quarta-feira, junho 09, 2021

Polícia Federal quer investigar também a tentativa de obstrução da CPMI das Fake News


Blogueiro Allan dos Santos mostra "dedo do meio" para o STF

Allan dos Santos é uma figura-chave dessas investigações

Pepita Ortega, Rayssa Motta e Fausto Macedo
Estadão

A Polícia Federal sugeriu a abertura de uma investigação para apurar se apoiadores bolsonaristas tentaram obstruir os trabalhos da CPMI das Fake News. O documento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal em dezembro, no curso do inquérito dos atos antidemocráticos. Mensagens obtidas pela PF apontam que membros de um grupo de WhatsApp batizado de ‘Conselheiros do TL’ tentaram convencer a deputada federal Bia Kicis (PSL-SP) a ‘derrubar’ a convocação de João Bernardo Barbosa para prestar depoimento na comissão parlamentar.

Apontado como sócio do blogueiro Allan dos Santos, dono do portal Terça Livre, Barbosa é descrito pela PF como a pessoa ‘que paga as contas de Allan’. Uma das mensagens teria sido enviada por Ayres – provavelmente Bruno Ayres, segundo a PF, outro sócio do Terça Livre – em novembro de 2019.

MENTIU NA CPMI – Os investigadores dizem ainda que Allan teria mentido em depoimento na CPMI das Fake News sobre a composição societária da empresa Terça Livre. “A investigação identificou que Allan dos Santos atestou em seu depoimento que João Bernardo Barbosa era apenas um voluntário do Terça-Livre, minimizando sua participação nos fatos. Não há clara indicação das circunstâncias, impondo-se o aprofundamento para verificação da repercussão”, aponta a PF.

Em outra frente, a Polícia Federal lança dúvidas sobre o recebimento de dinheiro de monetização do canal Terça Livre via Google.

Os investigadores sugerem um inquérito à parte para investigar a hipótese de ‘envio de valores ao exterior com a interposição de pessoas (BBTV)’. As suspeitas surgiram durante a análise do material apreendido com Allan dos Santos na Operação Lume.

O DINHEIRO VIAJA – “Identificou-se que ao menos uma parte do dinheiro retorna ao Brasil via Paypal, bem como por meio de alguns pagamentos de despesas de Allan e do site do Terça Livre realizados pelo sócio João Berbardo (empresário brasileiro residente nos EUA e vinculado ao canal). Permanece a necessidade de aprofundamento, a fim de verificar se esses pagamentos são feitos com valores da monetização pagas via empresa canadense e a motivação para a interposição de pessoas físicas e jurídicas, bem como a correta identificação do fluxo de monetização. Registre-se que há menção a um processo de criação da empresa Terça Livre Internacional, que seria sediada no exterior”, registra a PF.

O relatório da Polícia Federal aponta que os investigadores chegaram a formalizar uma representação para que o Google enviasse dados relacionados a pagamentos efetuados à BBTV, empresa estrangeira que presta consultoria a criadores de conteúdo, possivelmente destinados ao Terça Livre.

A PF também chegou a tentar uma cooperação jurídica com o Canadá para averiguar o ‘caminho do dinheiro’. Segundo a Polícia Federal, o governo canadense pediu que as autoridades brasileiras ‘enviem mais dados indicadores do envolvimento de Allan dos Santos nos fatos investigados’.

DOAÇÃO DE VALORES – Há ainda uma outra linha de investigação que atinge o Terça Livre, relacionada a doações de valores para o site. A PF aponta ‘possível interposição de pessoas para lavagem de capitais’. Os investigadores dizem que no curso das investigações foi identificado que o site bolsonarista e pessoas vinculadas a ele ‘recebem valores significativos doados ao canal por meio de plataformas de crowdfunding, feitos por meio de sites de doação ou diretamente em contas pessoais’.

“Durante a busca e apreensão executada na residência de Allan dos Santos, foi encontrada uma planilha de doadores do canal Terça Livre, via plataforma apoia-se, contendo mais de 1700 linhas. Entre os 16 primeiros doadores, há um servidor público do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro que realizou 27 transações que totalizaram R$ 40.350,00, um servidor da Secretaria da Fazenda do Rio de Janeiro, realizou 31 transações que totalizaram R$ 15.500,00, um servidor do Senado Federal que doou, em três transações, R$ 15.000,00. Já uma servidora do BNDES doou diretamente na conta de sócio do Terça Livre ao menos R$ 70.000,00”, registra a representação da PF.

