terça-feira, maio 05, 2020

Defesa de Moro pede ao STF para divulgar depoimento que prestou à PF contra Bolsonaro


Inquérito apura suposta interferência política de Bolsonaro na PF
Fausto Macedo e Paulo Roberto Netto
Estadão
A defesa do ex-ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) pediu ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que libere a íntegra do depoimento de mais de oito horas que o ex-juiz prestou na Superintendência da Polícia Federal, no último sábado, dia 2.
“Considerando que a imprensa, no exercício do seu legítimo e democrático papel de informar a sociedade, vem divulgando trechos isolados do depoimento prestado pelo requerente em data de 02 de maio de 2020, esta defesa, com intuito de evitar interpretações dissociadas de todo o contexto das declarações e garantindo o direito constitucional de informação integral dos fatos relevantes – todos eles de interesse público – objeto do presente Inquérito, não se opõe à publicidade dos atos praticados nestes autos, inclusive no tocante ao teor integral do depoimento prestado pelo requerente”, afirma a defesa.
INTERFERÊNCIAS – A petição foi assinada pelo advogado Rodrigo Sanchez Rios, defensor de Moro no inquérito que apura as acusações do ex-juiz da Lava Jato de ‘interferências políticas’ do presidente Jair Bolsonaro no comando da Polícia Federal.
Nesta segunda-feira, o Estado revelou que o depoimento do ex-ministro perante à PF citava o nome de três ministros  que seriam testemunhas de ameaças do ex-presidente contra Moro. Augusto Heleno (GSI), Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) estiveram presentes em reunião gravada pelo Planalto em que Bolsonaro ameaçou demitir Moro caso ele não trocasse a chefia da Polícia Federal. O encontro foi realizado no dia 23 de abril. O assunto também teria sido abordado em outra reunião, no dia anterior (22 de abril), com outros ministro de Bolsonaro.
GRAVAÇÃO – O procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou que Heleno, Braga Netto e Eduardo Ramos fossem ouvidos no inquérito e que seja entregue a gravação da reunião mencionada por Moro. A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) também pode ser ouvida. A parlamentar trocou mensagens com Moro no qual pedia ao ex-ministro que aceitasse a mudança de comando na PF. Em troca, ela influenciaria Bolsonaro a indicá-lo ao STF na vaga que abrirá em novembro.
O PGR também quer os delegados o ex-diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, o ex-superintendente da PF no Rio, Ricardo Saadi, o superintendente no Amazonas, Alexandre Saraiva, o ex-chefe da PF em Minas Rodrigo Teixeira e o recém-indicado diretor-executivo da PF e ex-superintendente da PF no Rio, Carlos Henrique Oliveira.  Os cinco primeiros tiveram envolvimento com crise entre Moro e Bolsonaro no ano passado. O caso também foi citado por Moro em depoimento à Polícia Federal, no sábado.
CONVITE – Oliveira foi convidado para assumir o número dois da PF pelo novo diretor da corporação, Rolando Alexandre de Souza, em uma das primeiras ações do novo diretor-geral após ser empossado cerca de 20 minutos depois de ter a nomeação publicada no Diário Oficial da União. A mudança levou à uma troca de comando na PF do Rio, vista com interesse por Bolsonaro e seus filhos.
Peritos da Polícia Federal extraíram do celular do ex-ministro mensagens trocadas com Bolsonaro, incluindo as que foram deletadas para aumentar o espaço de armazenamento do aparelho. Uma varredura completa foi realizada e localizou até áudios enviados por aplicativos de mensagem. Os peritos também copiaram mensagens trocadas entre Moro e a deputada Carla Zambelli.
LONGO DEPOIMENTO –  Moro prestou depoimento de mais de oito horas na sede da PF no inquérito que investiga suas acusações de tentativas de interferência política de Bolsonaro na chefia da corporação. O Planalto se preocupa com o andamento de inquéritos que apuram esquemas de divulgação de ‘fake news’ e financiamento de atos antidemocráticos realizados em abril, em Brasília.
Mais cedo, Bolsonaro comentou o depoimento de Moro e a entregar de conversas à Polícia Federal. Uma delas é a já revelada publicamente em que o presidente encaminha um link do portal O Antagonista sobre inquérito do Supremo mirar aliados do governo com a mensagem: ‘Mais um motivo para a troca’. Segundo o presidente, as acusações de Moro se tratam de uma ‘fofoca’.
“Tem um print do Antagonista. Eu escrevi embaixo “Mais um motivo para troca”. Estão me acusando por causa disso que eu estou interferindo na Polícia Federal. Estou dizendo que isso é fofoca. O complemento vem depois”, disse.

