão só que vendem os habeas corpus”, disse. E completou: “Quer me prender, me prenda no meio do povo, não na minha casa”. As provocações se amplificaram nos dias 30 e 31 de agosto. Ele enviou vídeos a outros blogueiros e youtubers da extrema direita, convocando para o protesto, e ainda concedeu entrevista à emissora de rádio Jovem Pan News, que é alinhada a Bolsonaro.

A proibição de que esses bolsonaristas usassem as redes foi decidida por Alexandre de Moraes, um dos dois ministros do STF com quem Bolsonaro comprou briga e de quem pediu o impeachment —pleito já rejeitado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Desde o dia 20 de agosto, Moraes proibiu que fossem feitas doações financeiras para o movimento do qual Trovão e Macedo fazem parte. Ainda assim, o grupo driblou a decisão e mudou a chave Pix —o código de acesso bancário— para receber as doações. Antes, os valores eram creditados ao site bolsonarista Brasil Livre. Agora, elas caem na conta de Luiz Antonio Mozzini, que usa o codinome de Luís Mussini, e é produtor musical de diversos artistas sertanejos, como Sérgio Reis, outro dos investigados por esses atos antidemocráticos.

Doações

Procurado pelo EL PAÍS, Mussini alegou desconhecer a proibição e disse que as doações vinham de todo o Brasil. “Quem doa são brasileiros que querem o bem do país. É uma movimentação que não é partidária”, alegou. Os recursos, segundo anúncio feito pelo grupo no YouTube, seriam usados para bancar um acampamento que pretende reunir até 50.000 pessoas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. “Vamos dar um processo de limpeza geral no Brasil. E com isso precisamos de sua doação”, diz o enunciado.

Indagado sobre os custos do espaço e sobre qual valor já teria sido arrecadado, Mussini não respondeu. Entre os bolsonaristas, ele é apontado como uma das pessoas mais próximas do cantor Sérgio Reis, que anunciou atos radicais durante o protesto, como o fechamento de estradas por até três dias, mas voltou atrás depois de virar alvo da mesma operação da Polícia Federal que envolveu o jornalista Macedo e o caminhoneiro Zé Trovão.

Durante a mesma live do domingo passado, Mussini admitiu que estava fora de casa, em Florianópolis (SC), havia dias. A preocupação era de que, assim como dez dos investigados, a Polícia Federal cumprisse um mandado de busca e apreensão na casa deles. “Não é por medo. A pessoa se preserva. Para preservar o celular e o computador que uso para o trabalho. A gente acaba sendo tratado como bandido, mas a gente não é bandido. Estamos lutando pelo bem do nosso país, para que possamos ter liberdade de expressão”, disse na ocasião.

Outro que participa da coordenação dos atos bolsonaristas é o militar da reserva Amarildo dos Santos, que se identifica como investigador particular e criador do movimento Brasil Verde e Amarelo. À reportagem, ele disse esperar 500.000 pessoas em Brasília para demonstrar apoio ao presidente, boa parte delas vindas em 150 ônibus fretados com recursos próprios. “Estávamos arrecadando dinheiro para trazer mais gente, mas o Alexandre de Moraes bloqueou”, disse. Em um dos vídeos que publicou, Santos diz que quem precisasse de recursos para viajar até a cidade poderia procurá-lo. Ao EL PAÍS, contudo, alegou que estava bancando apenas os próprios custos de sua viagem.

Enquanto os coordenadores tentam angariar apoios financeiros, nos grupos no WhatsApp e no Telegram há dezenas de pessoas oferecendo vagas em caravanas para participar dos atos. Os preços variam desde 30 reais, entre o interior de São Paulo e a capital paulista, até de 500 reais, entre estados da região Sul e do Nordeste para Brasília —estas com direito a hospedagem. Na visão de Santos, os atos da próxima terça-feira não representam nenhum risco à democracia. “Não dá para agradar todo mundo. Nem Jesus conseguiu. Nós estamos lutando por liberdade de expressão”, alegou. Do ato, estarão de fora as críticas ao combate à pandemia de covid-19, que já vitimou quase 600.000 brasileiros; à crise energética; às rachadinhas da família Bolsonaro; à inflação, de quase 9%; ao alto preço da gasolina, de quase 7 reais, ou ao dólar a 5,2 reais.

