terça-feira, junho 11, 2019

Cachaça, cravo, limão e mel: como O Cravinho se tornou um dos sabores de Salvador

Parada obrigatória para quem vai ao Pelourinho, o bar reúne mais de 30 sabores de bebidas de infusão

Bianca Andrade
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba

Se no quesito comida o gosto oficial de Salvador é o do acarajé, quando se fala em bebida a capital baiana tem sabor de cachaça, cravo, limão e mel.
Tradição há mais de 32 anos, é quase impossível morar na capital baiana e não saber da existência do bar ‘O Cravinho’ e do seu cardápio variado em bebidas de infusão.
A história do bar começa em 1987, quando Julival Santos resolveu investir em um pequeno espaço no Pelourinho para difundir as infusões que eram consumidas pelos seus antepassados.
“A intenção real do Cravinho era resgatar aquela bebida de infusão, com ervas, flores, frutos e tubérculos. Nessa época eu montei a estrutura com o barril, cachaça de infusão, aquela coisa que já era feita no tempo dos escravos e a coisa funcionou”, diz o fundador do bar, que hoje conta com quatro ambientes internos: o Cravinho – na entrada, o Jatobá – segundo ambiente, a Cachaçaria – ao lado do Cravinho, e a Senzala Vip.
O empurrãozinho para o sucesso foi dado com as edições da ‘Terça da Benção’, promovida pelo Olodum. Seu Julival conta que o bar acabou entrando na rota de baianos e turistas que curtiam a noite no Pelô. “Muita gente ia para a Igreja São Francisco e passava no Cravinho, por muitos anos essa festa da benção deu um movimento muito grande ao bar”.
De lá para cá, O Cravinho se tornou point não só de quem vai curtir a Terça da Benção, mas de quem passa pelo Pelourinho e deseja conhecer um pouco das raízes de Salvador, como é o caso de Fábio Santana, 40, que se tornou cliente assíduo do espaço.
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba

“Venho pelo menos uma vez na semana. Conheci o Cravinho por meio dos meus colegas. Eu trabalho aqui perto e toda sexta-feira quando a gente larga do trabalho a gente vem aqui tomar uma”, contou o rapaz, que elege o Jatobá como sua bebida favorita.
E a preferência de Fábio não é exclusiva. Segundo o fundador do bar, o Jatobá está na lista das bebidas mais pedidas d’O Cravinho. “Além do Cravinho, as mais pedidas são o Jatobá e a Senzala. O Jatobá é feito com a casca do Jatobá, que fica na infusão por cerca de 60 dias. A Senzala é feita com Jatobá, Catuaba, Casca de Jatobá, Casca de Catuaba na cachaça e vinho seco. Essa é a terceira bebida mais vendida. As três são o carro-chefe”.
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba

Produzida artesanalmente no próprio bar, a bebida chama atenção pelos sabores marcantes e característicos, algo explicado pela dedicação no processo de produção de cada um dos 30 tipos de cachaça.
“Nós a condicionamos em barril de umburana, barril de jequitibá, barril de bálsamo, até o próprio barril de carvalho, que dão uma característica toda especial à bebida. Temos mais de 30 infusões diferentes. Temos a tradicional, que é o Cravinho, temos outras bebidas com cravo, com canela, Jatobá, pau-de-rato, com dandá”, descreve Julival.
E para quem vem de fora, não é só o sabor da bebida que descreve O Cravinho como um grande representante da capital baiana Brasil a fora.
De mudança para Salvador, a curitibana Fabiana Santana, de 34 anos, afirma que se sente acolhida com o ambiente e as pessoas que frequentam o bar. “É uma coisa muito daqui. É muito uma coisa de Salvador, esse calor, a proximidade e a simpatia. Sou apaixonada por esse lugar, não é à toa que estou me mudando”, afirmou Fabiana ao bahia.ba.
“Muitas pessoas brincam e chamam o lugar de Casa dos Flintstones, pela aparência rústica e por causa dos móveis de madeira. Isso tem tudo a ver, o Cravinho com o Centro Histórico”, diz o proprietário do bar.
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba

