segunda-feira, novembro 08, 2021

Facebook: Brasil lidera em discurso do ódio, violência explícita, desinformação e exposição de menores

Publicado em 8 de novembro de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Adnael (humorpolitico.com.br)

Pedro do Coutto

Na edição de sábado, dia 7, o Estado de S. Paulo, publicou reportagem de Bruna Arimathea, Bruno Romani e Giovanna Wolf, com base em documento interno do Facebook que vazou para o New York Times, The Guardian, Le Monde e para o próprio Estadão. O documento focaliza também as correntes mais comuns do WhatsApp, cujas características são praticamente iguais às do Facebook em matéria de mensagens brasileiras.

Na edição de domingo, a Folha de S. Paulo, reportagem de Patrícia Campos Mello e Lucas Alonso trata da posição brasileira no Facebook que alerta para a circulação da violência de modo geral, incluindo, mas não priorizando, o Brasil. A matéria do Estado de S. Paulo compara a chamada onda tóxica, reunindo principalmente o Brasil, a Índia e os Estados Unidos, provavelmente por se tratarem de países de maior população, excetuando-se os regimes fechados da China e da Rússia.

DISCURSOS INFLAMADOS – O Brasil lidera entre os três. Ao que se refere aos discursos inflamados, o Brasil alcança 78 pontos contra 57 dos Estados Unidos e 50 da Índia. No bullying o Brasil lidera com 58 contra 45 dos Estados Unidos. Relativamente à desinformação, o Brasil registra 48 pontos, contra 45 da Índia e 40 dos Estados Unidos.

No campo da violência explícita, o Brasil dispara com 70 pontos, enquanto a Índia  e os Estados Unidos, respectivamente, têm 54 e 51 pontos. No terrorismo, o Brasil lidera com 70, seguida pelos Estados Unidos com 52 e pela Índia com 44. Na exposição indevida de menores, o Brasil registra os mesmos 70 pontos , a Índia 43 e os Estados Unidos 42.

No WhatsApp, parte do sistema do Facebook, o quadro praticamente se repete. Sobre os discursos inflamados, o Brasil tem 58, os Estados Unidos 55. No bullying, o Brasil registra 58 e os Estados Unidos 44. Na desinformação, Brasil 51, Estados Unidos 33 e Índia 51. No WhatsApp surge a questão do roubo de identidade. provavelmente, penso, uma pessoa se fazendo passar por outra; 74 no Brasil, 58 nos Estados Unidos, 44 na Índia.

INVESTIGAÇÃO – O documento aponta que, no Brasil, existe a percepção de que desinformação, linguagem política incendiária, bullying e exploração de crianças são problemas muito maiores no Facebook do que em outras plataformas. A empresa recomenda que uma equipe investigue “por que o alcance [de conteúdo de exploração infantil] é maior [no Facebook] do que em outras plataformas no Brasil e na Colômbia”.

Além disso, o texto afirma que as mensagens políticas são o tipo de desinformação com maior alcance na plataforma no Brasil, na percepção das pessoas.

Já nos Estados Unidos e no Reino Unido a visão geral é que o conteúdo noticioso é o maior veículo de desinformação cívica, ligada à integridade eleitoral ou das instituições, no Facebook.  A percepção avaliada pela empresa é de que, no Brasil, considera-se que o Facebook é a plataforma em que o discurso político incendiário tem o maior alcance.

A matéria do Estado de S. Paulo destina um capítulo ao impacto social e psicológico dos rumos presentes na constelação de Zuckerberg. Um perigo de difícil combate  já que, como sustento sempre, nas redes sociais da internet cada um é o editor de si mesmo. As restrições podem ser tomadas e vem sendo pelos canais através dos quais as mensagens são desferidas e atingem em múltiplos casos gratuitamente a honra e a privacidade de seres humanos. Há necessidade de um estudo mais profundo sobre a matéria, sobretudo porque o fenômeno estende-se também a Instagram, TikTok e Twitter.

