Publicado em 22 de março de 2024 por Tribuna da Internet

Prates quer acabar com as ruinosas importações de diesel
Eduardo Gayer e Roseann Kennedy
Estadão
O Palácio do Planalto quer saber de onde surgiram os novos rumores de que o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, seria demitido. Nesta terça-feira, 19, o boato foi ventilado nos gabinetes de Brasília e nas mesas de operação do mercado financeiro, prejudicando as ações da estatal negociadas na Bolsa.
Para interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar da derrota do ex-senador na queda de braço sobre a distribuição de dividendos da empresa, uma eventual demissão não seria feita neste momento.
PALAVRA DE ORDEM – A sensibilidade de uma troca na Petrobras, argumentam, exigiria outro “timing” – neste momento, a ordem é enfraquecer a narrativa de que Lula faz interferências desmedidas na estatal.
Mais cedo, nas redes sociais, o presidente da Petrobras ironizou a situação. “Trabalho intenso o dia todo em Houston com mais de 15 reuniões por dia, sem olhar o telefone, e agora soube que já andaram me “derrubando” no Brasil… isso só me assegura que estou no caminho certo. Faz parte!”, publicou.
A equipe palaciana quer entender se os ruídos foram plantados por especuladores financeiros, por inimigos do presidente da Petrobras ou se houve a tentativa de criar uma espécie de onda “Fica, Jean”.
ALIADO DE HADDAD – Lula costuma realizar eventuais trocas na equipe de forma lenta e gradual. Foi assim com a substituição de Daniela Carneiro por Celso Sabino no Ministério do Turismo, em julho, e com a minirreforma ministerial de setembro. Além disso, Jean Paul Prates conquistou um aliado de peso frente à artilharia que sofre: o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
O ex-prefeito de São Paulo virou um ponto de equilíbrio nas desavenças entre o presidente da Petrobras e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que convenceu Lula a orientar a estatal a não distribuir parte dos dividendos aos acionistas neste momento.
Prates foi senador pelo PT do Rio Grande do Norte, mas sofre resistência até entre correligionários. Ele é visto por aliados como muito ligado ao mercado financeiro.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Prates é profissional do ramo do petróleo e está fazendo uma excelente administração na Petrobras. Como diria Trump, ele está trabalhando para fazer a empresa ser grande de novo. Mas os espertalhões do mercado querem tirá-lo a todo custo, porque ele pretende acabar com as importações de petróleo e óleo diesel, uma das maiores fontes de corrupção na Petrobras. Trabalhei vários anos lá e sei exatamente o que estou falando. (C.N.)