terça-feira, fevereiro 09, 2021

Consumidor, diga não ao telemarketing. Se insistirem, entre com pedido de indenização


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Charge do Tacho (Charge Online)

José Carlos Werneck

É extremamente desagradável, notadamente neste período de isolamento em que necessitamos permanecer em casa, devido à pandemia da Covid-19, sermos acordados, quase que diariamente, com telefonemas de telemarketing.

OFERTAS IMPORTUNAS – Se o cidadão comprou um purificador de água, recebe insistentes e desagradáveis telefonemas da loja, em que adquiriu o produto, dizendo que está na ora de trocar o refil do filtro.

Se tem um cartão de crédito, vinculado a um determinado banco, eles lhe ligam, dezenas de vezes, oferecendo um Plano de Capitalização, que, a propósito, é o pior “investimento” que existe.

Esse assédio telefônico importuna muito, notadamente nesta época de pandemia, em que as pessoas permanecem mais tempo em suas casas e sofrem uma inconveniência desnecessária. Agora importunam durante seis dias por semana, não respeitando nem mesmo os sábados.

A principal operadora de TV a cabo do País é uma das campeãs neste tipo de importunação a seus próprios assinantes e começa a importuná-los já pela manhã.

OFERTAS ILUSÓRIAS – Ao invés de fazerem promoções, que possam ser de real utilidade para seus clientes, esses maus empresários querem simplesmente explorar seus clientes e iludi-los, aproveitando-se de sua boa-fé.

Desesperadas em vender seus produtos e serviços, empresas encontraram no telemarketing a “fórmula” para se chegar ao consumidor a qualquer hora e dia.

Com ofertas irritantes do tipo “o senhor receberá o nosso cartão sem nenhum custo” ou “a senhora foi escolhida para participar da nossa promoção”, as ligações são feitas de forma tão insistente que quem as recebe precisa ter muita paciência para não ser grosseiro com a pessoa do outro lado da linha.

PROTEÇÃO LEGAL – O “Código de Ética do Telemarketing” deve ser utilizado pelo consumidor, para evitar o abuso dos operadores, que extrapolam a faculdade de oferecer o produto ou serviço e assediam um potencial cliente de forma infeliz.

De acordo com o artigo 7º, a respeito da Privacidade do Consumidor, “os responsáveis pelo serviço devem utilizar as informações dos Consumidores de maneira adequada e respeitar o seu desejo em retirar estas informações das bases de dados”. E seu parágrafo 1º é claro ao dizer:

“A Central de Relacionamento deve remover ou solicitar a remoção do nome de consumidores que não desejarem figurar nas listas, para a Empresa/Contratante, sempre que for solicitado. Por sua vez, a Empresa/Contratante deve assegurar esta remoção ou ainda encaminhar solicitação ao proprietário da lista”.

INVASÕES DO LAR – Essas abusivas e irritantes formas de relações comerciais invadem o espaço do cidadão, a intimidade de seu lar e sua privacidade, não sendo admissível tal forma de “assédio”, que fere seu direito constitucional à intimidade e à vida privada, assim entendido o direito do indivíduo de estar tranquilo em seu lar, garantido como um princípio fundamental previsto no artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal.

O Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/1990, garante aos consumidores a defesa de direitos não só quando o contrato já foi celebrado, mas também na fase pré-contratual e pós-contratual, qual seja, na fase de oferta do produto ou serviço, como pode ser verificado no capítulo V (Das Práticas Abusivas), seções II (Da Oferta) e III (Da Publicidade).

Neste sentido, o CDC protege o consumidor de práticas abusivas da publicidade como é o caso das irritantes ligações telefônicas do telemarketing.

INDENIZAÇÕES – Quando a empresa começa a insistir e for invasiva, o consumidor tem o direito de recorrer a uma indenização. As ações indenizatórias podem ser ajuizadas quando o telemarketing ultrapassa os limites da livre propaganda e invade a privacidade do consumidor, tirando-lhe o sossego.