Com todo o sucesso da bebida, é inevitável se perguntar: tem Cravinho em outro lugar que não seja em Salvador?
Pode até existir uma genérica em outros lugares, mas Julival garante que O Cravinho original só se vê na Bahia. “É uma bebida que representa bem Salvador, principalmente por suas características. E é de Salvador para a Bahia, para o Brasil e para o mundo. O Cravinho já foi levado para várias partes do mundo, mas é uma coisa tipicamente nossa. Já recebi propostas para montar o Cravinho em vários outros lugares, inclusive até fora do Brasil. Mas não só pelo conservadorismo, talvez até por um pouco de comodidade, eu preferi deixar o Cravinho aqui, na Bahia, para os baianos, e de certa forma, para todos”.
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba
Foto: Rayllanna Lima/bahia.ba

Deu água na boca? Então segue a descrição das mais pedidas do bar para não ficar na dúvida da qual pedir.
– O Cravinho (cachaça, cravo, mel e limão)
– Canela (cachaça, canela, mel e limão)
– Jatobá (cachaça, casca de Jatobá, mel e limão)
– Senzala (cachaça, vinho, Catuaba, Jatobá, mel e limão)
Valores: R$ 4 a dose; R$ 16 meio litro; R$ 32 o litro.
Endereço:  Largo Terreiro de Jesus – Pelourinho, Salvador – BA, CEP 40026-010
Funcionamento: das 11h às 21h45
Bahia.ba

Segunda Turma do Supremo julga hoje mais um recurso tentando libertar Lula


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Charge do Cabalau (Arquivo Google)
José Carlos Werneck
Às vésperas de o ministro Ricardo Lewandowski deixar a presidência da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, será julgado hoje um recurso de Lula que pode colocar o ex-presidente em liberdade. O julgamento do recurso começou a ser discutido em abril no plenário virtual do tribunal, mas foi interrompido por um pedido de destaque, feito pelo ministro Gilmar Mendes.
Ministros do STF creem que a sessão possa ser usada para que alguns integrantes do colegiado emitam opiniões referentes ao ministro da Justiça, Sergio Moro, e à Operação Lava Jato, depois de o site The Intercept Brasil ter publicado o conteúdo vazado de supostas mensagens trocadas por Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol.
FONTE ANÔNIMA – Os diálogos entre o ex-juiz e o procurador indicariam que Moro teria orientado investigações da Lava Jato através de mensagens trocadas no aplicativo Telegram, e o site declarou ter recebido o material de fonte anônima.
As sessões da Segunda Turma serão realizadas pela manhã à tarde, sendo as últimas dirigidas pelo ministro Ricardo Lewandowski, que vai deixar a presidência da Turma, mas continuará como integrante.
No fim deste mês, a ministra Cármen Lúcia, tida como “linha dura” no julgamento de investigados assumirá a presidência da Turma e, consequentemente, exercerá o controle do que será examinado nas sessões. Na semana que vem não haverá julgamentos por causa do feriado de Corpus Christi.
RELATOR NEGOU – Em fevereiro, o relator dos processos da Operação Lava Jato, no tribunal, ministro Edson Fachin, negou o pedido de liberdade de Lula, que está preso desde abril do ano passado na Sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. O julgamento desta terça-feira, refere-se a um recurso de Lula contra esta decisão de Fachin.
A Segunda Turma do STF é integrada pelos ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Celso de Mello, decano do Tribunal.
No recurso, os advogados de Lula recorreram ao Supremo após o ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça, ter negado individualmente um recurso do ex-presidente contra sua condenação no caso do triplex do Guarujá.
UNANIMIDADE– Na sequência, a Quinta Turma do STJ, em decisão colegiada e unânime, confirmou em abril a condenação do ex-presidente por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, mas reduziu a pena de 12 anos e 1 mês de prisão para 8 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão.
O pedido de destaque feito pelo ministro Gilmar Mendes no plenário virtual do Supremo foi feito antes do julgamento colegiado desse outro recurso de Lula no STJ, abrindo uma possibilidade do recurso de Lula a ser julgado, hoje, no Supremo ter “perdido o objeto” já que a Quinta Turma do STJ fez modificações na decisão monocrática do ministro Felix Fischer.
Portanto, na prática, a decisão monocrática de Fischer, contestada por Lula no Supremo, sob o ponto de vista processual, não existe mais e o recurso protocolado por seus advogados preenche todos os requisitos legais para ser negado.

