sábado, junho 08, 2019

Governo não consegue chegar a um texto aceitável e adia o pacto entre os poderes


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Charge do Cazo (www.blogdoafr.com)
Deu no Correio Braziliense(Agência Estado)
O “Pacto pelo Brasil” caiu no limbo. Sem acordo sobre o conteúdo da proposta, o Palácio do Planalto decidiu adiar a cerimônia, que estava prevista para a próxima segunda-feira, de um protocolo de intenções com a assinatura dos chefes dos três Poderes. O principal motivo do impasse se refere ao formato do documento em defesa das reformas, que, na visão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acabou rotulado como “agenda do governo”.
O texto também sofre resistências de líderes de partidos. Além disso, a participação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, tem sido alvo de críticas porque, na avaliação de alguns magistrados, fere a independência do Judiciário.
Diante das divergências, o Planalto resolveu suspender, por tempo indeterminado, a divulgação do “Pacto pelo Brasil”, como foi batizada a iniciativa.
DOIS TETXTOS – A ideia de apresentar um cardápio de propostas para o País, avalizado pelo Executivo, Legislativo e Judiciário, partiu do próprio Toffoli e começou a tomar forma em reunião promovida pelo presidente Jair Bolsonaro, no último dia 28, quarenta e oito horas depois das manifestações de rua que defenderam o governo e alvejaram o Congresso e o Supremo.
Até agora foram redigidos pelo menos dois textos, mas ainda não há consenso sobre os temas a serem tratados ali. O primeiro documento, sugerido por Toffoli, mencionava a necessidade de um “terceiro pacto republicano pela realização de microrreformas estruturais”. A segunda mensagem, fruto do encontro entre Bolsonaro, Toffoli, Maia e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), citava as demandas da população como “o grande farol da democracia”, dizia que os Poderes estão unidos “em favor do estabelecimento de um novo tempo” e destacava cinco pontos considerados prioritários.
ITENS EM PAUTA – Na lista constam a reforma da Previdência – com um sistema “sustentável, eficiente e fraterno” -; a “modernização” tributária, a desburocratização das rotinas administrativas, a repactuação federativa e o combate ao crime “nas ruas e nos gabinetes”, à corrupção e aos privilégios.
O trecho do documento que aborda crime de “gabinetes” provocou revolta no Congresso. Nos bastidores, integrantes do Centrão entenderam esse capítulo como mais uma provocação de Bolsonaro à chamada “velha política”, por causa das investigações da Lava Jato.
Na outra ponta, o Planalto passou uma borracha na parte que destacava a importância de um “terceiro pacto republicano”. Motivo: avaliou que era inconcebível apresentar esse acordo como uma continuidade dos outros, de 2004 e 2009, firmados na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), hoje preso.
IDEOLOGIA –“Nós não podemos transformar o texto em um documento de política partidária, ideológica”, disse Maia ao Estado. “A proposta veio numa linha muito política, muito carimbada como pauta do governo. Então, tendo em vista que são as instituições que estão assinando, é preciso avaliar se não é mais conveniente um formato de pacto como os anteriores, com alguns princípios fundamentais da relação entre os Poderes.”
Líderes de partidos consultados por Maia e por Alcolumbre também atacaram o pacto pela governabilidade, sob o argumento de que o Legislativo não pode dar um “cheque em branco” ao Planalto. Maia chegou a propor que Alcolumbre, no comando do Congresso, coordenasse uma nova proposta de pacto. “Na agenda econômica, não tenho nenhum problema em assinar. Só que é preciso um ambiente de apoio majoritário na Casa para que eu não fique assinando algo que não tem respaldo”, afirmou o deputado.
SEGUNDAS INTENÇÕES – Para o líder do PL na Câmara, Wellington Roberto (PB), Bolsonaro age com “segundas intenções” ao propor um acordo de cavalheiros pelo entendimento nacional. “O governo quer aparecer como patrocinador da harmonia, mas, na prática, joga a sociedade contra o Parlamento”, protestou. “Nós não vamos ser submissos.”
A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), por sua vez, classificou como “inadequada” a participação de Toffoli nessas tratativas. No diagnóstico da entidade, o presidente do Supremo não pode assumir compromissos com um pacto que endossa mudanças em tributos e na aposentadoria, mesmo porque a Corte deve ser acionada para julgar recursos e dirimir controvérsias sobre os dois assuntos.
 Toffoli não quis responder à manifestação da Ajufe. No dia da reunião com Bolsonaro, ele disse ao Estado que a assinatura do pacto mostrava os três Poderes “imbuídos da necessidade de destravar o Brasil para retomar o crescimento e a geração de empregos”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A falta de confiança no texto redigido pelos assessores da Casa Civil era tamanha que o tal documento sequer foi enviado às outras partes – os presidentes do Supremo, da Câmara e do Senado. Os redatores são os mesmos trapalhões que querem mudar leis por meio de decreto (caso da posse e do porte de armas de fogo) e apresentam medida provisória para regulamentar lei, iniciativa que se toma por decreto (caso da contribuição sindical cobrada sem concordância do trabalhador). É desanimador. (C.N.)

