
Novo ditado: “Família que rouba unida permanece unida”
Vicente Nunes
Correio Braziliense
O presidente Jair Bolsonaro venceu as disputas eleitorais de 2018 com um duro discurso contra a corrupção. Garantia que, no seu governo, tudo seria diferente. Pois bem, quase dois anos e meio depois da posse dele, os quatro filhos — Flávio, Eduardo, Carlos e Renan — estão sob investigação da Justiça e da Polícia Federal.
O caso mais recente envolve o filho mais novo do presidente: Renan Bolsonaro. A Polícia Federal abriu, na segunda-feira (15/03), um inquérito para apurar negócios envolvendo o 04. O alvo, segundo a Folha de S. Paulo, é uma empresa de Renan que tem relações com o governo federal. Ou seja, o filho 04 teria a missão de abrir portas no Executivo.
ESQUEMA DAS RACHADINHAS – O filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro, é acusado de comandar um esquema de rachadinha quando era deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Pelas investigações, ele receberia boa parte dos salários de pessoas empregadas em seu gabinete.
Os recursos teriam sido lavados em uma loja de chocolates, que foi vendida para que Flávio pagasse parte da entrada da mansão que comprou em Brasília por quase R$ 6 milhões.
O mesmo esquema de rachadinhas, com funcionários fantasmas, é investigado no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro na Câmara Legislativa do Rio de Janeiro. O Ministério Público já levantou uma série de informações.
FAKE NEWS ETC. – O deputado federal Eduardo Bolsonaro, por sua vez, é alvo de dois inquéritos abertos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Um deles apura a disseminação de notícias falsas (fake news) e ofensas contra autoridades, enquanto o outro investiga a organização, a convocação e o financiamento de atos antidemocráticos. As investigações estão a cargo da Polícia Federal.
Flávio, Carlos, Eduardo e Renan Bolsonaro negam as irregularidades e se dizem vítimas de perseguição política para prejudicar o pai.
FLÁVIO SE COMPLICA – No caso de Flávio, em fevereiro último, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as quebras de sigilo relacionadas ao caso das rachadinhas. Mas nesta terça-feira (16/03), a Quinta Câmara do STJ rejeitou por unanimidade um recurso da defesa de Flávio para considerar ilegal a investigação realizada pelo Coaf, o órgão de inteligência financeira do governo. E assim o caso se complica novamente, ao invés de ser enterrado de vez.
E as investigações enfim chegaram a rachadinhas também no gabinete de Jair Bolsonaro, quando era deputado federal, até 2018, segundo levantamento feito pelo portal UOL.
Todas essas investigações têm causado apreensão no presidente da República, que, a cada nova denúncia contra a família, cria fatos para tentar distrair a opinião pública. Mas os casos já pesam na popularidade do governo, que está em baixa.