
Foi uma pequena amostra do caos que acontecerá na posse
José Antonio Perez
A situação em Brasília é muito preocupante. Um repórter que está cobrindo o acampamento bolsonarista e que até já levou pancada, juntamente com sua equipe de produtor e cinegrafista, mesmo não sendo da TV Globo, revelou nesta terça-feira que cerca de um milhão de bolsonaristas estão sendo esperados de todos os Estados para tumultuar a posse do presidente eleito Lula no dia 1º de janeiro.
Exageros à parte, porque um milhão de pessoas não cabem nas ruas, precisam dormir, se alimentar e fazer suas necessidades, seria o caos absoluto na capital, o que o repórter está dizendo é que o vandalismo que aconteceu nesta segunda-feira foi apenas um pequena amostra do caos que vai ocorrer no dia da posse, na presença de delegações dos mais diferentes países.
LEMBRANDO O RIOCENTRO – Como no caso do Atentado do Riocentro, em 30 de abril de 1981, o badernaço de segunda-feira tem várias versões, porém todo mundo sabe quem está por trás e também ficou claro que as forças de segurança deixaram o “pau quebrar” e não prenderam ninguém.
O motivo da inação das forças de segurança é que a quase totalidade dos policiais militares e dos militares é de bolsonaristas, devido aos privilégios, claro, com aumentos reais de salários e de soldos, enquanto os servidores civis não receberam sequer a inflação passada, pois estão com quatro anos de congelamento.
Outro privilégio é a aposentadoria com 30 anos de contribuição para os homens e 25 para as mulheres, mas com contagem do tempo do Colégio Militar. Assim, conseguem se reformar com 40 e poucos anos, é um acinte em relação aos servidores civis.
CLIMA PÉSSIMO – O futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, deu declarações dizendo que os baderneiros serão punidos, mas ele só assume no dia 1º, caso Lula assine o decreto de nomeação logo após tomar posse. Até lá, o comando da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária e da Guarda Nacional continua com o ministro bolsonarista Anderson Torres, que ainda não fez nada nem irá fazer.
Esses bolsonaristas não têm limites. O clima aqui em Brasília está péssimo. A indicação é de que, mesmo se conseguirem parar as manifestações, Lula não terá sossego um instante sequer.
Quanto à posse, tudo dependerá do número de manifestantes que os bolsonaristas conseguirem trazer para Brasília. A única maneira de evitar esse megaprotesto é estabelecer barragens nas rodovias e fazer retornar os ônibus e caminhões, e em locais bem distantes da cidade, para que os manifestantes não possam chegar a pé. Mas não há autoridade que possa determinar isso no atual governo. Por isso, é grave a crise.