segunda-feira, fevereiro 08, 2021

Reprovação à gestão de Bolsonaro sobe para 42%, mostra pesquisa XP/Ipespe


Charge do Aroeira (Arquivo do Google)

Matheus de Souza
Estadão

A reprovação da população brasileira sobre a gestão de Jair Bolsonaro segue em trajetória crescente, de acordo com a rodada de fevereiro da pesquisa XP/Ipespe. Pelo levantamento, os que consideram a administração do presidente ruim ou péssima passaram de 40% em janeiro para 42% neste mês. A margem de erro é de 3,2 pontos porcentuais.

De acordo com a entidade, este é o quarto levantamento consecutivo em que há aumento na avaliação negativa da gestão de Bolsonaro, que cresce desde outubro, quando estava em 31%. Já o porcentual que avalia o governo como bom ou ótimo oscilou de 32% para 30% neste mês.

COMBATE À PANDEMIA –  O presidente também teve piora residual na avaliação de sua atuação no combate à pandemia do coronavírus: houve oscilação de 52% para 53% entre os que a avaliam como ruim ou péssima – porcentual que também cresce desde outubro, quando o grupo correspondia a 47%.

A pesquisa também mostra que aqueles classificam como positiva as ações do presidente tomadas no combate à pandemia (22%) é pior que a de governadores (39%) e a de prefeitos (41%). A oscilação na reprovação é impulsionada principalmente pelo grupo dos mais pobres (entre os que ganham até dois salários mínimos ela saltou de 39% para 45%) e pelas regiões Norte-Centro-Oeste (32% para 40%) e Nordeste (43% para 48%).

CORRIDA PRESIDENCIAL – No entanto, apesar da desaprovação crescente de Bolsonaro, a pesquisa mostra que o mandatário segue à frente na corrida presidencial de 2022, com 28% das intenções de voto, mesmo número do levantamento de janeiro.

Ele é seguido por Sérgio Moro (12%), Fernando Haddad (12%) e Ciro Gomes (11%). Huck tem 7%, Boulos 6%, Doria 4%, Amoêdo 3% e Mandetta 3%. Foram realizadas 1.000 entrevistas de abrangência nacional, nos dias 2, 3 e 4 de fevereiro.

Governo avalia auxílio emergencial rebatizado e com pagamento de três parcelas de R$ 200


Charge do Pelicano (humorpolitico.com.br)

Gerson Camarotti
G1

O governo já estuda criar o Benefício de Inclusão Produtiva pelos próximos três meses para compensar o fim do auxílio emergencial. O valor de R$ 200 por mês será pago para até 30 milhões de pessoas que não tem carteira assinada e estão fora do Bolsa Família.

Também está em estudo um aumento transitório do valor médio para quem já recebe o Bolsa Família. A ideia é deixar explícita a separação entre assistência social e benefício pontual para o trabalhador.

“AVALIAÇÃO” – Segundo uma fonte do governo, esses três meses serão uma espécie de “período de avaliação”. Caso a pandemia permaneça com o estágio de gravidade atual, com número elevado de mortes, teria que ser acionada uma “cláusula de emergência” com compensações para garantir o equilíbrio fiscal.

Nesses próximos dias, integrantes da equipe econômica e da articulação política do governo vão iniciar conversas com deputados e senadores para negociar aprovação imediata dessa cláusula dentro da PEC do Pacto Federativo.

“Se tiver um ano de guerra, teremos dois anos sem aumento de salário. Não podemos comprometer o futuro de filhos e netos”, disse um integrante da equipe econômica, resumindo o espírito dessa cláusula para períodos emergenciais como o de calamidade pública, onde haverá desindexação de salários entre outras medidas duras do ponto de vista fiscal.

ARTICULAÇÃO – O ministro da Economia, Paulo Guedes, já iniciou conversas nos últimos dias com os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira sobre o cenário atual. Segundo relatos, o ministro já reconheceu que será preciso uma solução rápida para a crise, mas sem comprometer as futuras gerações. Nesta segunda, Guedes deverá se encontrar novamente com o senador Rodrigo Pacheco.

