Após recorde de mortes em 24h no Brasil, Bolsonaro foi ao STF pedir reabertura do comércio.
quinta-feira, maio 07, 2020
Bolsonaro leva empresários para encostar STF na parede - Helena Chagas - Os Divergentes
Bolsonaro e os industriais escolheram um péssimo momento para aparecer no Supremo, horas depois do anúncio dos piores números da pandemia no país, com 615 mortes em 24 horas e mais de 125 mil casos de contaminação
Por Helena Chagas
Por Helena Chagas
OCDE diz que acusações de Moro contra Bolsonaro podem dificultar candidatura do Brasil na organização

Kos diz que caso Moro aponta que algo “está terrivelmente errado”
Paulo Roberto Netto
Estadão
Estadão
O chefe do grupo de trabalho anticorrupção da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Drago Kos, afirmou que as revelações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro sobre tentativas de ‘interferência política’ do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal podem ameaçar a candidatura do País na entrada da organização.
Em entrevista à Bloomberg, Kas afirmou que a OCDE ligou para autoridades brasileiras para saber ‘o que estava acontecendo’ após o anúncio de demissão de Moro, que deixou o governo no dia 24 de abril após relatar pressões do presidente para mudar o comando da PF.
RETROCESSO – “Nossos estados membros são muito, muito rigorosos quando discutem adesões à OCDE. Por isso, espero que o Brasil use isso como uma oportunidade, mas se seguirem outro caminho, nossos estados membros saberão como lidar com isso”, disse. “Nós queremos ter a certeza absoluta de que o Brasil não está retrocedendo”.
Kos afirmou ao site norte-americano ter ficado ‘chocado’ com a saída de Moro. No ano passado, os dois se encontraram em Brasília para discutir medidas anticorrupção adotadas pelo governo brasileiro que devem estar no padrão da organização.
O chefe do grupo de trabalho anticorrupção afirmou que espera que as autoridades brasileiras investiguem as alegações de Moro com o mesmo empenho que fizeram durante a Operação Lava Jato.
“ALGO ERRADO” – “Quando você vê uma pessoa como Moro deixar o Ministério da Justiça, você sabe que algo está terrivelmente errado”, disse. “No Brasil, eu encontrei com policiais, procuradores e especialistas muito qualificados que lidam com casos de corrupção. A pergunta agora é o quão livre eles estarão para fazer o seu trabalho?”.
Segundo o dirigente, uma videoconferência será realizada em junho para discutir, entre outros assuntos, a saída de Moro do governo. O tema principal do encontro é a candidatura brasileira, submetida em 2017 e que começou a andar no começo deste ano.
No “toma lá dá cá”, Bolsonaro começa a distribuir cargos e já conta com o alinhamento do Centrão

Charge do Myrria (acritica.com)
Vinícius Valfré e Camila Turtelli
Estadão
Estadão
Sob pressão de aliados e após sofrer sucessivas derrotas políticas, o presidente Jair Bolsonaro começou na quarta-feira, dia 6, a distribuir cargos aos partidos do Centrão, em troca de votos no Congresso, ressuscitando a velha prática do “toma lá, dá cá”.
No casamento de papel passado, a primeira legenda a ser contemplada foi o Progressistas do deputado Arthur Lira (AL), que conseguiu emplacar um indicado para o comando do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), autarquia com orçamento de R$ 1 bilhão neste ano
ALINHAMENTO – A nomeação saiu no Diário Oficial da União um dia depois de o Centrão ter apoiado o governo em votações importantes. O bloco ficou alinhado ao Palácio do Planalto, na terça-feira, dia 5, durante votação na Câmara da proposta que prevê o socorro a Estados e municípios. Ao contrário de outras ocasiões, quando impunham reveses a Bolsonaro, líderes do bloco foram ao microfone para orientar votos conforme os interesses do Executivo.
O nomeado para o Dnocs é Fernando Marcondes de Araújo Leão. A autarquia sempre foi controlada pelo MDB, mas o presidente permitiu que a indicação fosse feita por Lira, líder do Progressistas (antigo PP) e réu em processo por corrupção passiva.
BARRIGA DE ALUGUEL – Lira, por sua vez, repassou o apadrinhamento para o deputado Sebastião Oliveira (PL-PE), representante do baixíssimo clero da Câmara, transformando a indicação numa “barriga de aluguel”.
