terça-feira, agosto 10, 2021

WhatsApp libera novos recursos; visualização única é um deles


em 10 ago, 2021 8:16 

Mais uma ferramenta foi implementada ao WhatsApp. A plataforma digital de mensagens anunciou o recurso de visualização única de fotos e vídeos enviados entre os usuários com o objetivo de oferecer mais privacidade. Essas e outras novidades já estão disponíveis.

A nova ferramenta permitirá que o remetente, antes do envio da foto ou vídeo, escolha se a visualização será permanente ou se o destinatário poderá ver apenas uma vez. Caso opte pela mensagem de visualização única, assim que a imagem enviada for visualizada, ela desaparecerá automaticamente.

Para usufruir do novo recurso, os usuários deverão atualizar o aplicativo para a versão mais recente. Para que a imagem possa desaparecer após a visualização, antes de enviá-la deverá clicar no ícone com o número “1” que ficará no lado direito da caixinha de texto, após clicar na imagem escolhida.

Cabe ressaltar que, assim como as demais mensagens, fotos e vídeos, as enviadas por meio desse recurso também serão protegidas por criptografia de ponta a ponta.

Outros recursos

Além das fotos de visualização única, outros recursos têm sido adicionados à plataforma, como as conversas arquivadas para sempre, que permite que as mesmas não retornem para a lista de conversas, ajudando aos usuários não receber mensagem de determinados grupos ou pessoas; a possibilidade de entrar em alguma vídeo chamada após a mesma já ter sido iniciada por outros usuários e a possibilidade de transferência de dinheiro entre os usuários por meio do próprio aplicativo.

Por Luana Maria e Verlane Estácio

INFONET

Bolsonaro se apresenta como 'chefe supremo' das Forças e chama Poderes para verem desfile

por Renato Machado | Folhapress

Bolsonaro se apresenta como 'chefe supremo' das Forças e chama Poderes para verem desfile
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Em meio à polêmica causada pelo desfile de blindados previsto para esta terça-feira (10), o presidente Jair Bolsonaro postou em suas redes sociais um convite para que autoridades de Brasília, como os presidentes das Casas Legislativas e do Judiciário, recebam também os veículos militares.
 

O desfile dos veículos provocou reação por ocorrer em um momento de tensão institucional, além de ser a data prevista para que a Câmara dos Deputados vote a PEC (proposta de emenda à Constituição) do voto impresso. O presidente já assume a possibilidade de derrota.
 

Mesmo aliados do presidente reagiram ao evento militar. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que se trata de uma "coincidência trágica" que o desfile dos blindados aconteça no mesmo dia previsto para a votação da PEC.
 

"Sr. Presidente do ... STF, Câmara Federal, Senado, TCU, TSE, STJ, TST, Deputados, Senadores... : Como ocorre desde 1988, a nossa Marinha realiza exercícios em Formosa/GO. Como a tropa vem do Rio, Brasília é passagem obrigatória. Muito me honraria sua presença amanhã na Presidência (08h30), onde receberei os cumprimentos da Força e lhes desejarei boa sorte na missão", divulgou em rede social Bolsonaro, que completa sua assinatura lembrando ser o "Chefe Supremo das Forças Armadas".
 

O Ministério da Defesa planejou para esta terça-feira um desfile de blindados da Marinha que passará em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília. Os veículos militares seguem para Formosa (GO), onde será realizado um grande exercício militar, com a presença de membros não apenas da Marinha como também do Exército e da Aeronáutica.
 

Embora seja um exercício de adestramento tradicional da Marinha, essa seria a primeira vez que os blindados entrariam em Brasília. Além disso, eles seguirão para a Praça dos Três Poderes, em um momento de grande tensão entre os poderes, em particular entre o Executivo e o Judiciário.
 

O evento ocorre, por exemplo, em meio uma série de declarações golpistas de Bolsonaro e na semana em que está prevista a votação do voto impresso na Câmara.
 

