quinta-feira, novembro 04, 2021

“Jamais”, diz Moro, desmentindo Bolsonaro sobre exigir cargo para trocar direção da PF


 (crédito: Agência Brasil/Reprodução)

Moro demonstra que Bolsonaro mentiu ao depor na PF

Luana Patriolino
Correio Braziliense

O ex-ministro Sergio Moro se manifestou sobre as acusações do presidente Jair Bolsonaro de que teria exigido uma indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) para aceitar o nome do delegado Alexandre Ramagem no comando da Polícia Federal.

Por meio de nota, o ex-juiz disse: “Jamais condicionei eventual troca no comando da PF à indicação ao STF”. E completou: “Não troco princípios por cargos. Se assim fosse, teria ficado no governo como ministro”.

DISSE O PRESIDENTE – Segundo Bolsonaro, em depoimento ao qual o Correio teve acesso, “ao indicar o DPF Ramagem ao ex-ministro Sergio Moro, este teria concordado com o presidente desde que ocorresse após a indicação do ex-ministro da Justiça à vaga no Supremo Tribunal Federal”.

Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Federal no inquérito que apura suposta intervenção política na corporação. A oitiva foi realizada na noite de quarta-feira, em Brasília, a quatro dias do fim do prazo judicial. O depoimento ocorreu após determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.

O chefe do Executivo está na condição de investigado pelo caso. Uma das provas é um vídeo de uma reunião ministerial ocorrida no Palácio do Planalto em 22 de abril de 2020. No encontro, o chefe do Executivo disse que iria “intervir” na superintendência da corporação no Rio de Janeiro, para beneficiar familiares. Durante o imbróglio, Moro pediu demissão da pasta.

DIZ SÉRGIO MORO – Leia a nota de Sergio Moro na íntegra:

“Sobre o depoimento do Presidente da República no inquérito que apura interferência política na Polícia Federal, destaco que jamais condicionei eventual troca no comando da PF à indicação ao STF. Não troco princípios por cargos. Se assim fosse, teria ficado no governo como Ministro. Aliás, nem os próprios Ministros do Governo ouvidos no inquérito confirmaram essa versão apresentada pelo Presidente da República. Quanto aos motivos reais da troca, eles foram expostos pelo próprio Presidente na reunião ministerial de 22 de abril de 2020 para que todos ouvissem. Também considero impróprio que o Presidente tenha sido ouvido sem que meus advogados fossem avisados e pudessem fazer perguntas”, assinalou o ex-juiz.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Desculpem a redundância, mas vejam a que ponto caiu a baixeza do presidente Bolsonaro. É óbvio que ele mentiu ao prestar depoimento perante a Polícia Federal. Deveria ter se defendido com a dignidade que se esperava, apesar de praticamente ser réu confesso, devido à existência da gravação, que o Planalto tentou de todas as formas ocultar, chegando a ponto de alegar que as reuniões ministeriais não eram gravadas. Ou seja, além de ser um governo de fake news, é também de fake depoimentos. Uma vergonha para o país(C.N.)  

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