Segundo integrantes da equipe econômica, o protocolo de crise já foi acionado como no ano passado, com antecipação do 13º salário e do abono salarial. Mas para novos gastos, será preciso aprovar a cláusula emergencial por causa das limitações constitucionais do teto de gastos e da regra de ouro.

No ano passado, foi aprovada a PEC do Orçamento de Guerra, que permitiu o pagamento do auxílio emergencial e de outras medidas. Mas agora, o governo quer uma solução definitiva dentro do Pacto Federativo.

APROVAÇÃO – “Mesmo que o Pacto Federativo demore mais um pouco para aprovar, é fundamental que nesses três meses essa cláusula emergencial seja aprovada pelo Congresso. Não podemos ter uma farra fiscal ou um ambiente de irresponsabilidade”, alertou um integrante do governo.

“Precisamos ter um escudo para proteger as futuras gerações. Se não há coragem de fazer isso em tempo de paz, tem que fazer em tempo de guerra”, completou.

“Quer tirar a mim e colocar quem no lugar?”, questiona Bolsonaro sobre dezenas de pedidos de impechament


Câmara acumula mais de 60 pedidos de impedimento contra Bolsonaro

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro questionou nesta segunda-feira, dia 8, parte da população que deseja o impeachment do mandatário. A Câmara já possui mais de 60 pedidos de processo de impedimento contra o chefe do Executivo ao longo de seus dois anos de mandato, mas nenhum chegou a ser apreciado pela Câmara. Em indireta, ele relatou que não enxerga um candidato à sua altura.

“Agora vem uns outros e querem impeachment. Vai resolver o quê? Quer tirar a mim e colocar quem no lugar? ‘Esse quem’ podia nos ajudar com soluções agora. Eu tenho humildade para acolher qualquer sugestão, qualquer uma, seja qual for. A gente estuda”, apontou.

LOCKDOWN –  O mandatário ainda criticou a política de lockdown contra a pandemia nos estados. “Tem alguns locais ainda que estão com essa política de fecha tudo, não dá certo. Já disse lá atrás que o vírus e o desemprego são dois problemas que têm que se combater. O desemprego também mata, depressão, suicídio, outras doenças também.. Cada vez mais está se represando cirurgias que deveriam ter sido feitas lá atrás e não fizeram só em nome do vírus”, alegou.

Bolsonaro comemorou o resultado das eleições no Congresso e fez novas críticas ao ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), caracterizando-o como a encarnação da oposição ao governo. Ele ressaltou também que é necessário enfrentar a pandemia de covid-19.

“Tem esses caras que falam que eu sou insensível às mortes. Eu sou sensível a qualquer morte não interessa qual seja a causa. Parece que esses caras que falam isso não vão morrer nunca. Tem que buscar solução. Graças a Deus mudou o comando da Câmara. Hoje tem declarações da imprensa, esse cara que saiu da Câmara parece que vai encarnar a verdadeira oposição a meu governo. Ele não tem que ser oposição ao meu governo, tem que ser favorável ao Brasil. Enquanto se faz política barata o povo sofre”, declarou a apoiadores na saída do Palácio da Alvorada.

CESTA BÁSICA – O presidente comentou, por fim, o aumento nos itens da cesta básica e justificou que as mudanças nos valores não dependem apenas dele.

“Outra coisa que é complicado os produtos da cesta básica, os mais essenciais, em especial, o óleo de soja, subiram em média 20%. Então o povo está empobrecendo, perdendo seu poder de compra. Temos que buscar uma solução para isso. Não passa apenas pelo presidente. Hoje, conversei com o novo presidente da Câmara [Lira]. Devemos nos encontrar nas próximas horas, no máximo amanhã (9). Quer resolver também. Mas são soluções que não são fáceis de resolver”, concluiu. Mais cedo, o mandatário afirmou que os novos reajustes dos combustíveis e do gás de cozinha irão gerar “chiadeira com razão”.