Ao terceirizar a escolha, ele desagradou a parlamentares do Progressistas, mas a estratégia faz parte dos planos para a construção de uma base de apoio na disputa pela presidência da Câmara, em fevereiro de 2021. O Estadão apurou que Lira também quer reunir partidos menores, como PSC, Patriotas e Avante, para fortalecer sua possível candidatura e espera o apoio de Bolsonaro.
Questionado sobre o movimento do deputado na indicação para o Dnocs, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), desconversou e disse ter ótimo diálogo com os colegas. “Se um partido quer participar do governo, o que isso tem a ver com minha relação aqui na Câmara?”, perguntou Maia, ao negar que as articulações sejam para esvaziar seu poder. “A pauta é sempre do presidente da Câmara”, argumentou.
ALIANÇA – Procurados pelo Estadão, alguns dos principais líderes do Centrão não quiseram falar abertamente sobre a nova aliança com o Planalto. “Ninguém pergunta se o que está sendo votado é bom ou não”, afirmou Jhonatan de Jesus (Republicanos-RR).
O líder do Solidariedade na Câmara, Zé Silva (MG), admitiu que o partido deve apoiar mais propostas do governo, mas disse não ter aceitado cargos em troca.
“O Solidariedade fez a opção de apoiar os projetos que forem importantes, mas não está indicando para estruturas do governo”, destacou. Diego Andrade (MG), do PSD, garantiu, por sua vez, que a sigla é “independente” e preocupada com a agenda econômica.
TROPA – “Quem está segurando as CPIs para investigar as interferências de Bolsonaro na PF e outros crimes relatados pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro é a tropa de parte do Centrão”, disse a líder do PSL, Joice Hasselmann (SP).
“O presidente deu cargos, estatais, secretarias, departamentos, e conseguiu a ‘lealdade’ com base no velho tomá-la-da-cá”, disse. Lideranças do Centrão ouvidas pela reportagem negam que essa tentativa de barrar a abertura das CPIs esteja acontecendo.
VELHA POLÍTICA – Depois de carimbar o Centrão como “velha política”, Bolsonaro também já conta com o bloco para evitar a perda dos efeitos da medida provisória de regularização fundiária, conhecida como “MP da grilagem”, que perde a validade no próximo dia 19. Até então, Maia só pretendia pautar a MP caso houvesse consenso entre Ministério da Agricultura e as bancadas do agronegócio e do meio ambiente, o que ainda não ocorreu.
Em uma época de pandemia de covid-19, o tema é caro ao governo, que considera que a MP necessária para promover a “dignidade de produtores rurais” e “o desenvolvimento do nosso Brasil”. Os que se opõem à medida veem riscos de regularização de territórios invadidos por grileiros e desmatadores ilegais.
NO CONTROLE – Nos bastidores, integrantes do Centrão argumentam que a nomeação de Araújo Leão para comandar o Dnocs marcou uma aliança entre o Planalto e o bloco de partidos de centro e centro direita. Com isso, o governo pôs o grupo no controle de uma autarquia que terá neste ano R$ 265 milhões apenas para investimentos.
É dinheiro que pode ser usado, por exemplo, para compra de equipamentos e obras em localidades remotas com grande potencial de atração de votos. O orçamento total do Dnocs para 2020, de R$ 1 bilhão, não chega a ser o maior entre autarquias e demais órgãos desejados pelo Centrão – a título comparativo, o orçamento do Dnit é de R$ 8,4 bilhões.
O deputado Sebastião Oliveira, padrinho do novo diretor do Dnocs, foi o secretário estadual de Transportes de Pernambuco entre 2015 e 2018, oportunidade na qual nomeou Fernando Leão para uma secretaria executiva da pasta. O grupo já controla o Dnocs em Pernambuco. Todos os citados foram procurados pela reportagem para comentar os critérios da indicação, mas não atenderam às chamadas.
Sob tutela militar, Nelson Teich nega interferência do governo: “Eu sou o líder de um grupo”

Charge do Amarildo (agazeta.com.br)
André Borges
Estadão
Estadão
O ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou que a nomeação de militares para atuarem diretamente na cúpula do Ministério da Saúde não significa uma interferência direta do governo na pasta, mas uma resposta à necessidade de execução de trabalho em curto espaço de tempo e de forma organizada.
“Eu sou o líder de um grupo que é composto por vários secretários. Meu papel é de liderança e de execução. Essa é a minha parte”, disse Teich. Foi um gesto de autodefesa. Apenas na gestão Teich, cerca de 10 militares já receberam ou devem ganhar cargos na pasta.
