terça-feira, março 10, 2026

Sem visitas e com cama de concreto: a nova rotina de Vorcaro na prisão


Banqueiro passa por período de adaptação de até 20 dias

Luísa Marzullo
O Globo

Transferido para Brasília na sexta-feira passada, o banqueiro Daniel Vorcaro passou o primeiro fim de semana sob custódia no sistema penitenciário federal enfrentando uma mudança brusca de rotina. Acostumado ao cotidiano luxuoso e à intensa agenda de reuniões e viagens, Vorcaro agora passa a maior parte do tempo em uma cela individual de concreto, com circulação restrita e horários rigidamente controlados dentro da Penitenciária Federal em Brasília.

Nos primeiros dois dias na unidade, o banqueiro permanece praticamente todo o tempo dentro da cela, com poucas interações até mesmo com os agentes penitenciários. O espaço tem cerca de seis metros quadrados e segue o padrão das penitenciárias federais de segurança máxima: uma cama elevada de concreto com colchão fino, uma bancada que funciona como mesa, um banco fixo integrado à parede e uma pequena área de higiene com pia, vaso sanitário e chuveiro.

HORÁRIOS DEFINIDOS – Não há televisão, tomadas elétricas ou equipamentos eletrônicos. A iluminação da cela e o funcionamento do chuveiro são controlados externamente pelos agentes penitenciários, em horários definidos pela administração da unidade — normalmente entre 6h e 22h. Já o banho é um por dia, de no máximo 15 minutos, e no período da manhã. A única entrada de luz natural vem de uma pequena janela próxima ao teto, localizada na área de higiene.

Nesse ambiente fechado, a rotina do preso passa a ser marcada principalmente pelos horários de alimentação. Vorcaro recebe seis refeições por dia, entregues diretamente na porta da cela. O dia começa cedo com café da manhã, composto por fruta, pão e ovo, acompanhado de café ou leite. Algumas horas depois, ainda no período da manhã, os presos recebem uma colação, um pequeno lanche que pode incluir fruta ou biscoito.

O almoço é a refeição principal e costuma trazer uma proteína, como carne ou frango, acompanhada de arroz, feijão e salada. No meio da tarde é servido um novo lanche, geralmente com fruta, pão ou biscoito. À noite, a rotina alimentar termina com jantar, semelhante ao almoço, porém em porções menores, seguido de ceia, um lanche leve antes do recolhimento noturno.

BANHO DE SOL – Assim como os demais presos, Vorcaro passa a maior parte do tempo dentro da cela e deixa o espaço apenas em momentos autorizados pela administração da unidade, como para o banho de sol diário, cuja duração é de duas horas e é realizado sob escolta de agentes. Sempre que o preso deixa a cela, ele passa por revista realizada pelos agentes penitenciários, e o próprio espaço também é inspecionado periodicamente.

Além das restrições físicas, Vorcaro também enfrenta um período inicial de isolamento em relação ao mundo exterior. Nos primeiros dias após a chegada ao presídio federal, familiares e amigos não podem visitá-lo. O protocolo da unidade prevê que presos recém-chegados passem por um período de adaptação que pode chegar a até 20 dias sem visitas sociais.

Nesse intervalo, o contato externo fica praticamente restrito aos advogados, que podem se reunir com o preso em salas específicas da unidade, mediante identificação e registro na entrada do presídio. A defesa do banqueiro pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorização para que a primeira conversa entre Vorcaro no presídio federal ocorra sem gravação. A equipe jurídica afirma que ainda não conseguiu realizar um contato reservado com o cliente desde a prisão preventiva.

ESTRATÉGIA JURÍDICA – Segundo os advogados, a autorização é necessária para que possam discutir de forma confidencial a estratégia jurídica do caso nesta nova fase das investigações. Nas penitenciárias federais, os encontros entre presos e seus defensores costumam ser monitorados e registrados por áudio e vídeo, motivo pelo qual a defesa solicitou ao relator que a primeira reunião com Vorcaro ocorra sem esse tipo de registro.

A penitenciária federal em Brasília, inaugurada em 2018 e administrada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, integra o sistema nacional de presídios de segurança máxima criado para custodiar presos considerados de maior risco ou cuja permanência em presídios estaduais possa gerar problemas de segurança.


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