
Charge do Duke (Arquivo Google)
Carlos Andreazza
Persiste o mito de que Fernando Haddad evitaria que o governo Lula fosse o governo Lula. Permanece a fantasia de que o ministro da Fazenda de Lula, escolhido histórico de Lula, dificultaria que o governo Lula fosse plenamente o governo Lula.
Uma obra-prima da propaganda, que prospera influente já ao avançar do terceiro ano deste Dilma III, cujo marco fundador foi a PEC da Transição, que derramaria inflacionariamente mais de R$ 150 bilhões na economia.
VOO DE GALINHA – Fez isso – estimulou artificialmente o consumo e levantou o voo de galinha da economia – para depois erguer a fachada publicitária do arcabouço fiscal. O natimorto fiscal, inviável desde a largada, fantasia do governo ficcionista que cumpre as metas fiscais ao mesmo tempo em que nos informa que o mundo acabará a partir de 2027.
A bomba fiscal explodirá depois de 2026. A turma sabe. Não apenas nada faz para desarmá-la como a engorda com vistas ao projeto de reeleição que bancaremos.
Até lá, pois: energia elétrica gratuita para 60 milhões e gás para todos. Simone Tebet admitiu: a regra fiscal não se sustenta para além do ano eleitoral.
PEDALAR E MAQUIAR – Até lá, o plano é pedalar e empurrar-maquiar o bicho. O Ministério do Planejamento é o de Sidônio. Esse é o mundo real. O da fantasia: Haddad contém Lula.
O cronista cínico a sonhar com o dia em que será avaliado profissionalmente pelo que não deixaria o chefe fazer. Se o chefe faz o que faz com o ministro o inibindo, imagine o que gastará quando Haddad sair do governo para se candidatar. A questão é outra: haveria muito mais a fazer, sem Haddad no governo, para além do que já faz – fez – com Haddad no governo?