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Mendonça se complicou e também complicou Bolsonaro
Pedro do Coutto
O ministro da Justiça, André Mendonça, recusou-se cumprir determinação do Supremo e entregar à Procuradoria-Geral da República a cópia do dossiê que relaciona 579 pessoas acusadas de articular movimentos antifascistas no país. Afirmou que só enviará o obscuro dossiê se solicitado pelo próprio procurador- geral da República, Augusto Aras.
Reportagem de Vinicius Sassine, O Globo de hoje, destaca o assunto e lembra que na semana passada ele também se negou a entregar o estranho levantamento ao STF.
SUBVERSÃO TOTAL – Portanto, digo eu, o ministro da Justiça subverteu a ordem legal do país, pois não há cabimento em colocar o procurador-geral da República acima do Supremo. Aliás, o dossiê foi também solicitado pela Câmara Federal, e a resposta, até este momento está sendo o silêncio.
Há cerca de 10 dias, em uma entrevista à equipe da GloboNews, negou ter conhecimento da existência do dossiê. Entretanto, na semana passada, por causa do dossiê, demitiu o diretor do Serviço de Inteligência da Pasta sob sua direção.
A meu ver, André Mendonça se complicou, complicando também o governo Bolsonaro.
CPMF É UMA ILUSÃO – Reportagem de Fabio Pupo, Bernardo Caran e Tiago Resende, Folha de São Paulo de hoje, revela uma flagrante contradição entre o projeto de Paulo Guedes sobre a nova CPMF que ele defende, com a realidade tributária. Ao destacar a importância do novo tributo, que a meu ver será rejeitado pelo Congresso, assegurou que reduziria os encargos das empresas sobre a folha de salários, ampliaria a isenção e redução do Imposto de Renda, consolidaria a expansão do Bolsa Família a ser incorporado à Renda Brasil. Acontece que tais benefícios fiscais ficariam entre 228 e 248 bilhões de reais, enquanto a receita da CPMF, presente em seu sonho, possui uma estimativa de 120 bilhões de reais.
REINO DA FANTASIA – Portanto os benefícios relacionados por Paulo Guedes na verdade só existem no reino da fantasia. Sobretudo, a diminuição dos encargos patronais sobre a folha de salários, obrigação hoje na escala de 20%, mas que ele, ministro da Economia quer reduzir para 10% ou 15%. Impossível.
A Previdência fecharia no dia seguinte, uma vez que a contribuição das empresas é muito maior do que a contribuição dos empregados e dos servidores das empresas estatais.
Outros problemas são o custo dos funcionários e as verbas para saúde.
DIZ O MILLENIUM Com base em reportagem de Adriana Fernandes, O Estado de São Paulo de segunda-feira, o custo dos funcionários federais, estaduais e municipais seria 3,5 superior aos gastos com a saúde no Brasil. Desejo colocar o seguinte: Em primeiro lugar o levantamento do Instituto Millenium somou as despesas com todo o funcionalismo público federal, estadual e municipal. Quanto à saúde, fixou-se nas despesas do Ministério, não incluindo os gastos das secretarias estaduais e municipais. Assim inflou as despesas e singularizou a administração da saúde.
O MIllenium disse que as despesas com o funcionalismo em geral atingem 928 bilhões de reais por ano e que tal montante equivale a 13,7% do PIB. Acho que está certo o cálculo, apenas acentuo que o PIB brasileiro eleva-se a 6,6 trilhões de reais.