Se Paulo Guedes insistir em isentar as empresas, o INSS vai fechar no dia seguinte


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Relator já percebeu que a proposta de Guedes é impraticável
Pedro do Coutto
Reportagem de Manoel Ventura e Geralda Doca, edição de ontem de O Globo, revela que o relatório do projeto de reforma da Previdência, ainda nas mãos do deputado Samuel Moreira, vai receber um parecer que afasta o fantasma da capitalização, através da qual somente os servidores, trabalhadores privados e empregados das empresas estatais contribuiriam para sustentar hoje as aposentadorias e pensões de amanhã. 
As empresas seriam totalmente isentas de participação na receita. Atualmente os empregadores contribuem com 20% sobre a folha salarial. Samuel Moreira assumiu posição contrária a essa modificação.
SALVAR O FUTURO – Se essa posição for acompanhada pelo Plenário, estará salvo o futuro de milhões de brasileiros e brasileiras que formam a mão de obra ativa do país. São 100 milhões de pessoas. Moreira, no parecer, destaca que a legislação em vigor não pode ser alterada para isentar as empresas, uma vez que contribuem com 65% da receita do INSS.
Torna-se fácil perceber que as empregadoras são responsáveis por ampla maioria da arrecadação. Na Previdência estão inscritos os trabalhadores regidos pela CLT, os servidores e os empregados das estatais.
Assim, a ideia de Paulo Guedes chama atenção para seu conceito absurdo, pois a contribuição apenas dos empregados não é suficiente para assegurar, como é hoje, uma receita anual em torno de 600 bilhões de reais. Pessoalmente, não consigo atinar logicamente com a posição do Ministro Paulo Guedes. Uma questão de bom senso.
BASE DE TUDO – O bom senso é a base do sistema constitucional e legal em qualquer país democrático. Por isso não consigo entender a razão do empenho e entusiasmo do Ministro Guedes no sentido de isentar as empresas de sua atual obrigação legal.  Acredito que ele, no fundo, esteja tentando iludir a si mesmo e a toda a população ao redor de um projeto absolutamente impossível.
A única explicação honesta (?) que me vem à mente é o fator capaz de ampliar os lucros do sistema empresarial.
Os repórteres Renan Truffi, Fernando Exman, Edna Simão e Marilena Muniz, no Valor também de ontem, informam que Samuel Moreira dará seu parecer final na próxima quinta-feira. Portanto, depois de amanhã.
Paulo Guedes já avisou que, se o seu projeto não for aprovado, deixará o cargo. A questão assim está colocada. Jair Bolsonaro, no caso, terá de escolher se fica com Paulo Guedes ou ao lado de toda a população do país.