A base de apoio ao presidente que vai às ruas nos próximos dias se escora, principalmente, em militares da reserva, evangélicos, caminhoneiros e produtores rurais. Este último grupo promete transportar centenas de pessoas em cerca de cinquenta ônibus provenientes do Mato Grosso, segundo relatou o deputado estadual bolsonarista Gilberto Cattani (PSL). Em princípio, a Associação de Produtores de Soja era uma das financiadoras extraoficiais do ato. Porém, depois que o seu presidente nacional, Antonio Galvan, passou a ser investigado no mesmo inquérito que Sérgio Reis, Zé Trovão e Macedo, a instituição desistiu de agir. Mas ele não se absteve de pressionar as instituições. Quando foi intimado a depor no âmbito desse inquérito, Galvan chegou à sede da Polícia Federal em Sinop (MT) acompanhado por um tratoraço. Dezenas de tratores se enfileiraram para “escoltar” o fazendeiro.

Quem ainda se apresenta à frente das manifestações no momento é a Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra (Andaterra). Um de seus representantes, o diretor Jeferson da Rocha, foi procurado pela reportagem, mas não respondeu aos contatos. Entre os evangélicos, os maiores incentivadores dos atos são os pastores Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e Claudio Duarte, da Igreja Batista. Não há indícios de que eles estejam arrecadando recursos, ou fazendo mais do que discursar em favor do presidente.

El País

Novas denúncias de ex-funcionário sobre esquema das ‘rachadinhas’ sacodem a família Bolsonaro




Ana Cristina, mulher 02 de Bolsonaro (e sua mansão), com Marcelo Santos

“Ela ficava com 80% do meu salário”, afirma ex-assessor de Flávio Bolsonaro, sobre a ex-mulher do presidente, Ana Cristina Valle, apontada como a comandante do esquema

Por Marina Rossi

A família Bolsonaro voltou ao centro do noticiário brasileiro nesta semana, em um novo escândalo revelado por mais um ex-assessor do clã. Desta vez, Marcelo Luiz Nogueira de Santos, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriotas), e que se diz muito próximo à família, denunciou e detalhou um esquema chefiado pela advogada Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). De acordo com ele, Ana Cristina era quem comandava, nos gabinetes do então deputado estadual Flávio Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), todo o esquema das rachadinhas, que consiste em contratar funcionários fantasmas pelos gabinetes e reter tudo, ou a maior parte, de seus salários.

“Ela ficava com 80% do meu salário”, denunciou Nogueira ao portal Metrópoles. De acordo com ele, o esquema teria sido realizado ao longo de anos, e Ana Cristina ficava até mesmo com uma parcela do 13º salário, das férias e até da restituição do imposto de renda. “[Ela] tirava o proporcional que a gente recebia. O 13º, férias, essas coisas todas”, disse o ex-funcionário ao UOL. O enredo narrado por Nogueira aos jornalistas envolve detalhes pessoais da família, expõe a intimidade dos Bolsonaro e dá mais informações sobre um caso que já está nas mãos da Justiça.

Tanto Flávio quanto Carlos Bolsonaro são alvos de inquéritos que apuram, separadamente, a contratação de funcionários fantasmas em seus gabinetes. Nesta semana, tornou-se pública a determinação da Justiça do Rio de Janeiro de quebrar os sigilos bancários e fiscal de Carlos, de Ana Cristina Valle e de outras 25 pessoas e sete empresas. O Ministério Público do Rio de Janeiro, que abriu as investigações em julho de 2019 sobre as contratações de Carlos Bolsonaro, afirma ter indícios de que vários assessores não cumpriam expediente na casa. Assim, Carlos pode se somar ao irmão, Flávio, que, em outubro do ano passado, foi denunciado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no caso das rachadinhas.