Bolsonaro vem promovendo uma série de ataques ao sistema eleitoral brasileiro. Nessa cruzada, vem criticando diretamente autoridades do judiciário. Usou mesmo palavras de baixo calão contra o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luis Roberto Barroso, e disse sobre o ministro do STF Alexandre de Moraes que "sua hora vai chegar".
 

A Marinha buscou minimizar o desfile, afirmando que se trata apenas da entrega de um convite a Bolsonaro e ao ministro Walter Braga Netto (Defesa) para que as autoridades participem, na próxima segunda-feira (16), de um tradicional exercício da Marinha que ocorre desde 1988.
 

O evento não consta na agenda oficial desta terça-feira do presidente da República, mas autoridades no Planalto consideram sua presença como certa. Também não consta na agenda oficial divulgada, mas é possível que Bolsonaro receba alguns ministros para uma reunião no mesmo horário da chegada dos blindados.
 

De acordo com a assessoria de comunicação da Defesa, trata-se de uma ação de divulgação do exercício. Segundo a Marinha, a Operação Formosa envolverá neste ano mais de 2.500 militares das três Forças —é a primeira edição que Exército e Aeronáutica participam.
 

No total, serão 150 diferentes equipamentos, entre carros de combate, blindados, aeronaves e lançadores de mísseis e foguetes. O objetivo é simular uma operação anfíbia.
 

"Nesta terça-feira, pela manhã, comboio com veículos blindados, armamentos e outros meios da Força de Fuzileiros da Esquadra, que partiu do Rio de Janeiro, passará por Brasília, a caminho do Campo de Instrução de Formosa", afirma.
 

"Na oportunidade, às 8h30, no Palácio do Planalto, serão entregues ao presidente da República, Jair Bolsonaro, e ao ministro da Defesa, Walter Souza Braga Netto, os convites para comparecerem à demonstração operativa", completa a Marinha, em nota.
 

O Ministério da Defesa foi questionado pela reportagem, mas não informou qual é o custo total do desfile de blindados nem quantos veículos e militares vão participar do evento. A pasta informou apenas que iria repassar o pedido para a assessoria de imprensa da Marinha, organizadora do evento, que também não se manifestou sobre essas questões.
 

No início da noite de segunda-feira, a Marinha divulgou nota na qual buscou esclarecer alguns pontos e amenizar o mal-estar causado pelo evento.
 

A Força afirma que a entrega simbólica dos convites foi planejada antes do anúncio da data da votação da PEC do voto impresso, que ocorre nesta terça-feira, e que não há relação nenhuma entre os dois acontecimentos ou com "qualquer ato em curso nos Poderes da República".
 

O texto da Marinha também afirma que, do comboio total de blindados, 14 viaturas vão ficar em exposição para apresentar à sociedade brasileira os equipamentos e preparo. A Marinha, por outro lado, não esclareceu se esses serão os únicos veículos que percorrerão a Esplanada dos Ministérios.
 

"A entrega do convite ao presidente da República foi planejada para contemplar um comboio composto de algumas das principais viaturas, cujo total da Operação é 150, e que iniciaram o deslocamento para o Planalto Central desde o dia 8 de julho", afirma o texto.
 

"Desse comboio, 14 viaturas ficarão em exposição durante esta terça-feira, em frente ao prédio da Marinha na Esplanada dos Ministérios. Os eventos buscam valorizar e apresentar à sociedade brasileira o aprestamento dos meios operativos da nossa Marinha", completa.
 

Às vésperas do desfile de blindados, Bolsonaro se reuniu fora da sua agenda oficial com o ministro Walter Braga Netto. O presidente se dirigiu na tarde desta segunda a um prédio do Ministério da Economia, para um compromisso na Autoridade Nacional de Proteção de Dados.
 

Após mais de uma hora que estava no prédio, Braga Netto chegou ao local e permaneceu cerca de 15 minutos. Saiu em seguida, sem falar com a imprensa. Bolsonaro ainda permaneceu no prédio do ministério, mas também saiu sem dar declarações.
 