Moro não deve perdoar os agressores, sob pretexto de que não sabem o que fazem

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Dallagnol e Moro, dois grandes brasileiros, acusados sordidamente
Carlos Newton
A citação de Lucas (23:34) é uma das mais famosas da Bíblia, internacionalmente conhecida por cristãos, adeptos de outras religiões, ateus e agnósticos: “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem”. No caso do ministro Sérgio Moro, que no Brasil de hoje personifica a figura da Justiça, quando investem contra ele com tamanha virulência, e o fazem justamente em nome da Justiça, é sinal de que o país virou de cabeça para baixo – ou “ponta cabeça”, como dizem os paulistas.
Todos sabem que a geração que está hoje no poder é um fracasso, que apenas deu seguimento à geração anterior que também fracassara. Moro simboliza uma nova geração que está se transformando num exemplo para todos os brasileiros. E de repente, para a mídia, ele parece estar quase no banco dos réus.
SÓ APARÊNCIAS… – Mas há controvérsias, diria o genial ator e pianista Francisco Milani, que adorava política e foi vereador no Rio de Janeiro pelo Partido Comunista. Mas acontece que na política as aparências enganam, e não me venham com chorumelas…
Afinal, o que há de concreto contra o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol? Nada, absolutamente nada. Como juiz de instrução de todos os processos iniciais da Lava Jato, era Moro quem autorizava todas as complexas operações policiais, algumas desfechadas simultaneamente em vários Estados, e não podia haver vazamentos, que possibilitariam evasões e ocultação de provas.
Moro desempenhava a função do chamado juiz de instrução, era ele que recebia as informações para autorizar prisões preventivas e provisórias, assim como quebras de sigilos e operações de busca e apreensão. 
TUDO NORMAL – Como juiz de instrução, portanto, era natural que Moro se comunicasse com o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, que liderava a equipe de procuradores, delegados federais e auditores da Receita que estão passando a limpo este país.
A minuciosa reportagem do site Intercept Brasil vasculhou dois anos de uso do celular de Moro e só conseguiu encontrar meia dúzia de troca de mensagens, com as supostas “ilegalidades”: 1. Em um dos contatos, Moro, responsável por autorizar as operações, sugeriu ordem de fases da Lava Jato; 2. Cobrou a realização de novas operações; 3. Antecipou ao menos uma decisão judicial, ao avisar que não precisava mais enviar um certo documento para arquivar uma denúncia, porque já estava convicto de fazê-lo.
UM CARNAVAL – Caramba, amigos! Com base nessas três simples mensagens, interceptadas no decorrer de longos dois anos, a mídia monta um carnaval fora de época para denegrir a imagem de uma das mais importantes personalidades do mundo contemporâneo, como se fosse um pilantra qualquer…
E o tal de Conselho Nacional do Ministério Público, formado por ilustres desconhecidos, imediatamente investe contra o procurador Deltan Dallagnol e abre duas representações simultâneas contra ele. A primeira, por ter trocado mensagens com o juiz de instrução; a segunda, por ter atacado a honra do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que é um crime impossível, pois honra é atributo que o parlamentar decididamente não possui.
O tal site “Intercept” anunciou que estava apenas no começo, prometeu novas e explosivas revelações, e até agora, nada. Certamente, ainda estão fabricando as notícias…
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P.S. 1 
– Aqui na “Tribuna da Internet”, vivemos sob o signo da liberdade. Não embarcamos em aventuras jornalísticas. O que nos interessa são fatos concretos. Para nós, é revoltante a tentativa de denegrir dois brasileiros de grande valor, para montar uma situação destinada a destruir a Lava Jato e inocentar todos os réus e condenados, entre eles o líder da quadrilha, Lula da Silva.
P.S. 2 – Moro e Dallagnol não devem perdoar seus agressores, sob pretexto de que eles não sabem o que fazem. Pelo contrário, devem continua a persegui-los com a mesma garra de sempre, porque criminosos dessa laia não merecem perdão. (C.N.)

