terça-feira, março 10, 2026

STF tende a condenar deputados do PL e sinalizar ao Congresso rigor com desvio de emendas

STF tende a condenar deputados do PL e sinalizar ao Congresso rigor com desvio de emendas

Por Luísa Martins e Ana Pompeu/Folhapress

10/03/2026 às 06:49

Foto: Antonio Augusto/Arquivo/STF

Imagem de STF tende a condenar deputados do PL e sinalizar ao Congresso rigor com desvio de emendas

Plenário do STF

A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) tende a condenar os três deputados do PL acusados de desviar emendas parlamentares, estabelecer penas severas e sinalizar ao Congresso Nacional que a resposta da corte a esse tipo de prática será rigorosa em casos semelhantes.

O julgamento dos deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA) e do suplente Bosco Costa (PL-SE), réus por corrupção passiva e organização criminosa após denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República), começa nesta terça-feira (10) e pode se estender até a manhã de quarta (11). Eles negam ter cometido qualquer crime.

Essa é a primeira ação penal sobre desvios de emendas submetida à análise colegiada desde o início da ofensiva do ministro Flávio Dino por mais transparência e rastreabilidade na execução dessas verbas. Por isso, é considerada por congressistas um termômetro sobre a posição do STF. A relatoria desse caso específico é do ministro Cristiano Zanin.

Segundo a acusação da PGR, o esquema envolvia uma tentativa de extorquir a Prefeitura de São José do Ribamar para que 25% do valor destinado ao município, o terceiro mais populoso do Maranhão, fosse devolvido aos parlamentares. Com isso, de um total de R$ 6,67 milhões em recursos, R$ 1,66 milhão voltariam aos bolsos dos deputados.

O dinheiro não chegou a ser devolvido, mas a PGR considera que, ainda assim, está caracterizado crime, pois haveria provas da cobrança indevida em diálogos e documentos apreendidos ao longo da investigação. As apurações começaram a partir de representação da própria prefeitura, que relatou as intimidações.

No processo, Maranhãozinho sustenta que não há evidências de que ele tenha solicitado vantagem indevida para a liberação de recursos. Gil diz que suas condutas não são consideradas criminosas pela legislação. Costa afirma que não fez requerimentos dessa natureza e que desconhece pedidos feitos por terceiros. Os três pedem a nulidade das provas.

A expectativa é de que Maranhãozinho receba uma pena maior que as dos outros dois. Reservadamente, dois advogados do caso admitiram à Folha a possibilidade de um resultado negativo para seus clientes, diante de um cenário em que o STF, desgastado pela crise do Banco Master, precisa transmitir à sociedade um compromisso com a pauta ética.

Esse julgamento é considerado um teste porque há pelo menos mais 25 investigações sobre desvios de emendas em tramitação na corte. Os inquéritos envolvem parlamentares de diversos espectros políticos e foram distribuídos aos gabinetes de vários ministros diferentes.

Atualmente, além de Dino e Zanin, pelo menos outros quatro ministros cuidam de processos criminais sobre esse tema: Luiz Fux, Kassio Nunes Marques, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Sob suspeita, estão parlamentares de pelo menos oito partidos: PL, PT, União Brasil, PP, MDB, PDT, PSB e Podemos.

No caso dos parlamentares do PL, só participam do julgamento os ministros da Primeira Turma, colegiado ao qual o relator (Zanin) pertence. Além dele, votam Dino, Cármen e Moraes. A condenação fica estabelecida se três se manifestarem pela procedência da ação penal, o que tende a ocorrer.

Durante a sessão, os ministros devem dar uma série de recados ao Congresso. Um deles é de que o debate não gira em torno do mecanismo das emendas parlamentares em si, considerado legítimo, mas da necessidade de corrigir problemas estruturais que têm aberto margem para casos de corrupção.

Outro ponto que deve ser levantado pelos magistrados é sobre a necessidade de combater os desvios com firmeza, uma vez que o mau uso da verba pública significa menos investimentos nas áreas de saúde, educação e segurança pública, prejudicando, em última análise, o cidadão.

Como mostrou a Folha, a Polícia Federal prevê intensificar até junho o ritmo das operações sobre suspeitas de irregularidades em emendas parlamentares. O entendimento é de que há material suficiente sob escrutínio de investigadores para que as ações sejam frequentes antes do início do período eleitoral, que começa no segundo semestre.

Politica Livre 

Em destaque

Promotora é acusada por ex-assessora de usar servidora para assinar eletronicamente pedidos de prisão e denúncias do MP-BA

  Promotora é acusada por ex-assessora de usar servidora para assinar eletronicamente pedidos de prisão e denúncias do MP-BA segunda-feira, ...

Mais visitadas