A iniciativa do militares repercutiu entre congressistas e gerou reações.
 

Parlamentares de centro, centro-direita e esquerda pretendem, durante o desfile, se posicionar em silêncio na rampa do Congresso com cartazes em defesa da democracia.
 

“Em seu desespero de besta acuada, Bolsonaro tenta demonstrar força colocando tanques na rua. O Parlamento reagirá à altura mostrando a fraqueza do presidente, que faz um teatro para seus militantes para justificar a previsível derrota do voto impresso”, afirmou o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), que organizou a mobilização.
 

“Mostraremos, juntando parlamentares de direita, de centro e de esquerda, que a democracia brasileira é mais poderosa que Bolsonaro. O tiro sairá pela culatra.”
 

A deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC) avalia que a realização do desfile é uma tentativa de Bolsonaro de pressionar os parlamentares e “passar a ideia de que tem força, quando, de fato, não tem.”
 

“Esse trabalho das Forças Armadas é corriqueiro, necessário. Agora, quando os blindados passam pela Esplanada dos Ministérios num dia importante como esse, é o Bolsonaro tentando usar as Forças Armadas para seu projeto pessoal”, disse. “Se a ideia é intimidar, é o inverso que vai acontecer, porque ninguém gosta disso. Os blindados do Bolsonaro podem passar por cima do pé dele.”
 

"Nossa resposta será a derrota do voto impresso”, diz o líder do PT na Câmara, Bohn Gass (RS).
 

Vice-presidente da CPI da Covid no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) atacou, em uma rede social, a presença de blindados na Esplanada nesta terça.
 

"Alguns avisos ao sr. inquilino do Palácio do Planalto: 1) Colocar tanques na rua não é demonstração de força, e sim de COVARDIA; 2) Os tanques não são seus, pertencem à Nação; 3) Quer tentar golpe Sr. @jairbolsonaro? É o crime que falta para lhe colocarmos na cadeia", escreveu.

Bahia Notícias

Entenda as diferenças entre o Bolsa Família e o novo Auxílio Brasil

por Folhapress

Entenda as diferenças entre o Bolsa Família e o novo Auxílio Brasil
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O novo Bolsa Família prometido pela gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi apresentado nesta segunda-feira (9).
 

Chamado de Auxílio Brasil, o programa muda regras e o nome do projeto criado em 2003, na primeira gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, pondo fim a uma marca do PT.
 

A medida provisória com o texto da mudança foi entregue por Bolsonaro ao presidente da Câmara, Arhur Lira (PP-AL) na manhã desta segunda. O governo não definiu valores, mas Bolsonaro afirmou que será 50% maior que o atual, cuja média é de cerca de R$ 190. Ainda haverá bônus para quem conseguir emprego com carteira assinada.
 

O Auxílio Brasil também prevê vale-creche, para ser usado em instituições privadas, e bônus para famílias com atletas e estudantes de destaque. Também permite o empréstimo consigado com parcelas no valor de até 30% do benefício. Veja as diferenças entre os dois programas.
 

*
 

COMO É O BOLSA FAMÍLIA
 


 

Destinado a
 

- Famílias em condição de extrema pobreza (renda mensal de até R$ 89 por pessoa)
 

- Famílias em condição de pobreza (renda mensal entre R$ 89 e R$ 178 por pessoa) que tenham crianças ou adolescentes de 0 a 17 anos
 


 

Como são os pagamentos
 

- Benefício básico: destinado a famílias em situação de extrema pobreza
 

- Benefício variável: destinado a famílias em pobreza e extrema pobreza com gestantes ou pessoas até 15 anos (até 5 benefícios por família)
 

- Benefício variável: destinado a famílias em pobreza e extrema pobreza com adolescentes até 17 anos (até 2 benefícios por família)
 

- Benefício para superação da extrema pobreza: destinado a famílias integradas por pessoas até 15 anos e que tenham R$ 70 de renda mensal per capita. Valor: o necessário para que renda e benefícios superem R$ 70 per capita
 


