sexta-feira, novembro 05, 2021

Governo erra em quase 50% o saldo de empregos formais gerados no Brasil, em 2020


Charge do Joao Bosco (O Liberal)

Pedro do Coutto

Incrível. Reportagens de Fernanda Trisotto, O Globo, e Leonardo Vieceli, na Folha de S.Paulo, em edições de ontem, revelam que o Ministério do Trabalho errou em 47% o número de vagas com carteira assinada no mercado formal de empregos em 2020. É algo surpreendente porque o governo tinha feito uma estimativa de 142,6 mil empregos criados ou recuperados. Mas na realidade foram 75,8 mil. Quase a metade.

A justificativa apresentada pelo Ministério do Trabalho está desconexa na medida em que explica que o que aconteceu foi o resultado de declarações feitas por empresas fora do prazo da transição de informações sociais. O que houve efetivamente foi uma super notificação  comemorada no início deste ano pelo ministro Paulo Guedes e pelo presidente Jair Bolsonaro. Não era nada disso.

RETRAÇÃO – Se o próprio Paulo Guedes havia informado que houve uma retração na economia, dificilmente poderia ocorrer um aumento do mercado de trabalho. Era uma contradição flagrante. Inclusive, o emprego com carteira assinada é fácil de ser comprovado, uma vez que ele acarreta contribuições para o INSS e para o FGTS. Assim, qualquer acréscimo no mercado de trabalho reflete na receita desses dois fundos.

Outra explicação do Ministério do Trabalho e Previdência que a mim parece flutuar é a de que em 2020 as demissões atingiram 2,2% e as demissões 1,8%.  Porém, essa diferença percentual de 0,4% sobre o mercado de trabalho como um todo, não poderia gerar uma diferença de 142,6 mil para 75,8 mil. A força de trabalho formal, embora reduzida, reúne no mínimo 70 milhões de pessoas. Não faz sentido os números apresentados.

INFORMALIDADE – Ultimamente, o governo vem se defendendo do desemprego, apontando o crescimento do trabalho informal. Mas, relativamente à informalidade é difícil poder calcular porque o trabalho informal não inclui contribuições nem para o FGTS e nem para o INSS. Como medir então esse movimento fora do sistema trabalhista com vínculo de emprego? É precário. Teria que haver uma pesquisa minuciosa em todo o país. Mas pode-se calcular, vá lá que seja, nos centros urbanos. Mesmo assim é impraticável.

Como verificar uma relação de trabalho remunerado com pessoas que lavam carros pelas calçadas? Como levantar com precisão oscilações no trabalho doméstico ? Isso para não falar na questão da renda que tanto está em função do emprego como do salário pago por empregado. Uma demanda intensa de emprego e uma oferta escassa, evidentemente, influi no preço e com isso o processo compromete, obviamente, tanto o seguro social representado pelo INSS, quanto o fundo decorrente do recolhimento para o FGTS.

PRECATÓRIOS – Depois de progressivas sessões que terminaram na madrugada de quinta-feira, como revelaram a TV Globo e GloboNews pela manhã de ontem, o tais modificações, a meu ver, estabelecem uma confusão orçamentária, além de uma discriminação inconcebivel. A emenda adia o pagamento de precatórios a pessoas que aguardam há 30 anos pela concretização de seus direitos.

Tem mais: como serão feitos os pagamentos de R$ 400 por mês aos que não estão inscritos no Bolsa Família e que agora teoricamente teriam direito ao Auxílio Brasil? A pergunta conduz a uma sombra; será que muitos pagamentos se tornarão apenas nominais?

VITÓRIA REPUBLICANA – Reportagem de Rafael Balago, Folha de S. Paulo, e matéria no O Globo não assinada, destacam como de grande importância política a vitória do candidato republicano Glenn Youngkin derrotando o governador democrata da Virgínia,Terry McAuliffe. A diferença não chegou a dois pontos percentuais. Na minha impressão, transformar essa vitória numa prévia para as eleições do ano que vem representa um estudo a ser comprovado na prática.

Em Nova York, Eric Adams, democrata, venceu a prefeitura por 66% da votação. Em Boston, a democrata de origem asiática, Michelle Wu, conquistou a prefeitura. Vai suceder a democrata Kim Janey. Em matéria de eleições, não basta apenas confrontar legendas partidárias. Elas se desenrolam também com base no desempenho pessoal dos candidatos ou candidatas.

PARCERIA – Raphaela Ribas, O Globo de ontem, revela que a Globoplay e  a discovery+ firmaram uma parceria especial para oferecer conteúdos complementares no mercado chamado streaming. Temos, portanto, nas telas da TV mais uma parceria envolvendo o grupo Globo. Trata-se da abertura de mais uma canal diversificado, presumo.

O canal da Globoplay, separadamente, inclui um pagamento mensal pequeno, de R$ 22 pelo acesso. O canal Discovery já se encontra embutido em assinaturas que abrangem os canais fechados de modo geral. A matéria de Raphaela Ribas assinala que o preço mensal do novo acesso está previsto em R$ 34,90 por mês. O acesso a ser contratado inclui além da Globoplay  e, como é natural da TV Globo, os canais Multishow, GNT, Viva. Gloob, MegaPix e Futura.

Do lado da  discovery+  , o Planeta Perfeito e a BBC, além de programas infantis. Interessante a respeito do mercado de audiência de televisão seria o caso da Kantar, que adquiriu o Ibope, publicasse uma pesquisa sobre a audiência dos canais abertos e fechados divididos pelas horas do dia e da noite porque na minha visão audiência também é uma questão de tempo e de espaço disponível.

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