Os filhos do presidente teriam passado a comandar eles mesmos o esquema depois que Bolsonaro pai descobriu que Ana Cristina o traía com um segurança da família. Segundo Nogueira, o presidente pediu o divórcio em 2007 e teria autorizado que Carlos e Flávio comandassem o recolhimento dos pagamentos de seus supostos funcionários.

Nogueira conta que começou a trabalhar para a família quando ingressou no gabinete de Flávio Bolsonaro. Ali, ele diz que prestou serviços de atendimento ao público e correspondências de 2003 a 2007, e depois disso acabou se tornando uma espécie de assessor direto de Ana Cristina. No total, trabalhou por 14 anos com a família, chegando até a cuidar de Jair Renan Bolsonaro, o filho mais novo do presidente. “Era sozinho, ninguém tinha tempo para ele”, disse. Ele diz não ter como provar todas as denúncias que está fazendo. Mas a proximidade com a família é atestada pelas redes sociais. Há cerca de dois meses, Jair Renan publicou uma foto no Instagram ao lado de Nogueira, para fazer uma homenagem de aniversário. Na legenda, o caçula chama Nogueira de “grande amigo” e afirma que ele “ensinou muito, especialmente a como me tornar uma pessoa boa”.

De acordo com as acusações públicas, até mesmo a mansão onde Ana Cristina vive hoje com o filho, Jair Renan, no Lago Sul, em Brasília, teria sido comprada por meio de um esquema. O imóvel estaria registrado em nome de laranjas “para evitar escândalo”, segundo ele.

O ex-funcionário é o segundo ex-assessor de Flávio Bolsonaro que denuncia o esquema de devolução de salários. Em novembro do ano passado Luiza Souza Paes confirmou ao Ministério Público do Rio de Janeiro que repassava mais de 90% do seu salário a Fabrício Queiroz. Luiza apresentou extratos bancários para comprovar que, de 2011 a 2017, repassou 160.000 reais a Queiroz. Apontado como o operador das rachadinhas, Queiroz chegou a ser preso no ano passado, mas está em liberdade desde março deste ano.

“Fiel e apaixonado”

As denúncias que recaem sobre os Bolsonaro e sua ex-mulher surgem às vésperas da manifestação do 7 de setembro, para quando o presidente convocou seus aliados para irem às ruas em seu apoio. Carolina de Paula, cientista política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Uerj, avalia que dificilmente as declarações de Luiz Nogueira causarão algum impacto nos atos da próxima terça-feira.

Em maio, ela e outros pesquisadores realizaram um levantamento com os eleitores que votaram no presidente em 2018, para o Data Iesp. “O que vimos é que a questão das rachadinhas para o público mais fiel ao presidente, que é composto de pessoas mais velhas e associadas à religião, não cola”, afirmou. “Eles não veem as rachadinhas como uma prática de corrupção, dizem ser algo ligado à cultura brasileira e não acham que Bolsonaro é responsável pelo ato dos filhos”, explica. E é esse público que estará nas ruas no próximo dia 7, segundo ela. “Por isso, [as denúncias de agora] não vão ter impacto no 7 de setembro”, afirma. “A não ser que ocorra algo muito forte com Bolsonaro. Mas ainda assim, depende do que for, porque é um público muito fiel e apaixonado”.

Por outro lado, existe um público decepcionado com o presidente que pode ser mais impactado por essas novas denúncias. “São pessoas que votaram nele por causa do discurso da Lava Jato e agora estão arrependidas”, explica Carolina. “Dentro desse grupo, que faz críticas a Bolsonaro, embora ainda o apoie, essas novas denúncias vão repercutir, porque elas solidificam as dúvidas que eles já estavam levantando”. Pedro Estevam Serrano, professor de Direito da PUC-SP, concorda com ela. “Bolsonaro tem um discurso moralista em relação à corrupção e isso [a denúncia das rachadinhas] o desgasta diante de uma parte do eleitorado dele, que é muito cioso diante das questões de corrupção”, afirma.