ALA MILITAR – Como informou o Estado nesta quarta-feira, dia 6, a equipe de Teich no ministério tem recebido nomes indicados pela ala militar para cargos estratégicos. As mudanças já começaram e vão se estender pelos próximos dias. Secretários estaduais e gestores do SUS estão chamando de “tutela” do Palácio do Planalto e da área militar, que já tem o secretário executivo, o general Eduardo Pazuello, “número 2” na hierarquia da pasta.
“O secretário-executivo tem o papel de fazer as coisas acontecerem. Existem projetos, metas, ações e ele vai fazer com que isso aconteça da forma mais eficiente possível. Hoje um dos grandes problemas que a gente tem é velocidade, eficiência”, justificou Teich. “A vinda dos militares… O general Pazuello tem uma história de ter feito coisas grandes em execução, de fazer acontecer de forma rápida. A razão de ele estar ao meu lado não é porque ele é militar, é porque ele é competente nisso, é eficiente e tem um histórico de entrega.”
POLARIZAÇÃO – Nelson Teich disse que é preciso “evitar essa polarização se é um governo de militar ou não” e admitiu que mais nomeações de militares ocorrerão. “Os militares têm competências que são muito importantes, o planejamento do trabalho em equipe, uma coisa organizada, isso é importantíssimo”, comentou.
“Em relação às pessoas que trabalham com ele (Pazuello), ele vai escolher. E a equipe que ele está acostumado a trabalhar são pessoas que ele conhece, que ele convive e são militares. Ele, naturalmente, vai trazer essas pessoas. É uma questão de eficiência e de ter que entregar rápido.”
INDICAÇÕES – Ao anunciar o ministro, o presidente Jair Bolsonaro chegou dizer que daria liberdade para o médico escolher parte da equipe, mas reconheceu que também indicaria nomes. “Ele vai nomear boas pessoas, eu vou indicar algumas pessoas também, porque é um ministério muito grande. Foram sugeridos nomes sim, para começar a formar um ministério que siga a orientação do presidente de ver o problema como um todo e não uma questão no particular”, afirmou o presidente em 16 de abril.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Antes mesmo de Teich assumir a pasta, Bolsonaro já havia deixado claro que escalaria militares para compartilhar a gestão da pandemia. Tutelado por fardados, Teich não repetiria o “incômodo” provocado por Mandetta ao assumir um eventual protagonismo. (Marcelo Copelli)
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Antes mesmo de Teich assumir a pasta, Bolsonaro já havia deixado claro que escalaria militares para compartilhar a gestão da pandemia. Tutelado por fardados, Teich não repetiria o “incômodo” provocado por Mandetta ao assumir um eventual protagonismo. (Marcelo Copelli)
Assinar:
Comentários (Atom)
Em destaque
Tista de Deda participa de debate na UPB sobre altos cachês do São João e alerta para impacto nas finanças municipais
Tista de Deda participa de debate na UPB sobre altos cachês do São João e alerta para impacto nas finanças municipais O prefeito de Jeremo...
Mais visitadas
-
É com profundo pesar que tomo conhecimento do falecimento de José Aureliano Barbosa , conhecido carinhosamente pelos amigos como “Zé de Or...
-
Compartilhar (Foto: Assessoria parlamentar) Os desembargadores do Grupo I, da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Sergip...
-
Tiro no pé : É de se notar que nem os Estados Unidos fizeram barulho sobre o assunto pelo qual se entranhou a mídia tupiniquim
-
. Nota da redação deste Blog - Que Deus dê todo conforto, força e serenidade para enfrentar este luto.
-
O mundo perdeu uma pessoa que só andava alegre, cuja sua ação habitual era o riso, um pessoa humilde que demonstrava viver bem com a vida...
-
O problema econômico do nosso vizinho vai requerer um bom caldeirão de feijão e uma panela generosa de arroz. Voltar ao básico Por Felipe Sa...
-
É com profunda indignação, tristeza e dor que registro o falecimento do meu amigo, o farmacêutico Pablo Vinicius Dias de Freitas , aos 46...
-
Por`ESTADÃO O País assistiu, estarrecido, ao sequestro das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado por parlamentares bolsonaristas que decidir...
-
Foto Divulgação - Francisco(Xico)Melo É com profunda tristeza que recebi a notícia do falecimento do ...

