segunda-feira, novembro 20, 2023

A guerra Israel-Hamas aumenta ou reduz as chances da solução de “dois Estados”?


Destruição provocada por bombardeio de Israel em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza

Faixa de Gaza tornou-se exemplo de uma terra arrasada

Álvaro Machado Dias
Folha

Eis o raciocínio, começando pelo que lhe ressalva: os ataques de 7 de outubro reforçam a percepção de que é insustentável manter o controle coercitivo que incide sobre os cerca de 5,5 milhões de palestinos que moram em Gaza e na Cisjordânia, dado o estímulo ao surgimento e à ação de células terroristas. Mesmo que o Hamas seja completamente eliminado, o que de forma alguma está garantido, a emergência de um substituto é tida como provável.

Há um rápido aumento do poder destrutivo das armas utilizadas pelos grupos insurgentes, colocando em xeque a eficácia do Domo de Ferro israelense.

ESTADO PALESTINO – Projeções apontam que o Hezbollah possua mais de 100 mil foguetes com capacidade de atingir Israel e que esse potencial esteja crescendo rapidamente. A pacificação por meio da criação de um Estado Palestino é a única solução promissora existente, ainda que se considere que as animosidades continuem e até que os países possam entrar em guerra no futuro.

O apoio internacional à Israel está declinando em função da guerra em Gaza, enquanto crescem as mobilizações para que a União Europeia atue coordenadamente pela criação do Estado Palestino no pós-guerra, o que igualmente é visto como oportunidade geopolítica por chineses e outros.

Pesquisa da Ipsos americana, publicada em 15/11, mostra que a perspectiva de que os Estados Unidos devem apoiar Israel teve sua popularidade reduzida para 32%, enquanto a visão de que melhor seria o país atuar como mediador neutro no conflito atingiu 39% de apoio na população. Há um mês, a tendência era inversa.

DOIS ESTADOS – Chris Jackson, vice-presidente da Ipsos EUA, gentilmente me passou os resultados de uma pesquisa conduzida antes dos atentados terroristas que mostrava que a manutenção do status quo palestino só era endossada por 33% dos americanos, taxa que deve ter caído de maneira relevante, em consonância com os outros índices.

Biden, cada vez mais pressionado, vem enfatizando que a solução de dois Estados é o ponto-final dessa guerra, em linha com o que o representante prototípico do seu país quer ouvir.

Esses fatores são importantes, mas, na prática, acabam sendo sobrepujados por outros. Existe um consenso entre os principais analistas internacionais de que o posicionamento da comunicação adotado pelo governo americano e seus pares europeus não se traduz em intenção firme de impor agendas. A lógica é que isso tenderia a expor Israel a graves ameaças.


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