 

Condições
 

- Exame pré-natal
 

- Acompanhamento nutricional
 

- Acompanhamento de saúde
 

- Mínimo de frequência escolar
 


 

COMO SERÁ O PROGRAMA AUXÍLIO BRASIL
 


 

Destinado a
 

- Famílias em condição de extrema pobreza (renda mensal de até R$ 89 por pessoa, segundo o padrão atual do governo)
 

- Famílias em condição de pobreza (renda mensal entre R$ 89 e R$ 178 por pessoa, segundo o padrão atual do governo) com gestantes ou pessoas com idade até 21 anos
 


 

Como serão os pagamentos
 

- Benefício Primeira Infância: destinado a famílias com crianças até 3 anos (pago por integrante nessa situação)
 

- Benefício Composição Familiar: destinado a famílias com gestantes ou pessoas entre 3 e 21 anos (pago por integrante nessa situação)
 

- Benefício de Superação da Extrema Pobreza: destinado a famílias em situação de extrema pobreza (com valor mínimo por integrante)
 


 

Novos benefícios previstos pelo Auxílio Brasil
 

- Auxílio Esporte Escolar: aos estudantes, integrantes das famílias beneficiárias, com destaque nos Jogos Escolares Brasileiros
 

- Bolsa de Iniciação Científica Junior: destinado a estudantes do programa que se destaquem em competições acadêmicas e científicas
 

- Auxílio Criança Cidadã: pagamento integral ou parcial de mensalidades de creches privadas a ser pago diretamente às instituições, sendo preferencialmente beneficiadas famílias monoparentais com crianças de 2 anos e desde que a pessoa tenha atividade remunerada e não haja vagas na rede pública ou privada conveniada para atender a família
 

- Auxílio Inclusão Produtiva Rural: incentivo de 3 anos que, na prática, consiste na compra por parte do governo de alimentos produzidos pelos agricultores familiares para consumo de outras famílias
 

- Auxílio Inclusão Produtiva Urbana: para beneficiários do Auxílio Brasil que comprovem vínculo de emprego formal
 


 

Outros pontos
 

- Regra de Emancipação: famílias que tiverem aumento da renda que ultrapasse o limite do programa Auxílio Brasil poderão continuar recebendo por até 2 anos (desde que a renda per capita permaneça abaixo de duas vezes e meia o limite da pobreza)
 

- Famílias que tiverem redução nos pagamentos recebidos na criação do Auxílio Brasil terão um Benefício Compensatório de Transição por alguns meses
 

- Crédito consignado: beneficiários de programas federais de assistência social ou de transferência de renda poderão tomar crédito consignado com parcelas de até 30% do valor do benefício
 

- O Programa de Aquisição de Alimentos, criado em 2003 para incentivar a agricultura familiar, é rebatizado como Programa Alimenta Brasil
 

- Legislação do Bolsa Família será revogado em três meses
 


 

Condições de atendimento
 

- Pré-natal
 

- Vacinações do calendário nacional
 

- Acompanhamento do estado nutricional
 

- Frequência escolar mínima


Bahia Notícas

Delegado é encontrado morto dentro da sede da Polícia Federal

Delegado é encontrado morto dentro da sede da Polícia Federal
Foto: Reprodução/RBS TV

Um delegado foi encontrado morto na sede da Polícia Federal (PF), em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, nesta segunda-feira (9). Segundo a assessoria da PF, o caso está sendo tratado como suicídio.

 

A investigação sobre o óbito de Gastão Schefer Neto, de 48 anos, ficará a cargo da própria instituição, já que o óbito ocorreu dentro da delegacia. A informação é do G1 RS.