Novo front da guerra das vacinas registra duros ataques entre o Centrão e a Anvisa

Publicado em 8 de fevereiro de 2021 por Tribuna da Internet

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense

A polêmica entre o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), e o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, é a primeira queda de braços entre os políticos do Centrão e os militares do governo Bolsonaro após a eleição do novo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Colega de bancada de Lira, Barros foi um dos protagonistas da campanha que conquistou 302 votos na Casa.

Engenheiro e ex-prefeito de Maringá (PR), o líder do governo é um dos nomes cotados para substituir o general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde, do qual foi titular no governo Michel Temer. Quer liberar vacinas importadas em cinco dias, sem testagem no Brasil.

NUM NAVIO – Médico e contra-almirante, Barra Torres comanda a Anvisa como se estivesse num navio. Responde por tudo a bordo e tem prestigiado o corpo técnico da autarquia, cujo padrão de excelência é reconhecido internacionalmente. A pressão de Barros sobre a Anvisa, segundo o próprio, é uma questão do Congresso e não do governo.

Os deputados e senadores voltaram do recesso pressionados pelos eleitores a resolverem logo o problema da vacina. “A Anvisa tem seu ritmo e sua visão de velocidade e, o Congresso tem a velocidade do povo. Fomos para a base e vimos o retorno: o maior receio é da falta de vacina”, justificou.

O parlamentar tem sido duro com os técnicos da Anvisa, defendendo a mudança de legislação, se for o caso, para liberação dos medicamentos.

ENFRAQUECER A ANVISA? – Barra Torres, que vem atuando sob fortes pressões do próprio presidente Jair Bolsonaro, dos governadores e do corpo científico, é diplomático, mas politizou a crise. “A quem interessa o enfraquecimento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária?”, pergunta.

Em entrevista, na semana passada, disse que sempre teve uma boa relação com Barros e defendeu a agência: “É a mais rápida do mundo em análise de protocolos vacinais”, disse.

Barra Torres nega que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ou qualquer ministro da Saúde em sua gestão tenha feito qualquer tipo de pressão à Anvisa, antes ou durante a pandemia de covid-19: “O presidente da República, Jair Bolsonaro, nunca, em momento algum, exerceu qualquer tipo de pressão sobre a agência. Nunca fez um pedido, nunca disse ‘gostaria que aprovasse isso ou aquilo’. E ele é o chefe do Executivo. Nunca fez”, afirmou Torres.

BRIGA DE LABORATÓRIOS – O que esticou a corda entre o líder do governo na Câmara e o presidente da Anvisa foram as dificuldades para liberação das vacinas já aprovadas no exterior para uso imediato no Brasil, entre as quais a vacina russa Sputnik V.

Das 11 vacinas já em uso no mundo, todas aprovadas por agências reguladoras reconhecidas internacionalmente, somente duas, até agora, estão sendo usadas no Brasil, o que aumentou o estresse entre os políticos e a agência. Segundo Ricardo Barros, a exigência de 10 dias para a liberação do uso emergencial, como queria a Anvisa, é ilegal. “O presidente deve sancionar a medida aprovada pelo Congresso que estabelece 5 dias; a própria Anvisa havia estabelecido um prazo de 72 horas”, esclarece.

Segundo Ricardo Barros, a exigência de testagem em território nacional para vacinas já aprovadas por agências reguladoras no exterior custa US$ 80 milhões, o que dificulta a compra de vacinas. “Sem essa exigência, não faltará vacinas; todos os governos e planos de saúde poderão comprar. Cerca de 50 milhões de brasileiros têm plano de saúde, haverá vacina pra todos”, argumenta o líder do governo.

MAIS POLÊMICAS – No caso da Sputnik V, há um ingrediente a mais: a disputa entre a Fiocruz e o Butantan e a União Química, fabricante da Sputnik V no Brasil. O presidente da empresa, Fernando Marques, acusou os laboratórios públicos de dificultarem a chegada de vacinas produzidas por laboratórios privados. A Sputnik V é produzida pela Farmacêutica, que tem um acordo com o Fundo Soberano da Rússia e o Instituto Gamaleya para receber tecnologia e trazer doses prontas do imunizante para o Brasil.