Emenda apresentada na Câmara quer limitar os poderes de o Supremo “legislar”

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)
Renato SouzaCorreio Braziliense
Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada Chris Tonietto (PSL-RJ) pretende submeter decisões do Supremo Tribunal Federal ao controle do Congresso Nacional. Na prática, deputados e senadores poderiam sustar atos do STF que, no entendimento do Parlamento, ultrapassassem a competência do Judiciário. Atualmente, esse tipo de impugnação ocorre sobre ações do Executivo.
O assunto ganhou força em decorrência da criminalização da homofobia, que está em julgamento na Corte e já conta com o voto da maioria dos ministros para ser aprovada. Nos bastidores, congressistas se articulam para dar uma resposta ao que eles chamam de “ativismo judicial”.
EQUILÍBRIO – A PEC nº 88/2019 está na Mesa Diretora da Câmara, aguardando pela análise das assinaturas. A medida tem força para reacender a crise entre Congresso e Judiciário. A autora da proposta diz que a medida é necessária para garantir a harmonia entre os Três Poderes. “A proposta visa sustar os atos, do Poder Judiciário, quando exorbitarem da função, ou seja, quando invadirem esfera de competência do Legislativo. Precisamos que cada Poder atue na sua esfera de competência”, disse Chris Tonietto.
Requerimento apresentado pela deputada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pede a convocação de uma audiência pública para debater o assunto. “O STF tem assumido um protagonismo que não lhe cabe”, disse.
TEM APOIO – Chris Tonietto conta com o apoio de outros integrantes do PSL, entre eles a deputada Carla Zambelli (SP), que pediu para entrar como coautora da PEC. “Não é a primeira vez que eles (os ministros do STF) fazem isso. A Constituição diz que nenhum Poder pode tipificar um crime, a não ser o Congresso Nacional. A criminalização da homofobia pode acontecer, desde que seja aqui no Congresso”, alega.
O Supremo discute se a prática de homofobia e da transfobia deve ser incluída na lei que trata do racismo até que o Congresso aprove norma criminalizando atos de preconceito em razão da orientação sexual. Especialistas se dividem quanto à possibilidade de o Judiciário atuar em caso de omissão do Legislativo.
DENTRO DA FUNÇÃO – A jurista Mônica Sapucaia, doutora e mestre em direito político e autora da obra Women’s Rights International Studies, afirma que o STF atuou de acordo com sua função constitucional. “O Supremo fez exame do caso de acordo com o que a Constituição autoriza. A ADO (Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão) é um instrumento para pressionar o Legislativo. Ela está na Constituição com essa função. O STF está agindo dentro de sua competência”, afirmou.
O criminalista João Paulo Martinelli, doutor em direito penal pela Universidade de São Paulo, entende que, no julgamento da homofobia, o STF invadiu o espaço do Congresso. “Aqui se trata de uma decisão que amplia o alcance de uma norma penal criminalizadora. A Constituição é muito clara. Não há crime sem lei anterior que o preveja. Não é o Judiciário que vai decidir o que é crime. Apesar do motivo nobre, isso é uma forma de violar o princípio da legalidade, que é um dos principais controles do poder punitivo do Estado”, disse.