Em decisão unânime, os juízes da 1ª Turma Recursal Cível dos Juizados Especiais Cíveis do Rio Grande do Sul negaram recurso da Telefônica Brasil em processo no qual a empresa foi condenada por danos morais por ter realizado um número excessivo de ligações de seu call center a um cliente. A empresa foi condenada a pagar uma indenização fixada em R$ 2 mil.

No mais, está sedimentado na jurisprudência que o excesso de ligações e mensagens – contra a vontade do consumidor, é passível de indenização por dano moral, levando em consideração que ultrapassa o simples aborrecimento e visando coibir a coerção praticada pelas empresas.

Fim da picada ! Deputados ignoram ano de pandemia e gastam até R$ 347 mil com transporte


Charge do Bruno (chargebruno.blogspot.com)

Adriana Ferraz, Bianca Gomes e Marianna Gualter
Estadão

O ano foi de pandemia, mas, apesar das recomendações de distanciamento social, teve deputado federal que gastou até R$ 347 mil em despesas de transporte, como fretamento de jatinho, aluguel de carro, combustível e passagens aéreas. Levantamento feito pelo Estadão mostra que 12 parlamentares ainda aumentaram esse tipo de pagamento em 2020 mesmo com a Câmara funcionando em esquema remoto.

A orientação para que os deputados ficassem em casa ocorreu em março, quando a Câmara regulamentou o uso da tecnologia para reduzir o risco de contágio do novo coronavírus. Desde então, a regra é realizar sessões online, evitando o deslocamento até mesmo para Brasília.

AGLOMERAÇÃO  – Se a aglomeração no plenário foi reduzida até a semana passada, quando os deputados voltaram presencialmente para eleger a nova Mesa Diretora, o mesmo não se pode dizer das atividades realizadas por parte dos parlamentares em suas bases.

Em dezembro, mês em que os casos de covid-19 voltaram a crescer no Brasil e, especialmente no Amazonas, o deputado Sidney Leite (PSD-AM) alugou uma aeronave, por R$ 82 mil, para rodar o interior do Estado e participar de festas natalinas. Ele é o campeão de gastos com transportes: R$ 347,1 mil.

Também do Amazonas, Silas Câmara (Republicanos) seguiu fazendo uso regular de aeronaves para visitar aliados político-partidários e também religiosos. Durante o ano, ele gastou ao menos R$ 206 mil em bimotores e até um hidroavião.

REEMBOLSO –  Além de estar na lista dos que mais pediram reembolso com deslocamentos (é o terceiro), Silas também faz parte do grupo de 12 parlamentares que aumentaram esse tipo de despesa na comparação com 2019.

A alta foi de 47%, iniciada já em janeiro de 2020, quando ele pagou R$ 22,5 mil para cumprir, num hidroavião, agenda de dois dias com pastores das igrejas do Evangelho Quadrangular e Assembleia de Deus – ele é o líder da Frente Parlamentar Evangélica da Câmara.

COTA – Deputados do Norte têm valores de cota parlamentar maiores por causa da distância de seus Estados para Brasília. A base é o preço das passagens entre as capitais – as dificuldades de travessia, impostas pelas particularidades da região, não são levadas em conta. E, apesar de mais raros, há voos de carreira entre os principais municípios.

Mas o fato de a Câmara reembolsar quem escolhe a viagem mais curta fez com que o deputado Jesus Sérgio (PDT-AC) pagasse R$ 12,6 mil para ir, em um bimotor, de Rio Branco a Tarauacá, sua cidade natal, no mês de novembro. Distante 409 km da capital do Acre, a passagem de ônibus até lá custa cerca de R$ 200, ida e volta. De carro, são seis horas de viagem.

Jesus Sérgio ainda desembolsou R$ 50 mil para custear o aluguel de quatro veículos Gol, de agosto a novembro – mais do que o suficiente para comprar o mesmo modelo zero km.

