Publicado em 14 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet
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Maduro vai pagar os R$ 6 bilhões que seu país deve ao Brasil ?
Sérgio Roxo
O Globo
O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, encarregou o seu vice, Geraldo Alckmin, coordenador da transição de governo, de negociar com o Itamaraty uma autorização especial que permita a participação do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em sua posse, no dia 1º de janeiro.
Uma portaria de agosto de 2019 do governo Jair Bolsonaro afirma que o ingresso de altos funcionários do regime venezuelano contraria a Constituição. A atual gestão não reconhece Maduro como presidente da Venezuela por considerar que houve fraude em sua reeleição, em 2018. A Embaixada do Brasil em Caracas foi fechada por Bolsonaro. O governo brasileiro também não reconhece a representação diplomática oficial do país vizinho.
PROIBIÇÃO EM VIGOR – A missão foi passada por Lula a Alckmin na última sexta-feira, após a nomeação dos cinco primeiros ministros do governo. Integrantes da equipe do vice-presidente eleito estão tentando uma saída negociada com o Itamaraty para que ocorra uma liberação especial da entrada de Maduro no país, apesar da portaria de Bolsonaro ainda estar em vigor. A alegação é que Maduro é chefe de Estado e de governo da Venezuela. Afirmam também que o país faz fronteira com o Brasil. Por enquanto, não houve resposta.
Durante a campanha, Lula chegou a defender que a Venezuela “seja a mais democrática possível” e afirmou ser favorável à “alternância de poder não apenas para mim, mas para todos os países”.
Por anos, o PT manteve proximidade com o ex-presidente Hugo Chavéz e depois com Nicolás Maduro. Em 2019, quando o então deputado opositor Juan Guaidó declarou-se presidente interino do país, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, defendeu Maduro e afirmou que ele havia sido eleito conforme “regras constitucionais”.
MERA PROVOCAÇÃO? – Em 2020, quando o então secretário de Estado dos Estados Unidos Mike Pompeo fez uma visita a Roraima, Lula afirmou que se tratava de “mera provocação à Venezuela”.
Em reunião com o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, na semana passada, Lula discutiu a necessidade de encontrar uma solução para a crise da Venezuela.
Atualmente, governo e oposição voltaram a negociar as condições para a realização de eleições presidenciais em 2024. A retomada do diálogo foi possível depois que a Casa Branca suspendeu parcialmente sanções que impediam a petrolífera americana Chevron de atuar no país.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A insistência em trazer Maduro para a posse é um comportamento estranho. A Venezuela deve mais de R$ 6 bilhões ao Brasil e nos deu um belo calote. Considerar “amigo do Brasil” um governante como Maduro parece ser um monte de exagero. (C.N.)