Pandemia demonstrou que o mundo não pode mais depender dos insumos da China


Charge 23/03/2020
Charge do Marco Jacobsen (Arquivo Google)
Ednei José Dutra de Freitas
Graças às políticas de seus governos, Taiwan e Vietnã – que normalmente recebem um grande número de viajantes da China diariamente — – mantiveram um total de casos abaixo de 50. Vizinhos que foram mais  lentos na implementação de medidas semelhantes, como Japão e Coréia do Sul, foram atingidos com milhares de infectados e vítimas mortais.
Se qualquer outro país tivesse desencadeado uma crise tão abrangente, mortal e, acima de tudo, evitável, agora seria uma pária global. Mas a China, com sua tremenda influência econômica, escapou amplamente da censura. No entanto, será necessário um esforço considerável para o regime de Xi restaurar sua posição em casa e no exterior.
APOIO AOS ESTADOS UNIDOS – Talvez seja por isso que os líderes da China estejam se congratulando publicamente por não limitarem as exportações de suprimentos médicos e farmacológicos (APIs) usados para fabricar medicamentos, vitaminas e vacinas. Se a China decidisse proibir essas exportações para os Estados Unidos, observou recentemente a agência de notícias estatal Xinhua , os EUA “mergulhariam em um poderoso mar de coronavírus maior do que as mais de 50 mil vítimas fatais já contabilizadas “.
A China até teria justificativa para dar esse passo. Seria simplesmente uma retaliação contra as medidas norte-americanas “cruéis” adotadas após o surgimento da Covid-19, como restringir a entrada nos EUA por chineses e
estrangeiros que visitaram a China.
Isso não é motivo para confiar que a China não será mesquinha no futuro. Afinal, os líderes da China têm um histórico de interromper outras exportações estratégicas (como minerais de terras raras) para punir os países que os desafiaram.
HEGEMONIA MUNDIAL – Além disso, esta não é a primeira vez que a China considera armar seu domínio em suprimentos médicos e farmacológicos globais. No ano passado, Li Daokui, um importante economista chinês, sugeriu reduzir essas exportações para os EUA como uma medida preventiva na guerra comercial. “Quando a exportação for reduzida”, observou Li, “os sistemas médicos de alguns países desenvolvidos não funcionarão”.
Isso não é exagero. Um estudo do Departamento de Comércio dos EUA descobriu que 97% de todos os antibióticos vendidos nos EUA vêm da China. “Se você é chinês e quer realmente nos destruir”, observou Gary Cohn, ex-consultor-chefe de economia do presidente dos EUA, Donald Trump, no ano passado, “pare de nos enviar antibióticos”.
Se o fantasma da China que explora sua influência farmacêutica para fins estratégicos não for suficiente para fazer o mundo repensar suas decisões de terceirização de corte de custos, deve haver a ruptura das cadeias de suprimentos globais por esta decisão criminosa de criar em laboratório a Covid-19.
PREÇOS MAIS ALTOS – De fato, a China não teve escolha senão ficar para trás na produção e exportação de insumos de medicamentos desde o surto – um desenvolvimento que restringiu a oferta global e elevou os preços dos medicamentos vitais.
Isso já forçou a Índia, o principal fornecedor mundial de medicamentos genéricos, a restringir suas próprias exportações de alguns medicamentos comumente usados. Quase 70% dos insumos de medicamentos fabricados na Índia vêm da China. Se as fábricas farmacêuticas da China não voltarem à capacidade total em breve, será provável a escassez severa de medicamentos globais.
A pandemia da Cavid-19 destacou os custos do crescente autoritarismo de Xi. Deve ser um alerta para os líderes políticos e empresariais que aceitam a longa sombra da China sobre as cadeias de suprimentos globais por muito tempo. Somente afrouxando o controle da China sobre as redes globais de suprimentos – começando pelo setor farmacêutico –
o mundo pode ser mantido a salvo das patologias políticas do país.

segunda-feira, maio 04, 2020

Entenda o que é um lockdown durante a pandemia do coronavírus


Manuela Figuerêdo

Publicado em 04/05/2020 às 11:48



Adotado por quatro cidades do Maranhão, o bloqueio total é uma medida extrema para uma situação de grave ameaça do Sistema de Saúde


ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Para conter propagação do coronavírus, Pernambuco fechou vários equipamentos públicos, como a pista de cooper da Beira-Rio, no bairro da Torre, Zona Norte do Recife - FOTO: ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM
Leitura: 5min
A partir desta-terça-feira (5), o Maranhão terá um bloqueio em todas as atividades não essenciais. O Estado é o primeiro local do País a adotar o lockdown durante a pandemia do novo coronavírus. Recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e utilizado em alguns países, como Itália e Argentina, o bloqueio total das atividades se diferencia do isolamento social pela sua restrição;
Em Pernambuco, com 811 casos da doença confirmados no sábado (2) e mais 498 neste domingo (3), o Governo do Estado, que restringe o comércio apenas a serviços essenciais desde 21 de março, pediu apoio do governo federal para endurecer o isolamento social. No Recife, município com o maior número de casos, o prefeito Geraldo Júlio também planeja endurecer as regras do distanciamento. 
Embora não impeçam a transmissão, as medidas durante a quarentena - período de isolamento social - visam reduzir a velocidade com que o vírus se propaga. Em boletim epidemiológico emitido no dia 6 de abril, o Ministério da Saúde definiu as diferenças entre os três tipos de isolamento social.

Lockdown ou bloqueio total

Esse é o nível mais alto de segurança e pode ser necessário em situação de grave ameaça ao Sistema de Saúde. Durante um bloqueio total, todas as entradas do perímetro são bloqueadas por profissionais de segurança e ninguém tem permissão de entrar ou sair do perímetro isolado.
O objetivo dessa medida é interromper qualquer atividade por um curto período de tempo. Ela se mostrou eficaz para redução da curva de casos e dar tempo para reorganização do sistema em situação de aceleração descontrolada de casos e óbitos.
Trata-se de uma imposição determinada por lei ou por decisão judicial, como aconteceu no Maranhão, em consonância com o decreto de isolamento social no Estado. Tudo que não for extremamente necessário à manutenção da vida e da saúde estará bloqueado durante dez dias, nas cidades de São Luís, Raposa, Paço do Lumiar e São José de Ribamar.
Nas quatro cidades citadas, será proibida a circulação de carros, exceto para compra de alimentos ou medicamentos e transporte de pessoas para hospitais. A entrada de veículos em São Luís também estará proibida, sendo permitido apenas o trânsito de carros com passageiros se deslocando para hospitais, ambulâncias, viaturas e veículos com cargas de produtos essenciais. As agências bancárias deverão funcionar somente para o saque de auxílio emergencial, salários e benefícios sociais.

Distanciamento Social Ampliado (DSA)

Essa estratégia não limitada a grupos específico, e exige que todos os setores da sociedade permaneçam na residência durante a vigência da decretação da medida pelos gestores locais. Esta medida restringe ao máximo o contato entre pessoas.
O objetivo é reduzir a velocidade de propagação, visando ganhar tempo para equipar os serviços com os condicionantes mínimos de funcionamento: leitos, respiradores, EPI, testes laboratoriais e recursos humanos.

Distanciamento Social Seletivo (DSS)

Já esse estágio determina que apenas alguns grupos devem ficar isolados, sendo selecionados os grupos que apresentam mais riscos de desenvolver a doença ou aqueles que podem apresentar um quadro mais grave, como idosos e pessoas com doenças crônicas ou condições de risco como obesidade e gestação de risco. Pessoas abaixo de 60 anos podem circular livremente, se estiverem assintomáticos.
O objetivo dessa estratégia é permitir o retorno gradual às atividades laborais com segurança, evitando uma explosão de casos sem que o sistema de saúde local tenha do tempo de absorver.

Sobe para 730 o número de casos confirmados da Covid-19 em Sergipe

Por G1 SE
 
Neste domingo (3), a Secretaria de Estado da Saúde (SE) registrou 129 casos de Covid-19. Sergipe chega a 730 pessoas infectadas pela doença. Estão sendo investigados quatro óbitos: duas idosas, uma de 80 anos residente em Aracaju, e outra de 94 anos de São Cristóvão; um idoso de 63 anos de Nossa Senhora de Lurdes, e um homem de 37 anos de Tobias Barreto.
Quatro municípios registraram os primeiros casos: Cedro de São João, com duas mulheres de 35 e 53 anos, e um homem de 77 anos de idade; Malhador com uma criança do sexo feminino de nove anos; Malhada dos Bois: uma mulher de 58 anos; e Salgado com um adolescente de 16 anos.
O número de curados subiu para 54. Foram realizados 3.095 testes e 2.365 foram negativados. Estão internados 60 pacientes, sendo 24 em leitos de UTI (13 na rede privada e 11 na rede pública) e 36 em leitos clínicos (nove na rede privada e 27 na rede pública). São 14 óbitos por Covid-19 em Sergipe.

Presidente do Cremeb defende flexibilização do isolamento social: "Fome também mata"

Onyx Lorenzoni participou de protesto antidemocrático ontem; veja vídeo

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