Filhos de Bolsonaro atacam o site que divulgou as mensagens sobre a Lava-Jato


Família Bolsonaro: Carlos, Flávio, Jair e Eduardo Bolsonaro Foto: Reprodução/ Flickr
Carlos, Flávio e Eduardo estão apoiando Sérgio Moro e Dallagnol
Gustavo MaiaO Globo
 Embora o presidente Jair Bolsonaro ainda não tenha se manifestado publicamente sobre as mensagens trocadas com procuradores da Lava-Jato pelo ex-juiz federal Sergio Moro , os seus três filhos políticos já saíram em defesa do atual ministro da Justiça e da Segurança Pública. Eles minimizaram as conversas divulgadas pelo site The Intercept Brasil, e atacaram a forma como as informações foram obtidas, segundo eles, por meio de uma invasão criminosa.
Fundador do site e um dos autores das reportagens publicadas no fim da tarde do domingo, o jornalista americano Glenn Greenwald também virou alvo dos Bolsonaro por ser casado com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) e ser crítico do presidente.
AÇÃO CRIMINOSA – Mensagens atribuídas a Moro e ao procurador Deltan Dallagnol, do Ministério Público Federal (MPF), sugerem que os dois combinaram atuações enquanto trabalharam na operação Lava-Jato. A força-tarefa de Curitiba divulgou nota para rebater a reportagem, dizendo que “seus membros foram vítimas de ação criminosa de um hacker que praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes”.
A reportagem ainda cita mensagens entre os procuradores nas quais eles teriam discutido no aplicativo Telegram uma maneira de barrar a entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizada por um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Interceptações
Em nota, o ministro da Justiça lamentou “a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores. Assim como a postura do site que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo.”
ZERO DOIS – O primeiro dos três filhos a quebrar o silêncio sobre o caso foi o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), o Zero Dois. Quase três horas e meia após a publicação das reportagens, ele compartilhou um texto do site “República de Curitiba”, que tem a foto de Moro como imagem principal em suas redes sociais. O título do texto isenta o ministro e o procurador: “Supostas mensagens entre Moro e Dallagnol reforçam credibilidade da Lava Jato na luta por um Brasil melhor”.
Em seguida, Carlos lançou um questionamento sobre o suposto objetivo dos vazamentos: “É impressão minha, ou só no Brasil, uma imprensa utiliza uma invasão ilegal de algo privado, ignorando a invalidade judicial e ilegalidade, mas não se importa em divulgar, com o único intuito de queimar o governo Bolsonaro e favorecer o sistema? Acho que já vi isso antes!”.
CASO ADÉLIO – Em outro retuíte, ele referendou uma mensagem que comparou a facilidade de interceptar o celular de Moro à impossibilidade de “alguém interceptar os celulares dos advogados do Adélio (Bispo de Oliveira)”, o autor da facada contra o então candidato Bolsonaro em setembro do ano passado.
Carlos também republicou uma mensagem do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que disse estar acontecendo “um ataque orquestrado contra a operação Lava Jato”. “O objetivo claro é tumultuar processos e investigações, barrando o combate à corrupção no Brasil. A utilização organizada e criminosa de táticas hackers é mais uma etapa dessa guerra”, escreveu o parlamentar.
MENINA DO PT – Ao compartilhar um texto que credita Greenwald como “marido de deputado do PSOL”, Carlos comentou que “tinha que ter o piçóu no meio ou algo assim… a menina do PT, ou algo assim!”.
Ele também se valeu de um tuíte publicado pelo fundador do Intercept em 30 de julho do ano passado: “os jornalistas ainda não têm uma estratégia eficaz para bater Bolsonaro, e a entrevista #RodaViva acabou de provar isso. É preciso desenvolver uma rapidamente”.
“Entenderam agora o que está acontecendo? Entenderam?”, diz o tuíte republicado pelo vereador.
EDUARDO PROTESTA – O deputado federal Eduardo Bolsonaro só passou a comentar o caso na manhã desta segunda, respondendo a mensagem de um apoiador da Lava-Jato que escreveu no Twitter que, “no Brasil, a vítima do crime é quem tem que se explicar!”. “Depende do espectro político da vítima, se é de direita ou de esquerda…”, afirmou Eduardo, usando a hashtag #EuApoioaLavaJato — a mais citada na rede social neste momento.
Ele também republicou três mensagens com críticas às reportagens, entre elas uma do assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Filipe Martins, que relatou um pedido de entrevista de Greenwald a ele. “Respondi que falaria com ele se ele topasse substituir a entrevista por um debate. Ele não topou, é claro, mas o episódio revela um dado relevante sobre esse sujeito: ele é um agente político que finge ser jornalista”, afirmou Martins.
Em outra, o vazamento é relacionado ao PT, classificado como a maior organização criminosa do mundo e capaz de “invadir contas bancárias, de qualquer cidadão, fraudar urnas eletrônico, assaltar, sequestrar pessoal e autoridades, fazer de refém políticoas e ministros do STF”.
FLÁVIO FOI DISCRETO –  Eduardo também afirmou aos seus mais de 1,5 milhão de seguidores que Glenn Greenwald é “o companheiro” do deputado David Miranda, “que entrou na vaga deixada por Jean Wyllys”. Ainda segundo o deputado, o jornalista “foi o porta-voz do Snowden para vazar tudo que ele sabia sobre dados confidenciais dos EUA no caso conhecido como Wiki Leaks. Além disso, Glenn vendeu no exterior a tese que o impeachment da Dilma (Rousseff) foi golpe”.
Na verdade, o americano trabalhava para o jornal inglês The Guardian quando revelou, em 2013, documentos sobre programas de espionagem global da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos. WikiLeaks é uma organização fundada em 2006 pelo australiano Julian Assange.
O mais discreto dos três filhos, o senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, se limitou a compartilhar uma notícia com a nota oficial de Moro “sobre vazamento criminoso de conversas entre procuradores”. O texto foi divulgado antes das 22h do domingo, mas só foi republicado pelo parlamentar às 8h38 desta segunda-feira.