Projeto no Senado propõe restringir decisão individual de ministros do Supremo


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Charge do Pelicano (Arquivo Google)
Daniel Weterman, Rafael Moraes Moura e Naira TrindadeEstadão
O Senado pode votar nos próximos dias medida que propõe restringir a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Um projeto que está pronto para análise no plenário da Casa proíbe as chamadas decisões monocráticas – tomadas individualmente – em ações que questionam leis aprovadas no Congresso e atos do Executivo. O texto foi aprovado nesta quarta-feira, dia 5, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ganhou caráter de urgência, o que garante uma tramitação acelerada.
A articulação vem na esteira de outras tentativas recentes do Congresso que miram o Judiciário. No início do ano, os parlamentares apresentaram pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a atuação de magistrados – a CPI da “Lava Toga” –, enterrado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O fim do foro privilegiado para magistrados e o endurecimento dos critérios para abuso de autoridade também estão na lista. As duas propostas estão paradas na Câmara.
NA COMISSÃO – A votação na CCJ ocorreu na véspera de o plenário do Supremo derrubar parte de uma liminar do ministro Ricardo Lewandowski concedida em julho do ano passado. A decisão, monocrática, proibia o Executivo de vender estatais e suas subsidiárias sem o aval do Congresso.
“Isso cria uma situação absurda em que um único ministro do Supremo acaba tendo mais poder que 513 deputados, 81 senadores e o presidente da República”, afirmou o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), relator do projeto na CCJ.
“Os ministros vão entender que se trata de algo que vai melhorar a credibilidade do STF, não podemos mais continuar com ‘onze supremos’, cada um falando uma coisa.”
AS MUDANÇAS – A proposta, apresentada ainda em 2017 pelo ex-deputado Rubens Pereira Júnior (PCdoB-MA), prevê que as decisões em qualquer ação direta de inconstitucionalidade (ADI) ou arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) só podem ser tomadas pelo plenário da Corte, por maioria, ou seja, 6 dos 11 dos ministros do Supremo. Também prevê que o Congresso ou o Executivo devem ser ouvidos em um prazo de cinco dias.
A exceção seria o período do recesso judiciário, quando o presidente do STF poderia conceder uma medida cautelar em caráter de “urgência”.
Parlamentares que apoiam a medida pressionam o presidente do Senado a colocar o texto em votação na semana que vem. “Temos que buscar um aprimoramento do sistema. Não pode ter decisão monocrática que interrompa a vigência de uma lei e que depois essa liminar fica sem ser apreciada”, afirmou o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que no início do ano articulou a CPI da “Lava Toga”.
IMPOR LIMITES – Próximo a Alcolumbre, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) defende a medida e diz que é preciso impor limites à atuação do Judiciário. “Nós temos uma Corte que é para fazer a guarda da Constituição e ela está reescrevendo a Constituição. É natural dos Poderes ter embate, mas não pode, na democracia, ter um poder soberano. Na democracia, os Poderes são iguais”, disse.
O líder da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues (AP), no entanto, defende cautela ao discutir propostas que interfiram no Judiciário para evitar desgastes desnecessários. “Não é uma matéria para ser apreciada agora. Não pode ser entendido como recado pejorativo”, disse.
O ministro Edson Fachin já chegou a defender que um relator possa decidir sozinho em casos que envolvam denúncia, em vez de se fazer uma votação em uma das duas Turmas do Supremo Tribunal Federal (composta por cinco ministros cada), como ocorre atualmente. Outros ministros falam em uma “solução interna”.
BARROSO CONCORDA – “Ninguém pode falar sozinho pelo tribunal. Às vezes, você imputa a todos o que é a decisão isolada de um ministro”, disse Luís Roberto Barroso. Ele tem proposta que não acaba com o poder do magistrado de conceder liminares, mas prevê julgamento no plenário virtual entre 48 horas (nos casos mais urgentes) e até cinco dias para que os demais ministros confirmem ou não decisões individuais.
Um outro ministro do Supremo ouvido pelo Estado reservadamente disse que a própria legislação em vigor prevê que as medidas cautelares em casos de ADI e ADPF devem ser concedidas por decisão da maioria absoluta dos membros do tribunal. A regra, no entanto, não costuma ser cumprida à risca pelos integrantes da Corte. O texto em avaliação no Senado reforça esse entendimento ao frisar que as medidas cautelares serão “exclusivamente” concedidas pelo plenário.