No entanto, Serrano esclarece que, no âmbito jurídico, não há implicações para o presidente até o momento. “Só se houver alguma forma de participação dele no crime”, diz. “O que se pode cogitar é que ele pode ter tido o poder de interromper a conduta, ter tido ciência da conduta, e não a interrompeu, mas para isso é preciso investigar”. Para Leonardo Yarochewsky, advogado criminalista e doutor em ciências penais pela UFMG, não é por que os filhos cometem crime que os pais serão responsabilizados. “Não há uma implicação direta pelo crime praticado pelos filhos”, diz. “Agora, se Bolsonaro cometer outros crimes em decorrência disso, como, por exemplo, obstrução da justiça, ou seja, impedir que a investigação ocorra, aí sim ele pode responder por isso”.

A reportagem tentou contato com o senador Flavio Bolsonaro, mas não recebeu retorno do recado deixado em seu gabinete. No gabinete do vereador Carlos Bolsonaro, ninguém atendeu. A reportagem não conseguiu contato com Ana Cristina Valle.

El País

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Ex-assessor da Alerj confirma que devolvia 80% do salário para a então mulher de Bolsonaro

Ana Cristina, mulher 02 de Bolsonaro, com Marcelo Santos

Por Guilherme Amado

Um ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) no período em que ele foi deputado estadual no Rio afirmou que entregava 80% do salário de R$ 7.326 que recebia para a advogada Ana Cristina Valle, então mulher do presidente Jair Bolsonaro. Flávio é acusado de operar um esquema de “rachadinha” e foi denunciado pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita.

Ana Cristina, por sua vez, é investigada por um suposto esquema de funcionários fantasmas e “rachadinha” na época em que foi chefe de gabinete do vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos).

NOVA TESTEMUNHA – É o segundo ex-assessor de Flávio que revela a devolução de salários. Em novembro do ano passado, O Globo mostrou que Luiza Souza afirmou ao MP-RJ que era obrigada a devolver mais de 90% do que recebia. Ela apresentou extratos bancários para comprovar que, entre 2011 e 2017, repassou R$ 160 mil para Fabrício Queiroz, que também atuou o gabinete e é outro alvo da denúncia dos promotores que atinge Flávio.

Marcelo Luiz Nogueira de Santos, que esteve lotado no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) entre 2003 e 2007, diz que devolveu, ao todo, cerca de R$ 340 mil, e que a prática era condição para a manutenção do emprego.

Os valores, segundo ele, eram sacados e repassados em espécie. De acordo com Nogueira, outros funcionários dos gabinetes de Flávio e Carlos também repassavam a Ana Cristina os valores — a missão de arrecadar os recursos teria ficado depois com Queiroz. Segundo ele, Flávio, Carlos e Jair Bolsonaro tinham conhecimento do que ocorria.

UMA MIXARIA – Das pessoas que não trabalhavam, que eram só laranjas, ela (Ana Cristina) ficava com praticamente tudo. Só dava uma mixaria para usar a conta e o nome da pessoa — disse o ex-funcionário em entrevista ao portal.

Também ao “Metrópoles”, o ex-assessor afirmou que Ana Cristina é a real proprietária da casa onde mora atualmente, no Lago Sul, região nobre de Brasília  —  ela diz que o imóvel é alugado. Segundo Nogueira, a advogada firmou contratos de gaveta com dois laranjas, que aparecem como titulares do negócio, com o intuito de não chamar a atenção. A nova moradia da ex-mulher do presidente, no entanto, foi revelada há uma semana pela revista “Veja”.

Nogueira trabalhou na casa em Brasília entre fevereiro e junho deste ano e vem deste período a terceira acusação contra Ana Cristina. O caso foi noticiado pelos repórteres Letícia Casado, Juliana Dal Piva, Eduardo Militão e Rafael Moraes Moura.