 

De acordo com a publicação, em 2020 o delegado foi chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

 

Gastão Neto também concorreu ao cargo de deputado federal pelo Paraná duas vezes. Em 2018, pelo PSL, recebeu 4.670 votos. E em 2014, pelo PR, conquistou 23.239 votos. Ele não foi eleito

Bahia Notícias

Lira garante que Bolsonaro vai respeitar a decisão do plenário sobre voto impresso


Lira conversou com Bolsonaro antes de dar entrevista à CBN

Deu no Portal Terra

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta segunda-feira que conversou com o presidente Jair Bolsonaro sobre a decisão de levar a PEC do voto impresso para votação no plenário da Casa, e que recebeu garantias do chefe do Executivo de que respeitaria a decisão dos deputados.

“O resultado do plenário nossa expectativa é que os Poderes acatem com naturalidade e respeitem”, disse Lira em entrevista à rádio CBN. “O presidente Bolsonaro me garantiu que respeitaria o resultado do plenário.”

PREVISÃO: DERROTA – Segundo o presidente da Câmara, a PEC deve ser votada nesta terça-feira ou na quarta, e a expectativa é de derrota do projeto, que é amplamente defendido por Bolsonaro.

“Temos uma média de 15 ou 16 partidos contrários ao voto impresso, acho que as chances de aprovação podem ser poucas”, disse Lira.

O presidente da Câmara já tinha anunciado na sexta-feira que levaria a proposta sobre a implantação do voto impresso pelaS urnas eletrônicas nas eleições ao plenário da Casa, apesar de a proposta ter sido derrotada em comissão especial sobre o tema na véspera.

PACIFICAÇÃO – Lira disse que a decisão visa pacificar as eleições de 2022, depois que o tema do voto impresso se tornou motivo de enorme tensão entre Bolsonaro –ferrenho defensor da proposta– e a cúpula do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que defende a lisura do sistema atual.

Como se trata de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), para a mudança ser aprovada precisa do apoio de 308 dos 513 deputados em dois turnos de votação e depois, também em duas rodadas, os votos de 49 dos 81 senadores.


Não haverá impeachment e Bolsonaro ficará no poder, fantasiado de Rainha da Inglaterra

Publicado em 10 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do João Bosco (O Liberal)

Carlos Newton

Neste momento de gravíssima crise institucional, a responsabilidade do deputado Arthur Lira (PP-AL) é enorme. Como presidente da Mesa da Câmara, cabe a ele, em opção solitária, decidir se deve permitir a tramitação de algum dos pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

O movimento “Vem Pra Rua”, um dos responsáveis pela mobilização popular que tirou o PT do poder, no governo de Dilma Rousseff, entrou sexta-feira com pedido no Supremo para obrigar o presidente da Câmara a aceitar um dos 126 requerimentos.

PROPOSTA INÚTIL – A petição do “Vem Pra Rua” serve politicamente para marcar posição, mas não tem o menor efeito, porque o STF já negou pedido idêntico. No final de julho, a relatora Cármen Lúcia mandou arquivar um requerimento que também pedia ao Supremo que obrigasse Arthur Lira a analisar o pedido de impeachment feito pelo PT no ano passado.

No entanto, não há como obrigar Arthur Lira a cumprir a lei, devido ao princípio jurídico da independência dos Poderes, um do marcos da democracia na visão genial do barão de Montesquieu, expressada há quase três séculos.

“O juízo de conveniência e de oportunidade do processo de impeachment é reserva da autoridade legislativa, após a demonstração da presença de requisitos formais”, determinou Cármen, levantando um muro entre Congresso e Supremo.

OITO INQUÉRITOS – Bolsonaro já responde a oito inquéritos no Supremo e no TSE. Não tem condições de escapar de nenhum deles, pois produziu abundantes provas contra si. Aliás, não faz outra coisa.

A menos de um ano e dois meses das eleições, não se pode contar com o Supremo ou o TSE para provocar processo de impeachment. Portanto, só resta Arthur Lira, uma espécie de juiz singular entre 220 milhões de brasileiros.

Diz ele que seu dedo já está sobre o sinal amarelo do impeachment, mas quem pode acreditar nesse tipo de político? É o Centrão que está no poder, representado por Arthur Lira, Ciro Nogueira e Rodrigo Pacheco, os três mosqueteiros do Planalto.  E quem já está no poder não tem o menor interesse de sair dele. 