GASOLINA – A desobediência em relação ao isolamento social não ocorreu só com deputados do Norte, conforme dados da Câmara. Gurgel (PSL-RJ) usou R$ 265 mil de sua cota para custos de transporte – desse total, R$ 112 mil foram empregados em locação de carros e outros R$ 20 mil em gasolina. O restante (R$ 131 mil) foi usado em passagens aéreas, apesar de o parlamentar só ter participado de sessões virtuais desde março.

Quando se analisam apenas as notas de combustível, no entanto, ninguém supera Claudio Cajado (PP-BA). O deputado gastou R$ 71 mil em 2020, quase o limite permitido, que é R$ 72 mil por ano. Com base no preço médio do litro de gasolina na Bahia, o recurso permitira ao deputado ir de Salvador a Brasília 146 vezes em um carro popular.

No geral, o recurso empenhado pela Câmara em transportes caiu 50% de 2019 para 2020, mas mesmo assim alcançou R$ 49 milhões – suficiente para atender 81 mil pessoas com auxílio emergencial de R$ 600 por um mês.

Bolsonaro sabe que o vice Mourão faria (ou fará) um governo melhor do que o dele


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Jair Bolsonaro não entende que na vida tudo acaba mudando

Vicente Limongi Netto

Com a estupidez habitual fixada e estampada no semblante, Bolsonaro pergunta aos que querem vê-lo fora da Presidência da República: ” Se me tirarem, quem fica no meu lugar?”.  Evidente que é o vice-presidente, Hamilton Mourão. Seguramente mais valorizado e respeitado pelas Forças Armadas do que o mito de latão.

A propósito, leio na Folha de São Paulo, do dia 24 de janeiro, artigo de Augusto de Arruda Botelho, denominado “A hora do impeachment”. Botelho é advogado criminalista e cofundador do IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa). 

NENHUMA JUSTIFICATIVA? – O autor pergunta: “É crível imaginar que, dos 61 pedidos já feitos (a essa altura, devem estar perto dos 100), nenhum deles encontre o mínimo fundamento? É crível pensar que após dois anos de um governo com um sem números de conflitos e atos atentatórios à nossa ainda jovem democracia, não haja uma justificativa para se iniciar um processo de afastamento?”.

Em outro trecho, igualmente fundamentado e lúcido, Augusto de Arruda Botelho acentua: ” O componente jurídico para se iniciar um processo de afastamento está mais do que preenchido, está evidente, sob qualquer ótica. Falta ainda o tal componente politico, que infelizmente poderá florescer com o aumento cada vez maior no número de mortes causadas pela pandemia”.

JUSCELINO DE ARAQUE – Em bolorenta entrevista ao Correio Braziliense, o franciscano apoiador de Bolsonaro, o palaciano Rodrigo Pacheco, novo presidente do Senado com apoio da dupla desprezível, nada recomendável, Bolsonaro/Alcolumbre, tenta se fantasiar de Juscelino Kubitschek.

É o fim da picada.  Acintoso e patético. Enche a boca para falar de JK, para ver se ganha adeptos para o seu cansativo oba-oba demagogo e impresso. Também procura holofotes fáceis como pingente das vacinas. Agora é fácil e cômodo apregoar a importância da imunização. Demorou quase um ano para o dócil Pacheco descobrir que a população precisa ser vacinada o quanto antes. É muito cinismo.

Na Câmara, o “rachadinha” alagoano Arthur Lira assumiu demitindo centenas de servidores. Mesquinharia, covardia e ordinarice. Semelhante decisão imunda e torpe do roliço Davi Alcolumbre, quando assumiu a presidência do Senado, ao vencer eleição fraudulenta, com mais votos do que senadores. Os torpes e decaídos engravatados se merecem, o inferno espera por eles.

