Jeremoabo e a Nova Política: Vice-prefeito Executivo ou Prefeito de Fato?
Nesta semana, circulou nas redes sociais um vídeo curioso vindo da nossa querida Jeremoabo. Nele, o vice-prefeito aparece anunciando, com entusiasmo, que "junto com um deputado federal" conseguiu levar água para um povoado da zona rural. Até aí, tudo bem — quem é que não gosta de ver melhorias chegando ao sertão? O problema não está no benefício, mas no bastidor da cena: nenhuma menção ao prefeito da cidade. Simplesmente ignorado. Ausente. Omissão calculada?
Foi então que um eleitor mais atento lançou uma pergunta simples, porém afiada: "Mudou a lei e ninguém me avisou? Desde quando vice-prefeito tem função executiva sem o prefeito estar ausente por morte, renúncia, cassação ou impedimento legal?"
A dúvida é legítima e merece ser debatida. Afinal, vivemos numa república onde as funções são definidas pela Constituição e pela Lei Orgânica do Município. O vice-prefeito, em regra, é figura decorativa do ponto de vista administrativo, salvo nos casos em que o prefeito se afasta do cargo. Não é papel do vice articular obras, assinar convênios ou anunciar benefícios, a não ser que esteja no exercício legal da chefia do Executivo. E se estiver, deve-se explicar por quê.
Mas o que está acontecendo em Jeremoabo?
Ou o prefeito virou rainha da Inglaterra, com função apenas cerimonial, ou estamos diante de um claro jogo político onde o vice tenta capitalizar para si méritos de uma gestão na qual oficialmente não tem o comando. A omissão do nome do prefeito no vídeo pode ser só descuido — ou um recado claro de rompimento, disputa ou desespero por protagonismo.
O povo de Jeremoabo não é bobo. E quando vê um vice-prefeito agindo como prefeito, a pergunta inevitável é: quem realmente está governando? Ou melhor: alguém está governando?
É bom lembrar que em tempos de crise institucional, a manipulação da narrativa política costuma ser mais danosa do que a falta d’água. Quando se usa um benefício público — pago com dinheiro do povo — para fazer promoção pessoal ou tentar apagar rivais políticos, a democracia enfraquece.
O vídeo do vice-prefeito é sintomático de uma prática que, infelizmente, persiste em muitos rincões do Brasil: a política de bastidores, feita de vaidades, jogos de cena e desinformação. E no fim, quem paga o preço é a comunidade, que não sabe mais em quem confiar.
Se há um rompimento político, que se diga com todas as letras. Se há parceria com deputado, ótimo — mas que se jogue limpo. E se o prefeito está ausente, que se informe o povo, pois o povo merece respeito, não encenação.
Jeremoabo precisa de gestores que ajam com seriedade e responsabilidade, não de atores de vídeo promocional