BABÁ DE RENAN – Ele afirmou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) que trabalhava sem carteira assinada, que a situação era análoga à escravidão e que recebia um salário inferior ao que havia sido combinado (R$ 1,3 mil no lugar de R$ 3 mil). Antes, ele já havia trabalhado na casa de Ana Cristina em Resende, no sul do estado.

A relação com a família também inclui uma proximidade com Jair Renan Bolsonaro, filho de Ana Cristina e do presidente. Nogueira diz que o próprio chefe do Executivo pediu a ele que, após a separação do casal, fosse morar com a advogada para ser “babá” de Jair Renan, que então era uma criança. Há dois meses, o filho do presidente publicou uma foto no Instagram ao lado de Nogueira, a quem chamou de amigo.

“Você me ensinou muito, especialmente a como me tornar uma boa pessoa. Sua empatia e seu carinho são contagiantes, e eu serei eternamente grato”.

SIGILO QUEBRADO – Ana Cristina e Carlos tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados pela Justiça do Rio na investigação que apura a existência de funcionários fantasmas e a suposta prática de rachadinha.

Ao “Metrópoles”, a defesa de Flávio Bolsonaro afirmou que desconhece as afirmações do ex-assessor e que o parlamentar não tem ciência de supostas irregularidades que possam ter sido cometidas por ex-funcionários de seu antigo gabinete na Alerj. As defesas de Carlos e Ana Cristina não foram localizadas.

Jornal Metrópoles / Tribuna da Internet

Movimento defensivo

 



Elite empresarial sabe o que não quer, mas falta projeto

Por César Felício (foto)

De onde menos se espera, daí é que não sai nada, como dizia o Barão de Itararé. Historicamente não se encontram muitos exemplos de engajamento das federações de indústria na defesa de valores democráticos. O recuo constrangedor de Paulo Skaf na publicação de seu anódino manifesto e o mais constrangedor ainda documento da Fiemg, defendendo a liberdade de expressão de propagadores de ódio na internet, demonstram a tese nos dias de hoje.

No passado, tome-se um exemplo: em 1977, o presidente da Fiesp, Teobaldo De Nigris, responsável pela construção da sede da entidade em forma de pirâmide que marca a Avenida Paulista, veio a público para falar sobre a abertura “lenta, gradual e segura” que o presidente Ernesto Geisel promovia. Era 18 de agosto, ele acabava de ser reeleito para mais um mandato à frente da entidade e Geisel era desafiado dentro dos quartéis pelo ministro do Exército, Sylvio Frota, que queria manter o regime fechado.

O comentário foi: “Ingressar na chamada democracia, que tanto admiramos, poderá nos trazer complicações, pois precisamos, primeiro, ordenar mais o nosso desenvolvimento.” Segundo De Nigris, “isso poderia nos trazer muita confusão, pois ainda é prematuro”. A ditadura já tinha 13 anos.

A palavra do setor privado não veio do dirigente máximo da indústria. Menos de um ano depois, 26 de junho de 1978, um grupo de oito empresários, eleitos como líderes do setor privado em uma votação organizada pelo jornal “Gazeta Mercantil”, assinou um manifesto, que entrou para a história como “o documento dos oito”. Eram eles Laerte Setubal Filho, Paulo Vellinho, Paulo Villares, Severo Gomes, Antônio Ermírio de Moraes, Claudio Bardella, Jorge Gerdau e José Mindlin. Todos industriais.

O tom era outro: “Estamos convencidos de que o sistema de livre iniciativa no Brasil e a economia de mercado são viáveis e podem ser duradouros se formos capazes de construir instituições que protejam os direitos dos cidadãos e garantam a liberdade.”