PRAZO DE VALIDADE – Na Folha de São Paulo, do dia 7, o general Santos Cruz, que conheceu e conviveu com a podridão palaciana bolsonarista, mas que em boa hora pediu o boné para não ser contaminado pelos maus costumes e baixarias, afirmou “que oacordo do presidente com o Centrão não é sólido e não sei até onde vai”. Valeu, general.  Afirmei, observei, antecipei e analisei o fato, dia 3, em artigo aqui na Tribuna da Internet: “Centrão tem goela profunda. Não tem veganos. São leais enquanto ganham tudo que exigem do governo. Com eles, a lua-de-mel tem prazo de validade”.

O DEM ficou de cócoras diante de Bolsonaro.  O partido de sabujos não merece Rodrigo Maia. ACM Neto é o mais novo e fervoroso discípulo de Bolsonaro, Lira e Alcolumbre. Trio melancólico e tenebroso. Amedronta crianças.

Historiador que previu crash de 2008 diz que Brasil não deve arrumar confusão com a China

 

‘Brasil deve ser não alinhado na disputa entre China e EUA’, diz Ferguson

Ruan de Sousa Gabriel
O Globo

O historiador escocês Niall Ferguson, estudioso das idas e vindas da economia, aconselha o Brasil a não arrumar confusão com a China e retomar a tradição dos “países não alinhados”, que prosperou na Guerra Fria, quando algumas nações preferiram não se aproximar muito nem dos Estados Unidos nem da União Soviética. Nesta “nova guerra fria”, o Brasil ganha mais ao apostar na neutralidade.

Ferguson é lembrado como um dos intelectuais que previram a quebradeira de 2008 no livro “A ascensão do dinheiro”, lançado na época da falência do Lehman Brothers. No final de 2020, chegou ao Brasil uma nova edição do livro, pela Crítica (selo da Planeta), com dois capítulos extras: um sobre as relações entre EUA e China pós-crise e outro sobre o Brexit.

GOVERNOS TECNOCRATAS – No segundo semestre, ele lança por aqui “Catástrofe”, no qual pretende mostrar por que alguns países lidam com desastres melhor do que outros. Em entrevista ao O Globo, por Zoom, Ferguson disse que a pandemia deve trazer de volta os governos tecnocratas e que os estímulos implementados para ajudar a economia a enfrentar o vírus não devem ser estendidos.

Apesar de contrário à independência escocesa, Ferguson pensa que talvez seja hora de seus conterrâneos se lembrarem de como era a vida sem a Inglaterra.

Trump abusava da retórica anti-China, e seu governo foi marcado por essa tensão. O que esperar das relações China-EUA com Joe Biden?
Membros do Conselho de Segurança Nacional de Biden, como Jack Sullivan e Kurt Campbell, mudaram de opinião desde que participaram do governo Obama e afirmaram publicamente que a política de integrar a China ao sistema global esperando a liberalização do regime falhou. Com Trump, os EUA adotaram uma estratégia de rivalidade com a China. Mike Pompeo [ex-secretário de Estado]chamou a repressão aos uigures de genocídio. Em relação à China, o governo Biden será marcado por continuidade em relação a Trump, ainda que haja algumas mudanças, e não vai lembrar em nada a era Obama.

O presidente Jair Bolsonaro tentou copiar os EUA de Trump na retórica anti-China, o que já causou embaraços diplomáticos. Com Trump fora, o Brasil deve tentar reparar os laços com a China ou se aproximar dos EUA?
A situação do Brasil é típica de todos os países que têm laços comerciais com a China, mas se orientam politicamente pelos EUA. Latino-americanos, asiáticos e africanos podem recuperar a tradição dos países não alinhados da Guerra Fria. O Brasil não ganha nada sendo hostil à China e, diferentemente da Coreia do Sul, não depende dos EUA para sua segurança nacional. Não é difícil para o Brasil ser um país não alinhado nesta nova guerra fria, porque não precisa ser tão próximo dos EUA para garantir sucesso econômico e estabilidade política.