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P.S. – Em tradução simultânea, essa novela vai se arrastar até o final de 2022. Enquanto isso, la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

 


Com a rejeição do voto impresso pela Câmara, Bolsonaro perde o argumento para dar golpe


Charge do Duke (O Tempo)

Merval Pereira
O Globo

A partir da decisão do Congresso de rejeitar o voto impresso, o presidente Bolsonaro perderá as condições de tentar virar a mesa ou de qualquer outro tipo de ação, a não ser reclamar, o que já começou a fazer. O deputado Artur Lira, presidente da Câmara, resolveu levar a questão ao plenário, o que, além de uma homenagem a Bolsonaro, terá o mérito de definir o assunto definitivamente.

Bolsonaro ficará sem argumento para alegar que está sendo roubado e que existe um movimento para eleger Lula. A maioria dos partidos já decidiu que irá votar contra o voto impresso e assim ele vai sofrer uma derrota muito grande na Câmara, perdendo o argumento do golpe; não poderá tentar dar um golpe e jogar fora das quatro linhas com a alegação de que a eleição foi roubada.

NOVA ESTRATÉGIA – Com a possibilidade real de ficar inelegível com o inquérito aberto contra ele no TSE, Bolsonaro precisa avaliar bem sua estratégia política, que claramente tem o objetivo de causar confusão e enfrentamento de autoridades para retornar ao Bolsonaro da campanha de 2018 – que na verdade nunca existiu, mas deu certo. Caso ele se torne inelegível, só uma revolução popular e não acredito que tenha apoio do povo para isso.

Ele pode até gostar da ideia de ser declarado inelegível para se fazer de vítima de um complô com os mesmos que tornaram Lula elegível – que é uma saída boa para o populismo, mas o deixa ameaçado.

SEM GOLPE – Os políticos que o apoiam devem estar dizendo a ele que uma ditadura não interessa, porque fecha o Congresso e é melhor ter eleição com um candidato forte.

A essa altura, imaginar um golpe militar no Brasil é tão anacrônico no mundo moderno, que não acredito que aconteça. Mas Bolsonaro acredita. O último que acreditou foi Jânio Quadros, que renunciou pensando que o povo sairia atrás dele na rua e nada aconteceu.

segunda-feira, agosto 09, 2021

Embate entre Bolsonaro e STF é o momento mais tenso desde a redemocratização do país


 (crédito: Tasso Marcelo/AFP)

Hoje, dia da votação, os blindados desfilam no Planalto

Jorge Vasconcellos
Correio Braziliense

Neste mês de agosto, quando a tentativa frustrada de autogolpe do ex-presidente Jânio Quadros completa 60 anos, o Brasil volta a viver uma situação semelhante. Agora, o presidente Jair Bolsonaro põe em xeque a realização das eleições de 2022 se o Congresso não aprovar a PEC do voto impresso.

Nessas duas páginas tristes da história nacional, as semelhanças mais preocupantes são o uso político das Forças Armadas e o plano do governante de comandar o país com mão de ferro, ao lado de militares.

AGRESSÕES DIÁRIAS – Bolsonaro estica cada vez mais a corda nos embates com o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O tom das agressões do capitão reformado aumenta à medida que sua popularidade cai e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue como favorito às próximas eleições, segundo as pesquisas. O presidente, inclusive, tem acusado, sem apresentar provas, a cúpula do Judiciário de trabalhar pelo retorno do petista ao poder.

Bolsonaro também vem explorando a repulsa de boa parte da cúpula militar a Lula e à esquerda, para atrair as Forças Armadas ao seu projeto autoritário.

Ao mesmo tempo, em entrevistas, nas redes sociais e nas conversas com apoiadores, o presidente tem reforçado as críticas aos governos petistas e alertado que um eventual retorno da esquerda ao poder será prejudicial ao país.

