
Charge reproduzida do Arquivo Google
Carlos Newton
Durante a campanha eleitoral, o candidato Lula da Silva fez questão de descartar a recriação do Imposto Sindical Obrigatório, que transformou o Brasil numa república sindicalista sem similar no mundo. Sempre que era questionado a respeito, respondia que não iria recriar o tributo, acrescentando que há estudos de se criar uma “contribuição espontânea” e não obrigatória.
Mas quem pode acreditar num político sujo como ele, que comandou o maior esquema de corrupção do mundo e acabou preso por 580 dias, condenado sempre por unanimidade em três instâncias.
TIPO CABO ANCELMO – Lula foi uma espécie de Cabo Ancelmo que deu certo. Na ditadura de 1964, enquanto José Ancelmo dos Santos atuava para o regime militar entre os marinheiros, Lula fazia o mesmo nos sindicatos paulistas, iniciou carreira política para enfraquecer Leonel Brizola e acabou eleito presidente três vezes, num roteiro verdadeiramente hollywoodiano.
Sobre o Imposto Sindical Obrigatório, na campanha Lula dizia uma coisa à imprensa, mas tinha outra versão nos encontros com os sindicalistas, com os quais se comprometeu a recriar o Imposto Sindical Obrigatório, que financia o maior esquema corporativista do mundo.
No dia 1º de dezembro, Lula se reuniu com os dirigentes de centrais e sindicatos, para tranquilizá-los, porque a cobrança já começou.
EQUIPE DE TRANSIÇÃO – Lula, é claro, convidou sindicalistas para a equipe de transição. E agora o Conselho de Participação Social, onde atuam os sindicalistas, simplesmente propõe que a Secretaria-Geral da Presidência tenha uma diretoria dedicada aos movimentos sociais. O pretexto seria pleitear políticas de moradia e segurança alimentar, mas o objetivo final é recriar o Imposto Sindical Obrigatório.
Lula se equilibra no trapézio volante, sem rede de segurança, porque prometeu uma medida que tem de ser aprovada no Congresso.
Não é tão difícil assim, basta ter maioria simples na Câmara e no Senado, em votações separadas. No entanto, sem a menor dúvida, é imoral ao extremo, porque o Brasil, com 16.491 entidades, tem 91% dos sindicatos do mundo. Os demais 192 países, apenas 9%. No Reino Unido, segundo colocado, só há 168; nos EUA, 130; e na Argentina, somente 96. Ou seja, há algo muito podre nessa excessiva “sindicalização”, que vive às custas do imposto que Lula prometeu e vai recriar.
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P.S. – Já ia esquecendo. A solução de Lula é que cada sindicato faça uma assembleia e aprove a cobrança obrigatória a todos os trabalhadores da respectiva categoria profissional. Uma decisão inconstitucional, porque significa meter a mão no bolso de terceiros, descontando o dinheiro direto da folha salarial. Até 2016 arrecadação dos sindicatos brasileiros chegava espantosos R$ 3,5 bilhões. É com essa grana que eram pagos os ônibus, as camisetas, as faixas, as tubaínas, os sanduíches de mortadela e as diárias de cada manifestante petista. Agora, passará de R$ 4 bilhões. (C.N.).