sábado, dezembro 10, 2022

Tite deixa a seleção, onde criou expressões muito curiosas, mas não soube criar jogadas

Publicado em 10 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet

Sem que dava entrevistas, Tite criava novas expressões

Gustavo Zeitel
Folha

Tite já anunciara que deixaria o comando da seleção brasileira depois da Copa do Mundo do Qatar. Passados seis anos desde que assumiu o cargo, suas longas explanações em entrevistas coletivas desafiam a inteligência dos jornalistas e ainda confundem os torcedores.

Parecendo um “coach” (treinador) motivacional, Tite se vale dos conceitos mais rasos da autoajuda para gerir seu elenco e afagar o ego das estrelas. Antes do jogo contra Camarões, por exemplo, disse que Daniel Alves, de 39 anos, “transcende o futebol”, justificando a escalação do lateral direito.

Com a fala escandida, enfatiza cada palavra e, todo empolado, apresenta novos termos do futebol moderno em sua própria linguagem, o chamado “titês”. A seguir, apresentamos alguns verbetes do glossário do professor Tite.

JOGADOR TERMINAL – Não confundir com “paciente terminal”. Para Tite, é o mesmo que centroavante. No caso do time do Brasil, a expressão pode se referir ao que Gabriel Jesus, reserva de Richarlison, deveria ter feito, mas passou 499 minutos, contando as Copas de 2018 e 2022, sem fazer — um gol.

Machucado, Gabriel Jesus foi cortado do Mundial. Assim, Pedro, do Flamengo, se tornou reserva imediato do Pombo.

EXTERNOS DESEQUILIBRANTES – Uma das expressões mais imprecisas do glossário, se refere a atacantes que atuam pelas extremidades do campo, as pontas. Ao contrário do terminal, o externo desequilibrante não está encarregado pela finalização das jogadas. Sua tarefa é quebrar as linhas da defesa adversária, seja caindo pelo meio ou pelas laterais.

Vinicius Jr. é um bom exemplo de um externo desequilibrante, que deve aliar técnica e velocidade para achar os espaços, deixando o terminal na cara do goleiro.

O ÚLTIMO TERÇO – Na visão de Tite —e dos amantes do futebol moderno—, o campo de jogo é dividido em três trechos ou regiões. A última corresponde à fase de ataque, depois de a bola passar pela defesa e a transição no meio-campo.

Em 2019, depois de um empate em um a um com o modesto Panamá, o técnico chegou a falar em “sinapses no último terço”. Na ocasião, Tite se referia ao entrosamento dos jogadores no ataque.

JOGO APOIADO – É uma expressão que tem a ver com as tais sinapses. Com o tal jogo apoiado, Tite procura passar a ideia de que é preciso diminuir os espaços entre os atletas, facilitando as triangulações.

Ou seja, ele está se referindo à troca de passes ou tabelas entre o meio-campo e as pontas até chegar ao campo de defesa do adversário.

TREINABILIDADE – Antigamente, chamava-se de coletivo o treinamento da equipe contra o time reserva. Segundo o sofisticado vocabulário do agora ex-treinador da seleção brasileira, trata-se da capacidade dos jogadores e do elenco evoluírem durante os treinos para depois conseguir “perfomar”, como ele também gosta de dizer, melhor nas partidas.

É uma pena sua aposentadoria na seleção, porque o vocabulário esportivo perde muita criatividade.

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