Até o momento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou duas vacinas, produzidas por laboratórios públicos brasileiros: a Coronavac, do Butantan, e a AstraZeneca, da Fiocruz. A Sputnik é a primeira fabricante privada a firmar contrato de venda de vacinas com o governo brasileiro. Seriam 10 milhões de doses, inicialmente. Mas, antes da nova vacina ser utilizada, a União Química precisa obter a autorização de uso emergencial da vacina no Brasil.

 

*Com prefeituras e entidades educacionais, governo estadual avança na criação de protocolo conjunto de volta às aulas*




A criação de um protocolo de volta às aulas no território baiano voltou a ser debatida durante uma reunião realizada na manhã desta segunda-feira (8), na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB). Participaram prefeitos; gestores e técnicos das secretarias estaduais da Educação (SEC) e da Saúde (Sesab); representantes da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime); dentre outras autoridades.
Liderado pelo secretário da Educação do Estado, Jerônimo Rodrigues, e pelo presidente da UPB, Eures Ribeiro, o encontro deu encaminhamento aos desdobramentos da última reunião do grupo responsável pela criação do protocolo de volta às aulas, realizada via videoconferência, na última sexta-feira (5), com a participação do governador Rui Costa.
"Estamos trabalhando para qualificar o protocolo geral. Há um consenso de que queremos voltar ao processo de aprendizagem, que inicialmente será híbrido, com Tempo Escola e Tempo Casa, mas isso só poderá ser feito quando os indicadores de saúde estiverem mais favoráveis", destacou o secretário Jerônimo.
No encontro, os superintendentes da Secretaria da Educação Manuelita Brita e Manoel Calazans apresentaram uma síntese do que já foi construído em consenso com os diferentes sujeitos da Educação e também foi feita uma exposição de pontos em aberto. Uma das definições já aprovadas por todas as partes é que este ensino híbrido acontecerá de acordo com a realidade de cada unidade, com e sem mediação tecnológica.
Jerônimo lembra que a comunidade também será escutada. "Ao final, teremos criado um protocolo com um olhar unificado. Para tanto, ainda iremos discutir com a sociedade, envolvendo as famílias, órgãos de controle e outras entidades", sinalizou o secretário.
Anfitriã da reunião desta segunda, a UPB continuará a ter papel fundamental quando ocorrer o retorno das atividades letivas. "Precisamos da força da UPB para que as prefeituras possam, uma vez finalizado e colocado em execução, fazer um acompanhamento minucioso desta rotina para garantir a execução correta do protocolo", destacou Jerônimo.
Novas reuniões estão marcadas para o decorrer desta semana, objetivando o avanço dos trabalhos para a volta às aulas.
*Decreto*
Foi renovado, neste sábado (6), o decreto que suspende shows e aulas nas unidades de ensino das redes pública e privada em toda a Bahia. O documento proíbe a realização de atividades com público superior a 200 pessoas, como passeatas, feiras, circos, eventos científicos, desportivos e religiosos. Shows e festas, públicas ou privadas, seguem proibidos independentemente do número de participantes.(nosso grifo)
Cerimônias de casamento e solenidades de formatura podem ser realizadas desde que limitadas a até 200 pessoas. A parte festiva desses eventos não está permitida.
*_Repórter: Renata Preza_*
*_Fotos: Carol Garcia/ GOVBA_*

Exonerado há um ano por uso imoral de avião da FAB, amigo da família Bolsonaro ganha novo cargo no Planalto

Publicado em 8 de fevereiro de 2021 por Tribuna da Internet

José Vicente Santini será o nº 2 da Secretaria-Geral da Presidência

Daniel Carvalho
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) levou de volta ao Palácio do Planalto José Vicente Santini, amigo da família que foi demitido do posto de secretário-executivo da Casa Civil em janeiro do ano passado após usar um jato da FAB (Força Aérea Brasileira) para uma viagem exclusiva para a Índia.