Estes oito tinham um projeto, uma visão de Estado e de economia, que passava pela saída dos militares do poder. Quem escreveu o manifesto foram os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e João Manoel Cardoso de Mello, além do jornalista Roberto Müller. O texto saiu depois de longas conversas com cada um deles, na própria redação da “Gazeta”. Belluzzo e João Manoel eram assessores do presidente do MDB, Ulysses Guimarães, e portanto o sentido político do manifesto era inequívoco. Sabia-se o que não se queria mais e o que iria se querer daí para frente

Projeto é tudo. Projeto falta hoje à elite empresarial. “O que estamos vendo, em alguns casos, são documentos em um contexto de resistência, mas há o encurtamento de horizontes. Os manifestos, quando saem, não são propositivos. Sabem bem o que não querem, mas não sabem o que querem”, comenta hoje Belluzzo. E, sobretudo, não sabem quem querem.

Se a Fiesp nos anos 70, quando a indústria era 35% do PIB, estava do lado errado da história, que dirá agora, em que a participação industrial beira os 11%. Para serem agentes políticos os industriais hoje são muito mais frágeis.

*

Algo anda mal na relação entre Senado e Câmara dos Deputados. Fracassou na noite de quarta-feira um acordo entre os presidentes das duas Casas e o governo para aprovar a Medida Provisória 1.045 sem parte dos acréscimos que alteravam a legislação trabalhista, introduzidos pelos deputados. A MP foi sumariamente rejeitada pelo plenário do Senado.

Este episódio ilustra à perfeição o que pode acontecer com outros temas da agenda, como é o caso do projeto de lei que muda o imposto de renda, aprovado também na quarta pelos deputados. A fúria legiferante de Arthur Lira, o presidente da Câmara, encontra limites na outra casa do Congresso. E a obstinação do ministro da Economia Paulo Guedes é um componente a mais no conflito.

Ao ignorarem o acordo de quarta-feira entre Lira e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, os senadores mandaram um recado claro: não confiam na palavra do presidente da Câmara de domar a base. Os senadores simplesmente não acreditaram que as exclusões no texto da MP acertadas pela cúpula do Congresso seriam mantidas na volta da matéria legislativa ao exame dos deputados.

O desacordo entre Senado e Câmara a respeito de matérias de natureza tributária data de muito tempo. Quando o antecessor de Lira, o deputado Rodrigo Maia, tentou levar adiante a aprovação da PEC 45, que criava um imposto sobre valor adicionado de alíquota única para indústria e serviços, o então presidente do Senado Davi Alcolumbre protocolou pessoalmente a PEC 110, que mitigava a proposta.

O impasse à época jogou a favor de Guedes, que jamais se entusiasmou nem com a proposta da Câmara, nem com a do Senado. Sempre quis uma reforma tributária restrita, resumida à unificação das contribuições e à ressurreição de uma espécie de CPMF com algum outro nome, para viabilizar a desoneração da folha de pagamentos.

Com Lira à frente, houve clima para que a Câmara tocasse uma reforma do imposto de renda que cumpre uma promessa de campanha de Bolsonaro - correção da tabela do imposto de renda - e tenta criar um colchão fiscal para a recauchutagem do Bolsa Família. A proposta, segundo a maioria das análises, não é neutra. A margem é criada às custas de contribuintes de pessoa jurídicas. Ela está muito longe da ambição tanto da PEC 45 quanto da PEC 110.

Chegará ao Senado com um patrono em desprestígio na Casa, que é Lira, e outro com interlocução sabidamente difícil com o Congresso, que é Guedes. O ministro não desiste de suas ideias, mesmo quando são de viabilidade duvidosa.

Tentou patrocinar chicanas legislativas para contornar a falta de adesão a teses como a capitalização da Previdência, a “carteira verde e amarela” na área trabalhista e volta e meia ensaia com o retorno do “imposto digital”. A velocidade frustrante da recuperação econômica, evidenciada no resultado do PIB divulgado anteontem, o fragiliza no Senado. É de se notar que há poucos dias, em entrevista ao jornal “O Globo”, o presidente do Senado disse ver com bons olhos um novo fracionamento da pasta da Economia, com a volta do Ministério do Planejamento.