O senhor escreveu que a crise de 2008 beneficiou politicamente os populistas. A pandemia dará votos a quais forças políticas?
Em 2017, escrevi que a meia-vida do populismo era curta. É muito difícil para os populistas entregarem o que prometem. As consequências políticas da pandemia são complexas. Ela reforça o argumento do populismo de direita sobre a importância das fronteiras e os riscos da migração em larga escala. No entanto, os populistas já estavam se saindo mal antes da pandemia, e governos tecnocratas, como o de Angela Merkel, na Alemanha, lidaram melhor com a crise. O eleitor agora vai premiar a competência. E populistas não são muito competentes. As habilidades necessárias para inflamar uma multidão são diferentes das necessárias para lidar com o coronavírus. Populistas perderam o debate da saúde pública. Ficaram com cara de bobos falando de hidroxicloroquina. Em 2016, num dos debates do Brexit, Michel Gove [político conservador] disse que todo mundo estava cheio dos especialistas. Bem-vindos de volta, especialistas! Precisamos de vocês.

A pandemia obrigou os Estados a gastarem mais e implementarem políticas de transferência de renda. São mudanças permanentes?
São medidas emergenciais. As vacinas vão derrubar o número de hospitalizados e mortos até o meio do ano. No final de 2021, a pandemia será coisa do passado, e a economia vai se recuperar rapidamente. Apesar disso, a economia política nos ensina que, uma vez que um direito é criado, é difícil extingui-lo. Nos EUA, o governo vai usar todas as oportunidades que tiver para aprovar mais gasto público. É sempre tentador, para a esquerda, gastar sem limites e dizer que a teoria monetária moderna afirma que não há risco de inflação. O caso brasileiro é diferente, porque, aí, a pandemia não passou e não é muito convincente o governo extinguir os auxílios antes de uma melhora na saúde pública.

A pandemia escancarou as desigualdades. Como os governos podem enfrentá-las antes que elas prejudiquem o funcionamento da economia e da democracia?
Nas democracias, o combate à desigualdade é uma decisão política, depende da vontade do eleitor. Se, por exemplo, os americanos quiserem um país mais parecido com a Dinamarca e menos com o Chile, vão apoiar as propostas fiscais de Biden e penalizar os republicanos. Mas não parece que a representação democrata no Congresso vai aumentar na próxima eleição. Se houvesse realmente tanto apetite por mais igualdade, os partidos de esquerda estariam se saindo melhor. Só se fala em desigualdade, mas a esquerda vai mal. Não consigo ver lógica aí.

O Brexit, que o senhor já comparou a um divórcio, foi concluído em janeiro. O que achou do resultado?
Como divorciado, quis alertar que todo divórcio sempre é mais longo e mais caro do que esperamos. Talvez o Brexit seja bom tanto para o Reino Unido quanto para a União Europeia, que agora pode seguir com os planos de federalização sem a oposição britânica. As diferenças eram suficientes para que o divórcio fosse a melhor saída. Até Tony Blair reconhece que o Brexit é um caminho sem volta. Em todo divórcio, chega a hora de aceitar que alguém vai pagar pensão e de seguir com a vida.

O Brexit vai incentivar a independência da Escócia?
Pesquisas mostram que o apoio à independência tem aumentado. Nenhuma lei da física diz que o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte deve permanecer uma unidade política até o fim dos tempos. Os parlamentos inglês e escocês só se unificaram em 1707.A Escócia é um país pequeno, com potencial econômico limitado, e que se beneficiou da união com a Inglaterra. Se votar pela independência e quiser se candidatar à UE, vai para o fim da fila, atrás da Sérvia. A Escócia pensa ser um país escandinavo, mas é mais parecida com os Bálcãs. Nós esquecemos como era ser independente. Até o século XVIII, a Escócia era o Afeganistão da Europa. Talvez seja hora de pedir à Escócia que mostre suas cartas.