INQUÉRITO À PARTE – A Polícia Federal propôs as apurações em inquéritos apartados da investigação sobre os atos antidemocráticos. No relatório enviado em dezembro ao Supremo Tribunal Federal, a corporação aponta que há necessidade de aprofundamento dos fatos em procedimentos específicos.

Ao todo, os investigadores pediram oito frentes de apuração independentes, incluindo uma investigação sobre os mecanismos usados pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência (Secom) que podem ter favorecido canais bolsonaristas e antidemocráticos com anúncios publicitários custeados com dinheiro público.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Ao pedir o arquivamento do inquérito dos atos antidemocráticos, aberto após manifestações defendendo a volta da ditadura militar, intervenção das Forças Armadas e atacando instituições, a Procuradoria-Geral da República se manifestou sobre essas novas investigações pedidas pela PF e defendeu que a documentação sobre os ‘eventos identificados’ ao longo das apurações fosse enviada para as Justiças Federal e Estadual. Ou seja, Aras tentou esfriar as denúncias(C.N.)


Gabinete do Ódio postou mensagens falsas sobre Covid-19 e atacou rivais de Bolsonaro, diz a PF


Perfil que seria administrada por Tercio Arnaud Tomaz, funcionário do Planalto, no Instagram foi derrubado por Facebook Foto: Reprodução

Tércio Arnaud opera o Gabinete do Ódio desde a campanha

Marlen Couto
O Globo

Entre as contas inautênticas acessadas em órgãos públicos e em endereços ligados ao presidente Jair Bolsonaro, segundo a Polícia Federal, o perfil “Bolsonaronews”, mantido por Tércio Arnaud Tomaz, assessor do presidente e apontado como integrante do chamado “gabinete do ódio”, fez publicações com mensagens desinformativas sobre a Covid-19. A conta também era usada para disparar ataques a rivais e ex-aliados de Bolsonaro.

Como mostrou reportagem do “Estado de S. Paulo”, o perfil foi utilizado no Palácio do Planalto, entre o fim de 2018 e 2019, assim como o perfil pessoal no Facebook de Tércio Arnaud Thomaz, e na casa da família Bolsonaro na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, em 2018.

ATOS ANTIDEMOCRÁTICOS – A informação consta em um relatório sobre as investigações do inquérito dos atos antidemocráticos, que identificou 1.045 acessos de contas inautênticas bolsonaristas removidas em junho do ano passado pelo Facebook em números de IPS (identificação atribuída a cada computador ou celular conectado à internet) em órgãos públicos.

O conteúdo da conta “Bolsonaronews” consta no relatório produzido pela Atlantic Council, que embasou a análise da Polícia Federal. As postagens foram fornecidas pelo Facebook por meio de uma parceria. Antes de sair do ar, a conta anônima somava 492 mil seguidores e mais de 11 mil publicações no Instagram.

O “Bolsonaronews” disparou desinformação sobre a Covid-19, por exemplo, ao difundir a hidroxicloroquina como tratamento eficaz contra a doença e minimizar a gravidade da pandemia, em tom semelhante ao adotado pelo presidente ao longo da crise sanitária.

EXALTANDO BOLSONARO – Em uma das publicações, de junho de 2020, o perfil ressaltou que Bolsonaro já falava do uso de hidroxicloroquina contra a Covid-19 desde março. “Se tivessem ouvido ele, muitas mortes teriam sido evitadas”, ressaltou a postagem, embora pesquisas apontem que o remédio não tem eficácia contra o vírus.

Outra postagem afirmava que Bolsonaro antecipou que “as pessoas vão descobrir que foram enganadas sobre a Covid-19”.

A conta também era usada para atacar opositores do presidente com memes. Entre os alvos, estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ex-ministros Sergio Moro e Henrique Mandetta, o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ex-governador do Rio Wilson Witzel.

GABINETE DO ÓDIO – A tática de ataques a ex-aliados tem sido apontada como uma característica do chamado “gabinete do ódio”, uma das frentes de investigação sobre os atos anti-democráticos, que miraram instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF).

Muitas das publicações ocorreram em horário comercial, o que indica que Tércio utilizava as contas durante seu trabalho como assessor do presidente.

Em uma das publicações, de 2018, uma foto do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) aparece armado. A legenda diz “esperando o Boulos chegar para invadir a casa do papai”, em referência ao então candidato à Presidência Guilherme Boulos (PSOL-SP).

MUSSOLINI E MORO – Outra postagem, também de 2018, durante as eleições, faz comparações entre o plano de governo de Fernando Haddad (PT-SP) e do líder fascista Benito Mussolini.