O panorama para a tramitação do projeto que muda a lei do Imposto de Renda no Senado, é, portanto, “desafiador”, para usar um irritante chavão que tomou conta da linguagem corporativa. Significa que há uma chance importante de que dê tudo errado para os pais da ideia.[

Valor Econômico

A podridão que emana do clã Bolsonaro emporcalha o ar de Brasília

 



Afinal, deu para entender por que o presidente Jair Bolsonaro aconselhou os brasileiros a comprarem fuzil ao invés de feijão, e falou que o futuro lhe reserva a prisão, a morte ou a vitória.

Por Ricardo Noblat (esq.)

A vitória nas eleições do ano que vem lhe parece cada vez mais distante. O governo já não governa, desmancha-se. A saúde de Bolsonaro não é boa, mas o risco de que morra é pequeno.

Na verdade, ele borra-se de medo de ser preso ao fim do mandato, ou de assistir, antes, à prisão de um dos seus filhos zero. Jura que os protegerá, abrigando-os no Palácio da Alvorada. Mas e daí?

Até quando poderia se negar a cumprir uma eventual ordem de prisão da Justiça? Melhor seria tirá-los do país às escondidas e despachá-los para um exílio vexaminoso.

Bolsonaro elegeu o Supremo Tribunal Federal para saco de pancadas, mas é no Rio que o perigo está e não no deserto do Planalto Central. Aqui é só um puxadinho do inferno para ele.

Avançam as investigações sobre a roubalheira de dinheiro público que o envolve, aos seus quatro filhos homens e a uma de suas ex-mulheres. O país está atônito com as novas revelações.

“Brasília fede”, estampou a manchete do Correio Braziliense no final dos anos 1970, quando o Lago Paranoá emanava miasmas fétidos que incomodavam os moradores da área nobre da cidade.

Desta vez o que fede é o clã que chegou ao poder há quase 3 anos. Quem se lembra de Eriberto, o motorista que ajudou a derrubar Collor? E de Francenildo, o caseiro que ajudou a derrubar Palocci?

Marcelo Luiz Nogueira dos Santos, que trabalhou por 14 anos para a família Bolsonaro, jogou mais lenha na fogueira em que ardem os Bolsonaros ao contar o que viu ao Metrópoles.

Enquanto foi lotado no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio entre 2003 e 2007, alega ter devolvido 80% de tudo o que recebeu no período – 340 mil reais.

Em seguida, primeiro em Resende, no Rio, e nos últimos meses em Brasília, virou uma espécie de babá de Jair Renan, filho de Ana Cristina Siqueira Valle com Bolsonaro.

Segundo ele, Ana Cristina foi quem precedeu Queiroz na tarefa de recolher as rachadinhas não só no gabinete de Flávio, mas também no de Carlos, eleito vereador da Câmara do Rio em 2000.

Somente depois da separação de Jair e Ana Cristina, em 2007, Flávio e Carlos assumiram a responsabilidade pelo recolhimento dos valores dos funcionários de seus gabinetes.

O patrimônio de Ana Cristina, em 2020, era estimado em R$ 5 milhões. Ela não alugou a mansão onde mora, hoje, no Lago Sul, em Brasília, mas a comprou usando testas de ferro.

Ana Cristina joga pesado. Mensagens de celular em posse da CPI da Covid indicam que, a pedido de um lobista, ela acionou o governo para influenciar em nomeações de órgãos públicos.

As mesmas mensagens mostram que Jair Renan, ao invés de trilhar os caminhos ditados pela legislação, recorreu à ajuda de um lobista para abrir em Brasília sua empresa de eventos esportivos.

Quem puxa aos seus não degenera, mas em alguns casos, justamente por puxar, degenera sim. Daí os fétidos miasmas que voltam a emporcalhar o ar sempre tão carregado de Brasília.

Jornal Metrópoles

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