Lava Jato 2.0: Merval Pereira retoma golpismo de 2016 e pede para comandantes militares enquadrarem Lula
Porta-voz político do clã Marinho, da Globo, Merval convoca comandantes militares contra Lula e faz uma espécie de copywriting de um artigo escrito em 2016, em meio à condução coercitiva determinada por Moro, citando tese do "artigo 142" adotada depois pelos bolsonaristas.

Porta-voz do clã Marinho, o editorialista Merval Pereira retomou o roteiro do golpe contra Dilma Rousseff em 2016 e fez um espécie de copywriting de um artigo escrito à época para pedir que comandantes militares enquadrem Lula, em uma reedição do que já vem sendo tratado como Lava Jato 2.0, em meio aos vazamentos seletivos de informações para jornalistas do grupo Globo.
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“Os comandantes militares já fizeram chegar ao presidente Lula a seguinte ponderação: ‘Olha, houve o julgamento do 8 de Janeiro e nós não nos metemos. Ninguém reagiu. Vocês condenaram, o Supremo condenou quem eles quiseram. Fizeram tudo e a gente está aqui assumindo essa coisa. Nós queremos saber o que que vai acontecer no Supremo”, disparou Pereira em conversa com Andreia Sadi na Globonews nesta segunda-feira (9).
“E aí o Lula tá conversando com os militares”, emenda o editorialista do clã Marinho, que admite se quer ter confirmação da conversa do presidente com as Forças Armadas sobre o tema. “E não consegui confirmar, mas haveria uma reunião ontem do Lula com os ministros militares exatamente para desanuviar esse clima”, afirmou, com verbo na condicional.
“Pessoas que tiveram com o Lula me disseram que estava muito preocupado com essa situação. Não é ainda insatisfação, não. É só um chamado: nós estamos quieto aqui”, afirmou Pereira, complementado por Octávio Guedes ao lado de Malu Gaspar. “Um salve. Manda um salve”.
Artigo golpista
Na edição desta terça-feira (10), Merval Pereira fez um copywriting de um artigo publicado por ele em 6 de março de 2016, em meio ao levante da Lava Jato contra Lula e do Centrão contra Dilma Roussef, com o sugestivo nome de “Em busca da Saída”.
No artigo atual, o porta-voz político dos Marinho propõe “Estancar a Sangria”, com o mesmo roteiro de 2016: achaques do comando das Forças Armadas.
“A tentativa de estancar a sangria — “com o Supremo, com tudo”, como previa o lobista Romero Jucá e aconteceu na Operação Lava-Jato — faz com que outras instituições, como as Forças Armadas, se inquietem com a possibilidade de que a solução seja varrer para debaixo do tapete os acontecidos e fingir que nada houve de mais grave”, afirma Pereira.
Em seguida, ele tenta jogar a crise que tem o Centrão de Ciro Nogueira, a gestão de Campos Neto no Banco Central e ex-ministros de Bolsonaro na órbita de Daniel Vorcaro e André Esteves em seu epicentro no colo do governo Lula.
“Há uma sensação de que o governo tem culpa nesse cartório e de que o próprio presidente manipula a situação a seu favor”, escreve sobre sensações – e não sobre fatos.
Merval ainda coloca militares como heróis que salvaram o Brasil da tentativa de golpe de Jair Bolsonaro, ignorando a adesão de muitos deles, de alta patente, aos desejos autoritários do ex-presidente.
“Como o Brasil anda calcificado, na definição do cientista político Felipe Nunes, da Quaest, há disparates para todos os lados. Criticar Moraes agora significa apoiar o bolsonarismo. A esquerda resolveu assumir a defesa dos ministros do Supremo, como se a eles fosse dado o privilégio da impunidade, pois salvaram a democracia. Os militares, que desmontaram o golpe pela não adesão aos planos de Bolsonaro, sofreram. Suas maçãs podres foram devidamente julgadas e condenadas, sem que houvesse reação corporativista como a que toma conta dos supremos”, diz, confundindo a defesa da democracia pelo campo progressista como apoio a ministros do STF.
Condução coercitiva de Lula
O roteiro remete ao descrito em 6 de março de 2016, dois dias após Sergio Moro, que comandava a máquina de vazamentos seletivos aos jornalistas da Globo no comando da Lava Jato, determinar a condução coercitiva de Lula para depor na Polícia Federal.
Pereira chega a citar uma máxima de Raul Jungmann, que assumiria o Ministério da Defesa do governo golpista Michel Temer (MDB) mais adiante. Jungmann, que morreu em 18 de janeiro deste ano, assumiu o comando do lobby das mineradoras transnacionais que querem explorar as terras raras no Brasil após se distanciar da política.
“Se a política não resolver a crise, a crise vai resolver a política. Mais que um jogo de palavras que o deputado Raul Jungman gosta de usar, esta é uma constatação que fica mais evidente ainda diante da iniciativa de militares de contatarem na sexta-feira autoridades civis – governadores de Estados estratégicos como Rio e São Paulo, ministros, líderes partidários – para colocarem à disposição tropas em caso de necessidade de garantir a ordem pública, conforme Ricardo Noblat noticiou em seu blog”, disse Pereira, dobrando a aposta contra Dilma.
Em seguida, o “imortal” cita Lula e faz a defesa de um factoide papagueado pelos bolsonaristas em 2022, de que o artigo 142 da Constituição coloca as Forças Armadas como poder moderador.
“Os confrontos entre petistas e seus adversários políticos nas ruas de diversas capitais do país, enquanto Lula depunha na Polícia Federal, insuflados por uma convocação do presidente do PT Rui Falcão, acenderam a luz amarela nas instituições militares, que pelo artigo 142 da Constituição têm a missão de garantir a ordem pública”, escreveu.
O editorialista da Globo ainda diz que “militares de alta patente estão conversando com lideranças civis de diversos setores da sociedade”, mas não estariam “dispostos a uma intervenção, que seria rejeitada pelas forças democráticas”, mas que “se preocupam com a crise e se dispõem a auxiliar as autoridades civis em caso de necessidade”.
“As milícias petistas mobilizadas na confrontação física nas ruas podem transformar o país em uma Venezuela, e quanto mais os fatos descobertos na Operação Lava-Jato forem sendo desvelados, mais a resposta violenta será a única saída”, brada Merval, em um discurso que também seria replicado pela horda bolsonarista.
“O Congresso tem que encontrar rapidamente uma saída constitucional que possibilite a formação de um governo de transição democrática, e o caminho mais viável parece ser o impeachment, já que a presidente Dilma não se mostra capaz de, por si só, articular essa transição, e se revela comprometida cada dia mais com as ações criminosas que a levaram ao governo”, conclui, no mesmo roteiro do golpe que tirou Dilma Rousseff da Presidência para dar lugar ao mesmo grupo político que articula a retomada do poder à força 10 anos depois.
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