META – As informações foram encaminhados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos e fornecidos por Frances Haugen ao Congresso Americano. A reportagem destaca que a Folha de S. Paulo faz parte do consórcio de veículos e mídia que teve acesso aos papéis, revisados por advogados  e com trechos ainda ocultos. O Facebook, tal a gravidade do assunto, mudou de nome e passou a tentar ser conhecido como Meta, palavra em português.

Uma das questões que mais preocupam os dirigentes do Facebook é a exploração infantil. As análises tiveram base também nas plataformas. No relatório reservado, o Facebook refere-se ao perigo da violência explícita e acentua que as percepções detectadas dependem de uma série de fatores, incluindo contextos culturais. Porém, acho que há assunto, como é os casos legais e morais, que apresentam os mesmos riscos e gravidade em todas as línguas, incluindo o campo da pornografia e o roubo de identidade.

As reportagens no Estadão e na Folha de S. Paulo certamente serão lidas atentamente pelo ministro Luís Roberto Barroso, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e pelo ministro Alexandre de Moraes que vai sucedê-lo no TSE. Inclusive, O Globo, através de reportagem de Mariana Muniz, focaliza a preocupação de Luís Roberto Barroso com a monitoração do Telegram. Mariana Muniz ouviu também o ministro Edson Fachin que afirmou que a desinformação bloqueia o direito dos eleitores. Na Folha de S. Paulo, Matheus Teixeira entrevista o ministro Alexandre de Moraes sobre sua ideia de coibir e impedir as fake news nas eleições.

PRECATÓRIOS – Em artigo publicado ontem no O Globo, Merval Pereira sustenta, com razão, que o caso da emenda dos precatórios, principalmente pela corrupção que se desenvolveu sobre a votação, dá margem ao Supremo Tribunal Federal de decidir a questão e estabelecer a  moralidade na ação dos deputados que aprovaram a matéria. Bernardo Mello Franco, também no O Globo, ontem focalizou o assunto novamente, já que havia escrito na última semana.

Uma coisa é certa, digo, a relatora Rosa Weber anulou a distribuição à varejo de vultosas verbas do orçamento secreto da Câmara Federal. Em primeiro lugar, o orçamento não pode ser secreto, pelo contrário. A lei estabelece a sua publicação em Diário Oficial. Em segundo lugar, o que a meu ver constitui um argumento muito forte para que a PEC dos Precatórios seja anulada é o principio elementar de direito de que de nenhum ato ilegal pode resutar qualqeur efeito legitimo. Portanto, a aprovação da PEC pela Câmara não pode ser considerada um ato legítimo.

MORO SEM BASE POLÍTICA – Mariana Holanda e Ricardo Della Coletta, Folha de S. Paulo, focalizam na edição de ontem, opiniões de integrantes do Palácio do Planalto, considerando que Sergio Moro, que está tentando lançar-se à Presidência da República, não possui base política capaz de ameaçar a candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição. Faz sentido. O ex-ministro da Justiça não possui base partidária sólida para disputar o Palácio do Planalto nas urnas do próximo ano.

E também não se encontra em condições favoráveis a dar o seu apoio, o que seria importante, nem a Lula da Silva ou a Jair Bolsonaro. Está processando Bolsonaro na justiça por interferência na Polícia Federal quando ele ocupava a pasta da Justiça. E não pode apoiar Lula basicamente porque o condenou à prisão no caso do triplex do Guarujá, além de revelar a conexão de empresas empreiteiras com obras públicas.

FÓRMULA 1 – Pouco antes do início da temporada da Fórmula 1 neste ano, a TV Globo desistiu de disputar os direitos de transmissão como vinha fazendo há mais de dez anos. O jornal O Globo não vinha noticiando as disputas. Mas, neste domingo, ontem, mudou. A repórter Tatiana Furtado assina uma ótima matéria sobre o Grande Prêmio do México que aconteceu neste domingo, dando destaque à luta entre Hamilton e Verstappen.

No texto, cita a transmissão pela Band e o horário que marcou o início da competição. Foi importante o fato, a meu ver. O jornalismo deve ser exercido assim, atendendo ao interesse do público.

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