Piada do Ano! Bolsonaro diz que moeda única vai evitar aventuras socialistas


Bolsonaro ri de tudo, acha que preside um parque de diversões
Deu no Poder360
O presidente Jair Bolsonaro comentou a crítica feita pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), à ideia de criar uma moeda única entre Brasil e Argentina. “Essa proposta existe desde 2011, e Paulo Guedes mostrou-se interessado, juntamente com o governo da Argentina, a voltar a estudar essa questão. Rodrigo Maia e qualquer que tenha criticado… é um direito, é um dever, estamos num país livre. As críticas são muito bem vindas e nos alertam sobre a possibilidade de estarmos nos desviando do caminho certo”, afirmou o presidente no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (dia 7).
A fala foi registrada pela Folha de S. Paulo. Mais cedo, Maia compartilhou uma notícia do jornal O Globo sobre o assunto e escreveu: “Será? Vai desvalorizar o real? O dólar valendo R$ 6,00? Inflação voltando? Espero que não”.
CASAMENTO – O presidente afirmou ainda que a nova moeda “é como um casamento”. “Você ganha de um lado e perde de outro. Você às vezes quer ver o jogo do Botafogo e não consegue porque sua esposa quer ir ao shopping. Mas, como num casamento, a gente mais ganha do que perde. Temos mais a ganhar do que perder. Com uma moeda única damos uma trava às aventuras socialistas que acontecem em alguns países da América do Sul”, declarou.
A ideia voltou à tona nesta quinta-feira (dia 6) durante viagem do presidente e do ministro Paulo Guedes (Economia) à Argentina, mas não é nova. O economista já havia defendido em artigo publicado na revista Época em dezembro de 2008 a criação de uma moeda única na América Latina, que se chamaria “peso-real”.
O presidente da República já havia comentado o assunto antes de deixar a Argentina. Questionado, disse: “Paulo Guedes nada mais fez do que dar o primeiro passo para um sonho de uma moeda única na região no Mercosul”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Rodrigo Maia tem toda razão. E o ministro Paulo Guedes agora está percebendo que as bobagens que falou no passado são cobradas no futuro. A mais alucinada declaração foi de Bolsonaro, comparando a moeda binacional com um casamento. E o pior foi a justificativa: “Com uma moeda única damos uma trava às aventuras socialistas que acontecem em alguns países da América do Sul”. É forte candidata à Piada do Ano e Bolsonaro mostra que seu lado Dilma é muito forte, em meio à sua bipolaridade habitual. (C.N.)