Ramos rebate críticas por articular com Centrão: “Não tenho vergonha nenhuma”


Ramos nega ter entregue cargos ao Centrão em troca de votos

Felipe Frazão
Estadão

Responsável pela articulação política que entregou o comando do Congresso a aliados do Palácio do Planalto, o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, reagiu nesta segunda-feira, dia 8, às críticas sobre a aliança do presidente Jair Bolsonaro com o Centrão.

O protagonismo e a vitória eleitoral do ministro, general de Exército da reserva, o fortaleceram no comando da relação com os parlamentares, mas geraram incômodo entre os militares. Um general disse que ele deveria se envergonhar. Mas Ramos rebate e, em entrevista ao Estadão, afirma que oficiais da ativa das Forças Armadas entendem o “momento político” do governo.

“COERÊNCIA” – “Não me envergonho”, disse o ministro à reportagem. “Não tenho vergonha nenhuma, não. Tomei uma atitude coerente. Meu desprendimento de ter aberto mão da minha carreira no Exército mostra que estou a serviço do País. O governo hoje é do Bolsonaro, mas é do País.”

Para o ministro, os generais da ativa compreendem a situação do governo Bolsonaro, que levou à aliança com partidos do Centrão. O presidente conseguiu, ao abraçar o Centrão, blindar seu mandato de ameaças de impeachment e tenta destravar a própria pauta. Antes, o bloco governista era criticado pelo fisiologismo e chamado de “velha política” pelo presidente na campanha. Chegou a ser associado a “ladrão” no palanque de Bolsonaro, nas palavras do general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional.

“Tenho contato com vários generais, amigos meus, não há isso, não. Eles entendem que é o momento político, que estou cumprindo uma missão. Não há (constrangimento), muito pelo contrário”, afirmou Ramos.

DESPRESTÍGIO – Generais que serviram em cargos de confiança a Bolsonaro no Palácio do Planalto deixaram o governo desprestigiados, passando a uma postura de oposição a diversas frentes do governo, entre eles a gestão da Saúde na pandemia da covid-19. É o caso dos generais Santos Cruz, ministro antecessor na Secretaria de Governo, e Rêgo Barros, ex-porta-voz da Presidência, então integrante da equipe direta de Ramos.

“Não quero entrar no caminho de criticar a, b ou c. Agora, o general Rêgo Barros trabalhava comigo, estava dando tudo certo, sai e passa a criticar o governo. Santos Cruz trabalhava aqui, (sai) e passa a criticar o governo. Não tenho nada contra. Eles podem fazer isso”, afirmou Ramos.

IRRITAÇÃO – O ministro Ramos se irritou, especialmente, com declarações do general da reserva do Exército Francisco Mamede de Brito Filho. Eles trabalhavam juntos e tinham bom relacionamento, argumentou o ministro.

Brito comandou a 4ª Brigada de Infantaria Leve – Montanha, em Juiz de Fora (MG), enquanto Ramos era seu superior, comandante da 1ª Divisão de Exército, no Rio, em 2014. Em 2019, Brito foi chefe de gabinete no Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

Brito afirmou que a quantidade de ministros militares incomoda não só quem está na reserva, mas também na ativa. “A imagem da instituição já está arranhada. Ficam do lado de um governo que comete as barbaridades que estamos presenciando”” afirmou Brito.

QG DAS CAMPANHAS – Ele comentou diretamente o trabalho de Ramos, general quatro estrelas que articulou a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Como mostrou o Estadão, o gabinete de Ramos passou a ser visto como um QG (quartel general) das campanhas do Legislativo, onde eram acertados os repasses de verbas e cargos para o Centrão, o que Ramos nega. Cerca de R$ 3 bilhões em verbas extras foram distribuídas para contemplar 285 parlamentares.