Muito a esclarecer





Fariam bem o ministro Sérgio Moro e os procuradores envolvidos nesse escândalo, o primeiro, se renunciasse e, os outros, se se afastassem da força-tarefa, até que tudo se elucidasse

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo
11 de junho de 2019 | 03h00
Causou compreensível estupefação o conteúdo de conversas atribuídas a integrantes da força-tarefa da Lava Jato e a Sergio Moro, então juiz responsável pelos processos relativos à operação e hoje ministro da Justiça. Se as mensagens forem verdadeiras, indicam uma relação totalmente inadequada – e talvez ilegal – entre o magistrado e os procuradores da República, com implicações políticas e jurídicas ainda difíceis de mensurar. Por muito menos, outros ministros já foram demitidos.
As conversas, divulgadas pelo site The Intercept Brasil, que diz tê-las recebido de fonte anônima, se deram por meio do aplicativo de celular Telegram, entre 2015 e 2018. São, portanto, mensagens de caráter privado, e sua interceptação, sem mandado judicial, é criminosa, razão pela qual são inválidas como prova num eventual juízo e, em princípio, não podem ser aceitas como evidência de vício em decisões judiciais tomadas no âmbito da Lava Jato.
No entanto, presume-se que os efeitos políticos da divulgação dessas conversas serão graves. Não é possível ficar indiferente à suspeita, levantada pelas mensagens, de que o então juiz Sergio Moro pode ter dado orientações ao procurador Deltan Dallagnol, responsável pela Lava Jato, em casos relativos à operação. Como explicou o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello, “a troca de mensagens entre juiz e Estado acusador tem de ser no processo, com absoluta publicidade”, e não por meios privados, sugerindo a intenção de trabalhar em parceria – o que cria gritante desvantagem para a parte acusada.
Nem o ministro Sergio Moro nem os procuradores citados desmentiram o teor das conversas divulgadas. Em nota, Moro limitou-se a criticar “a falta de indicação da fonte” – que nenhum jornalista é obrigado a revelar – e a “postura do site, que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo” – embora não haja nenhuma regra que obrigue o repórter a ouvir quem quer que seja antes de publicar uma reportagem. Sobre as mensagens em si, o ministro Moro disse que, em sua opinião, “não se vislumbra qualquer anormalidade”.
Reação semelhante teve a força-tarefa da Lava Jato, que, em nota, informou que “os dados eventualmente obtidos refletem uma atividade desenvolvida com pleno respeito à legalidade, de forma técnica e imparcial, em mais de cinco anos de operação”.
Ou seja, tanto o ministro Moro como os procuradores da Lava Jato não enxergam em sua relação bastante amistosa e às vezes colaborativa algo que fere um dos princípios mais comezinhos do Estado de Direito, aquele que presume simetria entre acusação e defesa no tribunal.
A reação do ministro Moro e dos procuradores, ademais, seguiu o padrão verificado em todos esses anos de Lava Jato: sempre que foram apontados excessos cometidos pela operação, seus líderes atribuíam essas críticas a alguma iniciativa mal-intencionada para minar a luta contra a corrupção. Agora não foi diferente. Para a Lava Jato, a divulgação das conversas “se coaduna com o objetivo de obstar a continuidade da operação”. Já o ministro Moro se queixou de que a reportagem com as conversas “ignora o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato” – como se, ante os inegáveis méritos da operação, a imprensa tivesse de pensar duas vezes antes de apontar seus abusos.
O ex-juiz Sergio Moro e os procuradores têm todo o direito de reclamar do que parece ser uma ação criminosa para tornar públicas conversas privadas, com potencial para ferir a reputação dos envolvidos, do mesmo modo como muitos políticos têm todo o direito de se queixar de que sua reputação foi arrasada depois que seus nomes apareceram em vazamentos de delações premiadas feitas à força-tarefa da Lava Jato – vazamentos estes que, recorde-se, jamais tiveram suas autorias elucidadas e, portanto, jamais foram punidos.
Não foram poucas as vezes em que as suspeitas levantadas pela Lava Jato custaram o cargo a ministros de Estado, incapazes de se explicar. Se Sergio Moro continuar a dizer que é normal o que evidentemente não é, sua permanência no governo vai se tornar insustentável. Fariam bem o ministro e os procuradores envolvidos nesse escândalo, o primeiro, se renunciasse e, os outros, se se afastassem da força-tarefa, até que tudo se elucidasse.
OPINIAO.ESTADAO.COM.BR

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