A nomeação para o cargo de secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República foi publicada no”Diário Oficial da União” desta segunda-feira, dia 8. Ele será o número dois de Onyx Lorenzoni, que deverá ser nomeado titular da pasta nos próximos dias na reforma ministerial a conta-gotas que Bolsonaro se organiza para fazer ao longo dos próximos meses.

CRÉDITO – Onyx é atualmente ministro da Cidadania e era chefe de Santini à época da demissão, quando era ministro da Casa Civil. O retorno do auxiliar, porém, não está sendo creditado ao ministro, mas ao próprio presidente, segundo auxiliares do mandatário.

Santini é amigo da família Bolsonaro e chegou ao governo com respaldo dos filhos do presidente, que se refere a ele como “cabeludo”.Procurado pela Folha na semana passada, quando a notícia sobre seu retorno ao Planalto começou a circular, Santini disse não sabia da indicação. “Continuo colaborando com o governo como assessor do ministro Ricardo Salles”, afirmou.

Então secretário-executivo da Casa Civil, Santini usou um jato da FAB com apenas três passageiros para voar da Suíça, onde participava do Fórum Econômico Mundial, para a Índia, onde Bolsonaro cumpria agenda oficial.

“INADMISSÍVEL” – Na ocasião, Bolsonaro chamou de inadmissível o uso do voo oficial com apenas três passageiros. “Inadmissível o que aconteceu. Já está destituído da função de executivo do Onyx [Lorenzoni]. Destituído por mim. Vou conversar com Onyx para decidir quais outras medidas podem ser tomadas contra ele. É inadmissível o que aconteceu, ponto final”, afirmou o presidente à época.

Ao dizer que Santini deixaria o cargo de secretário-executivo, Bolsonaro não excluiu a possibilidade de ele ocupar outras funções no governo federal. Para o presidente, a conduta de Santini havia sido “completamente imoral”.

“O que ele fez não é ilegal, mas é completamente imoral. Ministros antigos foram de aviões lá comercial, classe econômica. Eu mesmo já viajei no passado, não era presidente, para Ásia toda de comercial, classe econômica, e não entendi. A explicação que chegou no primeiro momento: ‘ele teve de participar de reunião de ministros por isso…’ Essa não, essa desculpa não vale.”

NOVO CARGO – Um dia depois, porém, Santini ganhou um novo cargo no Planalto, sendo nomeado assessor especial da Secretaria Especial de Relacionamento Externo da Casa Civil. Diante da repercussão negativa, Bolsonaro afirmou em rede social que iria tornar sem efeito a nova contratação de Santini.

Depois disso, em setembro do ano passado, Santini já havia sido reintegrado ao governo Bolsonaro com um cargo de assessor especial do ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente).

Santini é formado em direito pela Universidade Católica de Brasília e possui mestrado e doutorado pela UniCeuB. Antes de ser o número dois da Casa Civil, foi da Subchefia de Acompanhamento e Monitoramento, onde acompanhou casos como o desastre de Brumadinho (MG), por exemplo.

CÍRCULOS DE MILITARES – Santini conheceu a família Bolsonaro dos círculos de militares por ser filho de general do Exército. Desde que entrou para o governo, costumava fazer publicações com filhos do presidente, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), além de trocarem mensagens em tom elogioso um ao outro.

Antes de assumir cargo público, era sócio de um escritório de advocacia em Brasília. Em seu currículo público, disponível em suas redes sociais, Santini diz ter trabalhado entre 2007 e 2012 no Ministério da Defesa com assuntos ligados a privatizações e aviação civil.

O comando da Secretaria-Geral está interinamente sob Pedro Cesar Nunes Ferreira Marques de Sousa, subchefe para Assuntos Jurídicos da pasta, desde o final do ano passado, quando o titular da pasta, Jorge Oliveira, também amigo da família Bolsonaro, tomou posse como ministro do TCU (Tribunal de Contas da União).

BOLSA FAMÍLIA – O interino continuará à frente da SAJ (Subchefia para Assuntos Jurídicos), mas vai se reportar diretamente a Bolsonaro, não a Onyx. O deputado licenciado do DEM-RS assume a Secretaria-Geral para abrir o Ministério da Cidadania, que cuida, entre outras coisas, do Bolsa Família, para abrir espaço para o centrão no governo.