“Não tem como dizer que ele está a serviço do País, ele serve ao governo. Se não se envergonha de ter feito isso, como não se envergonhou em outros eventos passíveis de constrangimento… Eles vão continuar, têm suas motivações”, disse Brito.

O general também lembrou que Bolsonaro prometeu a seus eleitores, em 2018, não ceder ao “toma lá, da cá”, a troca de cargos e verbas federais por votos no Legislativo: “O que está acontecendo agora é mais uma traição às promessas de campanha, mais uma que vai para o ralo. A política do toma lá, da cá é agora praticada de maneira aberta e escancarada. Considero um fato grave e, se eu estivesse no governo, ficaria muito constrangido e certamente estaria pensando em abandonar o barco”.

REPÚDIO – As declarações desagradaram o ministro de Bolsonaro. Ramos disse repudiar os comentários, que, para ele, expressam “desconhecimento” das funções de ministro. Ele criticou a forma como Brito deixou o Exército, em 2017, no cargo de general de Brigada, sem ser escolhido para promoção.

“O que me incomodou foi um general que trabalhou comigo, sabe meus valores, sabe que sou uma pessoa correta. Se ele acha que meu desempenho está tendo repercussão ruim no Exército, essas atitudes e declarações dele é que estão ficando ruins para ele. Deveria ter mais compromisso com a verdade”, afirmou o ministro.

“Ele não tem lastro moral nenhum. Se alguém tem que ter vergonha, no caso, é o general Brito pela maneira como saiu do Exército, ao não ser promovido a general de Divisão. Foi uma grande decepção. Não quis passar o comando. “

RESERVA – Para o ministro, a prova de que ele não tem outras motivações ao permanecer no governo é que decidiu passar à reserva no ano passado, embora pudesse ficar na ativa até o fim deste ano. Houve forte pressão de colegas generais, incomodados com a presença de oficiais em atividade no primeiro escalão ministerial.

Além de Ramos, o ministro de Minas e Energia, o almirante Bento Albuquerque, também pediu a reserva na Marinha e agora vê seu cargo cobiçado pela base do governo no Senado. A permanência do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, como general de Divisão na ativa ainda contraria o Alto Comando do Exército.

“Eu pedi reserva exatamente para não dar margem a comentários do tipo que ele fez. Comuniquei minha decisão ao comandante do Exército, o presidente nem era favorável, para que não haja nenhuma ilação como está havendo com Pazuello. Abri mão de estar no Exército por um ano e meio. Brinco que sou um trapezista que mandou tirar a rede de proteção embaixo. Estou ministro de Estado. Se o presidente decidir me trocar, vou para casa. Não tem prova maior de desprendimento do que isso”, afirmou Ramos.

EXPECTATIVA – Ele não quis comentar mudanças no governo para abrir espaço ao Centrão, que almeja ministérios e deve atingir ministros de carreira militar. Como o Estadão mostrou, generais da ativa admitem, reservadamente, a expectativa de que a formação do governo seja de fato alterada.

Eles também reconhecem certo constrangimento com a chegada do Centrão à primeira linha do governo, mas ponderam que “ainda é cedo” para saber no que a nova aliança vai dar.

Os oficiais dizem que o presidente estava “emparedado” e foi forçado a buscar amparo político, na base do fisiologismo. Também lembram que não será o primeiro governo a se aliar ao Centrão, apesar das promessas do presidente de não ceder à troca de cargos, e argumentam que o bloco pode dar sustentação à agenda de campanha.

RÓTULO – O general de Exército Maynard de Santa Rosa, ex-secretário de Assuntos Estratégicos de Bolsonaro, afirmou que não considera saudável rotular um arranjo político inteiro como corrupto. Reconhece, porém, que existe esse preconceito com o bloco entre os militares.

“Só vai ter problema se o Centrão confirmar o preconceito”, disse. “O que acontece fora do Exército não necessariamente influi na tropa, a não ser que haja interesses afetando os dois lados. O que pode afetar é a imagem da instituição na opinião pública.”

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