Moro também é ridicularizado em um meme compartilhado pelo perfil, que o compara ao humorista Sérgio Mallandro. A imagem foi postada em maio do ano passado, após o ex-juiz deixar o governo.

Os registros de números de IP fornecidos à PF pelas operadoras de telefonia e internet também mostram que a página foi acessada na Câmara de Vereadores do Rio, entre 2017 e 2018, período da campanha presidencial e no qual Tércio estava nomeado no gabinete de Carlos Bolsonaro, bem como na Câmara dos Deputados, ao longo de 2017. Tércio também criou e comandou a extinta página no Facebook “Bolsonaro Opressor”.

PAI E FILHOS – O levatamento da PF também lista acessos feitos em órgãos públicos a páginas comandadas por assessores do senador Flávio Bolsonaro e do deputado federal Eduardo Bolsonaro. Entre elas estão a “SnapNaro”, administrada por Fernando Nascimento Pessoa, assessor de Flávio, e acessada no Senado em 2019, e a página “Bolsofeios”, administrada por Carlos Eduardo Guimarães, assessor de Eduardo Bolsonaro, e acessada na Câmara dos Deputados em 2017.

O relatório parcial da Polícia Federal sobre o inquérito dos atos antidemocráticos propõe o aprofundamento em duas linhas de investigação, uma delas sobre o repasse de recursos do governo federal para grupos envolvidos com atos antidemocráticos, e outra a respeito da formação de uma milícia digital com perfis falsos para apoio ao governo.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), em manifestação enviada ao STF na sexta-feira passada, pediu o arquivamento do caso após apontar que a PF desviou o foco da investigação e não encontrou provas do envolvimento de parlamentares. Agora, o caso depende de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Não há nenhuma novidade nisso. As fraudes e fake news do Gabinete do Ódio são mais do que conhecidas, e já faz bastante tempo. O que desanima é a impunidade desse povo, que age livremente no terceiro andar do Planalto, ao lado das salas do presidente(C.N.)

Indicação de Crivella a embaixador visa salvar a pele dele e a Igreja Universal na África


Bolsonaro tenta manter o apoio do bispo e da TV Record

Guilherme Casarões
Folha

Se depender da vontade do governo Bolsonaro, o ex-prefeito do Rio, ex-senador e bispo licenciado Marcelo Crivella será o próximo embaixador do Brasil na África do Sul. A indicação gerou dois tipos de reações: os que se indignaram com uma suposta “evangelização” da diplomacia brasileira e os que acham que o sobrinho de Edir Macedo não é qualificado o suficiente para a função.

O primeiro ponto exige uma reflexão à parte, mas parece equivocado falar em aparelhamento religioso da diplomacia profissional, que sobreviveu até mesmo a Ernesto Araújo. Quanto ao segundo ponto, Crivella é político experiente, fala inglês e passou dez anos como missionário na África. É até mais tarimbado que vários outros nomes que, por conveniência, já assumiram ou foram cotados para postos diplomáticos.

INDICAÇÃO POLÍTICA – Apesar de o Itamaraty buscar resguardar embaixadas para diplomatas de carreira, essa exigência não é formal. No limite, a indicação é política.

Os problemas do bispo são de outra ordem. Crivella chegou a ser preso em dezembro e é réu no processo do QG da Propina. Como embaixador, ele teria direito a foro especial e seria julgado pelo Supremo Tribunal Federal, fazendo de seu cantinho em Pretória um reino dos céus particular. Isso, em si, já seria chocante para um governo que se diz impoluto.

Só que o cálculo político de Bolsonaro é mais complexo: não se trata de ajudar um aliado —a quem o presidente deu as costas nas eleições municipais—, mas de recuperar o relacionamento com a Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo, de quem Crivella é porta-voz na política mundana. Às vésperas da corrida presidencial, essa máquina político-espiritual é incontornável.

Fiéis e TV Record – Além de milhões de fiéis espalhados por todo o país, a Universal possui a segunda maior rede de comunicação do país, a Record, e está ligada a um partido político, o Republicanos, com 33 deputados e um senador. O pragmatismo desse grupo religioso, que já apoiou Lula e Dilma, difere do sectarismo de outras lideranças evangélicas, mais preocupadas com pautas conservadoras no Congresso.

Com a Universal, o jogo é outro. Empreendimento monumental que é, demanda que governos assegurem seu bom funcionamento, inclusive fora do país. Foi-se o tempo em que bastava distribuir passaportes diplomáticos para impulsionar o trabalho missionário além-fronteiras.