A pasta deve ser entregue ao Republicanos, legenda vinculada à Igreja Universal do Reino de Deus. O partido poderá indicar centenas de cargos vinculados a 19 secretarias e subsecretarias e sete diretorias.

Ao levar de volta Onyx para dentro do Planalto, onde funciona o gabinete da pasta, a ideia do presidente é restabelecer um equilíbrio à chamada cozinha do governo, hoje dominada por ministros militares, alvos de críticas por falta de traquejo político.

Rodrigo Maia acusa ACM Neto de traição por não apoiar Rossi : “Entregou a nossa cabeça numa bandeja para o Planalto”


Maia pedirá desfiliação do DEM “sem pressa ou briga”

Deu no O Globo

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia criticou o presidente do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto,  “um amigo de 20 anos”, de traição por não apoiar o nome de Baleia Rossi (MDB-SP) na disputa pelo comando da Casa, vencida pelo  candidato governista Arthur Lira (PP-AL).

“Mesmo a gente tendo feito o movimento que interessava ao candidato dele no Senado, ele entregou a nossa cabeça numa bandeja para o Palácio do Planalto”, afirma o parlamentar  em entrevista publicada no “Valor” desta segunda-feira, dia 8.

DESFILIAÇÃO – Maia confirmou que irá pedir sua desfiliação do DEM ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE)  “sem pressa ou briga”, porém, não adiantou para qual legenda deve migrar.  “Estarei num partido que será de oposição ao presidente Bolsonaro”.

PSDB, PSL e Cidadania já convidaram o parlamentar para integrar os seus quadros. Na noite deste domingo, Maia se reuniu com o governador de São Paulo, João Doria, em São Paulo. De acordo com o colunista Lauro Jardim, o tema do encontro  era a construção de uma grande aliança de olho nas eleições presidencias de 2022 e, claro,  o convite para Maia ingressar no partido.

CRÍTICAS – Ao “Valor”, Maia disse ainda que o movimento conduzido por ACM Neto, de aproximar o DEM  do governo Bolsonaro, faz com que o partido volte para “extrema direita dos anos 1980”. Ele ainda criticou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de trabalhar nos bastidores pela aproximação com os rivais durante o processo eleitoral na Câmara.

“Foi um processo muito feio do Neto e do Caiado. Ficar contra é legítimo, falar uma coisa e fazer outra não. Falta caráter, né”, afirma.

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TRECHOS DA ENTREVISTA:

RETROCESSO – “Trabalhamos a mudança de posicionamento do então PFL até virar DEM em 1995 para tirar a pecha do DNA originário da Arena e se transformar num partido de fato de centro, centro-direita no máximo. O grande problema é que o partido voltou ao que era na década de 1980, para antes da redemocratização. O DEM decidiu majoritariamente por um caminho, voltando a ser de direita ou extrema-direita, que é ser um aliado do Bolsonaro. O projeto do DEM acabou. O Luciano Huck estava 90% resolvido a se filiar ao DEM, se decidisse ser candidato”.

TRAIÇÃO – “Não conversei mais com o Neto. Diferentemente do que ele imagina, na verdade o que o Bolsonaro conseguiu foi quebrar a nossa coluna, que era toda acordada, de que nunca estaríamos no governo Bolsonaro e nunca apoiaríamos o Bolsonaro. Isso eu ouvi do presidente ACM Neto centenas de vezes”.

OPOSIÇÃO A BOLSONARO – “Ainda não estou decidindo para qual partido eu vou. Apenas quero deixar claro para os que me acompanham e acompanharam meus quatro anos e sete meses à frente da Câmara que não sou um vendido, que tenho caráter. Estarei num partido que será de oposição ao presidente Bolsonaro”.

No geral, o recurso empenhado pela Câmara em transportes caiu 50% de 2019 para 2020, mas mesmo assim alcançou R$ 49 milhões – suficiente para atender 81 mil pessoas com auxílio emergencial de R$ 600 por um mês.

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