Ex-motorista acusa Alexandre Frota de utilizá-lo como “laranja” em duas empresas


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Frota nega, mas a Junta Comercial confirma contratos das empresas
Ricardo Della Coletta e Camila Mattoso
Ex-motorista de Alexandre Frota, Marcelo Ricardo Silva afirma que foi usado como laranja pelo deputado federal do PSL. Em depoimento ao Ministério Público de São Paulo, Marcelo disse que assumiu, a pedido do atual parlamentar, a titularidade de duas empresas que eram de Frota em troca de promessas de compensações. Afirmou também que recebia, por orientação do deputado, pagamentos de terceiros e os repassava para a mulher de Frota.
Vice-líder do PSL na Câmara, Frota se tornou um dos protagonistas do partido do presidente Jair Bolsonaro na Casa, com disputas frequentes na articulação política do governo e para impulsionar projetos como a reforma da Previdência.
CONFIRMAÇÃO – À Folha o ex-motorista de Frota reafirmou o que disse ao Ministério Público e fez novas acusações.  Afirmou que trabalhou na campanha eleitoral do parlamentar e que foi pago por empresários amigos de Frota, recursos que não foram declarados à Justiça Eleitoral.
Marcelo chegou a ser lotado no gabinete de Frota por cerca de 20 dias em fevereiro, mas foi exonerado no final daquele mês. Procurado, Frota negou irregularidades e se disse vítima de “práticas de ameaças e extorsão.”
“Dessas condutas criminosas, em março de 2019, o deputado lavrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil de Cotia (SP) e uma representação perante a Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados (razão porque o mesmo está proibido de lá adentrar)”, respondeu o parlamentar, em nota.
Duas empresas – O depoimento de Marcelo foi prestado em 28 de maio de 2019. Nele, o ex-funcionário relata uma relação de serviços a Frota que remonta a 2017, quando os dois teriam sido apresentados por um amigo em comum.
De acordo com o que disse Marcelo ao Ministério Público paulista, Frota lhe conseguiu um emprego na TV Nova Cidade e naquele mesmo ano pediu que ele entrasse como dono em duas empresas: a F. R. Publicidade e Atividades Artísticas e a DP Publicidade Propaganda e Eventos Ltda.
“Ele [Frota] falou: eu tenho essas duas empresas minhas. Vou passar para o teu nome, e vou te dar uma porcentagem. Eu falei beleza, tá bom, crente que ia ganhar alguma coisa”, disse Marcelo à Folha.
JUNTA COMERCIAL – Registros na Junta Comercial de São Paulo revelam que as duas empresas estavam no nome de Frota e foram transferidas para Marcelo.  A entrada de Marcelo no quadro societário da DP Publicidade ocorreu em julho de 2017. Na F. R. Publicidade, o ex-motorista se tornou um dos sócios em março de 2018.
O parlamentar alega que “as opções empresariais” com seu ex-funcionário “foram lícitas”. “Toda a relação com o mesmo anteriormente a 2019 foi privada”, justificou, também em nota.
No relato do ex-funcionário ao Ministério Público, o primeiro problema da sua relação com Frota ocorreu em 2018. À época, diz, ele já não prestava serviços à TV Nova Cidade e havia recém-concluído um trabalho em uma empresa de telecomunicações.
SEGURO-DESEMPREGO – Ao pedir o seguro-desemprego, Marcelo diz que teve o benefício negado em razão de constar como sócio das empresas. Segundo o ex-motorista, ao informar Frota sobre o problema, o agora parlamentar lhe prometeu uma compensação de R$ 10 mil. Marcelo afirma que nunca recebeu o valor.
Ele contou ainda ao promotor de Justiça que seguiu prestando serviços de motorista para Alexandre Frota. Por orientação de Frota, disse Marcelo, ele repassava à mulher do agora deputado, Fabiana, valores que recebia de terceiros e cuja origem desconhecida.
O ex-motorista disse que os depósitos que ele fez na conta da esposa de Frota chegaram a cerca de R$ 70 mil.
INGRESSOS – “Ele [Frota] não falava em dinheiro. Dizia que vai ter um show e estou precisando dos ingressos. O Frota mandava eu cobrar os ingressos. Um cara do Rio de Janeiro já sabia que era o dinheiro que tinha que depositar. Ele depositava picado”, disse Marcelo à Folha.
“Caía na minha conta e ele passava: ‘os ingressos já foram emitidos.’ Eu já sabia que era para ir no banco sacar o dinheiro e transferir para a esposa dele [Fabiana]”, acrescentou.
À Folha Marcelo contou ter trabalhado para Frota também durante a campanha. De acordo com ele, depois de realizar suas tarefas como motorista da família do então candidato, o agora deputado o orientava a fazer panfletagem.
SANTINHO – Em um áudio encaminhado por Marcelo à Folha, o deputado lhe pergunta sobre a “operação distribuição de santinho”. “Distribuiu o santinho? Como está a operação distribuição de santinho?”, diz Frota na mensagem de voz.
Segundo o ex-funcionário, no período ele passou a ser remunerado por dois empresários amigos do deputado, um dono de uma concessionária em São Paulo e o outro diretor de uma escola.
“Eu recebi [durante a campanha] o salário diretamente do empresário, quem tinha que pagar era o empresário”, disse.
Frota assinou um contrato com o diretor-geral do colégio Canello Marques Eireli, Samerson Canello Marques, pelo qual a escola se comprometeu a pagar ao deputado R$ 12,5 mil em troca de uma palestra, para alunos do ensino médio, sobre “drogas e dependência química.” Marcelo afirma que o contrato foi feito para justificar o pagamento do seu salário.
DIZ O EMPRESÁRIO – À Folha Samerson Canello disse que Frota deu de fato a palestra no colégio e que o valor acertado com o parlamentar pelo evento foi pago em parcelas ao longo de 2018.
No entanto, ele disse que, a pedido de Frota, os depósitos foram feitos na conta de Marcelo Ricardo Silva. As parcelas pagas pelo diretor da escola ao ex-motorista variaram de R$ 1.500 a R$ 2.500.
O deputado, por sua vez, nega que Marcelo tenha exercido qualquer atividade relacionada à sua campanha eleitoral. “Da pretensa relação em campanha: não houve, pois [Marcelo Silva] nunca atendeu a campanha eleitoral. De outro modo, a sua relação era trabalhista, como motorista, com registro em carteira, para atendimento doméstico, de Alexandre [Frota] e de sua família”, disse.
DEMISSÃO – Frota diz que demitiu Marcelo “em razão de insubordinação e condutas inadequadas.” Ele disse ainda que seu ex-funcionário “ligou para dezenas de pessoas do relacionamento pessoal de seu ex-chefe, com discurso vitimista.”
“Há todas as provas disso, que serão encaminhadas ao Ministério Público para providências. Mesmo porque, o deputado representará criminalmente contra Marcelo Ricardo Silva”, afirma Frota.
Marcelo vê a história de outra maneira. “Enquanto eu recebi dinheiro na minha conta como caixa 2 na campanha, aí eu servi. As duas empresas dele que constam no meu nome, para isso eu servi”, disse o ex-motorista à Folha. “Agora eu não presto mais?”

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