Hoje, espera-se que o Itamaraty interceda pelos pastores brasileiros —e às vezes pela própria Universal— em disputas políticas ou até criminais. Foi o caso da crise em São Tomé e Príncipe, que levou à depredação de templos e à trágica morte de um adolescente. A embaixada teve que ser acionada para evitar a expulsão da igreja e de seus pastores.

GOLPE RELIGIOSO – Em Angola, não tiveram a mesma sorte. Após brigas com pastores angolanos, a cúpula brasileira no país foi removida do comando —no que chamaram de “golpe religioso”— em meio a acusações de crimes como evasão de divisas e racismo.

Bolsonaro chegou a enviar uma carta ao presidente angolano pedindo proteção aos brasileiros, mas não conseguiu reverter a recente deportação de 34 membros da igreja. Foi a senha para que o grupo de Macedo ameaçasse publicamente romper com o governo.

A indicação de Crivella veio a público no mesmo momento em que autoridades angolanas afirmaram ter provas contundentes de que a chefes da Universal e da Record em Angola cometeram crimes como lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, o que reforça a tese de que a ida do bispo para a África do Sul, posto mais estratégico do continente, é uma jornada para salvar sua própria alma e expiar os pecados da igreja, cujas ramificações africanas estão enfraquecidas.

COISA PIOR? – Os cínicos perguntarão se os governos anteriores não fizeram coisa pior. Afinal, não faltaram celeumas envolvendo mineradoras e empreiteiras em países africanos.

No caso, é como se Dilma Rousseff tivesse resolvido nomear, digamos, Marcelo Odebrecht como embaixador para salvar o legado de sua empresa, em meio às investigações da Lava Jato e a um ano de sua campanha para reeleição.

E com a possível bênção dos senadores da base aliada.

PF indicia líder do governo e filho deputado por corrupção e quer bloquear R$ 20 milhões

Publicado em 8 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

“Lá no apartamento de Fernandinho…ali eu tenho acesso, toda hora, todo instante”. Leia trechos da degravação da conversa entre agiota do jatinho e operador dos Bezerra Coelho revelada em primeira mão pelo Blog de Noelia Brito

Pai e filho, apanhados na mesa rede da Polícia Federal

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
TV Globo — Brasília

A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter reunido indícios de que o líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), recebeu propina de R$ 10 milhões de empreiteiras quando foi ministro da Integração Nacional no governo Dilma Rousseff.

A informação foi enviada ao STF com a conclusão do inquérito da PF. A corporação indiciou Bezerra Coelho e seu filho, o deputado Fernando Bezerra Coelho Filho (DEM-PE) pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e falsidade ideológica eleitoral.

BLOQUEIO DE BENS – A PF pediu que seja decretado o bloqueio de R$ 20 milhões dos dois. Em nota, a defesa do senador Fernando Bezerra Coelho diz que a investigação nasceu da “palavra falsa de um criminoso confesso” e é uma “tentativa de criminalização da política”.

“A defesa do senador Fernando Bezerra Coelho esclarece que o relatório final do inquérito 4513 não passa de opinião isolada do seu subscritor, que, inclusive, se arvora em atribuições que sequer lhe pertencem, sem qualquer força jurídica vinculante. Essa investigação, nascida da palavra falsa de um criminoso confesso, é mais uma tentativa de criminalização da política, como tantas outras hoje escancaradas e devidamente arquivadas”, diz a nota, assinada pelos advogados André Callegari e Ariel Weber.

O relatório da PF foi encaminhado pelo STF para a Procuradoria-Geral da República, que vai decidir se há elementos para denunciar os parlamentares.

PROVAS SUFICIENTES – No relatório final do inquérito, a PF diz “haver provas suficientes da materialidade de diversas práticas criminosas nos eventos investigados neste inquérito, notadamente com relação à prática dos delitos de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, associação criminosa, falsidade ideológica e omissão de prestação de contas”.

Segundo os investigadores, “restou demonstrado que Fernando Bezerra de Souza Coelho e Fernando Bezerra de Souza Coelho Filho receberam direta e indiretamente R$ 10.443.900,00 pagos pelas empreiteiras OAS, Barbosa Mello e Constremac/Mendes Junior entre os anos de 2012 a 2014″.

“Ocorre que tais vantagens são indevidas eis que realizadas em contrapartida à execução de obras atreladas ao Ministério da Integração Nacional, à época em que o primeiro estava à frente do órgão”, prossegue o relatório.

