Publicado em 18 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Pazzuello se desmoralizou perante seus colegas de farda
Vicente Nunes
Correio Braziliense
A demissão do general Eduardo Pazuello do Ministério da Saúde pelo presidente Jair Bolsonaro está causando constrangimento no alto escalão do Exército. A visão predominante entre os generais é de que não há espaço para o retorno dele à Força. A torcida é para que ele vá direto para a reserva.
Generais da ativa dizem que a estrutura do Exército está toda montada. Portanto, seria um transtorno ter de acomodar Pazuello na Força.
DIREITO DE VOLTAR – “Como ninguém quer abrir mão do cargo que ocupa atualmente, o melhor é que Pazuello vá para a reserva”, diz um militar. “Mas ele tem o direito de voltar, se quiser”, acrescenta.
Outro ponto que pesa contra a volta do quase ex-ministro ao Exército é a questão política. Pazuello na Força significa trazer para dentro do quartel todo o desastre que foi a gestão dele no Ministério da Saúde.
Segundo informações de dentro do Exército, automaticamente Pazuello terá de passar para a reserva no próximo ano. É que completará o tempo dele como general intendente. Ele é general três estrelas, não tem mais como ser promovido. Pelas regras, ele pode ficar, no máximo, quatro anos como general três estrelas ou oito, como oficial general.
IR PARA A RESERVA – “O quadro ideal é que Pazuello entre logo para a reserva, sobretudo se quiser continuar no governo”, acrescenta outro militar. Ele acrescenta que a exoneração de Pazuello do Ministério da Saúde deve ocorrer em um ou dois dias, no máximo.
A meta de Bolsonaro é manter Pazuello no governo. Um dos postos cogitados é a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), vinculada à Presidência da República, que é um cargo de natureza miLItar. Bolsonaro quer arrumar um jeito de manter o foro privilegiado do quase ex-ministro, que responde a vários processos na Justiça.
“Dentro do Exército, pouco importa se Pazuello ficará no governo, ou não. O que os generais querem é que ele vá rapidamente para a reserva, para descolar a imagem dele da Força”, enfatiza um terceiro militar ouvido pelo Blog. “Queremos que ele deixe de ser problema. Será um alívio vê-lo fora do Ministério da Saúde”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O fato concreto é que Pazuello e os outros oficiais generais (todos da reserva, exceto ele) não representam e jamais representaram ou representarão o Exército no governo. Quem o faz é exclusivamente o general Eduardo Pujol, no cargo de comandante da Força. Se Pazuello quiser permanecer na ativa, vai acabar encostado na parede, como se fosse uma vassoura velha. (C.N.)