LEMBRANDO JÂNIO – A tática de explorar a rejeição à esquerda entre os militares também foi usada por Jânio Quadros. O então presidente renunciou em 25 de agosto de 1961, menos de sete meses depois de assumir a presidência, e comunicou o Congresso por meio de um bilhete.

Ele acreditava que a renúncia não seria aceita pelos parlamentares, pelas Forças Armadas e até pelo povo, o que lhe permitiria voltar ainda mais forte.

Jânio sabia do temor dos militares com a possível posse de seu vice, o esquerdista João Goulart. Só que, ao contrário do que tramava o então presidente, o Congresso não compactuou com o plano golpista e decidiu aceitar seu pedido de renúncia, por ser uma decisão pessoal.

PARCIALIDADE – Sessenta anos depois, o risco da ascensão de um regime autoritário volta a assombrar o país, e os sinais vão muito além da cansativa discussão sobre o voto impresso e do avanço da politização entre as Forças Armadas. Outras instituições do Estado — como a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal — vem sendo acusadas de atuar com parcialidade para proteger o presidente Bolsonaro e seus três filhos políticos.

Em um dos casos mais recentes, o senador Rogério Carvalho (PT-SE), membro da CPI da Covid, apresentou, na semana passada, um pedido para que o comando da comissão adote providências para obter a íntegra do vídeo do depoimento que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello prestou à Polícia Federal no inquérito que investiga indícios de irregularidades no contrato de compra da vacina indiana Covaxin.

O parlamentar também pediu que a CPI cobre explicações da PF por ter enviado um material incompleto, sem as partes em que o ex-ministro cita Bolsonaro e o deputado Luís Miranda (DEM-DF).

OUTRA DENÚNCIA – O mesmo senador Rogério Carvalho também denunciou à CPI, na semana passada, que uma pessoa próxima a ele foi abordada, em Sergipe, por oficiais do Exército. Os militares, segundo relatou o parlamentar, buscavam informações a seu respeito.

Carvalho é o relator, no Senado, do projeto que revoga a Lei de Segurança Nacional, um dos resquícios da ditadura militar (1964-1985). Em entrevista ao Correio, ele disse que, no período da redemocratização, ainda não tinha visto a democracia brasileira tão ameaçada como agora.

“Nunca vi, e é importante a gente fazer justiça. Nem no período pós-ditadura, quando o presidente José Sarney (MDB) assumiu, decorrente de uma eleição indireta, portanto, no período de transição. Nem naquele período o Brasil viveu momentos tão difíceis”, disse o senador.

UM RETROCESSO – E acrescentou: “A gente tem tido presidentes que, com suas qualidades e seus defeitos, todos respeitaram a livre manifestação dos movimentos sociais, a livre expressão da imprensa. Ninguém viu ou teve notícia de uma ação ofensiva contra setores que formam, disputam opinião na sociedade, que se expressam de diversas maneiras”.

O senador, entre outros sinais do avanço do autorismo no país, cita “a tentativa de transformar em crime de terrorismo as manifestações da luta social por conquista de direitos; a tentativa de calar a imprensa, de forma agressiva e desrespeitosa, principalmente com a representação feminina, tendo aí um sexismo e um machismo embutido; além da tentativa direta de intimidar os outros Poderes republicanos”.

Carvalho também diz temer uma possível ruptura institucional no país, mas alerta que tudo depende do que instituições como o Congresso e o Judiciário fizerem agora.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Por coincidência, carros blindados vão ocupar hoje de manhã, às 8h30m. a praça entre o Congresso e o Supremo, no dia da votação do voto impresso, por determinação do ministro da Defesa, general Braga Netto, que parece não tem medo do ridículo. (C.N.)

Em destaque

O OUTRO LADO DA MOEDA R$ 1.007.574.000.000,00 em juros da dívida

O Outro Lado da Moeda Por Gilberto Menezes Côrtes gilberto.cortes@jb.com.br   Publicado em 30/01/2026 às 16:26 Alterado em 30/01/2026 às 17:...

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