INQUÉRITO DE 2017 – O inquérito foi aberto em 2017 pela PF a partir de delações que apontaram que, entre 2012 e 2014 e possivelmente em anos posteriores, algumas empreiteiras teriam pagado vantagens indevidas, no valor aproximado de R$ 5 milhões, aos parlamentares investigados.

Um dos casos envolve obras do Canal do Sertão e da transposição do rio São Francisco. Bezerra Coelho e Bezerra Coelho Filho foram alvos de mandados de busca e apreensão ao longo das investigações e de quebras de sigilos.

Segundo a PF, o recebimento da propina “ocorreu por um intrincado esquema de movimentação financeira ilícita, como também ocultação de ativos obtidos por meio criminoso, com a crível finalidade de integrar patrimônio adquirido de forma escusa”.

OBRAS IMPORTANTES – Os investigadores dizem que a empreiteira OAS, por exemplo, fazia pagamentos sistemáticos entre 2012 e 2014 em troca de benefícios para obras, como as da transposição do São Francisco e do Canal do Sertão.

E-mails e mensagens reunidas pela PF também indicam que o senador detinha “efetivamente o poder decisório” sobre uma revendedora de veículos de Petrolina (PE), que recebia valores das empresas dos operadores financeiros do esquema.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Ah, Itamar Franco, que falta você faz… Em seu governo de união nacional, que era apoiado até pelo PCdoB, apenas o PT não aceitou participar. Mas de FHC para cá, a impunidade se tornou a regra e ninguém liga mais para indiciamento, incriminação, denúncia e processo. O três Podres Poderes, como diz Caetano Veloso, liberaram geral a impunidade das elites(C.N.)

Ao depor pela segunda vez à CPI, Queiroga criou ‘neonegacionismo’, diz o relator Renan Calheiros

Publicado em 8 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Marcelo Queiroga

Novo depoimento de Queiroga foi uma perda de tempo

Valdo Cruz
G1 Brasília

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse nesta terça-feira (8) que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante o segundo depoimento dele à comissão, “inaugurou o neonegacionismo”.

Renan Calheiros afirmou que declaração do próprio ministro, antes do segundo depoimento, atribuía a uma questão política o veto à nomeação da médica Luana Araújo como secretária extraordinária de Enfrentamento da Covid. A declaração estava em linha com o que a própria médica havia dito à CPI. Mas nesta terça-feira o ministro mudou a versão e disse que o veto foi dele e não do Palácio do Planalto.

NEGANDO O NEGADO – Para o relator da CPI, Queiroga negou o que já havia falado anteriormente. “O ministro inaugurou uma nova etapa do negacionismo, o neonegacionismo”, afirmou Renan Calheiros.

O relator da CPI destacou, porém, que o ministro da Saúde admitiu a ineficácia da cloroquina no tratamento da doença. “Mas, por outro lado, continua sem coragem de tirá-la das normas do Ministério da Saúde”.

Em sua fala, Queiroga disse que a nota que recomendava o uso da cloroquina passou a ser um documento para a história e não tem mais validade, mas se recusou a retirá-la das normas do ministério.

SEMPRE BLINDANDO – Segundo Renan Calheiros, o ministro voltou à CPI com a orientação de seguir “blindando” o presidente, tanto em relação ao comportamento de Bolsonaro na condução do enfrentamento da pandemia como no episódio do veto à nomeação da médica Luana Araújo, cuja posição pública é contrária ao tratamento precoce defendido pelo presidente.

Na avaliação de Omar Aziz e de Randolfe Rodrigues, presidente e vice da CPI, além de mais “combativo” no seu segundo depoimento, o ministro Marcelo Queiroga voltou com a mesma disposição de proteger o presidente Jair Bolsonaro em temas de enfrentamento da pandemia.

“Ele seguiu retirando a responsabilidade do presidente da República e do Planalto, como no caso do veto à dra. Luana Araújo [para a secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid]”, afirmou o vice-presidente Randolfe Rodrigues.

MESMA TÁTICA – Repetindo suas declarações do primeiro depoimento, o ministro Marcelo Queiroga voltou a dizer que não cabe a ele julgar o comportamento do presidente Jair Bolsonaro ao ser indagado o que achava da postura dele de não usar máscara e estimular aglomerações.

“Eu sou ministro da Saúde, não sou censor do presidente”, afirmou o ministro. Os senadores destacaram, porém, que ele admitiu que “as imagens falam por si só” depois da exibição de um vídeo com cenas do presidente sem máscara e participando de aglomerações.


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